sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

LEITURAS DO ANO



Fugindo das manjadas listas de "melhores do ano", o site gringo The Millions organizou mais uma edição da série "Year in Reading" em que escritores (norte-americanos em sua maioria) falam sobre os livros que leram e gostaram no ano de 2012. Jeffrey Eugenides, por exemplo, adorou o badalado romance Stone Arabia, de Dana Spiotta que figurou no clube do livro da New Yorker. 

Hari Kunzru, autor do livro Gods Without Men (que será traduzido pela editora Nossa Cultura, em 2013), terminou de ler a monumental trilogia Seu rosto amanhã, de Javier Marias.

Já Zadie Smith foi direto ao ponto elegendo sem nenhuma justificativas Sonhos de trem, de Denis Johnson (quase ganhador do Pulitzer nesse ano) e Building Stories, de Chris Ware. Simples assim!

Para finalizar, Paul Murray, autor do romance Skippy Dies - ainda não traduzido no Brasil -, escolheu Wolf Hall, da premiadíssima Hilary Mantel e HHhH, de Laurent Binet.

A série "Year in Reading" ainda não terminou, mas pode ser consultada aqui.

*Imagem: reprodução do Google.
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PRÊMIOS LITERÁRIOS PARA APRESSADINHOS



Vamos supor que você esteve muito ocupado nos últimos seis meses e não teve tempo de acompanhar nenhuma notícia sobre os famosos prêmios literários da temporada. Pois é, a gente sabe que nos dias de hoje a vida anda muito corrida. Não se preocupe! Preparei um resumo com tudo o que você precisa saber para não ficar com cara de paisagem na frente dos seus amigos. Pode servir como uma retrospectiva do semestre, quem sabe? Não leva nem três minutos para ler:

National Book Award - The Round House, de Louise Erdrich. Joe é um garoto de origem indígena que planeja vingar o estupro sofrido por sua mãe. É importante você saber que... O livro faz parte de uma trilogia.

Prêmio Goncourt - Le sermon sur la chute de Rome, Jérôme Ferrari. Matthieu abandona os estudos de filosofia, em que era brilhante, para abrir um bar na Córsega com um amigo de infância, Libero. É importante você saber que... o livro teve os direitos comprados no Brasil pela Editora 34 e deverá ser lançado em 2013.

Prêmio Jabuti -  Nihonjin, de Oscar Nakasato. Hideo chega ao Brasil com o objetivo de enriquecer, mas vários problemas servirão como um teste para a inflexibilidade do nihonjin. É importante você saber que... O prêmio sempre é cercado de polêmica e dessa vez o imbróglio rolou em torno de um certo "jurado C" que conferiu notas baixas aos romances tidos como favoritos. O livro do ano ficou com o infantojuvenil A mocinha do mercado central, de Stella Maris Rezende.

Prêmio Cunhambebe - Dublinesca, de Enrique Vila Matas. Um velho editor prestes a abandonar a profissão celebra o fim de uma época da literatura. É importante você saber que... o prêmio é dedicado a tradução de ficção estrangeiras publicadas no Brasil.

Prêmio Portugal Telecom - a máquina de fazer espanhóis, de valter hugo mãe. Silva, um barbeiro de 84 anos, perde a mulher e vai para um asilo. Sozinho, ele se vê obrigado a investigar novas formas de conduzir sua vida. É importante você saber que... na categoria conto o vencedor foi  O anão e a ninfeta, de Dalton Trevisan.

Bad Sex in Fiction - Infrared, de Nancy Huston. Uma fotógrafa que se especializou em fazer fotos em infravermelho dos seus amantes durante o sexo. É importante você saber que... o prêmio é direcionado as piores cenas de sexo criadas em ficção. O júri do prêmio decidiu excluir os romances de E.L. James por estarem aquém da qualidade literária exigida.

Man Booker Prize - Bring up the Bodies, de Hilary Mantel. Romance histórico sobre a vida de Thomas Cromwell, ministro chefe de Henrique VIII. É importante você saber que... é o segundo livro de uma trilogia e Hilary Mantel já ganhou o Man Booker pelo primeiro livro, Wolf Hall. Ou seja, quando o terceiro livro for publicado o prêmio irá automaticamente para as mão dela.

Nobel de Literatura - Mo Yan, escritor chinês. Segundo a Academia Sueca, ele ganhou o prêmio "pelo retrato da conturbada história de seu país, em uma descrição em que se mesclam as tradições e os ritos do mundo rural e em uma linguagem de realismo e magia, assim como a ironia e a sensibilidade". É importante você saber que... Mo Yan desbancou o favoritismo de Haruki Murakami e várias pessoas ao redor do mundo reagiram com críticas duras a premiação.

