segunda-feira, 19 de novembro de 2012

BALADA LITERÁRIA 2012



A Balada Literária já está rolando em São Paulo, no Rio de Janeiro e Recife faz tempo. No entanto, a Balada propriamente dita vai começar na próxima semana, em 28 de novembro. O grande homenageado será o escritor Raduan Nassar que não estará no evento, infelizmente - ele abandonou a literatura em 1984, muito antes de Philip Roth, e desde então evita falar sobre o assunto. Um encontro comandado por Leyla Perrone-Moisés, Roniwalter Jatobá e Wladyr Nader e uma conversa com Luiz Fernando Carvalho e Selton Mello (respectivamente, diretor e ator da adaptação de Lavoura arcaica ao cinema) devem substituir a ausência. Ah! A atriz Simone Spoladore (que também esteve no filme) faz uma participação especial no encerramento da Balada.

O momento mais aguardado por muita gente (cof!) será o lançamento da antologia Granja, organizada por Felipe Valério e Luis Rafael Montero, que trará 15 autores brasileiros quase inéditos. É uma espécie de paródia da revista Granta e a super comentada edição  com os melhores jovens escritores brasileiros. Para quem não lembra, a dupla Felipe e Rafael também esteve por trás da coleção Que viagem que parodiava a série Amores Expressos. Ou seja, os caras tem experiência no assunto.

No mais, a Balada vem quente com saraus, filmes, bandas, muitos lançamentos e até uma Balada Jovem. Rola de 28 de novembro até 2 de dezembro em vários lugares da cidade de São Paulo. Aqueles que ainda tiverem forças podem curtir a Ressaca Literária em 5 de dezembro com Milton Hatoum.

A programação completa está disponível no site baladaliteraria.zip.net

Nós vemos por lá!

*Imagem: edições passadas da Balada/divulgação.
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domingo, 11 de novembro de 2012

REVISTA LER


Falando em literatura portuguesa...

De olho no mercado internacional de falantes de português, a revista portuguesa LER acaba de lançar sua versão digital. O primeiro número tem Alberto Manguel na capa e deliciosas reportagens sobre roubos literários, J.K. Rowling, Thomas Pynchon e muito mais. Disponível para compra na Bertrand Livreiros e na livraria virtual Wook pelo preço de 5,00€.

*Imagem: reprodução capa LER.
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A BOA INVASÃO PORTUGUESA



"Daqui do morro dá pra ver tão legal
O que acontece aí no seu litoral
Nós gostamos de tudo, nós queremos é mais
Do alto da cidade até a beira do cais
Mais do que um bom bronzeado
Nós queremos estar do seu lado"
Ultraje a Rigor

Enquanto os jovens escritores brasileiros estão invadindo as praias europeias, norte-americanas e quiça asiáticas em razão do lançamento internacional da revista Granta, os jovens escritores portugueses estão invadindo o nosso litoral. De forma muito bem-vinda, diga-se de passagem.

Como parte das comemorações do “Ano de Portugal no Brasil” a editora Leya (aqui do Brasil) acaba de lançar uma série de livros com os novos nomes da literatura portuguesa. A coleção chama-se Novíssimos e terá dez livros de dez autores diferentes. A seleção ficou a cargo dos editores do grupo Leya que vasculharam nomes do seu próprio catálogo e do catálogo dos selos Dom Quixote, Editorial Caminho, Editorial Asa e Editorial Teoremas (que pertencem ao grupo). Os critérios de escolha não foram ineditismo, quantidade de livros publicados ou idade do escritor, mas a originalidade e qualidade literária - apenas três selecionados estão lançando seu primeiro romance, um selecionado já publicou quatro livros e os dois mais velhos nasceram em 1964 e 1967. Com isso, é importante destacar que a coleção não pretende fazer o retrato de uma literatura geracional ou de uma literatura cujos autores compartilham dos mesmos traços estéticos ou ideológicos. É somente boa literatura portuguesa.

Os primeiros cinco livros da série são O teu rosto será o último, de João Ricardo Pedro; No meu peito não cabem pássaros, de Nuno Camarneiro; Para cima e não para norte, de Patrícia Portela; Por este mundo acima, de Patrícia Reis; e Um piano para cavalos altos, de Sandro William Junqueira. Os cinco escritores estão no Brasil participando de eventos para o lançamento da coleção.

