Mostrando postagens com marcador guerra e paz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador guerra e paz. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 1 de maio de 2013

UM NOVO JEITO DE LER NA CAMA



Nesse ano o feriado do Dia do Trabalho caiu bem numa quarta-feira. O que impede qualquer pessoa de emendar o feriado, estrangular um dia da semana e viajar. Para quem quer fugir das filas, lotações e agitos a melhor coisa a fazer é passar o dia na cama o tanto que você aguentar - como um Oblomov ou Bartleby. Melhor ainda se você tiver um bom livro nas mãos.

Foi pensando nisso que o design português Tiago da Fonseca criou uma coleção de colchas para cama chamada "Bedtime Stories". Tal como aparece na foto acima, ela funciona como se fosse um enorme livro de pano, em que você lê a história e vira as páginas. Caso você sinta muito calor, um aviso: as "páginas" podem ser retiradas. Não é incrível?!

Por enquanto, a colcha-livro só vem com o conto de fadas da Bela adormecida, dos irmãos Grimm. Independente disso, a colcha é destinada para cama de adultos e sei de uma porção de gente que está torcendo para sair uma coleção com histórias de Tolstói, por exemplo - imagine quantas "páginas" ou quanto quilos não teria uma colcha com o romance Guerra e paz?

A coleção "Bedtime Stories" está disponível somente por importação e parece que custa aproximadamente £65 + taxas e despesas de frete (confira se o preço vale para compras internacionais).

*Imagem: reprodução.

Share/Save/Bookmark

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

QUEM TEM MEDO DE LIEV TOLSTÓI?

A nova edição do romance Guerra e paz, de Liev Tolstói com tradução direta do russo feita por Rubens Figueiredo foi anunciada em 2009. De lá pra cá sua vida viveu um período de tormento. O telefone não parava de tocar dia e noite. Antes e depois das aulas os alunos perguntavam. Sempre que alguém o via na rua logo queria saber: "e a tradução de Guerra e paz, pra quando é?". Rubens Figueiredo chegou até a sentir certa desconfiança toda vez que alguém pedia uma entrevista ou vinha se aproximando depois de uma palestra. A pergunta podia surgir a qualquer momento ou circunstância, assim meio disfarçada. Até quando ganhou prêmio por um romance que ele mesmo escreveu alguém na platéia teve coragem de perguntar. Também, ele se meter a traduzir um monumento da literatura diretamente do original - só podia mesmo dar nisso?

Evidentemente, a história acima é fictícia, mas bem que poderia ter sido verdadeira. Os dias de sossego (ou de nova tormenta?) de Rubens Figueiredo estão próximos. Se tudo der certo daqui a duas semanas, finalmente deve chegar às livrarias a nova tradução de Guerra e paz pela Cosac Naify. Lançamento bastante celebrado e digno do posto de um dos melhores do ano. Todo mundo vai querer uma entrevista ou um comentário do tradutor - que também assina um texto de apresentação do livro.

O romance monumental de Tolstói vem numa caixa super bonita (reprodução acima), em dois volumes, com 2536 páginas, 6 ilustrações (cinco mapas), lista com informações sobre as personagens e fatos históricos + sugestões de leitura. Animou? Já está em pré-venda no site da editora.

Ninguém mais tem medo de livros gigantescos, como é o caso desse. Comparando "alhos com bugalhos", a coleção As crônicas de gelo e fogo, de George R. R. Martin é um fenômeno de vendas e ninguém pergunta pelo tamanho na hora de comprar. A mesma coisa vale para as sagas Harry Potter, Crepúsculo, Senhor dos anéis etc. Outros calhamaços que podem até não ter se tornado best-sellers, mas que tiveram bastante repercussão e bom número de leitores, como Liberdade, de Jonathan Franzen (761 páginas), a trilogia Seu rosto amanhã, de Javier Marias (1328 páginas), As benevolentes, de Jonathan Littel (912 páginas) e 2666, de Roberto Bolaño (856 páginas) - para ficar com alguns exemplos - também não intimidaram ninguém pelo tamanho. Um ensaio de Garth Risk Hallberg chamado "A volta do longo?" na edição #1 do fanzine discute essa questão.

Voltando aos russos e acompanhando o lançamento, a edição desse mês da revista CULT tem um dossiê especial dedicado a Tolstói e Dostoiévski - com direito a reportagem sobre Guerra e paz. Vale lembrar que na mesma edição #1 do fanzine publiquei um pequeno trecho dessa aguardada tradução - clique no link e faça o donwload.

Para ler enquanto a gente espera o livro chegar.

