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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

LEITURAS DO ANO



Fugindo das manjadas listas de "melhores do ano", o site gringo The Millions organizou mais uma edição da série "Year in Reading" em que escritores (norte-americanos em sua maioria) falam sobre os livros que leram e gostaram no ano de 2012. Jeffrey Eugenides, por exemplo, adorou o badalado romance Stone Arabia, de Dana Spiotta que figurou no clube do livro da New Yorker. 

Hari Kunzru, autor do livro Gods Without Men (que será traduzido pela editora Nossa Cultura, em 2013), terminou de ler a monumental trilogia Seu rosto amanhã, de Javier Marias.

Já Zadie Smith foi direto ao ponto elegendo sem nenhuma justificativas Sonhos de trem, de Denis Johnson (quase ganhador do Pulitzer nesse ano) e Building Stories, de Chris Ware. Simples assim!

Para finalizar, Paul Murray, autor do romance Skippy Dies - ainda não traduzido no Brasil -, escolheu Wolf Hall, da premiadíssima Hilary Mantel e HHhH, de Laurent Binet.

A série "Year in Reading" ainda não terminou, mas pode ser consultada aqui.

*Imagem: reprodução do Google.
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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

MARTIN AMIS VICIADO EM VIDEOGAMES

A história mais comentada da semana foi um livro que o escritor Martin Amis queria muito esquecer. Não se trata de uma obra-prima da ficção daquelas que impedem o escritor de seguir adiante, tampouco de um romance mal escrito, mas de um guia para detonar jogos de videogame como PacMan (o famoso "Come-come") e Space Invaders (aquele jogo que você precisa impedir alienígenas de destruírem uma ciade). Para dizer a verdade, o guia é para jogos de fliperama pois quando o livro foi escrito, em 1982, os videogames como os conhecemos ainda estavam em estágio de desenvolvimento.

Quando escreveu Invasions of the Space Invaders, Amis era um verdadeiro viciado em jogos de fliperama e tinha publicado quatro romances sem muita repercussão. Seu primeiro grande sucesso viria somente com Grana, em 1984. Pode ser que ele tenha pensando em conseguir algum dinheiro extra enquanto a fama literária não chegava. Ou quem sabe ele encarasse o assunto como muito promissor para o futuro, afinal o livro tinha um caráter tão serio que ganhou introdução de ninguém menos que Steven Spielberg – prestes a lançar o filme E.T., o extraterrestre.

Seja como for, o tempo passou, Amis ganhou alguns prêmios literários, os videogames ficaram mais complexos e os fliperamas rarearam bastante (ficaram restritos aos shoppings, se não estou enganado). Tudo tornou o livro muito datado e ingênuo, sobretudo quando ele desdenha de Shigero Miyamoto, o criador do MarioBros, que na época tinha acabado de lançar Donkey Kong. Vale como um registro do começo de carreira de um escritor importante e como fonte de pesquisa para quem quer estudar os fliperamas dos anos 80.

Faz tempo que o livro está fora de catálogo. A história foi redescoberta por Mark O’Connell, no site The Millions (tem a história completa e trechos do livro). Não está na terceira edição do fanzine dedicada ao videogame, mas se estivesse não ficaria fora de contexto.

*Imagem: reprodução.
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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

NOTAS #33

Natal para escritores
Você tem alguma amigo escritor e não sabe como presenteá-lo? Não tem problema. O blog Jacket Copy, do LA Times, montou uma lista com catorze dicas de presentes incríveis que fogem daquele manjado novo romance da temporada ou daquela edição raríssima. Tem tatuagem de máquina de escrever, coleção de borrachas vintage, livros que são relógios, cadernos de anotações e mais. Meus três presentes preferidos foram um kit para você plantar seu próprio café (Grow-Your-Own-Coffee Kit da ThinkGeek; $10), a mesa de reescrita para evitar qualquer distração na hora do trabalho (Rewrite Desk da GamFrates - infelizmente não está disponível para venda) e o copo para Martini Dorothy Parker (Unemployed Philosopher's Guild; $13) junto com o conjunto de seis copinhos para bebidas (Great Drinkers Shot Glasses da Unemployed Philosopher's Guild; $16). Todos são importados. A lista completa está disponível em http://tinyurl.com/7b8axfl