Para 2013, a Leya promete completar a coleção com os livros Anatomia dos mártires, de João Tordo; Deixem passar o homem invisível, de Rui Cardoso Martins; Deixem falar as pedras, de David Machado; Rio de homem, de André Gago; e Sandokan & Bakunine, de Bruno Margo. Com certeza alguns desses escritores estarão na próxima FLIP.

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O design colorido das capas foi assinado pelo ateliê de design português "Ideias com peso".

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E que venham mais portugueses!

*Imagem: divulgação
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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

TATUAGEM E LITERATURA

Você já deve ter percebido que de uns tempos para cá aumentou consideravelmente o número de pessoas com tatuagens espalhadas pelo corpo. Antigamente, a prática era alvo de certo preconceito e pertencia a determinados grupos sociais alternativos - as coitadinhas também ficavam em partes escondidas do corpo ou eram cobertas por camisas longas, blusas, cabelos compridos etc. Felizmente tudo mudou, qualquer pessoa pode fazer uma tatuagem e mostrar para todo mundo sem ter de enfrentar olhares de reprovação.

E você deve estar pensando "o que isso tem a ver com literatura"? Eu respondo: tudo. Tem gente tão apaixonada por um romance, um poema e até uma capa de livro que precisa tatuar aquilo no corpo. Além do significado do texto (ou do desenho) propriamente dito, existe a beleza do resultado estético.

A maior prova dessa tendência de tatuagens literárias são a série comemorativa da Penguin que tinha seis capas de livros desenhadas por grandes tatuadores (a série chama Penguin Ink) e o livro The Word Made Flesh, da Eva Talmadge e Justin Taylor que contou com a colaboração de várias pessoas enviando fotos de suas tatuagens. 

Pegando carona nessa ideia, eu e minha amiga Tatiana Mello (que sabe muita coisa sobre tatuagem) procuramos pessoas aqui no Brasil que tinham tatuagens literárias e pedimos fotos. O resultado está logo abaixo.

Aproveito a oportunidade para fazer uma convocação: mande uma foto da sua tatuagem literária pelo e-mail (no lado esquerdo do blog). Vale citação do seu escrito preferido, trecho de romance, verso, desenho de capa ou ilustração. Não se esqueça de dizer o nome do tatuador, uma transcrição do texto e o livro de onde você retirou. Se for ilustração, por favor, diga o nome do artista em que o desenho foi baseado. Sinta-se livre, caso queira contar a história da tatuagem para você.



"I am the master of my fate: I am the captain of my soul". Poema Invictus, de William Ernest Henley Tatuador: Marcel Oliveira - facebook.com/MARCELSAMTATTOO Crédito foto: Tatiana Mello



Tatuagem da Melissa Castagnari - "A redução do universo a uma única criatura, a dilatação de um único ser até deus, eis o amor". Trecho de Os miseráveis, de Victor Hugo. Tatuador Eduardo - West Ink http://westinktattoo.blogspot.com.br Crédito foto: arquivo pessoal



Tatuagem do Raul Risso - "Learn to live, rest when you die. What you need is within you". Trecho de Clube da luta, de Chuck Palahniuk. Tatuador: Ricardo Colombera 
https://www.facebook.com/Zombie-Tattoo-Art Crédito da foto: arquivo pessoal


Tatuagem da Tábata Couto - "Wear your heart on the top of your skin". Trecho de The Fifteen-Dollar Eagle, de Sylvia Plath. Tatuador Igor - navetattoo.com.br Crédito foto: Carlos Pêra

Tatuagem da Milena Sanches - "Sê inteiro". Da ode Para ser grande, sê inteiro: nadade Ricardo Reis (heterônimo de Fernando Pessoa). Crédito da foto: arquivo pessoal

Se você tem uma tatuagem literária, manda uma foto que eu publico aqui no blog.
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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

UMA LONGA TEMPORADA DE PRÊMIOS


"Ao vencedor, as batatas". Quincas Borba, de Machado de Assis.
Todos devem estar malucos, afinal prêmios literários estão rendendo mais discussões do que religião, política e futebol juntos! A polêmica mais recente está acontecendo em torno do Prêmio Jabuti e a nota baixa do misterioso jurado "C" (na verdade, a identidade secreta dele foi revelada nessa semana numa reportagem da Folha de SP) que tirou Ana Maria Machado da competição. Como uma coisa puxa a outra, todo mundo relembrou o episódio do ano passado envolvendo Chico Buarque e Edney Silvestre. Pelo jeito a reformulação das regras não surtiu o efeito esperado e complicou ainda mais a premiação. Nem preciso dizer que o caso está estragando o prestígio e a reputação de um prêmio tradicional das letras nacionais. 

