sábado, 18 de dezembro de 2010

PRESENTES DE NATAL PARA PAIS E AVÓS

CLÁSSICOS

O capote e outras histórias
Nikolai Gogol com tradução de Paulo Bezerra
Editora 34 - R$ 37,00 em média

Organizado e traduzido diretamente do russo por Paulo Bezerra, que também assina o posfácio, este volume apresenta ao leitor um panorama geral da obra gogoliana, ao trazer, ao lado de algumas de suas histórias mais conhecidas ("O capote", "O nariz" e "Diário de um louco"), duas narrativas "folclóricas", do ciclo ucraniano. Se nas primeiras o cenário é São Petersburgo e os pequenos funcionários da burocracia czarista e, nas segundas, o universo rural com suas lendas e personagens míticos, em todas prevalece o humor, o tom fantástico e a genialidade narrativa de Gógol, nesta sequência de verdadeiras obras-primas.

Um conto de duas cidades
Charles Dickens com tradução de Débora Landsberg
Estação Liberdade - R$ 62,00 em média

A peculiaridade deste romance começa na condição indissociável da escrita de Charles Dickens: é obviamente com o olhar estrangeiro e não raro antagônico de um inglês que ele dá vazão à sua trama. No entanto, isso não o impede de ir ao fundo de questões fundamentais e de compor um quadro impressionante do que foi aquele período da história da França para os homens da época. O autor evita o posicionamento político, centrando a narrativa nas observações de cunho social e no impacto individual que aquele processo impingiu a pessoas de todas as camadas. O aristocrata, o burguês, o camponês, o malandro, o vagabundo. Estão todos ali.

Ressurreição
Liev Tolstoi com tradução de Rubens Figueiredo
Cosac Naify - R$ 79,00 em média

No enredo, baseado em fatos verídicos, um príncipe é convocado a integrar um júri e reconhece na ré uma criada que ele engravidara anos antes. Prostituída, ela é detida sob as acusações de roubo e envenenamento de um cliente e por isso acaba condenada a trabalhos forçados na Sibéria. O aristocrata busca a salvação da jovem e a própria redenção espiritual, enquanto a narrativa revela os verdadeiros criminosos daquela sociedade.

Três novelas exemplares
Miguel de Cervantes Saavedra com tradução de Nylcea Pedra
Arte e Letra - R$ 32,00 em média

Novelas Exemplares é uma obra magnífica, madura, onde o escritor demonstra ter adquirido plena habilidade de sua arte. É o resultado de uma reflexão do autor sobre os limites e as possibilidades da novela curta. A decisão de publicar as novelas em um volume independente surge diretamente de sua experiência literária com Dom Quixote. Cervantes inseriu na primeira parte de sua obra-prima várias novelas curtas, assim como grande parte de seus contemporâneos, dez anos depois teve certeza de que as novelas poderiam ser independentes.

Contos completos de Lima Barreto
Organização de Lilia Moritz Schwarcz
Companhia das Letras - R4 48,00 em média

Com organização, introdução e notas de Lilia Moritz Schwarcz, esta edição reúne os 149 contos do autor, resgatados por meio de pesquisas em manuscritos, edições originais, jornais e revistas da época. Tanto os contos menos conhecidos quanto alguns mais famosos, como “A Nova Califórnia” e “O homem que sabia javanês”, ressaltam o aspecto autobiográfico que, segundo a organizadora, perpassa toda a carreira de Lima Barreto.

MODERNOS

Essa mulher e outros contos
Rodolfo Walsh com tradução de Sérgio Molina e Rubia Prates Goldoni
Editora 34 - R$ 39,00 em média

Este volume reúne a totalidade dos seus chamados "contos literários", nos quais não raro o elemento biográfico e o dado histórico servem de base para narrativas poderosas, que espantam pela acuidade com que o autor encena, de forma concentrada e sutil, conflitos universais de profundas implicações éticas e políticas. E se a dimensão política perpassa quase todos os textos — com destaque para "Essa mulher", considerado por muitos o melhor conto da literatura argentina do século XX —, o que sobressai no conjunto é a precisão estilística que atravessa diversos registros, desde a concisão mais extrema até a polifonia de sabor joyciano, captados com primor na presente tradução.

