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terça-feira, 7 de abril de 2015

ANOTAÇÕES EM TORNO DO TOURNAMENT OF BOOKS 2015



Terminou na semana passada o Tournament of Books 2015 - um dos torneios de livros mais bacanas do mundo. Visto de longe, parece uma espécie de competição cultural que diz mais respeito aos norte-americanos (ou falantes de língua inglesa) do que a gente. Só que uma espiadinha descompromissada não faz mal a ninguém e como eu sempre digo: os livros que conseguem boa repercussão lá tem grandes chances de aparecerem nas nossas prateleiras em bom português. Também acho que toda movimentação em torno do torneio serve como um termômetro para avaliar a quantas anda a prosa de ficção naquele mercado editorial.

Cinco autores que estavam participando do torneio são conhecidos no Brasil, mas apenas dois livros concorrentes foram traduzidos: Aniquilação, de Jeff VanderMeer (tradução de Braulio Tavares) e Toda luz que não podemos ver, de Anthony Doerr (tradução de Maria Carmelita Dias), ambos sairam pela editora Intrínseca. Os outros três autores conhecidos são Elena Ferrante (vai sair pela Globo Livros), Sarah Waters (tem livros publicados pela Record) e David Mitchell (tem livros publicados pela Companhia das Letras).

Minha torcida particular era pelo David Mitchell. Li dois livros dele, mas não The Bone Clocks - só acompanhei a repercussão pela imprensa internacional. Mas acho Mitchell bastante talentoso e a revista Granta junto com toda a crítica especializada de língua inglesa atesta isso. No mais, simpatizo com a timidez, o gosto musical e a gagueira do autor. Seja como for, para minha tristeza e tristeza dos seus fãs, ele foi eliminado nas quartas-de-final.

Depois de 4 semanas, os dois livros sobreviventes que fizeram a grande final foram: Toda luz que não podemos ver, de Anthony Doerr e Station eleven, de Emily St. John Mandel. O livro vencedor foi Station eleven numa votação esmagadora de 15 votos contra 2.


Pelo que pude descobrir Emily St. John Mandel (autora do livro vencedor) é canadense, mas mora em Nova York. Já publicou quatro romances e foi finalista dos prêmios National Book Award e PEN/Faulkner Award. Ela não tem nenhum livro publicado no Brasil, por enquanto. Alguém tem interesse?

*Imagem: reprodução.
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segunda-feira, 9 de junho de 2014

COPA DO MUNDO DE LITERATURA

Demorou um pouco, mas um pessoal da Universidade de Rochester - nos Estados Unidos - saiu na frente e organizou a Copa do Mundo de Literatura. Será um torneio bem aos moldes do famoso Tournament of Books com uma pequena diferença: a competição incluí livros de autores cujos países estão participando da Copa do Mundo. Portanto, teremos 32 autores (cada país participa com um livro) e 24 juízes para dar conta das avaliações. O esquema também lembra a nossa Copa de Literatura Brasileira (se você acompanha este blog já deve saber como funciona tudo).

Os livros que estão na competição foram anunciados hoje. Os organizadores privilegiaram obras que foram publicadas originalmente depois dos anos 2000 e foram traduzidas para o inglês. O Brasil será representado por Budapeste, de Chico Buarque.

Ao contrário da Copa de Futebol, a Copa de Literatura não terá a fase classificatória de grupos. Na primeira rodada, os países se enfrentam com um único adversário de seu grupo e o vencedor segue para a rodada seguinte e assim segue até a final.

Abaixo está a lista de competidores, combates e datas dos jogos. Os livros traduzidos no Brasil ganharam título em português; mantive o título em inglês para aqueles que ainda não foram traduzidos; se não estou enganado, o livro de Mario Benedetti é uma seleção de contos de vários livros do autor feita pelo editor norte-americano, por isso mantive o original embora alguns contos já tenha sido traduzidos para o português.

Muitos livros já saíram por aqui e caso você queira acompanhar a partida terá tempo de ler e avaliar.