Teve até comentário de José Serra, candidato a Prefeitura de SP. Ao saber que o livro A privataria tucana estava na final do prêmio Jabuti – categoria Reportagem - disse: “Era só o que faltava. Depois da aparente fraude de um dos jurados, tudo é possível”.

O pessoal "do contra" está gritando pelas ruas o seguinte bordão: "esse é o país que vai receber a Copa".

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Felizmente, as discussões não estão restritas aos prêmios nacionais. Desde que ganhou o Nobel de Literatura, não tem um dia em que o chinês Mo Yan não abra os jornais e não veja seu nome relacionado a comentários ora elogiosos, ora maldosos. 

Do lado maldoso, teve gente dizendo que a Academia Sueca favoreceu Mo Yan porque um dos jurados do prêmio é tradutor dos seus livros. Liao Yiwu, escritor chinês, acusou o ganhador do Nobel de trabalhar a serviço do regime chinês. O artista Ai Weiwei (que aderiu ao estilo "Gangnam Style") lamentou muito a escolha e as editoras chinesas que estavam na Feira de Frankfurt praticamente ignoraram o laureado. Para piorar a situação Mo Yan virou alvo de uma disputa internacional entre agentes literários o que deve atrasar a tradução de seus romances pelo mundo afora - incluindo o Brasil. Por enquanto podermos recorrer a tradução de Peito grande, ancas largas que saiu pela editora Ulisseia e teve reimpressão.

Do lado elogioso, rolou uma notícia dizendo que a China vive uma verdadeira "Mo-mania" e a tiragem do seu livro Our Jing Ke esgotou instantes após o lançamento. Furor semelhante ao que ocorreu no Japão com Murakami no lançamento de 1Q84.

O pessoal "da teoria da conspiração" está gritando pelas ruas que Mo Yan está sendo vítima da maldição rogada pelos murakamistas japoneses que ficaram desapontados com a vitória do concorrente chinês. Aliás, dizem que a obra Murakami não despertou paixões na China.

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Se palpite ganhasse prêmio, os apostadores da Ladbrokes estariam milionários. Quem colocou dinheiro em Haruki Murakami e Will Self ficou no prejuízo - atitude muito perdoável, afinal acerta em cheio o nome do escritor premiado é como ganhar na MegaSena. Mo Yan ficou com o Nobel e Hilary Mantel com o Booker Prize. Ninguém acreditava que a organização do Booker fosse premiar uma autora já premiada num curto espaço de tempo (Wolf Hall foi publicado em 2009) - acho que nem a própria Mantel acreditava nisso. Antes dela, só Peter Carey e J.M. Coetzee. Por fim, a falsa ideia não se cumpriu e o Booker acabou nas mãos dela.

No discurso de agradecimento, Mantel mandou avisar que está escrevendo mais um livro para compor uma trilogia sobre a história de Thomas Cromwell - o primeiro foi Wolf Hall, seguido por Bring Up The Bodies (será publicado pela editora Record, em abril) e o último será o nome de The Mirror And The Light.

O pessoal da "especulação" está gritando pelas ruas que não importa quando publique o livro, o terceiro Booker Prize é dela.

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Outro mistério que parece distante de qualquer solução é a recusa de Javier Marías ao Prêmio Nacional de Narrativas, concedido pelo governo da Espanha. Pelo que dizem, ele não quis o prêmio no valor de 20 mil porque não quer ligações com instituições do governo espanhol. O que será que aconteceu? Marías ganhou o prêmio pelo romance Os enamoramentos.

O pessoal do "deixa disso" anda dizendo que o gesto é uma resposta política ao delicado momento que a Espanha enfrente diante da crise econômica que assola a Europa.

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E você está enganado se pensa que a polêmica do Jabuti está perto do fim. A lista oficial com o nome dos jurados e os grandes vencedores do prêmio livro do ano serão anunciados numa cerimônia, em 28 de novembro. Caso não apareça nenhuma outra polêmica.