Henderson - O rei da chuva
Saul Bellow com tradução de José Geraldo Couto
Companhia das Letras - R$ 58,00 em média

Eugene Henderson é um homem complexo e em crise: riquíssimo, descendente de homens ilustres, criador de porcos, ex-combatente da Segunda Guerra ferido e condecorado. Na meia-idade, depois de dois casamentos e de um punhado de filhos, de incontáveis conflitos com parentes e vizinhos, de dores de dente crônicas, bebedeiras e ameaças de suicídio, ele decide romper com seu passado de erros e empreender uma virada existencial radical. Parte então para a África, em busca de uma humanidade mais "autêntica" e de um sentido para a vida.

A humilhação
Philip Roth com tradução de Paulo Henriques Britto
Companhia das Letras - R$ 32,00 em média

Simon Axler, um renomado ator de teatro, sobe no palco e constata que não sabe mais atuar. De uma hora para outra toda sua autoconfiança se esvai, e ele perde a capacidade de interpretar os personagens que, ao longo de uma extensa carreira artística, haviam lhe trazido renome. A partir daí, sua vida entra numa espiral de perdas: a mulher vai embora, o público o abandona e seu agente não consegue convencê-lo a retomar o trabalho. Obcecado com a ideia do suicídio, Simon se interna numa clínica psiquiátrica.

O fuzil de caça
Inoue Yasushi com tradução de Jefferson José Teixeira
Estação Liberdade - R$ 29,00 em média

Lançando mão da tradição do romance epistolar, convida o leitor à posição de voyeur de uma comunicação unilateral e inusitada entre um caçador, Josuke Misugi, e um escritor. Três cartas, endereçadas a um mesmo homem por três mulheres diferentes, imprimem uma textura trágica à trama. O jogo de narradores; as cartas como único veículo para a torrente de alta tensão emocional que se revela ao leitor; o exercício constante da concisão e o lirismo que transpira de uma prosa que se mantém sempre vizinha do território poético: a estética e o conteúdo se entrelaçam, e o entrecho se apresenta belo como uma trilha na neve. Ao mesmo tempo, o equilíbrio entre o que é dito e o que é velado mantém o mundo da solidão presente em cada linha e constante em todos os personagens. Permeiam estas páginas o isolamento e a carência de franqueza nas relações humanas, que as cartas reveladas por Misugi tentam romper e atravessar.

Os excluídos
Yiyun Li (sem informações do tradutor)
Nova Fronteira - R$ 49,90 em média

A trama se inscreve no ambiente de desconfiança e medo em que vivia a população de um vilarejo fictício em 1979. A história se desenvolve em torno da condenação à morte da personagem Gu Shan, de 28 anos, por ideias anticomunistas. Em 21 de março, quando começa o romance, os moradores são convocados à cerimônia pública na qual ela será exposta, ao som de hinos, antes da execução.

*imagens: divulgação.

Share/Save/Bookmark

GUIA DE PRESENTES PARA O NATAL: LIVROS


Na época do Natal todo mundo segue em busca de encontrar aquele presente bacana. Pensando nisso, organizei algumas dicas de presentes para pais, avós, filhos, namorados, amigos e demais conhecidos. No "guia de compras" entraram apenas livros de ficção em prosa lançados ao longo do ano de 2010. Já posso antecipar que muita coisa ficou de fora, infelizmente! A intenção é ajudar na hora das comprar, da correria, do amigo secreto e tudo o mais.

O serviço inclui imagem de capa do livro, título, autor, tradutor, preço e resenha reproduzida dos sites das editoras. O preço pode variar dependendo da livraria em que você compra por conta de ofertas promocionais, programas de fidelidade, descontos, compra pela internet, etc.

Vou publicar o "guia" em partes, pois ele tem no total 80 itens variados.