Primeira rodada

Brasil x Camarões 12/6 – Jeffrey Zuckerman
Budapeste, de Chico Buarque (Brasil)
Dark Heart of the Night, de Leonora Miano (Camerões)

Russia x Argélia 13/6 – Chris Schaefer
Day of the Oprichnik, de Vladimir Sorokin – (Russia)
The Sexual Life of an Islamist in Paris, de Leila Marouane (Argélia)

Itália x Inglaterra 13/6 – Trevor Berrett
The Days of Abandonment, de Elena Ferrante (Itália)
NW, de Zadie Smith (Inglaterra)

Espanha x Austrália 16/6 – Mauro Javier Cardenas
Seu rosto amanhã (volume 1) - febre e lança, de Javier Marias (Espanha)
Barley Patch, de Gerald Murnane (Austrália)

Colombia x Japão 17/6 – George Carroll
Memórias de minhas putas tristes, de Gabriel Garcia Marquez (Colombia)
1Q84 - os 3 volumes, de Haruki Murakami (Japão)

Suíça x Honduras 18/6 – Hannah Chute
My Mother’s Lover, de Urs Widmer (Suíça)
Senselessness, de Horacio Castellanos Moya (Honduras)

Argentina x Nigéria 19/6 – Lance Edmonds
Um acontecimento na vida do pintor viajante, de César Aira (Argentina)
Graceland, de Chris Abani (Nigéria)

México x Croácia 20/6 – Katrine Ogaard
Rostos na multidão, de Valeria Luiselli (México)
Baba Yaga Laid an Egg, de Dubravka Ugrešić (Croácia)

Portugal x Estados Unidos 20/6 – Will Evans
Jerusalém, de Gonçalo Tavares (Portugal)
The Pale King, de David Foster Wallace (Estados Unidos)

França x Equador 23/6 – P.T. Smith
O mapa e o território, de Michel Houellebecq (França)
The Potbellied Virgin, de Alicia Yánez Cossío (Equador)

Chile x Holanda 24/6 – Shaun Randol
Noturno do Chile, de Roberto Bolaño (Chile)
O jantar, de Hermann Koch (Holanda)

Grécia x Costa do Marfim 25/6 – Laura Radosh
Why I Killed My Best Friend, de Amanda Michalopoulou (Grécia)
Alá e as crianças - soldados, de Ahmadou Kourouma (Costa do Marfim)

Bósnia e Herzegovina x Irã 26/6 – Hal Hlavinka
Como o soldado conserta o gramofone, de Saša Stanišić (Bósnia e Herzegovina)
The Colonel, de Mahmoud Dowlatabadi (Irã)

Bélgica x Coréia do Sul 26/6 – Scott Esposito
The Misfortunates, de Dimitri Verhulst (Bélgica)
Your Republic Is Calling You, de Young-ha Kim (Coréia do Sul)

Uruguai x Costa Rica 27/6 – Kaija Straumanis
The Rest Is Jungle, de Mario Benedetti (Uruguai)
The Cadence of the Moon, de Oscar Núñez Oliva (Costa Rica)

Alemanha x Gana 27/6 – James Crossley
Austerlitz, de WG Sebald (Alemanha)
Search Sweet Country, de Kojo Laing (Gana)

Promete ser um belo campeonato e começa na quinta-feira.

Façam suas apostas e comentários.

*Imagem: tabela da Copa do Mundo de Literatura/Divulgação.
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sexta-feira, 28 de março de 2014

O VENCEDOR DO TOURNAMENT OF BOOK 2014


Com um placar esmagador 11 votos contra 6, o vencedor do Tournament of Books 2014 foi The Good Lord Bird, de James McBride. O romance conta a história de Henry Shackleford, vulgo Onion, um jovem negro e escravo que precisa fugir do Kansas e acompanha o famoso abolicionista John Brown fingindo ser uma garota. A ação se passa em 1857 em meio as discussões violentas sobre a escravidão nos Estados Unidos. 

Além dos inúmeros elogios de crítica, McBride levou pra casa o National Book Award, um prêmio muito prestigiado da literatura norte-americana, desbancando concorrentes como Jumpha Lahiri, Thomas Pynchon e George Saunders.