Novembro encerra essa longa temporada de prêmios. Teremos o anúncio do ganhador do Prêmio Cunhambebe de literatura estrangeira e dos ganhadores do Prêmio Portugal Telecom - aliás, achei bacana a iniciativa dos organizadores de criar book trailers para os livros finalistas; se não vale para alavancar as vendas, vale como divulgação do livro e na pior das hipóteses como boa descontração. Aqui tem os book trailers da categoria romance.

*Imagem: reprodução de uma ilustração de D.G.Davis.
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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

VIDA LONGA AO CACHALOTE


"Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer."
Ítalo Calvino

Moby Dick está fazendo aniversário. Até o Google entrou na onda de comemorações com aquela tradicional brincadeira com seu logotipo. Desde setembro, no melhor estilo folhetim, o projeto mobydickbigread.com está criando uma espécie de audiobook na internet com pessoas lendo capítulos do livro que ficam disponíveis no SoundCloud, no iTunes e no Facebook. Contribuíram com a leitura Tilda Swinton, Matthew Barney e David Cameron, entre outros.

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Bendito seja o dia em que uma baleia atacou um barco pesqueiro no meio do oceano Pacífico, em novembro de 1820. Quer dizer, o incidente verídico propriamente dito foi horrível - segundo dizem, o barco afundou e a tripulação ficou à deriva por três meses, tendo de praticar até canibalismo para sobreviver -, mas nos deixou de herança um clássico da literatura universal: Moby Dick, ou a baleia.

A tarefa foi possível graças ao talento do jovem Herman Melville (com 32 anos na época da publicação do romance). Sua experiência de vida contava com uma longa viagem pelo Pacífico, cinco livros publicados, um casamento e a amizade de Nathaniel Hawthorne (renomado autor de A letra escarlate). Tanta maturidade permitiu a Melville enxergar a força simbólica daquele ataque revolto da natureza contra a ação humana e fazê-lo explodir em diversos temas complexos: a hierarquia das classes sociais, a polaridade entre o bem e o mal, as dúvidas sobre a existência de Deus, a obsessão humana etc. 

O romance foi publicado pela primeira vez em três volumes, na Inglaterra em 18 de outubro de 1851. Curiosamente, Moby Dick não fez muito sucesso naquele ano, quase foi esquecido e ficou relegado a um pequeno circulo de leitores em Nova York. Os verdadeiros responsáveis pela revisão do livro foram os críticos e escritores modernistas do começo do século 20 - especialmente Carl Van Doren, D. H. Lawrence e F. O. Matthiessen.

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Desde então, Moby Dick faz parte do imaginário popular e ganhou inúmeras adaptações para teatro, cinema, programas de rádio e TV, além de versões para quadrinhos. A aventura mais recente é Moby-Dick in Pictures: One Drawing for Every Page, de Matt Kish. O cara criou um blog onde publicava um desenho para cada página do romance. A repercussão foi tão grande que acabou virando livro.

Aliás, ele publicou no blog uma compilação com diversos trabalhos artísticos inspirados em Melville e sua obra prima.

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No Brasil, a edição definitiva do romance Moby Dick que foi lançada pela Cosac Naify. Tem tradução primorosa de Alexandre Barbosa de Souza e Irene Hirsch, uma série de notas explicativas, glossário náutico e fortuna crítica.

*Imagem: Moby Dick as Jaws by unknown/reprodução do Spudd64.
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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

BRASIL, PAÍS RICO É PAÍS COM ESCRITORES



Um assunto que está dominando as rodas de conversa nessa manhã é a notícia sobre a futura versão online do New York Times em português. O grupo que comanda o jornal está de olho no "bom" momento econômico do país e na ascensão da nova classe média - segundo uma pesquisa do Ibope NetRatings, o Brasil é o 5º país mais conectado do mundo com 83,4 milhões de usuários na internet (nosso tempo médio de navegação e gastos com compras online só aumentam); tudo isso nos torna um atraente mercado consumidor. A expansão internacional da marca não é novidade já que o jornal também vai ganhar uma versão online em chinês.

Parece que um terço do conteúdo será produzido aqui mesmo - com jornalistas brasileiros -, o restante será traduzido do inglês. Puxando a sardinha para a nossa brasa, resta saber se o suplemento 'Sunday Book Review' vai ganhar tradução na íntegra ou separadamente. Afinal, não seria de todo mau ler as resenhas críticas em português.