*Imagem: retirei daqui.

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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

PRESENTES DE NATAL - 2012


Não posso fugir a tradição de todos os anos. Por isso, organizei uma seleção de presentes para o natal. No "guia de compras" entraram apenas livros de ficção em prosa lançados ao longo do ano de 2012. A intenção é ajudar na hora das compras de última hora para o amigo secreto e tudo o mais. Pode ter certeza que com essas dicas você não vai fazer feio.

O serviço inclui imagem de capa do livro, título, autor, tradutor, preço e link para o site das editoras. O preço pode variar dependendo da livraria em que você compra em função de ofertas promocionais, programas de fidelidade, descontos, compra pela internet, importação etc.




1Q84, de Haruki Murakami, traduzido por Lica Hashimoto (Alfaguara Brasil; R$ 49,90). A saga surrealista de Aomame e Tengo num mundo repleto de referências a cultura pop. 

Mar azul, de Paloma Vidal (Editora Rocco; R$29,50). A fratura entre a leitura e a escrita e a impossibilidade de contar uma história que alguém nos conta.

A comédia humana - v. 1, de Honoré de Balzac, traduzido por Vidal de Oliveira (Biblioteca azul; R$ 74,90). Toda a obra de Balzac reunida em 17 volumes distribuída entre romances, novelas e contos. Um verdadeiro painel da vida moderna. 

Oblómov, de Ivan Goncharov, traduzido por Rubens Figueiredo (Cosac Naify; R$ 119,90). Não existe um mal contemporâneo maior do que a preguiça. 

Dom Quixote - 2 volumes, de Miguel de Cervantes, traduzido por Ernani Ssó (Penguin Companhia; R$ 79,00). Um clássico que nasceu a partir de uma paródia das famosas novelas de cavalaria.

A confissão da leoa, de Mia Couto (Companhia das Letras; R$ 39,50). Uma história de amor em meio a riqueza dos mitos e lendas de um lugar que está nos confins da África

Composition n.º 1, de Marc Saporta (Visual Editions; $29,20 - importado R$ 115,70). Um livro dos anos 60 em que vale aquela máxima "a ordem das páginas não altera o produto".

Barba ensopada de sangue, de Daniel Galera (Companhia das Letras; R$ 39,50). Um segredo do passado põe em marcha o destino de um homem rumo a natureza selvagem.

Foras da lei..., vários autores, traduzido por Heloisa Jahn (Cosac Naify; R$ 49,90). O estranhamento das coisas do mundo visto e ilustrado pelo olhar de renomados escritores.

Pagando por sexo, de Chester Brown, traduzido por Marcelo Brandão Cipolla (WMF Martins Fontes; R$ 47,00). Se não pagar é amor. Se pagar é sexo. Por algumas páginas, deixem de lado suas fantasias e tomem um banho de realidade.

Building stories, de Chris Ware (Jonathan Cape; $30 - importado R$ 144,70). Histórias da vida inteira reinventadas num livro em diversos formatos.

*Imagem das capinhas: divulgação / montagem: Rafael R.
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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

BALADA LITERÁRIA 2012



A Balada Literária já está rolando em São Paulo, no Rio de Janeiro e Recife faz tempo. No entanto, a Balada propriamente dita vai começar na próxima semana, em 28 de novembro. O grande homenageado será o escritor Raduan Nassar que não estará no evento, infelizmente - ele abandonou a literatura em 1984, muito antes de Philip Roth, e desde então evita falar sobre o assunto. Um encontro comandado por Leyla Perrone-Moisés, Roniwalter Jatobá e Wladyr Nader e uma conversa com Luiz Fernando Carvalho e Selton Mello (respectivamente, diretor e ator da adaptação de Lavoura arcaica ao cinema) devem substituir a ausência. Ah! A atriz Simone Spoladore (que também esteve no filme) faz uma participação especial no encerramento da Balada.

O momento mais aguardado por muita gente (cof!) será o lançamento da antologia Granja, organizada por Felipe Valério e Luis Rafael Montero, que trará 15 autores brasileiros quase inéditos. É uma espécie de paródia da revista Granta e a super comentada edição  com os melhores jovens escritores brasileiros. Para quem não lembra, a dupla Felipe e Rafael também esteve por trás da coleção Que viagem que parodiava a série Amores Expressos. Ou seja, os caras tem experiência no assunto.