O livro será publicado aqui provavelmente no final do segundo semestre pela Bertrand Brasil, com tradução de Roberto Muggiati.

*Imagem: divulgação.
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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

UMA 'ESPIADINHA' DESCOMPROMISSADA NO TOURNAMENT OF BOOKS 2014


Yes, nós temos o nosso próprio torneio de livros (também conhecido como Copa de Literatura Brasileira), mas não custa nada dar aquela 'espiadinha' descompromissada no Tournament of Books que nos serviu de inspiração. Se mesmo assim você não estiver convencido aqui vão algumas razões para lançar mão de um gesto tão simples: a seleção de 'competidores' é bem interessante e serve como um filtro para saber o que os norte-americanos estão lendo e gostando; o julgamento é democrático e participativo; as avaliações dos jurados são despretensiosas; e muito do que pinta no tournament vem para as nossas estantes (se o livro for o 'vencedor', tanto melhor para a editora que vai publicá-lo no Brasil). 

Além disso, o Tournament of Books está completando 10 anos num momento bastante fértil para a prosa de ficção - contrariando muita gente que declara o romance como um gênero morto e a falta de interesse dos leitores por literatura de ficção. Para termos uma ideia a primeira lista do tournament contava com 93 livros, entre eles medalhões da prosa norte-americana.

A seleção final dos livros que vão concorrer ao torneio desse ano foi anunciada na segunda semana de janeiro para matar a curiosidade geral. A lista está mais multicultural porque inclui uma série de autores de outras nacionalidades: um alemão, um moçambicano, um peruano, um paquistanês, uma havaiana e uma neozelandesa. Evidentemente, para participar da competição todos os livros foram publicados nos Estados Unidos.

Não deve ter sido uma decisão muito fácil eliminar Margaret Atwood, Colum McCann, Thomas Pynchon, George Saunders, Dave Eggers e Paul Harding. Imagine a responsabilidade!

Quem pretende acompanhar o torneio vai ficar contente em saber que três livros já foram publicados aqui no Brasil - O jantar, de Herman Koch; Antes de nascer o mundo, de Mia Couto; A assinatura de todas as coisas, de Elizabeth Gilbert - e outros seis livros estão nos planos das editoras nacionais para saíram ainda esse ano - é o caso de Daniel Alarcón (pela Alfaguara), Eleanor Catton, Jhumpa Lahiri (ambas pela Biblioteca Azul, da Globo Livros), James McBride (pela Bertrand Brasil), Mohsin Hamid e Donna Tartt (ambos pela Companhia das Letras). Um dos jurados será John Freeman, ex-editor da revista Granta.

Fiquei contente com a participação de Mia Couto - nosso representante da língua portuguesa - e nem preciso dizer para quem vai a minha torcida. Sorte para o livro dele!

Os livros concorrentes são:

At Night We Walk in Circles, de Daniel Alarcón
The Luminaries, de Eleanor Catton
Antes de nascer o mundo, de Mia Couto
A assinatura de todas as coisas, de Elizabeth Gilbert
How to Get Filthy Rich in Rising Asia, de Mohsin Hamid
O jantar, de Herman Koch 
The Lowland, de Jhumpa Lahiri
Long Division, de Kiese Laymon
The Good Lord Bird, de James McBride
Hill William, de Scott McClanahan
The Son, de Philipp Meyer
A Tale for the Time Being, de Ruth Ozeki
Eleanor & Park, de Rainbow Rowell
The Goldfinch, de Donna Tartt
The People in the Trees, de Hanya Yanagihara

O décimo sexto concorrente foi escolhido por votação e será divulgado em breve - a vaga será do livro Life After Life, de Kate Atkinson ou Woke Up Lonely, de Fiona Maazel.

A propósito, o Tournament of Books 2014 começa em março.

*Imagem: Site ToBX/reprodução
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segunda-feira, 15 de abril de 2013

ADAM JOHNSON GANHA O PULITZER DE FICÇÃO


Enquanto a lista com os vinte jovens escritores da Granta era anunciada na Inglaterra, do outro lado do oceano Atlântico, nos Estados Unidos, o mundo conhecia o ganhador do Pulitzer de ficção. Quem levou o cobiçado prêmio foi The Orphan Master's Son, de Adam Johnson - para alegria dos leitores houve um ganhador, bem ao contrário do que aconteceu no ano passado quando os três concorrentes foram para casa com os bolsos vazios.

