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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

ONDE AS HISTÓRIAS VIVEM

“Fomos caminhando até a rua 7 de Abril, entramos no cinema, na tela, uma loira linda, viciada em crack, dizia para o namorado: os vampiros têm mais sorte que nós.”

“Ela subiu no primeiro Vila Olímpia-Lapa e passou por mim sem olhar, os policiais me revistando. Outra vez, ameaçou gritar se eu não a deixasse em paz. Começou a trabalhar em outro horário. Pediu transferência para outra loja do Mappin, pensando que eu não descobriria, mas eu descobri, Mappin do centro, em frente ao Teatro Municipal.”

“No final da avenida Guarapiranga dobrei à direita e estacionei o carro numa quebrada, mandei meus homens esperarem.”


O Matador, de Patrícia Melo.



Duas semanas atrás, o caderno Ilustríssima publicou uma notinha falando sobre um portal na internet que mapeia diversas referências culturais que aparecem nos livros que a gente leu. É possível saber, por exemplo, os lugares em que uma história acontece, qual música, filme, comida, bebida ou carro uma personagem gosta e algumas coisas mais. Lembra um pouco aquelas notas explicativas que apareciam nos rodapés dos livros de antigamente.

Não tenho a menor ideia de quais são os planos dos donos do portal - se eles querem mapear todos os livros do mundo ou apenas os livros que publicados e traduzidos para o inglês (o que não reduz nem um pouco o universo dos livros) -, mas sei que a tarefa nunca vai terminar. Até agora já foram cadastrados mais de 7000 livros (Parece bastante, só que não é. A Biblioteca do Congresso Norte-Americano, por exemplo, possuía até pouco tempo atrás, mais de 32 milhões de livros).

Seja como for, eu simpatizo com a ideia - me lembra até minha época de faculdade quando um professor disse que a cultura iria virar um imenso banco de dados para consulta (naquele tempo a gente não dava bola para essas previsões). Sempre tive curiosidade de encontrar um lugar que mapeasse na ficção as citações a cidade de São Paulo (nem precisava ser um mapeamento muito amplo, bastava que dissesse os lugares, praças e ruas).

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Só por curiosidade, pesquisei no tal portal (SmallDemons.com) citações sobre a cidade de São Paulo. Não tinha nenhuma. Sobre o Rio de Janeiro tinha duas (uma em Nemesis, do Jo Nesbo e outra em Ghostwritten, do David Mitchell - nada demais). A maioria das citações eram sobre Brasil ou os brasileiros. O livro mais conhecido era Infitite Jest, de David Foster Wallace que nos cita em 6 momentos.

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Na falta de um portal a gente tem a Caminhada Noturna que durante os meses de julho e agosto promoveu caminhadas temáticas com escritores paulistas ou adotados pela cidade (não eram escritores de ficção, necessariamente). A Bicicloteca também promoveu dois passeios literários mostrando a casa do Monteiro Lobato, do Mario de Andrade e até a famosa garçoniere de Oswald de Andrade.

(Aliás, a vida inteira de Oswald de Andrade daria um passeio de dois dias, pelo menos. Além do centro da cidade, ele morou em Higienópolis, na Consolação, no Bixiga, nos Jardins e na Bela Vista).

Evidentemente, gostaria de um banco de dados com citações de cidades de todo o Brasil. Quiça poderíamos ter um portal que também mostrasse as referências culturais dos livros do Machado de Assis - assim, a turma da internet saberia direitinho onde destrinchar informações. Também sugiro ao pessoal dos eventos na cidade criarem roteiros/passeios sobre Mario de Andrade e Marcos Rey - eles também tiveram uma vida intensa na cidade.

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Lá em cima retirei trechos do livro O Matador, de Patrícia Melo. Me lembro que fiquei fascinado por esse livro justamente por causa das referências geográficas. Os primeiros livros dela estão recheados dessas coisas.

*Imagem: um mapa antigo que encontrei no Google.

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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

NOTAS #7


Tesouros da internet
Em 1925 o Fausto, de Goethe ganhou uma edição ilustrada pelo irlandês Harry Clarke. Ele fez cerca de 80 desenhos monocromáticos inspirados na história do homem que fez um pacto com o diabo. O tema é perfeito para as figuras surrealistas e atormentadas que estão espalhadas pelo livro. Clarke foi bastante cultuado pela psicodelia dos anos 60 e 70. A edição rara está disponível na internet em http://tinyurl.com/2d9rhrm

Lobo Antunes inédito
Nesta semana, Sôbolos rios que vão chegou as livrarias de Portugal. Trata-se do novo romance de António Lobo Antunes. O nome do romance vem de um verso de Camões. Algo entre a memória e a ficção, o livro conta a história de um homem que relembra os acontecimentos mais importantes de sua vida depois de sair de uma sala de cirurgia. Um rio de vozes inunda esse universo e todas elas correm para o seu fim.

A morte lhe cai bem
A revista Forbes lançou mais uma de suas famosas listas. Dessa vez a categoria era 'as treze personalidades mortas mais rentáveis'. Entre Michael Jackson, Elvis Prestley e John Lennon estavam dois escritores: J.R.R. Tolkien que morreu aos 81 anos vítima de uma úlcera e Stieg Larsson que morreu aos 50 anos vítima de um ataque do coração. Tolkien é autor do livro O senhor dos anéis e rende algo em torno de $50 milhões. Já Larsson com sua trilogia Millenium rende cerca de $15 milhões. Pode ser que a adaptação dos livros de Larsson para o cinema em Hollywood ajude a mudar esse quadro.

Polêmica
O livro Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato está envolvido em polêmica. O Conselho Nacional de Educação recomendou que esse livro fosse banido das escolas públicas em todo o Brasil por ser racista. O Sítio do Picapau Amarelo é uma das obras mais importantes da literatura infanto juvenil brasileira. O Ministério da Educação está avaliando a restrição.

Gabo na ativa
Gabriel Garcia Márquez está ocupado escrevendo um novo romance. O anúncio foi feito por seu editor na ocasião do lançamento de Yo no Vengo a Decir Un Discurso. A notícia contraria o boato de que Gabo iria abandonar a literatura e não iria mais escrever nenhum livro. O novo romance não tem data certa para publicação, mas deve se chamar "Nos encontraremos em Agosto" - em tradução livre.

Bloqueio criativo - a notícia Franzen da semana
Jonathan Franzen confessou ao jornal britânico Guardian na semana passada que a vergonha o impediu de escrever por uma década. Não se trata de uma pequena vaidade literária que ronda todos os escritores. Franzen tinha vergonha de tudo, incluindo pudor em relação a um caso amoroso e sua inexperiência sexual. A situação lhe causou um bloqueio criativo que só terminou graças aos sábios conselhos de sua mãe e de um amigo. Pobre Franzen!

*imagem: reprodução do desenho de Harry Clarke para a edição do Fausto.

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