No mais, a Balada vem quente com saraus, filmes, bandas, muitos lançamentos e até uma Balada Jovem. Rola de 28 de novembro até 2 de dezembro em vários lugares da cidade de São Paulo. Aqueles que ainda tiverem forças podem curtir a Ressaca Literária em 5 de dezembro com Milton Hatoum.

A programação completa está disponível no site baladaliteraria.zip.net

Nós vemos por lá!

*Imagem: edições passadas da Balada/divulgação.
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domingo, 11 de novembro de 2012

REVISTA LER


Falando em literatura portuguesa...

De olho no mercado internacional de falantes de português, a revista portuguesa LER acaba de lançar sua versão digital. O primeiro número tem Alberto Manguel na capa e deliciosas reportagens sobre roubos literários, J.K. Rowling, Thomas Pynchon e muito mais. Disponível para compra na Bertrand Livreiros e na livraria virtual Wook pelo preço de 5,00€.

*Imagem: reprodução capa LER.
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A BOA INVASÃO PORTUGUESA



"Daqui do morro dá pra ver tão legal
O que acontece aí no seu litoral
Nós gostamos de tudo, nós queremos é mais
Do alto da cidade até a beira do cais
Mais do que um bom bronzeado
Nós queremos estar do seu lado"
Ultraje a Rigor

Enquanto os jovens escritores brasileiros estão invadindo as praias europeias, norte-americanas e quiça asiáticas em razão do lançamento internacional da revista Granta, os jovens escritores portugueses estão invadindo o nosso litoral. De forma muito bem-vinda, diga-se de passagem.

Como parte das comemorações do “Ano de Portugal no Brasil” a editora Leya (aqui do Brasil) acaba de lançar uma série de livros com os novos nomes da literatura portuguesa. A coleção chama-se Novíssimos e terá dez livros de dez autores diferentes. A seleção ficou a cargo dos editores do grupo Leya que vasculharam nomes do seu próprio catálogo e do catálogo dos selos Dom Quixote, Editorial Caminho, Editorial Asa e Editorial Teoremas (que pertencem ao grupo). Os critérios de escolha não foram ineditismo, quantidade de livros publicados ou idade do escritor, mas a originalidade e qualidade literária - apenas três selecionados estão lançando seu primeiro romance, um selecionado já publicou quatro livros e os dois mais velhos nasceram em 1964 e 1967. Com isso, é importante destacar que a coleção não pretende fazer o retrato de uma literatura geracional ou de uma literatura cujos autores compartilham dos mesmos traços estéticos ou ideológicos. É somente boa literatura portuguesa.

Os primeiros cinco livros da série são O teu rosto será o último, de João Ricardo Pedro; No meu peito não cabem pássaros, de Nuno Camarneiro; Para cima e não para norte, de Patrícia Portela; Por este mundo acima, de Patrícia Reis; e Um piano para cavalos altos, de Sandro William Junqueira. Os cinco escritores estão no Brasil participando de eventos para o lançamento da coleção.

Para 2013, a Leya promete completar a coleção com os livros Anatomia dos mártires, de João Tordo; Deixem passar o homem invisível, de Rui Cardoso Martins; Deixem falar as pedras, de David Machado; Rio de homem, de André Gago; e Sandokan & Bakunine, de Bruno Margo. Com certeza alguns desses escritores estarão na próxima FLIP.

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O design colorido das capas foi assinado pelo ateliê de design português "Ideias com peso".

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E que venham mais portugueses!

*Imagem: divulgação
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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

TATUAGEM E LITERATURA

Você já deve ter percebido que de uns tempos para cá aumentou consideravelmente o número de pessoas com tatuagens espalhadas pelo corpo. Antigamente, a prática era alvo de certo preconceito e pertencia a determinados grupos sociais alternativos - as coitadinhas também ficavam em partes escondidas do corpo ou eram cobertas por camisas longas, blusas, cabelos compridos etc. Felizmente tudo mudou, qualquer pessoa pode fazer uma tatuagem e mostrar para todo mundo sem ter de enfrentar olhares de reprovação.

E você deve estar pensando "o que isso tem a ver com literatura"? Eu respondo: tudo. Tem gente tão apaixonada por um romance, um poema e até uma capa de livro que precisa tatuar aquilo no corpo. Além do significado do texto (ou do desenho) propriamente dito, existe a beleza do resultado estético.

