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terça-feira, 17 de setembro de 2013

MINHA PARTICIPAÇÃO NA COPA DE LITERATURA


Hoje foi ao ar a minha participação na Copa de Literatura Brasileira 2013. Fiquei muito lisonjeado com o convite dos organizadores e confesso para vocês que senti uma responsabilidade enorme ao saber que teria de avaliar Barba ensopada de sangue, de Daniel Galera e Habitante irreal, de Paulo Scott. Se você estava num outro país sem acesso a internet aqui vai uma explicação para o temor: foram os dois livros mais comentados da temporada mais recente da literatura brasileira.

Para compor minha 'resenha', tentei ler quase tudo o que escreveram a respeito e ruminei durante muitas semanas algumas ideias que anotei em papéis espalhados. Se fosse possível, passava os dois para a próxima rodada de avaliações, mas não dá! Tanto o livro do Galera quanto o do Scott são dignos de nota e precisam ser lidos - basta ter boa vontade para enxergar as qualidades, reconhecer os defeitos e deixar de lado a rabugice contra a literatura brasileira contemporânea (essa palavra que faz muita gente ficar com cara de nojo - vai entender).

A Copa é divertida justamente por colocar nova luz e promover mais debate sobre livros que poderiam ficar perdidos nas estantes das livrarias ou das bibliotecas públicas e privadas. Por isso, teria sido muito chato se Habitante irreal tivesse sido retirado dessa edição desde o começo (apenas para registrar, Paulo Scott pediu para que os organizadores retirassem o livro da Copa).

Bom, agora chega de papo-furado. Para ler a resenha vai lá no site da Copa e não deixe de acompanhar as outras partidas porque ainda tem várias avaliações que vão ser briga de cachorro grande - como dizem popularmente.

*Imagem: reprodução da Copa.
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domingo, 2 de junho de 2013

A PROGRAMAÇÃO DA FLIP 2013


A FLIP anunciou a programação completa da sua décima primeira edição que acontece entre os dias 3 e 7 de julho. Como os curadores gostam de lembrar, a Festa é um evento de artes, humanidades e ideias cujo eixo central é a literatura. O que não engessa os assuntos das mesas e permite mudanças, inovações, experiências e surpresas aos expectadores. Quem não se lembra do ano em que o homenageado foi o sociólogo Gilberto Freire? Não estou menosprezando a importância de sua obra, mas destacando o fato de que com essa manobra a FLIP estava ampliando seu repertório condutor. Portanto, não causa espanto os debates sobre cinema, artes plásticas e arquitetura. 

O chamariz que confere popularidade a Festa está nessas mesas não necessariamente literárias com Gilberto Gil, Maria Bethânia lendo Fernando Pessoa ao lado de Cleonice Berardinelli, Nelson Pereira dos Santos ao lado da cantora Miúcha e uma mesa com Eduardo Coutinho (gênio).

A grande surpresa foi Michel Houellebecq. Acho que ninguém esperava já que ele tinha cancelado a sua participação na Festa, em 2011, alegando problemas pessoais. Resta torcer para que nada aconteça e ele venha. Apesar de ser uma figura aparentemente serena, seus livros sempre despertam debates apaixonados. No romance Partículas elementares, por exemplo, uma das personagens diz "Se havia um país detestável, era justamente, e especificamente, o Brasil”. Em 2008, quando ele esteve no Brasil para o Fronteiras do Pensamento, falou sobre o futebol como uma válvula de escape para o instinto de combate do ser humano. Em 2010, muita gente acusou Houellebecq de plágio quando O mapa e o território ganhou o Prix Goncourt - o livro contém trechos que foram retirados da Wikipédia. Vai ser no mínimo curioso.

A tarefa de fazer Houellebecq falar está nas mãos do jovem escritor e crítico espanhol Javier Montes. Será que vão conversar em francês? Ele já morou em Paris, Lisboa, Rio de Janeiro e Buenos Aires, tem experiência com tradução e domína outras línguas. Quem quiser conhecer um pouco dele pode recorrer aquela edição da Granta com Os melhores jovens escritores em espanhol. Montes também apresentou Emilio Fraia para o mundo na edição inglesa da Granta dedicada aos escritores brasileiros.

No mais, no terreno da prosa de ficção, a FLIP apostou em nomes ainda pouco conhecido pelos leitores brasileiro como o norueguês Karl Ove Knausgård, o francês Laurent Binet, a norte-americana Lydia Davis e o francês Jérôme Ferrari (ganhador do Prix Goncourt do ano passado). Um pouco mais conhecidos são o bósnio Aleksandar Hemon cuja obra tem sido publicada por aqui pela editora Rocco desde 2002, o irlandês John Baville publicado no Brasil desde o final dos anos 80 pelas editoras Globo, Rocco e Nova Fronteira e o norte-americano Tobias Wolff que apesar de ter livros publicados em português anda meio sumido das estantes - acho que só catálogo.