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Na semana passada, João Pombeiro, diretor da revista literária LER, esteve no Real Gabinete Português de Leitura no Rio de Janeiro para comemorar os 25 anos da revista. Aproveitando a ocasião, João anunciou que a LER vai ganhar uma versão digital a partir de novembro. Facilitando bastante a vida dos leitores brasileiros na hora comprar exemplares.

A edição desse mês tem Rubem Fonseca na capa com perfil assinado por pelos jornalistas brasileiros Tiago Petrik, Malu Porto e João Gabriel Lima.

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O inverso também é verdade. Durante a Feira de Frankfurt, a Fundação Biblioteca Nacional junto com outros patrocinadores lançou o primeiro número da revista Machado de Assis - Literatura Brasileira em tradução. É uma revista voltada para a divulgação da literatura brasileira no exterior. Trechos de livros e contos dos autores selecionados para a edição foram traduzidos para o inglês e espanhol. Entre eles estão Alberto Mussa, Andréa del Fuego, Bernardo Carvalho, Cristovão Tezza, João Paulo Cuenca, Joca Reiners Terron, Luiz Ruffato, Paloma Vidal, Rubens Figueiredo e André de Leones. A revista é digital e conta com um blog que divulga notícias em inglês do nosso mercado literário.

Aliás, acompanhei pelos jornais as notícias da Feira. Pelo visto, editoras do mundo inteiro ficaram bastante entusiasmadas com a nossa literatura. Parece que nesse ano as rodadas de negociações foram bastante lucrativas para as editoras brasileiras. Segundo informações do Estadão, foram negociados algo em torno de "US$ 195 mil, entre venda de livro impressos e de direitos autorais de obras brasileiras".

Agora você imagine no ano que vem, quando seremos o país convidado de honra da Feira?

*Imagem: © Frankfurter Buchmesse / divulgação
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PRÊMIO SP DE LITERATURA - 2012

Capa dos livros premiados
Em setembro, enquanto eu estava fora, a organização do Prêmio SP de Literatura divulgou os vencedores nas categorias autor e autor estreante: o primeiro foi para o livro Vermelho amargo, de Bartolomeu Campos de Queirós e o segundo foi para Os hungareses, de Suzana Montoro. Por incrível que parece, o júri premiou autores e livros com "jeitões" muito parecidos.

Bartolomeu Campos de Queirós publicou mais de quarenta livros e dedicou-se quase exclusivamente à literatura infanto-juvenil. Apesar da obra extensa, Vermelho amargo foi seu primeiro romance voltado ao público adulto (infelizmente, ele faleceu em 16 de janeiro desse ano). Guardadas as devidas proporções, algo semelhante aconteceu com Suzana Montoro já que ela publicou dois livros infanto-juvenis, antes de lançar o romance Os hungareses. Se não me engano, Suzana também tem um livro de contos chamado Exilados que saiu pela WS Editor, em 2003, e está fora de catálogo.

Os enredos também se parecem porque abordam a trajetória de duas famílias e as dificuldades que cada uma delas enfrenta a sua maneira. No romance de Bartolomeu, o narrador fica concentrado nas mazelas surgidas no núcleo familiar após a insuperável perda da mãe. Já o romance de Suzana Montoro conta a saga de uma família húngara para sobreviver à guerra e recomeçar a vida num país completamente diferente (detalhe: ela não é e não tem descendência hungara, mas entrevistou muitos imigrantes daquele país e visitou as cidades em que eles viveram).

Dá para ler os dois livros rapidinho: Vermelho amargo tem 72 páginas e Os hungareses tem 192 páginas. Você vai levar no máximo dois dias para ler cada um deles no trajeto de ida e volta do trabalho usando metrô, por exemplo.

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Em tempo, desculpem a longa ausência. Resolvi esticar as férias por mais duas semanas e  esqueci de deixar um recado. Seja como for, quero avisar que estou recuperando a forma antiga.

*Imagem: divulgação.
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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

ACONTECE QUE EU SOU BAIANO!

Largo do Pelourinho
Alô, você!