A maior prova dessa tendência de tatuagens literárias são a série comemorativa da Penguin que tinha seis capas de livros desenhadas por grandes tatuadores (a série chama Penguin Ink) e o livro The Word Made Flesh, da Eva Talmadge e Justin Taylor que contou com a colaboração de várias pessoas enviando fotos de suas tatuagens. 

Pegando carona nessa ideia, eu e minha amiga Tatiana Mello (que sabe muita coisa sobre tatuagem) procuramos pessoas aqui no Brasil que tinham tatuagens literárias e pedimos fotos. O resultado está logo abaixo.

Aproveito a oportunidade para fazer uma convocação: mande uma foto da sua tatuagem literária pelo e-mail (no lado esquerdo do blog). Vale citação do seu escrito preferido, trecho de romance, verso, desenho de capa ou ilustração. Não se esqueça de dizer o nome do tatuador, uma transcrição do texto e o livro de onde você retirou. Se for ilustração, por favor, diga o nome do artista em que o desenho foi baseado. Sinta-se livre, caso queira contar a história da tatuagem para você.



"I am the master of my fate: I am the captain of my soul". Poema Invictus, de William Ernest Henley Tatuador: Marcel Oliveira - facebook.com/MARCELSAMTATTOO Crédito foto: Tatiana Mello



Tatuagem da Melissa Castagnari - "A redução do universo a uma única criatura, a dilatação de um único ser até deus, eis o amor". Trecho de Os miseráveis, de Victor Hugo. Tatuador Eduardo - West Ink http://westinktattoo.blogspot.com.br Crédito foto: arquivo pessoal



Tatuagem do Raul Risso - "Learn to live, rest when you die. What you need is within you". Trecho de Clube da luta, de Chuck Palahniuk. Tatuador: Ricardo Colombera 
https://www.facebook.com/Zombie-Tattoo-Art Crédito da foto: arquivo pessoal


Tatuagem da Tábata Couto - "Wear your heart on the top of your skin". Trecho de The Fifteen-Dollar Eagle, de Sylvia Plath. Tatuador Igor - navetattoo.com.br Crédito foto: Carlos Pêra

Tatuagem da Milena Sanches - "Sê inteiro". Da ode Para ser grande, sê inteiro: nada, de Ricardo Reis (heterônimo de Fernando Pessoa). Crédito da foto: arquivo pessoal

Se você tem uma tatuagem literária, manda uma foto que eu publico aqui no blog.
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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

UMA LONGA TEMPORADA DE PRÊMIOS


"Ao vencedor, as batatas". Quincas Borba, de Machado de Assis.
Todos devem estar malucos, afinal prêmios literários estão rendendo mais discussões do que religião, política e futebol juntos! A polêmica mais recente está acontecendo em torno do Prêmio Jabuti e a nota baixa do misterioso jurado "C" (na verdade, a identidade secreta dele foi revelada nessa semana numa reportagem da Folha de SP) que tirou Ana Maria Machado da competição. Como uma coisa puxa a outra, todo mundo relembrou o episódio do ano passado envolvendo Chico Buarque e Edney Silvestre. Pelo jeito a reformulação das regras não surtiu o efeito esperado e complicou ainda mais a premiação. Nem preciso dizer que o caso está estragando o prestígio e a reputação de um prêmio tradicional das letras nacionais. 

Teve até comentário de José Serra, candidato a Prefeitura de SP. Ao saber que o livro A privataria tucana estava na final do prêmio Jabuti – categoria Reportagem - disse: “Era só o que faltava. Depois da aparente fraude de um dos jurados, tudo é possível”.

O pessoal "do contra" está gritando pelas ruas o seguinte bordão: "esse é o país que vai receber a Copa".

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Felizmente, as discussões não estão restritas aos prêmios nacionais. Desde que ganhou o Nobel de Literatura, não tem um dia em que o chinês Mo Yan não abra os jornais e não veja seu nome relacionado a comentários ora elogiosos, ora maldosos. 

Do lado maldoso, teve gente dizendo que a Academia Sueca favoreceu Mo Yan porque um dos jurados do prêmio é tradutor dos seus livros. Liao Yiwu, escritor chinês, acusou o ganhador do Nobel de trabalhar a serviço do regime chinês. O artista Ai Weiwei (que aderiu ao estilo "Gangnam Style") lamentou muito a escolha e as editoras chinesas que estavam na Feira de Frankfurt praticamente ignoraram o laureado. Para piorar a situação Mo Yan virou alvo de uma disputa internacional entre agentes literários o que deve atrasar a tradução de seus romances pelo mundo afora - incluindo o Brasil. Por enquanto podermos recorrer a tradução de Peito grande, ancas largas que saiu pela editora Ulisseia e teve reimpressão.