*imagem: reprodução Google.

Share/Save/Bookmark

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

OS ESCRITORES E OS SEUS MÉTODOS

O escritor Michel Laub criou uma série bastante interessante no seu blog: Cem escritores brasileiros e suas manias quando escrevem. Como o próprio título da série explica, Michel pediu aos escritores que contassem suas manias e métodos na hora de escrever uma história.

Uns são longos e outros curtos. O resultado é um amplo painel com as mais variadas formas de criação que a gente pode imaginar. Acho que tem tudo a ver também com a ideia de exposição da intimidade do escritor na internet e o fato de tornar público os bastidores (desde a primeira ideia até o momento de executá-la) do universo da literatura. Sem dizer que desmistifica a figura do escritor como um ser iluminado, capaz de receber uma luz inspiradora para criar.

Se os métodos descritos são verdadeiros ou inventados a gente não tem como saber. Afinal, todo mundo pode caprichar numa frase aqui, numa situação ali e transformar tudo numa grande história - estamos falando de escritores, não é mesmo?

Pelas minhas contas os depoimentos ainda não chegaram ao final. Dá tempo de ler todos até que os próximos apareçam. Tem Andréa del Fuego, Moacyr Scliar, Marçal Aquino, Luiz Ruffato, Sérgio Rodrigues, Rodrigo Levino, Marcelino Freire e tantos outros.

*imagem: reprodução Google.
Share/Save/Bookmark

domingo, 12 de dezembro de 2010

NOTAS #12


Edição vintage
Uma edição antiga do livro O mágico de Oz, de Lyman Frank Baum autografado pelos atores do filme será leiloada essa semana nos Estados Unidos. A edição foi um presente do ator Jack Haley para o seu filho, com cinco anos na época - no filme Jack Haley fez o papel do Homem de lata. Entre as pessoas que autografaram o livro estão Judy Garland (Dorothy), Frank Morgan (o mágico), Jack Haley (o homem de lata), Ray Bolger (o espantalho), Bert Lahr (o leão covarde), Billie Burke (a bruxa boa) Margaret Hamilton (a bruxa malvada do oeste), o diretor do filme Victor Fleming, etc. O mais interessante é que Toto, o cachorrinho de Dorothy, também registrou sua patinha.

Pedaços de Frankstein
O manuscrito original do romance Frankstein, de Mary Shelley será exibido pela primeira vez num museu em Oxford, Inglaterra. A mostra ainda conta com outras peças raras de propriedade da escritora e sua família. Depois da Inglaterra a mostra parte para Nova York.

Saul Bellow lê
O centro cultural 92nd Street Y, em Nova York, revirou seus arquivos de áudio e disponibilizou na internet uma leitura de Saul Bellow para o livro O legado de Humboldt - existe apenas uma edição desse livro pela Nova Fronteira, mas está fora de catálogo. Foi com esse romance que Bellow faturou o Prêmio Pulitzer de ficção em 1976. A leitura tem 11 minutos de duração e está disponível em aqui.

Chinua Achebe ganha prêmio
A notícia é um pouco antiga, mas vale ser mencionada. O escritor nigeriano Chinua Achebe foi o ganhador do Gish Prize 2010. Achebe é autor do aclamado romance O mundo se despedaça - escrito em 1958 e traduzido para mais de 50 línguas. Graças ao seu sucesso, Achebe abriu portas para que diversos escritores africanos pudessem ser reconhecidos internacionalmente. O Gish Prize concede um prêmio de $300,000 de dólares para personalidades da cultura que façam trabalhos inovadores e diferenciados. Sobre o prêmio Achebe disse "Quando eu era criança, crescendo na Nigéria, se tornar um escritor era um sonho distante. Agora é uma realidade para muitos escritores africanos, não apenas para mim. O prêmio Gish reconhece a longa viagem que os meus colegas e eu temos tido, e eu estou orgulhoso e grato por isso". O prêmio foi entregue em outubro, nos Estados Unidos.