Johnson desbancou os concorrentes Do que a gente fala quando fala de Anne Frank, de Nathan Englander e The Snow Child, de Eowyn Ivey.

A escolha demonstra um certa sintonia com os recentes acontecimentos políticos envolvendo os Estados Unidos e a Coreia do Norte. O enredo de The Orphan Master's Son conta a história de um jovem chamado Pak Jun Do enfretando todas as adversidades do regime totalitário coreano.

O livro teve boa recepção crítica nos Estados Unidos e também venceu a recente edição do Tournament of Books contra A culpa é das estrelas, de John Green (recebendo dos jurados 14 votos a favor e apenas 3 contra).

Adam Johnson é professor de escrita criativa na Universidade de Stanford, mora em São Francisco e já publicou três livros: a coletânea de contos Emporium e os romances Parasites Like Us e The Orphan Master's Son.

***ATUALIZAÇÃO: Ontem, durante a minha "apuração" (cof cof cof!) sobre o ganhador do Pulitzer, me deparei com um livro dele publicado no Brasil pela editora Larousse chamado Jun Do. Nem atentei ao fato de que esse livro é justamente uma tradução de The Orphan Master's Son feita por André Gotlieb - saiu em 2012. Achei que se tratava de um romance anterior, não li nenhum resenha, nenhuma notícia no jornal ou blog (nada!). Mesmo nos meus textos sobre o Tournament of Books não escrevi uma linha... seja como for, podemos nos dar ao luxo de escolher entre ler o ganhador do Pulitzer agora mesmo ou deixar para daqui a pouco. Lição do dia: jamais ignore um livro publicado no Brasil.

*Imagem: Tamara Beckwith/reprodução do Pulitzer.
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

UMA ESPIADINHA NO TOURNAMENT OF BOOKS 2013



É comum a gente dar uma espiada no Tournament of Books, por mais gringo que ele seja.  A curiosidade surge porque os organizadores costumam colocar na competição livros publicados nos Estados Unidos que tiveram enorme repercussão crítica e terão grandes chances de serem traduzidos pelo mundo afora.

Para você ter uma ideia 6 dos 8 romances campeões tiveram tradução para o português. Figuram entre os ganhadores Jennifer Egan, Hilary Mantel, Toni Morrison, Junot Díaz, Ali Smith e Cormac McCarthy. Estão esperando por uma oportunidade Cloud Atlas, de David Mitchell e The Sisters Brothers, de Patrick deWitt (ganhadora do ano passado).

Graças ao seu fortalecimento ao longo dos anos, o torneio está chegando a sua nona edição com apoio do Nook - o leitor digital da revendedora de livros Barnes & Noble. Outras razões para ficar de olho na competição são o caráter bastante democrático (jurados e leitores podem debater opiniões sobre os resultados) e o fato de ter inspirado iniciativas semelhantes aqui no Brasil - quem não se lembra da Copa de Literatura Brasileira e do Gauchão de Literatura?  

Isso posto, quero dizer que no começo de janeiro foram anunciados os competidores desse ano e a lista, para decepção ou felicidade de muitos, tem em sua maioria nomes desconhecidos para leitores aqui no Brasil. Pode ser que você recorde de Jess Walter, Louise Erdrich, Hilary Mantel, Laurent Binet, Alice Munro e Chris Ware. Apesar de ter publicado muitos livros, Jess Walter teve apenas o romance Cidadão do crime traduzido pela editora Landscape. Louise Erdrich ganhou o National Book Award e teve vários livros traduzidos por aqui (a maioria anda fora de catálogo), sendo que o mais recente Jogo de sombras saiu pela Tinta Negra. No ano passado, Hillary Mantel ganhou o Man Booker Prize e o livro que está concorrendo no Tournament será traduzido pela editora Record. O romance Hhhh, de Laurent Binet foi traduzido pela Companhia das Letras no final do ano passado. Os veteranos Alice Munro e Chris Ware são traduzidos pela Companhia das Letras.