Do lado elogioso, rolou uma notícia dizendo que a China vive uma verdadeira "Mo-mania" e a tiragem do seu livro Our Jing Ke esgotou instantes após o lançamento. Furor semelhante ao que ocorreu no Japão com Murakami no lançamento de 1Q84.

O pessoal "da teoria da conspiração" está gritando pelas ruas que Mo Yan está sendo vítima da maldição rogada pelos murakamistas japoneses que ficaram desapontados com a vitória do concorrente chinês. Aliás, dizem que a obra Murakami não despertou paixões na China.

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Se palpite ganhasse prêmio, os apostadores da Ladbrokes estariam milionários. Quem colocou dinheiro em Haruki Murakami e Will Self ficou no prejuízo - atitude muito perdoável, afinal acerta em cheio o nome do escritor premiado é como ganhar na MegaSena. Mo Yan ficou com o Nobel e Hilary Mantel com o Booker Prize. Ninguém acreditava que a organização do Booker fosse premiar uma autora já premiada num curto espaço de tempo (Wolf Hall foi publicado em 2009) - acho que nem a própria Mantel acreditava nisso. Antes dela, só Peter Carey e J.M. Coetzee. Por fim, a falsa ideia não se cumpriu e o Booker acabou nas mãos dela.

No discurso de agradecimento, Mantel mandou avisar que está escrevendo mais um livro para compor uma trilogia sobre a história de Thomas Cromwell - o primeiro foi Wolf Hall, seguido por Bring Up The Bodies (será publicado pela editora Record, em abril) e o último será o nome de The Mirror And The Light.

O pessoal da "especulação" está gritando pelas ruas que não importa quando publique o livro, o terceiro Booker Prize é dela.

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Outro mistério que parece distante de qualquer solução é a recusa de Javier Marías ao Prêmio Nacional de Narrativas, concedido pelo governo da Espanha. Pelo que dizem, ele não quis o prêmio no valor de 20 mil porque não quer ligações com instituições do governo espanhol. O que será que aconteceu? Marías ganhou o prêmio pelo romance Os enamoramentos.

O pessoal do "deixa disso" anda dizendo que o gesto é uma resposta política ao delicado momento que a Espanha enfrente diante da crise econômica que assola a Europa.

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E você está enganado se pensa que a polêmica do Jabuti está perto do fim. A lista oficial com o nome dos jurados e os grandes vencedores do prêmio livro do ano serão anunciados numa cerimônia, em 28 de novembro. Caso não apareça nenhuma outra polêmica.

Novembro encerra essa longa temporada de prêmios. Teremos o anúncio do ganhador do Prêmio Cunhambebe de literatura estrangeira e dos ganhadores do Prêmio Portugal Telecom - aliás, achei bacana a iniciativa dos organizadores de criar book trailers para os livros finalistas; se não vale para alavancar as vendas, vale como divulgação do livro e na pior das hipóteses como boa descontração. Aqui tem os book trailers da categoria romance.

*Imagem: reprodução de uma ilustração de D.G.Davis.
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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

VIDA LONGA AO CACHALOTE


"Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer."
Ítalo Calvino

Moby Dick está fazendo aniversário. Até o Google entrou na onda de comemorações com aquela tradicional brincadeira com seu logotipo. Desde setembro, no melhor estilo folhetim, o projeto mobydickbigread.com está criando uma espécie de audiobook na internet com pessoas lendo capítulos do livro que ficam disponíveis no SoundCloud, no iTunes e no Facebook. Contribuíram com a leitura Tilda Swinton, Matthew Barney e David Cameron, entre outros.

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Bendito seja o dia em que uma baleia atacou um barco pesqueiro no meio do oceano Pacífico, em novembro de 1820. Quer dizer, o incidente verídico propriamente dito foi horrível - segundo dizem, o barco afundou e a tripulação ficou à deriva por três meses, tendo de praticar até canibalismo para sobreviver -, mas nos deixou de herança um clássico da literatura universal: Moby Dick, ou a baleia.