A notícia Franzen da semana (por que não?)
Na semana passada eu disse que iria publicar a última "notícia Franzen" do ano. No entanto, tenho de fazer uma ressalva. O problema é que Jonathan Franzen voltou a ser bastante comentado desde que os jornais resolveram divulgar suas listas de melhores romances do ano. Freedom está em absolutamente todas as listas. Para completar, Franzen concedeu uma entrevista para a nova edição da revista Paris Review e está num longo perfil da revista GQ. Além disso, ele participou essa semana do clube do livro da apresentadora Oprah Winfrey. Parece que dessa vez correu tudo bem e ele não se recusou a participar do programa.

O perfil da GQ está disponível em http://tinyurl.com/2833qer

A entrevista para a Paris Review não está disponível na internet. Alguns trechos importantes podem ser lidos em http://tinyurl.com/2bwwhgd

Um vídeo com Franzen respondendo pergunta dos leitores do clube do livro da Oprah Winfrey está disponível em http://tinyurl.com/23mahab

*imagem: reprodução LA Times.

Share/Save/Bookmark

sábado, 11 de dezembro de 2010

PERGUNTAS PARA RICARDO LÍSIAS


Qual foi o primeiro livro que você leu e que teve impacto sobre você?
Não consigo me lembrar exatamente. Posso dizer com certeza que Ulisses é o livro que mais me impactou até aqui. Acho que terei essa sensação para sempre.

Alguma vez você considerou a hipótese de não ser escritor?
Não sei se é possível falar em "hipótese". Escrever não é a minha única atividade, obviamente. É a maneira que utilizo para expressar determinadas coisas, do jeito que eu acho o mais adequado. É a minha atividade mais importante, sem dúvida, mas eu não a trataria como algo inevitável, para não torná-la pessoal demais - mais ainda do que já é.

Na sua opinião, todas as histórias já foram escritas ou ainda é possível criar novas histórias? Há novas formas de contar histórias?
Não creio que a ênfase na "história" (compreendendo-a como "enredo") seja a mais adequada para o atual estágio da literatura. Talvez essa ênfase seja ela própria a única possibilidade de fazer uma pergunta como essa, já que ela embute uma finitude que corta quase tudo o que a literatura significa para o autor e a sociedade. Assim, para responder o que fica insinuado: a literatura só vai acabar quando a gente acabar também.

No que você está trabalhando agora?
Não gosto de dizer.

Quem são os seus escritores favoritos com mais de quarenta anos?
Li há uns meses os livros do Javier Marías e fiquei impressionado. Também gosto do Emmanuel Carrère e do Michel Houllebecq. Procuro sempre acompanhar também os textos do Ricardo Piglia e do J.M. Coetzee. Embora eu ache a produção norte-americana em prosa hoje em dia muito decepcionante, gosto dos livros do David Foster Wallace e sempre me divirto com Thomas Pynchon.

*imagem: reprodução.


Share/Save/Bookmark

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

POR QUE UM NOVO GULLIVER?

A Penguin-Companhia está lançando uma nova tradução feita por Paulo Henriques Britto para Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift. Trata-se de um livro publicado em 1726 cuja história foi tão incorporada por nosso inconsciente coletivo ao longo do tempo que já até esquecemos como de ler a história em sua fonte original. Portanto, não seria estranho fazer a pergunta: por que uma nova tradução para um clássico dessa natureza?

Antes de tudo esse livro tem uma enorme importância histórica para a literatura. Ele foi escrito mais ou menos entre 1713-1725 e foi publicado em 1726. Nesse momento a Inglaterra passava por profundas transformações sociais: a Revolução Industrial estava em pleno curso, as ideias iluministas estavam ganhando força e o gênero romance estava em plena ascensão. A publicação de Viagens de Gulliver aparece num momento em que os livros de viagens eram os tipos de romances mais populares. A intenção de Jonathan Swift era satirizar esses livros. Além disso, Swift queria ironizar o governo dos países europeus e causar uma reflexão acerca da corrupção dos homens quando vivem em sociedade.