Prêmios
Deixe o grande mundo girar, de Colum McCann continua fazendo uma boa trajetória. O livro ganhou o cobiçado National Book Award quando foi lançado nos Estados Unidos em 2009. Em junho desse ano recebeu o International IMPAC DUBLIN Literary Award e mais recentemente o Prêmio Cunhambebe de literatura estrangeira. McCann esteve na FLIP em 2010 e circulou calmamente pelas ruas de Paraty num visual bem veranista. Distribuiu muitos autógrafos, sorrisos e anotou diversos nomes brasileiros - para alguma personagem num eventual próximo romance. Por aqui, Deixe o grande mundo girar foi lançado pela editora Record com tradução de Maria José Silveira.


Nova tiragem
O filme Tão forte e tão perto, de Stephen Daldry com Tom Hanks, Sandra Bullock e Thomas Horn tem previsão de estréia em março de 2012. Pensando nisso, a editora Rocco colocou nas livrarias uma nova tiragem do romance Extremamente alto & incrivelmente perto, de Jonathan Safran Foer que serviu de ponto de partida para o filme. Curiosa foi a opção da Warner por traduzir o título para Tão perto e tão forte - devem ser questões comerciais. O livro lançando pela Rocco teve tradução de Daniel Galera e estava esgotado. A nova tiragem mantém a bela capa criada por Jon Gray.

Um ano de leitura
Pelo oitavo ano consecutivo o The Millions está organizando a série "A Year in Reading". Eles convidam grandes nomes da literatura norte-americana contemporânea, blogueiros e jornalistas para comentar qual foram as leituras marcantes de 2011. A lista inclui Jennifer Egan, Colum McCan, Geoff Dyer, Alex Ross, Jonathan Sanfran Foer e tantos mais. A lista completa (que tem atualização quase diária) está disponível em http://tinyurl.com/7qab83f

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O blog "Ponto Eletrônico" fez uma versão parecida com escolhas de Michael Laub, Antônio Xerxenesky, Luisa Geisler e Ana Guadalupe. O blog "mais1livro" montou uma lista igual mais diferente. Treze escritores estão recomendando livros para presentes de Natal.



O mármore
César Aira é um escritor inquieto. Em 36 anos de carreira ele já publicou 42 novelas - quase dois livros por ano, excluindo os livros de ensaios. El mármol, sua novela mais recente publicada esse ano pela editora La Bestia Equilátera, foi eleita pelo jornal El Pais como um dos melhores livros de 2011. Para além da história insólita, o charme do livro são as três capas criadas pela editora. Uma pena que Aira não faça tanto sucesso aqui no Brasil mesmo depois de ter participado da FLIP em 2007. Ele tem apenas três livros traduzidos para o português e alguns contos que foram publicados em revistas de ficção.

Sebald
Na semana passada completamos dez anos sem o escritor mais inovador da literatura contemporânea. Em 2001, W.G. Sebald sofreu um ataque cardíaco enquanto dirigia e morreu num acidente fatal envolvendo seu carro e um caminhão. Ele deixou quatro livros de ficção Vertigo, Os emigrantes, Os anéis de Saturno e Austerlitz que foram seminais por criar um estilo único misturando memória, ficção, literatura de viagem, história e biografia. Outra característica marcante de sua obra eram as enigmáticas fotografias em branco e preto que apareciam nos romances. Podemos ver um pouco da influência de Sebald na obra de Will Self, Geoffrey Dyer, Teju Cole, Jonathan Sanfran Foer, Javier Marias e Carola Saavedra. Foi uma enorme perda para a literatura.

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Na segunda edição do fanzine há um ensaio de Rick Poynor sobre a relação entre as fotografias e a história de Austerlitz - romance publicado em 2001 que poderia ter dado a Sebald o Prêmio Nobel de Literatura caso o acidente não tivesse acontecido. O ensaio se chama "W.G. Sebald: escrevendo com imagens" e está disponível em http://tinyurl.com/5tchj7g

*Imagens: reprodução.
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