A tarefa foi possível graças ao talento do jovem Herman Melville (com 32 anos na época da publicação do romance). Sua experiência de vida contava com uma longa viagem pelo Pacífico, cinco livros publicados, um casamento e a amizade de Nathaniel Hawthorne (renomado autor de A letra escarlate). Tanta maturidade permitiu a Melville enxergar a força simbólica daquele ataque revolto da natureza contra a ação humana e fazê-lo explodir em diversos temas complexos: a hierarquia das classes sociais, a polaridade entre o bem e o mal, as dúvidas sobre a existência de Deus, a obsessão humana etc. 

O romance foi publicado pela primeira vez em três volumes, na Inglaterra em 18 de outubro de 1851. Curiosamente, Moby Dick não fez muito sucesso naquele ano, quase foi esquecido e ficou relegado a um pequeno circulo de leitores em Nova York. Os verdadeiros responsáveis pela revisão do livro foram os críticos e escritores modernistas do começo do século 20 - especialmente Carl Van Doren, D. H. Lawrence e F. O. Matthiessen.

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Desde então, Moby Dick faz parte do imaginário popular e ganhou inúmeras adaptações para teatro, cinema, programas de rádio e TV, além de versões para quadrinhos. A aventura mais recente é Moby-Dick in Pictures: One Drawing for Every Page, de Matt Kish. O cara criou um blog onde publicava um desenho para cada página do romance. A repercussão foi tão grande que acabou virando livro.

Aliás, ele publicou no blog uma compilação com diversos trabalhos artísticos inspirados em Melville e sua obra prima.

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No Brasil, a edição definitiva do romance Moby Dick que foi lançada pela Cosac Naify. Tem tradução primorosa de Alexandre Barbosa de Souza e Irene Hirsch, uma série de notas explicativas, glossário náutico e fortuna crítica.

*Imagem: Moby Dick as Jaws by unknown/reprodução do Spudd64.
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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

BRASIL, PAÍS RICO É PAÍS COM ESCRITORES



Um assunto que está dominando as rodas de conversa nessa manhã é a notícia sobre a futura versão online do New York Times em português. O grupo que comanda o jornal está de olho no "bom" momento econômico do país e na ascensão da nova classe média - segundo uma pesquisa do Ibope NetRatings, o Brasil é o 5º país mais conectado do mundo com 83,4 milhões de usuários na internet (nosso tempo médio de navegação e gastos com compras online só aumentam); tudo isso nos torna um atraente mercado consumidor. A expansão internacional da marca não é novidade já que o jornal também vai ganhar uma versão online em chinês.

Parece que um terço do conteúdo será produzido aqui mesmo - com jornalistas brasileiros -, o restante será traduzido do inglês. Puxando a sardinha para a nossa brasa, resta saber se o suplemento 'Sunday Book Review' vai ganhar tradução na íntegra ou separadamente. Afinal, não seria de todo mau ler as resenhas críticas em português.

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Na semana passada, João Pombeiro, diretor da revista literária LER, esteve no Real Gabinete Português de Leitura no Rio de Janeiro para comemorar os 25 anos da revista. Aproveitando a ocasião, João anunciou que a LER vai ganhar uma versão digital a partir de novembro. Facilitando bastante a vida dos leitores brasileiros na hora comprar exemplares.

A edição desse mês tem Rubem Fonseca na capa com perfil assinado por pelos jornalistas brasileiros Tiago Petrik, Malu Porto e João Gabriel Lima.

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O inverso também é verdade. Durante a Feira de Frankfurt, a Fundação Biblioteca Nacional junto com outros patrocinadores lançou o primeiro número da revista Machado de Assis - Literatura Brasileira em tradução. É uma revista voltada para a divulgação da literatura brasileira no exterior. Trechos de livros e contos dos autores selecionados para a edição foram traduzidos para o inglês e espanhol. Entre eles estão Alberto Mussa, Andréa del Fuego, Bernardo Carvalho, Cristovão Tezza, João Paulo Cuenca, Joca Reiners Terron, Luiz Ruffato, Paloma Vidal, Rubens Figueiredo e André de Leones. A revista é digital e conta com um blog que divulga notícias em inglês do nosso mercado literário.

Aliás, acompanhei pelos jornais as notícias da Feira. Pelo visto, editoras do mundo inteiro ficaram bastante entusiasmadas com a nossa literatura. Parece que nesse ano as rodadas de negociações foram bastante lucrativas para as editoras brasileiras. Segundo informações do Estadão, foram negociados algo em torno de "US$ 195 mil, entre venda de livro impressos e de direitos autorais de obras brasileiras".

Agora você imagine no ano que vem, quando seremos o país convidado de honra da Feira?

*Imagem: © Frankfurter Buchmesse / divulgação
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