sexta-feira, 3 de setembro de 2010

TIAGO NOVAES


Qual foi o primeiro livro que você leu e que teve impacto sobre você?
Foi Viagem ao Centro da Terra, de Julio Verne. Eu tinha sete anos, e passei um bom tempo neste processo, explorando as ilustrações com uma imaginação e um entusiasmo incontidos, e tentando decifrar um universo de diálogos e ideias complicados para a minha imaturidade, mas cujo poder já antevia.

Alguma vez você considerou a hipótese de não ser escritor?
Em alguns momentos, durante a faculdade de Psicologia, eu me esquecia de que era um escritor. Foi o único período, pois estava muito ocupado com outras coisas. Tornar-me escritor não foi particularmente uma decisão, contudo. É uma condição que atravessa os acontecimentos da vida, e é claro que se deixa afetar pelas experiências, mas que persiste, quando nada mais persiste. Mas o bom de ser um escritor é que se pode fazer o que quiser, também: eu posso fazer cinema, posso ser psicanalista, posso viajar, dar aulas de filosofia. Deste modo, é uma condição de grande liberdade.

Na sua opinião, todas as histórias já foram escritas ou ainda é possível criar novas histórias? Há novas formas de contar histórias?
Há muitas outras formas de contar histórias que ainda não foram exploradas, e há muitas outras formas de ouvir histórias. O século XX transformou nosso modo de ouvir e de contar histórias, e transformou também a própria essência do que seja uma história. Se assistimos hoje a um predomínio da simplificação das narrativas, que se voltam para uma linguagem publicitária, jornalística e cinematográfica, isto se dá em parte pela massificação, e em parte porque a literatura clássica (estou me referindo à literatura impressa, os romances, os contos, a poesia) perdeu grande parte de sua influência e de seu protagonismo. Mas ela, em relação aos outros gêneros, só vem se ampliando.

No que você está trabalhando agora?
Estou escrevendo um romance, intitulado “Documentário”, agora com o auxílio da Bolsa Funarte de criação literária, cujo resultado saiu há pouco mais de dez dias. É um livro que venho trabalhando há dois, três anos, desde pouco após a publicação de “Estado Vegetativo”.

Quem são os seus escritores favoritos com mais de quarenta anos?
Imagino que esteja perguntando dos vivos. Roberto Bolaño e Montalbán ainda estão bem vivos para mim. Juliano Garcia Pessanha, Enrique Vila-Matas, Moacyr Scliar (em Doutor Miragem). Lourenço Mutarelli (nos quadrinhos e em Jesus Kid), Paul Auster, J. M. Coetzee e Haruki Murakami.

*Ilustração: Nathalia Lippo.

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