Quero avisar vocês que o motivo da minha ausência é muito justo: estou em férias e acabei de voltar de viagem. Não quis nem saber de literatura nesses dias. A única coisa que eu lia eram os jornais. No mais estive pelas praias de Salvador e ruas do Pelourinho. Tudo aconteceu tão às pressas que nem tive tempo de deixar um recado avisando minha ausência. Desculpem!

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Exceto no aeroporto de Salvador e na própria Fundação, não vi nenhuma menção ao centenário de Jorge Amado. As festividades devem ter se limitado ao mês de agosto, eu imagino.

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Enquanto estive ausente aconteceram muitas coisas, entre elas o lançamento de Os enamoramentos, de Javier Marias (a edição da Cia das Letras acompanha um mimo: O coronel Chabert, de Balzac - uma referência que está no romance de Marias) e o anúncio dos ganhadores do Prêmio SP de Literatura. Javier Marias dispensa muitas apresentações, vou tentar correr com minhas leituras para voltar ao assunto. Embora não tenha lido o romance, recomendo vivamente as entrevistas que ele concedeu a Folha de SP e ao Estadão. Alguém que diz algo como "vive-se muito bem sem ser contemporâneo" merece muito respeito.

Se você ainda não sabe o Prêmio SP de Literatura foi para Vermelho amargo, de Bartolomeu Campos de Queirós na categoria "Autor" e Os hungareses, de Suzana Montoro na categoria "Autor estreante". Achei que a categoria "Autor" ficaria com Michel Laub, Paulo Scott, Luiz Ruffato ou Tatiana Salem Levy por conta da repercussão crítica que seus respectivos romances tiveram.

Não li nenhum nem outro dos ganhadores. O que sei li nos jornais.

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Falando em prêmios acaba de sair a lista de finalistas do Prêmio Jabuti. Como disse a Raquel Cozer, um dos problemas do tradicional prêmio é ser inchado demais (são 29 categorias com 10 indicados para cada uma delas). Haja fôlego! Se você não quiser clicar no link para fuçar os indicados, coloco abaixo um resumo das categorias mais importante para a ficção em prosa:


Tradução
Odisseia - Trajano Vieira
Madame Bovary - Mário Laranjeira
Guerra e paz - Rubens Figueiredo
Heine Hein? Poeta dos contrários - André Vallias
Duplo Canto e Outros Poemas - Bruno Palma
Os sonâmbulos - Marcelo Backes
Poesia completa de Yu Xuanji - Ricardo Primo Portugal e Tan Xiao
O duplo - Paulo Bezerra
Poemas - Regina Przybycien
Ilusões Perdidas - Rosa Freire d'Aguiar

Romance
Mano, a noite está velha - Wilson Bueno
Infâmia - Ana Maria Machado
Procura do romance - Julián Fuks
O passeador - Luciana Hidalgo
Habitante irreal - Paulo Scott
Nihonjin - Oscar Nakasato
Naqueles morros, depois da chuva - Edival Lourenço
Tapete de silêncio - Menalton Braff
O estranho no corredor - Chico Lopes
Herança de Maria - Domingos Pellegrini

Contos e Crônicas
O livro de Praga - Sérgio Sant'Anna
Vento sul - Vilma Arêas
O anão e a ninfeta - Dalton Trevisan
O destino das metáforas - Sidney Rocha
Nós passaremos em branco - Luís Henrique Pellanda
Axilas e outras histórias Indecorosas - Rubem Fonseca
Enquanto água - Altair Martins
Onde terminam os dias - Francisco de Morais Mendes
Contos de mentira - Luisa Geisler
Passaporte para a China - Lygia Fagundes Telles

P.S.: na realidade não sou baiano, nasci em SP.

*Imagem: foto do Pelourinho por mim mesmo.
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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

NOTAS #39

Favorito ao Nobel
A editora Alfaguara divulgou a capa definitiva do livro
1Q84, de Haruki Murakami cujo primeiro volume (com 450 páginas) deve chegar ás livrarias brasileiras em novembro. Os outros dois volumes terão lançamento em 2013.

Man Booker Prize 2012
A shortlist do Man Booker Prize foi anunciada. Entre os seis concorrentes estão os estreantes Jeet Thayil com Narcopolis e Alison Moore com The Lighthouse; os veteranos Deborah Levy com Swimming Home, Will Self com Umbrella e Tan Twan Eng com The Garden of Evening Mists; e a ganhadora do prêmio em 2009, Hilary Mantel com Bring up the Bodies.