Entre os lançamentos que tiveram ampla repercussão no ano passado, ficaram de fora This is How You Lose Her, de Junot Díaz; A Hologram for the King, de Dave Eggers; The Newlyweds, de Nell Freudenberger; Gods Without Men, de Hari Kunzru; NW, de Zadie Smith e Laura Lamont’s Life in Pictures, de Emma Straub. A maioria deve ganhar tradução para o português ainda nesse ano.

Aqui está a lista completa dos concorrentes:

HHhH, de Laurent Binet
The Round House, de Louise Erdrich
Gone Girl, de Gillian Flynn
The Fault in Our Stars, de John Green
Arcadia, de Lauren Groff
How Should a Person Be?, de Sheila Heti
May We Be Forgiven, de A.M. Homes
The Orphan Master’s Son, de Adam Johnson
Ivyland, de Miles Klee
Bring Up the Bodies, de Hilary Mantel
The Song of Achilles, de Madeline Miller
Dear Life, de Alice Munro
Where’d You Go Bernadette, de Maria Semple
Beautiful Ruins, de Jess Walter
Building Stories, de Chris Ware

O décimo sexto concorrente será escolhido por votação e divulgado em breve.

> ATUALIZAÇÃO 1: Não há nada que uma visita às livrarias não possa corrigir. Assim que coloquei o meu pé dentro de uma livraria na sexta feira fiquei cara a cara com o livro do John Green - A culpa é das estrelas (saiu pela Intrínseca no ano passado). Com isso, acho que um pouco menos que a metade é conhecida pelo público brasileiro.

> ATUALIZAÇÃO 2: O romance Where’d You Go, Bernadette, de Maria Semple será publicado no Brasil em junho pela Companhia das Letras.

*Imagem: logotipo do Tournament / reprodução.
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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

UM PRÊMIO LITERÁRIO DEMOCRÁTICO!

Daqui há um mês vai começar a oitava edição do Tournament of Books. Para quem não conhece trata-se um campeonato anual entre 16 livros mais comentados ou ignorados da temporada norte-americana se enfrentam a fim de saber qual deles é o melhor (ou qual deles consegue convencer todo um júri especializado em literatura). Ao todo são quatro grandes rodadas em esquema mata-mata. Quem tiver melhor avaliação do júri segue na disputa até a grande final.

Tudo começou como uma conversa despretensiosa entre Kevin Guilfoile, John Warner e os editores do site themorningnews.org, Andrew Womack e Rosecrans Baldwin. Cansados daquelas premiações literárias arbitrárias e protocolares, eles tiveram a ideia de criar um prêmio que envolvesse algum drama, debate e muitas discussões. O torneio ainda permite a participação dos leitores no Zombie Round - livros que não entraram na competição "oficial", mas que os leitores acham que mereciam estar lá.

Justificar qual livro merece continuar na disputa não vai uma tarefa fácil para os jurados considerando que estão concorrendo escritores como Julian Barnes (ganhador do Man Booker Prize), Teju Cole, Jeffrey Eugenides, Chad Harbach, Haruki Murakami e Téa Obreht.

A lista completa dos 16 livros é essa aqui:

The Last Brother, de Nathacha Appanah
The Sense of an Ending, de Julian Barnes
Open City, de Teju Cole
Lightning Rods, de Helen DeWitt
The Sisters Brothers, de Patrick deWitt
A trama do casamento, de Jeffrey Eugenides
The Art of Fielding, de Chad Harbach
Stranger’s Child, de Alan Hollinghurst
Salvage the Bones, de Jesmyn Ward
1Q84, de Haruki Murakami
A noiva do tigre, de Téa Obreht
The Cat’s Table, de Michael Ondaatje
State of Wonder, de Ann Patchett
Devil All the Time, de Donald Ray Pollock
Swamplandia, de Karen Russell
Green Girl, de Kate Zambreno

*Os livros com título em português já foram lançado por aqui ou tem previsão de lançamento em breve. Julian Barnes vai sair pela Rocco; Teju Cole e Jeffrey Eugenides vão sair pela Companhia das Letras; Chad Harbach vai sair pela Intrínseca (provavelmente no ano que vem); Haruki Murakami vai sair pela Alfaguara.