Para nós, leitores brasileiros adultos, essa nova tradução nos salva de uma falta. Todo mundo sabe das dificuldades de encontrar uma edição de Gulliver com texto integral, longe das adaptações infanto-juvenis - o mesmo problema ataca os livros de Mark Twain e outros escritores antigos. Entendo que esse livro tenha um apelo de aventura e fantasia, mas a leitura do texto integral permite perceber claramente visão de mundo pessimista que Jonathan Swift estava imprimindo em seu herói.

Novas traduções de textos clássicos também são boas oportunidades de termos versões mais apuradas para uma história. Como o livro foi escrito há mais de duzentos anos, o tradutor pode refletir melhor sobre as palavras, os vocábulos, as imagens, etc. É a chance de um tradutor tentar se aproximar daquela tradução tão perfeita a ponto de não precisar de mais retoques.

Vale lembra que a tradução ficou a cargo de Paulo Henriques Britto - "poeta, contista, ensaísta, professor e um dos principais tradutores brasileiros da língua inglesa". Ele já verteu para o português mais de cem livros (pense em Elizabeth Bishop, Philip Roth, William Faulkner, etc.), tendo inclusive traduções premiadas. Também existem traduções do português para o inglês assinadas por ele.

Para completar, essa nova tradução vem acompanhada de diversos atrativos: prefácio de George Orwell, introdução e notas de Robert DeMaria Jr. (que organizou a edição) e diversas imagens preciosas e mapas de lugares citados no romance.

Todo esse capricho confirma a fama que a Penguin tem de renovar os clássicos - agora em parceria com a Companhia das Letras e em português.

*imagem: divulgação.
Share/Save/Bookmark

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

TRÊS ROMANCES ENTRE MOSCOU E SÃO PETERSBURGO

Para comemorar o centenário da morte de Liev Tolstói escolhi três romances que se passam nas duas mais importantes cidades da Rússia: Moscou e São Petersburgo. Cada escritor a sua maneira soube reconstruir cidade dentro do universo da ficção abarcando aspectos sociais e políticos. Uns preferiam Moscou e outros preferiam São Petersburgo. Tolstói funcionou como uma espécie de síntese, dando voz as duas cidades.

O mestre e a margarida
Mikhail Bulgákov
Alfaguara Brasil

Nos anos 30, Moscou recebe a visita do diabo e de toda a sua comitiva repleta de figuras fantásticas. A visita inesperada irá mudar para sempre a vida da cidade. Assim começa essa pequena obra-prima que revela de maneira alegórica e irônica a vida na Rússia durante o regime comunista de Stalin. O livro foi escrito ao longo de dez anos e ficou escondido durante muito tempo até finalmente ser publicado e se tornar um dos livros mais importantes da literatura russa contemporânea.

---

Memórias do subsolo
Fiódor Dostoiévski
Editora 34

Dostoiévski criou uma narrativa singular ao dar voz a um homem que vive à margem da sociedade. O homem do subsolo não mira apenas um interlocutor com sua fala ininterrupta, seu desejo é que todas as pessoas estejam alerta para a demolição de todas as coisas. Essa novela guarda um trecho primoroso: o momento em que o homem do subsolo deseja esbarrar com um oficial que lhe despreza - explicado nos mínimos detalhes por Marshall Berman. O subterrâneo de São Petersburgo vibra nessas páginas.

---

Anna Kariênina
Liev Tolstói
Cosac Naify

É difícil resumir em algumas um romance que consumiu cinco anos de elaboração. De maneira geral, a história central desse livro gira em torno de Anna Kariênina, uma jovem aristocrata que apesar de ter uma vida estável se sente infeliz. Ela vislumbra a possibilidade de mudar essa situação quando se apaixona por um oficial, o conde Vrónski. O objetivo de Tolstói era escrever uma crítica sobre a sociedade aristocrata na Rússia do século XIX, por isso uma galeria de personagens ganha vida ao longo do romance. Moscou e São Petersburgo aparecem como cidades opostas, símbolo do antigo e do novo.