No quesito popularidade, os escritores brasileiros levam vantagem. Três dos prosadores mais comentados da temporada marcam presença: Paulo Scott, José Luiz Passos e Daniel Galera. E para aqueles críticos que acreditam que a não-ficção está mais interessante do que a ficção, vale as mesas entre Lila Azam Zanganeh e Francisco Bosco, Roberto Calasso e Jeanne-Marie Gagnebin (eles vão falar sobre Kafka e Baudelaire) e Geoff Dyer e John Jeremiah Sullivan (promete ser o ponto alto da Festa no domingo em que as pessoas costumam ir embora).

No mais, a gente sempre espera que a FLIP traga um escritor por quem somos apaixonados. Só que o mercado editorial no Brasil mudou, as Bienais do Livro estão tentando se reinventar, feiras estão crescendo, eventos menores estão surgindo e as editoras estão mais sintonizadas com isso. O que significa dizer que a gente não precisa esperar só pela FLIP para ver aquele autor que a gente gosta. Logo mais, ele pode pintar por aí na sua cidade.

***

Tenho certeza que eu, você e muita gente distribuiu palpites da programação nas conversas de mesa de botecos. Como acontece com o futebol, todo mundo tem uma escalação de sua preferência na cabeça. Algo me dizia que Zadie Smith e David Mitchell finalmente viriam (dois nomes em evidência nesse momento e cujos livros mais recentes devem sair em português logo mais). Não rolou. No mais, lamentei a 'não-vinda' de Chuck Palahniuk e olhando a programação geral, teria incluído Elif Batuman (uma das melhores 'ensaistas' do momento). Faltou uma mesa que contemplasse quadrinhos. Enfim, a lista é longa. Quem sabe numa outra oportunidade.

E você? Qual seria a sua escalação?

p.s.: deixei de fora os comentários sobre poesia porque o blog trata de prosa de ficção. no entanto, sei que vai ter coisa bacana.

(Foto: Walter Craveiro/Flip)
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segunda-feira, 29 de abril de 2013

UMA LISTA: VINTE E UM LIVROS DO SÉCULO 21 QUE TODO HOMEM DEVERIA LER (III)


Final (3 de 3)

-> para ler a primeira parte:  VINTE E UM LIVROS DO SÉCULO 21 QUE TODO HOMEM DEVERIA LER (I)

-> para ler a segunda parte:  VINTE E UM LIVROS DO SÉCULO 21 QUE TODO HOMEM DEVERIA LER (II)




15| Quenga de plástico (2011)
JULIANA FRANK
7Letras

Razão: quem não gosta de uma boa sacanagem? A estreia de Juliana Frank é melhor do que qualquer outro livro recente com conteúdo erótico que você tenha lido por aí. A ex-atriz pornô Leysla Kedman conta tudo sobre a sua vida sexual sem nenhuma censura! Tal qual uma Sherazade dos século 21, ela solta a língua e conquista o leitor usando todo o seu charme e poder de sedução. É uma história inteligente, despretensiosa e com muito bom humor.





16| Diário da queda (2010)
MICHEL LAUB
Companhias das Letras

Razão: um suposto acidente numa festa de aniversário tem consequências devastadoras na vida do narrador deste livro. O episódio serve como ponto de partida para um exame quase obsessivo de suas memórias a fim de responder a pergunta: como uma pessoa se torna o que ela é? Nesse mergulho em águas profundas nos deparamos com o diário deixado por seu avô, um sobrevivente de Auschwitz, e a história do seu pai com quem tem uma relação complicada. Nenhum livro da literatura brasileira promoveu uma reflexão tão contundente como esse.




17| O azul do filho morto (2002)
MARCELO MIRISOLA
Editora 34

Razão: A voz doentia do narrador desta confissão ficcional - um garoto triste e humilhado da classe média - goza de uma liberdade sem limites ao retirar a língua, os leitores e a própria literatura da sua doce zona de conforto mesclando um registro desbocado, termos chulos, palavrões e escatologias com imagens de grande força poética. O resultado é espontâneo, original, cru e explosivo.






18| Carvão animal (2011)
ANA PAULA MAIA
Record

Razão: um bombeiro, um cremador e um mineiro vivem marginalizados e inseridos num cotidiano bruto cercado pela morte e violência. O que une essas três personagens é o fogo, o carvão e as cinzas que ao mesmo tempo destroem a humanidade de cada um e servem como combustível para alimentar ódio, a brutalidade e a destruição.