A crítica inglesa considera que Hilary Mantel é a favorita dentre os finalistas - ela está quase com o caneco na mão porque também lidera o ranking de apostas da casa Ladbrokes. As únicas coisas que podem estragar sua festa são Will Self (outro forte candidato que está praticamente empatados com Mantel no painel da Ladbrokes) e o fato de ter ganhado o prêmio recentemente.


Campeão de vendas
No dia 15 de setembro chega às livrarias Cinquenta tons mais escuros, o segundo livro da trilogia escrita pela autora inglesa E.L. James. Parece que 90% da tiragem inicial de 350 mil exemplares já foi comprada pelos leitores na pré-venda. A ansiedade é tão grande que muitas leitores estão recorrendo a traduções piratas que estão espalhadas na internet - a maioria delas deve ter sido feita pelo Google Tradutor e tem muitos problemas. As mulheres estão desesperadas.

A Intrínseca liberou as 30 primeiras páginas como aperitivo - para acalmar os ânimos.

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A trilogia vai virar filme, mas por enquanto nenhuma data prevista para lançamento foi anunciada.

A literatura vai ao teatro...
No SESC Belenzinho, em São Paulo, a Sutil Companhia de Teatro está em cartaz com a peça O livro de itens do paciente Estevão inspirada no livro O paciente Steve, de Sam Lipsyte. Conta a história de Steve, um homem que foi diagnosticado com uma doença incurável e sem nome. A peça fica em cartaz até 21/10 com apresentações sextas e sábados, às 18h e domingo, às 17 h. Já o livro está fora de catálogo, mas disponível em sebos - foi publicado em 2003 pela Editora Globo.

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No Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro, Marco Nanini está em cartaz com a peça A arte e a maneira de abordar seu chefe para pedir um aumento baseada num livro homônimo de Georges Perec. Tudo o que precisa ser dito sobre o enredo está no título. Numa entrevista para o jornal Folha de SP, o ator disse que teve vontade levar o texto ao teatro por causa do seu caráter experimental - tal qual um manual de anti-ajuda o leitor espera dicas práticas para conseguir um aumento de salário, mas é surpreendido pelos pensamentos obsessivos da personagem que chega a montar um organograma prevendo todas as situações possíveis e imagináveis entre "sim" e "não". A peça fica em cartaz até 28/10 com apresentações de sexta a domingo, às 19h. O livro está disponível nas livrarias - foi lançado pela Companhia das Letras em 2010 e tem tradução magnífica de Bernardo Carvalho.

Bom momento para celebrar os 30 anos sem Georges Perec.

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No Teatro Novelas Curitibanas, em Curitiba, o grupo Teatro de Breque está em cartaz com o espetáculo Em breve nos cinemas livremente inspirado em estruturas narrativas e temas da obra de David Foster Wallace. A peça fica em cartaz até 14/10 com apresentações de quinta a domingo, às 20h. Por enquanto, o único livro de David Foster Wallace disponível em português é Breves entrevistas com homens hediondos - foi lançado pela Companhia das Letras em 2005 e tem tradução de José Rubens Siqueira.

... e ao cinema
Em outubro estreia nos Estados Unidos Cloud Atlas, um filme dirigido pelos irmãos Wachowski e por Tom Tykwer (o diretor do filme Corra, Lola, corra) baseado no ambicioso romance de David Mitchell. O livro é composto de seis histórias interligadas que numa espiral vertiginosa através do tempo e espaço vão do século XIX ao futuro apocalíptico. Mitchell é tido pelos críticos anglófanos como um dos melhores escritores de sua geração por causa do seu experimentalismo formal e temático - como um camaleão, ele muda bruscamente seu estilo de um livro para outro. O único romance de Mitchell disponível em português é Menino de lugar nenhum publicado em 2008 pela Companhia das Letras com tradução de Daniel Pellizzari. Também estava previsto para esse ano a tradução de Os mil outonos de Jacob de Zoet, assinada por Daniel Galera - pela Cia das Letras.

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Cloud Atlas continua fora dos planos de tradução das editoras daqui. Quem quiser pode recorrer a tradução portuguesa de Helena Ramos e Artur Ramos que saiu pela editora Dom Quixote (um selo do grupo português Leya), em 2007. O livro recebeu o simpático título de Atlas das nuvens.

*Imagens: divulgação.

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