*imagens: reprodução.

Share/Save/Bookmark

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

OUTRAS REVISTAS DE LITERATURA

Nada melhor do que uma revista literária para atualizar a gente sobre tudo o que anda rolando e passa um pouco despercebido pela grande imprensa. Temos pelo menos três lançamentos para ficar de olho:

A revista paranaense está na edição #21 e tem 52 páginas recheadas de literatura. Entre os destaques estão poemas inéditos de Wilson Bueno, conto inédito de João Gilberto Noll, entrevista com a crítica norte-americana Marjorie Perloff, poemas do espanhol Leopoldo María Panero, aforismos de Franz Kafka, traduzidos por Silveira de Souza e um ensaio de Jair Ferreira dos Santos. A Coyote é publicada pela Kan Editora e tem edição dos poetas Ademir Assunção, Marcos Losnak e Rodrigo Garcia Lopes. A distribuição pelo Brasil ficou a cargo da editora Iluminuras.

Feita em terras cariocas, a revista lançou na semana passada seu primeiro número com o tema "Espelhos". Tem textos de escritores não muito conhecidos e traduções de Sylvia Plath, feitas por Marina Della Valle. O projeto gráfico é bem caprichado e a tiragem é de 500 exemplares numerados - para colecionar.

A revista foi criada pela área de Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-Americana da USP. Traz contos, ensaios, traduções e resenhas num jeitão bem acadêmico. Os destaques do número são: o conto Margens secas da cidade, de Milton Hatoum; um ensaio sobre as traduções de Haroldo de Campos para escritores hispano-americanos; um ensaio em espanhol de Carlos Espinosa Domínguez sobre Machado de Assis; e a resenha para o livro Cadernos de infância, de Norah Lange.

***

Em tempo também está saindo mais uma edição do Rascunho. Tem Adriana Lisboa, Beatriz Bracher, trecho do romance inédito de Andreï Makine (traduzido por Celso Mauro Paciornik), resenha para Verão, de J. M. Coetzee, texto de José Castello sobre Júlio Cortázar e muitas coisas mais.


*imagens: reprodução.

Share/Save/Bookmark

sábado, 4 de dezembro de 2010

NOTAS #11


Livro fashion
A designer francesa Olympia Le-Tan teve uma ideia curiosa: transformou capas de livros em bolsas. O trabalho inédito caiu no gosto de algumas atrizes de Hollywood. Há modelos para O apanhador no campo de centeio, 1984, Lolita, Cartas a um jovem poeta, Drácula e muitos outros clássicos. As bolsas ainda não estão à venda no Brasil.

Domínio público
Michel Houellebecq foi acusado de plagio ao copiar textos da Wikipédia em seu novo romance, La carte et le territoire. Quando foi questionado sobre isso, Houellebecq disse que a cópia foi intencional e achava a discussão ridícula. Agora um blog francês resolveu dar o troco e disponibilizou o romance inteiro na internet. O gesto gerou insatisfação na editora que publicou o livro e o post desapareceu. Vale lembrar que La carte et le territoire ganhou o prêmio Goncourt desse ano.

O melhor de 2010
A escritora Lionel Shriver contou ao site The Millions que seu livro favorito em 2010 foi Selected stories, de William Trevor - segundo volume de uma coletânea de contos do premiado autor irlandês. Shriver participou da mesa "De frente para o crime" ao lado da escritora Patrícia Melo na FLIP desse ano. O texto que justifica a escolha de Shriver está disponível em http://tinyurl.com/24twzzc

A vida inspira a arte
Parece que um assassinato real na Suécia inspirou os escritores Stieg Larsson e Henning Mankell a escreverem suas histórias. Um artigo do jornal inglês The Telegraph conta como assassinato de Catrine da Costa ainda hoje causa espanto no país. O artigo ainda menciona o fato de Larsson ter testemunhado um estupro aos 15 anos de idade.