19| Habitante irreal (2012)
PAULO SCOTT
Alfaguara


Razão: as desilusões políticas de uma geração que lutou com unhas e dentes por transformações, a figura do índio marginalizado nas cidades, as dificuldades de fugir para o exterior como imigrante ilegal e tantos outros temas que habitam a nossa cultura compõe um amplo retrato do Brasil contemporâneo.






20| Areia nos dentes (2010)
ANTÔNIO XERXENESKY
Record

Razão: nenhuma outra novela deste século foi capaz de uma mistura tão original: faroeste, famílias rivais, amores proibidos, relacionamento desajustado entre pai e filho, um escritor com dilema criativo, computadores, passado, presente e zumbis... tudo recheado com humor e boas doses de cultura pop. Precisa de mais alguma coisa?





21| Big Jato (2013)
XICO SÁ
Companhia das Letras

Razão: o livro descreve numa prosa coloquial e erudita a vida de um garoto, desde a infância até a idade adulta, lidando com a difícil escolha de crescer tendo como exemplo a figura do pai centrado e do tio beatlemaníaco ao mesmo tempo em que acompanha as transformações do mundo que o cerca.

*Imagens: capas dos livros são divulgação / ilustrações: montagem a partir de reproduções do Google.
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sábado, 18 de junho de 2011

GERAÇÃO ZERO ZERO

O caderno Prosa & Verso (do jornal O Globo) deidicou algumas páginas ao lançamento da antologia Geração zero zero: fricções em rede que está saindo pela editora Língua Geral. O livro foi organizado pelo escritor Nelson de Oliveira. Ele passou três anos pesquisando escritores que apareceram na última década e que tiveram pelo menos dois livros publicados. De um total de cento e cinquenta, pinçou apenas vinte e um - deixando de fora cinco escritores que gostaria de ter incluído, mas que não puderam participar: Clarah Averbuck, João Paulo Cuenca, Marcia Tiburi, Mário Araújo e Tatiana Salem Levy.

O caderno publicou uma entrevista com Nelson de Oliveira. Ele fala sobre o polêmico rótulo "geração", sobre as acusações de a coletânea ser puro marketing e sobre a vitalidade da literatura brasileira contemporânea. É impossível não pensar no debate de meses atrás sobre a apatia da nossa literatura. Não é à toa que Beatriz Rezende assina uma resenha sobre a antologia no Prosa & Verso. Tem ainda um comentário do caderno.

A parte qualquer discussão, sempre digo que essas antologias tem o mérito de servirem como ponto de partida para leitores descobrirem jovens escritores. Considerando que vivemos um momento de intensa publicação de livros. No final, podemos ter um panorama (ainda que sob a ótica particular de uma pessoa) do que está acontecendo na literatura atual.

Os americanos, ingleses e escritores de língua espanhola organizaram no ano passado coletâneas parecidas com a Geração zero zero. A versão brasileira da revista Granta (publicada por aqui pela editora Alfaguara) também pretende lançar no ano que vem uma edição dedicada aos Melhores jovens escritores brasileiros.



A antologia Geração zero zero tem participação de:

Flávio Viegas Amoreira (1965, Santos) - Autor do livro de contos Contogramas (2004) e poeta. Participa da antologia com "Apaixonado de mar", "Stallone, a pândega e o pederasta", O gato de Guima" e "Nazca".

Marcelo Benvenutti (1970, Porto Alegre) - Autor dos livros de contos Arquivo morto (2008), Vidas cegas (2002), O ovo escocês (2004) e Manual do fantasma amador (2005). Participa da antologia com "O homem que mostrava a língua", "O homem que amava as gordas (e as feias também)" e "O homem que suava ratos".

João Filho (1975, Bom Jesus da Lapa) - Autor dos livros de contos Encarniçado (2004) e Ao longo da linha amarela. Já teve contos publicados em diversas coletâneas de ficção. Participa da antologia com "Sob o sol de lugar nenhum".

Whisner Fraga (1971, Ituiutaba) - Autor dos livros de contos Seres & sombras (1997), Coreografia dos danados (2002), A cidade devolvida (2005) e Abismo poente (2009). Também publicou o romance As espirais de outubro (2007) e livros de poesia. Participa da antologia com "X".

Andréa del Fuego (1975, São Paulo) - Autora dos livros de contos Minto enquanto posso (2004), Nego tudo (2005), Engano seu (2007) e Nego fogo (2009). Também publicou o romance Os malaquias (2010). Já teve contos publicados em diversas coletâneas de ficção e escreveu livros infanto-juvenis. Participa da antologia com "Um milhão de vezes" e "Francisco não se dá conta".

Daniel Galera (1979, São Paulo, mas vive em Porto Alegre) - Autor do livro de contos Dentes guardados (2001) e dos romances Até o dia em que o cão morreu (2007), Mãos de cavalo (2006) e Cordilheira (2008). Também publicou a graphic novel Cachalote (2010) com Rafael Coutinho. Participa da antologia com "Laila" e "O velho branco".