No ano passado a disputa foi bastante apertada. Jennifer Egan com seu A visita cruel do tempo (recém-lançado pela Intrínseca) desbancou o favoritismo de Jonathan Franzen e seu comentadíssimo Liberdade. Olhando para os ganhadores das outras edições é possível ver que a disputa só tem peixe grande:

2011: A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan
2010: Wolf Hall, de Hilary Mantel
2009: Compaixão, de Toni Morrison
2008: A fantástica vida breve de Oscar Wao, de Junot Díaz
2007: A estrada, de Cormac McCarthy
2006: Por acaso, de Ali Smith
2005: Cloud Atlas, de David Mitchell

Qualquer semelhança do Tournament com a Copa de Literatura Brasileira não é mera coincidência - o nosso tornei foi inspirado no Tournament e tem uma tradição de quatro edições. Aliás, todo mundo anda na torcida por notícias sobre a edição 2012.

A ação do Tournament of Books começa dia 7 de março. Da primeira rodada haverá tensão na disputa entre 1Q84 versus The Last Brother e The Art of Fielding versus Open City. Ainda dá tempo de tirar o atraso e se aventurar nas leituras. Façam suas apostas!

*Imagem: reprodução da tabela do Tournament of Books.
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quarta-feira, 9 de março de 2011

TOURNAMENT OF BOOKS E COPA DE LITERATURA


Começou ontem o Tournament of Books 2011. A primeira disputa já teve cara de clássico: Freedom, de Jonathan Franzen enfrentou Kapitoil, de Teddy Wayne. Depois de mostrar seus argumentos, o jurado escolheu Freedom - o romance mais comentado do ano passado. Será que o falatório geral influenciou a decisão final do jurado? Só lendo a justificativa.

Eu imagino que a tarefa dos jurados nesse torneio não será nada fácil. Entre os concorrentes figuram nomes que concorreram ao National Book Award, Man Booker Prize e ao Pulitzer. Veja a lista:

Freedom, de Jonathan Franzen
Kapitoil, de Teddy Wayne
Room, de Emma Donoghue
Bad Marie, de Marcy Dermansky
Savages, de Don Winslow
The Finkler question, de Howard Jacobson
A visit from the good squad, de Jennifer Egan
Skippy dies, de Paul Murray
Nox, de Anne Carson
Lords of misrule, de Jaimy Gordon
Next, de James Hynes
So much for that, de Lionel Shriver
Super sad true love story, de Gary Shteyngart
Model home, de Eric Puchner
The particular sadness of Lemon Cake, de Aimee Bender
Bloodroot, de Amy Greene

Para quem não conhece o Tournament of Books é um campeonato em que dezesseis livros se enfrentam em esquema mata-mata. Ao todo são quatro grandes rodadas. Quem tiver melhor avaliação do jurado segue na disputa até a grande final. Nesse torneio participam apenas livros em língua inglesa. O intuito não é escolher apenas um dos livros mais bacanas do ano, mas promover a discussão de ideias em torno de livros que foram bem recepcionados pela crítica.

O Tournament tem disputas diárias e a primeira rodada termina na próxima semana. O ganhador do jogo de ontem, como falei, foi Freedom, de Jonathan Franzen. Hoje, quem ganhou foi Room, de Emma Donoghue.

Quem pensa que só os falantes da língua inglesa tem esse privilégio estão enganados. Nós temos a nossa Copa de Literatura Brasileira que começou no mês passado - já comentei aqui. As duas primeiras disputas, ou os dois primeiros jogos, elegeram Como desaparecer completamente, de André de Leones e O filho da mãe, de Bernardo Carvalho. O próximo jogo acontece na próxima semana. Você pode vestir a camisa do seu livro preferido, acompanhar e comentar a justificativa de cada jurado. As discussões estão muito boas.

*imagem: reprodução da tabela do Tournament of Books.
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