Comida literária
O site Flavorwire fez uma lista com a comida preferida de alguns escritores bastante conhecidos. Ernest Hemingway, por exemplo, gostava de trutas. Truman Capote não dispensava uma batata cozida com creme e caviar. Norman Mailer tinha verdadeira paixão por ostras. Mark Twain tinha verdadeiros gostos exóticos. A lista completa está disponível em http://tinyurl.com/249q5v6

Áudio literatura
H.G. Wells ficou famoso não só por ter inventado a ficção científica como a conhecemos, mas também por ter sido o locutor de um programa de radio transmitido pela BBC entre os anos 30 e 40. Alguns desses programas estão disponíveis no site da rádio. É curioso ouvir a voz do autor de A guerra dos mundos e A máquina do tempo. Os arquivos estão disponíveis em http://tinyurl.com/2akkxhe

*

O escritor e dramaturgo Samuel Beckett também participou da transmissão de algumas de suas peças escritas para rádio BBC. O repertório inclui até uma peça dirigida por Harold Pinter. O áudio de oito peças esta disponível em http://tinyurl.com/2fcxuv9

A notícia Franzen da semana
Minha última nota a respeito de Jonathan Franzen nesse ano. O famoso autor encerrou a turnê de lançamento de Freedom na última quinta-feira com uma leitura na livraria McNally Jackson em Nova York. Ninguém poderia fotografar ou filmar o evento, por isso somente quem esteve por lá pode contar como foi.

*imagem: reprodução do Google.

Share/Save/Bookmark

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

THOMAS PYNCHON VAI AO CINEMA


O mundo está realmente mudado, para você ter uma ideia até um livro de Thomas Pynchon poderá ser adaptado ao cinema. O escritor mais recluso do mundo é conhecido por criar romances gigantescos e tão elaborados que são um verdadeiro universo em si mesmo - vide O arco-íris da gravidade, Mason & Dixon e Against the day (que será lançado no ano que vem pela Companhia das Letras com o título de Contra o dia). Quando a invenção não ataca a linguagem, ataca o enredo da história de modo que o livro sempre acaba se tornando um material bem difícil de ser 'traduzido'. Tanto que o site The Huffington Post incluiu O arco-íris da gravidade na lista dos 15 romances que jamais poderão virar filme.

O boato surgiu graças a New York Magazine. Segundo o pessoal da revista apurou, o diretor Paul Thomas Anderson está com vontade de adaptar Vício inerente - o último romance que Pynchon escreveu. Para quem não se lembra, Thomas Anderson é o diretor de "Magnólia", "Embriagado de amor" e "Sangue negro". Parece que o diretor já escreveu o argumento e está trabalhando num roteiro. Ainda segundo especulação da NY Magazine, o filme seria estrelado pelo ator Robert Downey Jr. ou por Philip Seymour Hoffman.

Vício inerente conta a história de um "detetive particular Doc Sportello (...) que é contratado por uma ex-namorada para investigar o sumiço de um poderoso barão do mercado imobiliário". Tudo se passa na Califórnia dos anos 70 em pleno declínio da contracultura "flower power". Tem Charles Manson, tem hippies, surfistas, traficantes, contrabandistas, bandas de rock, prostitutas e muitas drogas. O livro pode virar filme, justamente por ser uma história de detetives um pouco clássica, um pouco moderna. Tem um trecho do romance disponível aqui.

Embora seja avesso às fotos e entrevistas, Thomas Pynchon vive circulando por Nova York, cidade onde mora desde os anos 70. Dizem às lendas que ele sempre conversa por telefone com gente do show business por quem tem certa simpatia. Ele até dublou o vídeo promocional de Vício inerente, fazendo o papel da personagem Doc Sportello - a mesma coisa aconteceu com a participação dele nos Simpson, dublando ele mesmo.

Quem sabe Thomas Pynchon não se anime e resolva fazer uma participação especial no filme. Mesmo que seja como figurante.

*imagem: reprodução do Google sobre a participação de Thomas Pynchon no desenho Os Simpsons.
Share/Save/Bookmark