Marne Lúcio Guedes (1960, Rio de Janeiro) - Autor do livro de contos Cio (2008). Participa da antologia com "A mão que afaga".

Maria Alzira Brum Lemos (1959, Campinas) - Autora do livro A ordem secreta dos ornitorrincos (2008). Participa da antologia com "Perto de você", "A terrorista do sutiã", "Conto para transmissão radiofônica", "Princesa" e "Ela nos meus sonhos".

Ana Paula Maia (1977, Rio de Janeiro) - Autora dos romances O habitante das falhas subterrâneas (2003), A guerra dos bastardos (2007) Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos (2009) e Carvão animal (2011). Participa da antologia com "Javalis no quintal".

Tony Monti (1979, São Paulo) - Autor dos livros de contos O mentiroso (2003), O menino da rosa (2007) e Exato acidente (2008). Participa da antologia com "Esc" e "Esboço de Ana".

Lourenço Mutarelli (1964, São Paulo) - Autor dos romances Jesus Kid (2004), O cheiro do ralo (2002), O natimorto (2009), Miguel e os demônios (2009), A arte de produzir efeitos sem causa (2008) e Nada me faltará (2010). Também publicou diversos livros de histórias em quadrinhos. Participa da antologia com "Nova York 2007".

Santiago Nazarian (1977, São Paulo) - Autor dos romances Mastigando humanos (2006), Feriado de mim mesmo (2005), A morte sem nome (2004), Olívio (2003), O prédio, o tédio e o menino cego (2008) e do livro de contos Pornofantasma (2011). Participa da antologia com "Eu sou a menina deste navio".

José Rezende Jr. (1959, Aimorés) - Autor dos livros de contos A mulher gorila & outros demônios (2005), Eu perguntei pro velho se ele queria morrer (e outras estórias de amor) (2009) e Estórias mínimas (2010). Participa da antologia com "Macaco!", "Ana esta noite", "Fervura" e "A partida do audaz marinheiro".

Sidney Rocha (1965, São Paulo) - Autor do romance Sofia – uma ventania para dentro (2005) e do livro de contos Matriuska (2009). Participa da antologia com "Magnetismo", "Dança comigo", "O carretel", "Certo dia, a prateleira", "Não", "Sobre a arte de falir", "Para averiguações", "O destino das metáforas" e "Texto de orelha".

Carola Saavedra (1973, Santiago/Chile, mas veio para o Brasil aos 3 anos de idade) - Autora do livro de contos Do lado de fora (2005) e dos romances Toda terça (2007), Flores azuis (2008) e Paisagem com dromedário (2010). Participa da antologia com "A rainha da noite".

Paulo Sandrini (1971, Vera Cruz) - Autor dos livros de contos Vai ter que engolir (2001), O estranho hábito de dormir em pé (2003), Códice d’incríveis objetos & Histórias de Lebensraum (2005) e do romance Osculum Obscenum (2008). Participa da antologia com "O Rei era assim".

Walther Moreira Santos (1979, Vitória de Santo Antão) - Autor dos romances Um certo rumor de asas (2004), Helena Gold (2006), Dentro da chuva amarela (2006) e O ciclista (2008). Também publicou um livro infanto-juvenil. Participa da antologia com "Chove" e "Postais do abismo".

Carlos Henrique Schroeder (1975, Trombudo Central) - Autor dos romances A rosa verde (2005), Ensaio do Vazio (2006) e As certezas e as palavras (2010). Participa da antologia com "Apontamentos sobre o olhar".

Paulo Scott (1966, Porto Alegre) - Autor do livro de contos Voláteis (2005) e Ainda orangotangos (2007). Também publicou poesia e dramaturgia. Participa da antologia com "Sanduíche recheado de anzóis" e "Clichê policial".

Veronica Stigger (1973, Porto Alegre) - Autora dos livros de contos O trágico e outras comédias (2007), Gran Cabaret Demenzial (2007) e Os anões (2010). Também publicou livros infanto-juvenis. Participa da antologia com "Mancha".

Lima Trindade (1966, Brasília) - Autor do livros de contos Todo sol mais o Espírito Santo (2006), Corações blues e serpentinas (2007) e do romance Supermercado da Solidão (2005). Participa da antologia com "Bárbara não atende" "Eu, James Gandolfini (ou Jukebox)".

Em tempo, o livro Geração zero zero terá dia 21 de junho na Livraria da Vila (da Fradique Coutinho) a partir das 18h30. também haverá lançamento em Brasília, Porto Alegre, Salvador e Rio de Janeiro.

*imagem: divulgação/reprodução.

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