*Imagem: reprodução.
Share/Save/Bookmark

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

NOTAS #30


Capa de revista
Para começar nada melhor do que uma daquelas divertidíssimas listas organizadas pelo blog Flavorwire. A gente vive reparando em capas de livros, mas dessa vez eles resolveram comentar as capas da Paris Review. A lista conta com 30 capas da revista que segundo o blog são as melhores de todos os tempos. A Paris Review foi fundada em 1953 e virou referência no assunto por publicar a nata da ficção e da poesia mundial. Isso sem mencionar as suas famosas entrevistas sabiamente batizadas de "The art of fiction" (ou "A arte da ficção" em tradução literal). A lista com as capas está disponível em http://tinyurl.com/5wpyo8g

Ocupem as bibliotecas
A revolução não será televisionada. Melhor dizer de outra forma: a revolução não será apenas televisionada, como ganhará as manchetes dos jornais, as capas de revistas, o twitter, o tumblr, os blogs, o facebook e todas as redes sociais. Melhor ainda é saber que a revolução tem até uma biblioteca com mais de 1400 títulos. É que os manifestantes do movimento "Ocupe Wall Street" em Nova York estão montando uma biblioteca, recebendo doações de livros e autores envolvidos com a causa. Além dos livros de filosofia, política e ciências sociais, o acervo conta com obras de ficção de Virginia Woolf, Margaret Atwood, Toni Morrison, Ernest Hemingway, Henry James e muitas outras coisas mais. É possível consultar o acervo em http://tinyurl.com/3goa4cz [via Galleycat]

Amado russinho
A editora Cosac Naify está com tudo pronto para o lançamento da nova tradução de Guerra e paz, de Liev Tolstói feita por Rubens Figueiredo. É um dos livros mais aguardados do ano (ou pelo menos dos últimos dois anos quando surgiram as primeiras notícias a respeito). A editora promete em seu blog "posts com informações exclusivas e promoções". Publiquei na primeira edição do fanzine um trecho da tradução (download por aqui). Para acalmar nossa ansiedade tem um pequeno trecho de apresentação do livro escrito pelo tradutor. O trecho está disponível em http://tinyurl.com/6jmpld5

Ficção áudio eletrônica
O projeto EletroFicção coordenado por Luís Henrique Pellanda e Rodrigo Stradiotto tem novo episódio. A escritora Ana Paula Maia foi convidada para ler trechos do seu romance Carvão animal - lançado pela editora Record. A música dá contornos assustadores a tensão do texto. Para ouvir é só acessar http://tinyurl.com/6xd8pfk

Novo Neuman
Deve ser publicado nessa semana o novo livro de Andrés Neuman - autor convidado para a FLIP desse ano. São nove contos reunidos com o título de Hacerse el muerto que saem pela editora espanhola Páginas de Espuma. Para promover o lançamento, o autor preparou um vídeo curto baseado no conto "El fusilado" que está no livro. O vídeo está disponível em http://tinyurl.com/6grcswm

*Imagem: divulgação/reprodução.
Share/Save/Bookmark

domingo, 11 de julho de 2010

KHADJI-MURÁT - A VIDA DO GUERREIRO NAS MÃOS DE TOLSTÓI

*imagem: divulgação

Novela de Liev Tolstói ganha nova edição no Brasil.

Esse ano comemora-se o centenário de morte do escritor russo, Liev Tolstói. Ele é um dos maiores nomes da literatura russa ao lado de Dostoiévski, Gorki e Tchekhov. Para comemorar a data, a novela Khadji-Murát, com tradução e prefácio de Boris Schnaiderman, chega as livrarias em edição caprichada da editora Cosac Naify.

Anna Karenina e Guerra e paz são os livros mais famosos de Tolstói. Sobretudo porque são romances caudalosos em que acompanhamos a vida do povo russo em longos panoramas. Mas como diz Boris Schnaiderman no prefácio da edição, Tolstói tinha uma preocupação com a forma que essa novela teria. Por isso, diferentemente de seus livros mais conhecidos, Khadji-Murát é uma novela curta que se concentra nos momentos mais importantes do drama vivido pelo guerreiro do Cáucaso.

De maneira impressionante, Tolstói entrega Khadji-Murát a toda sorte de conflitos. Murát, a personagem principal, passa para o lado dos russos querendo se vingar de Chamil, seu inimigo. Mas os russos são inimigos dos tchetchenos e custam a acreditar em Murát. Com sua família refém de Chamil, Murát se vê preso a um destino que não pode mudar. Se retornar para Chamil será morto. Se ficar ao lado dos russos, sua família poderá morrer e logo ele terá o mesmo destino. A figura de Khadji-Murát fascina os moradores do Cáucaso ao mesmo tempo em que intriga os russos. De alguma maneira ele encarna diversos papéis: é um herói, um traidor, um guerreiro, um santo, uma figura mítica e um homem comum.

A história do guerreiro tchetcheno é escrita com grande precisão de detalhes por duas razões aparentemente: Liev Tolstói, ainda jovem, participou da guerra do Cáucaso quando serviu como oficial do exército russo; mais tarde, enquanto escrevia o livro fez uma grande pesquisa sobre a vida de Khadji-Murát e levou muito tempo para chegar a composição final.

A experiência adquirida na guerra e a maturidade do final da vida resultam em um livro bem produzido. Temos não só a história particular da guerra travada por Murát, mas também a denúncia de questões da sociedade russa vítima da tirania imposta pelo Czar.

Por essa razão, Khadji-Murát pode ser recomendada para um leitor que nunca teve qualquer contato com outro romance de Tolstói. O que não quer dizer que os antigos leitores do autor russo vão se decepcionar. Pelo contrário, essa novela é fundamental para entender o percurso vivido pelo escritor ao longo de sua obra.

Khadji-Murát
Liev Tolstói
Tradução: Boris Schnaiderman
Cosac Naify






Share/Save/Bookmark