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terça-feira, 17 de maio de 2011

VEJA ESSE LIVRO!


A revista Veja fez uma matéria de capa no mínimo divertida - Por que ler ainda é decisivo. A tese da reportagem diz que o número de jovens que gostam de ler está se multiplicando. E adivinhem, eles começaram lendo Harry Potter, Crepúsculo e afins. Depois de pegarem hábito e gosto pela leitura passaram a obras clássicas que estão longe de serem classificadas como mera literatura de consumo etc. A mesma coisa vale para adultos que foram atraídos pelos livros de autoajuda ou autoajuda romanceada. Hoje, eles também estão em busca de autores clássicos.

Deixando um pouco a tese, fiquei com pena do Machado de Assis. De acordo com a reportagem, ele é constantemente citado como um estorvo, alguém que só afasta as pessoas da livros por causa da leitura obrigatória no colégio. Alguém precisa fazer alguma coisa para descolar essa imagem dele. Por enquanto, acho que nem Woody Allen conseguiria?

Completando a reportagem, a revista criou uma lista de sugestões do tipo "um livro puxa outro" (reproduzida acima - para quem quiser acompanhar). Me diverti muito olhando os mapinhas, porque a primeira vista me parece tão incoerente que um leitor de Nicholas Sparks chegue a ler Guerra e paz, do Tolstói. Não estou duvidando, acho mesmo um caminho natural, mas deve levar tempo até que esse leitor chegue a esse livro. Enfrentar a aridez das infinitas páginas da história da Rússia exige tempo, vontade e muita paciência.

Segundo as sugestões, um leitor que começou lendo Harry Potter, pode muito bem passar a Sherlock Holmes (de Conan Doyle), seguido por A ilha do tesouro (de Robert Louis Stevenson), O Aleph (de Jorge Luís Borges) e terminar com As cidades invisíveis (de Ítalo Calvino). Será mesmo?

Um outro caminho sugere que um leitor da saga Crepúsculo pode ler Drácula (de Bram Stocker), seguido de O médico e o monstro (de Robert Louis Stevenson), A metamorfose (de Franz Kafka) e A montanha mágica (de Thomas Mann). Taí um caminho que eu acho bem mais provável.

Tem esse: começou lendo A menina que roubava livros, segue para O diário de Anne Frank, A trilogia de O tempo e o vento (de Érico Veríssimo), O memorial do convento (de José Saramago) e Austerliz (de W.G. Sebald). Esse deve ser um leitor bem avançado, não é?

Fico imaginando o contrário: Será que em algum momento um leitor de Ricardo Piglia vai chegar até A cabana?

*imagem: reprodução.

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sábado, 11 de setembro de 2010

OS SUPLEMENTOS LITERÁRIOS: JORNAL x INTERNET


Não é à toa que essa notícia do Wall Street Journal lançar um suplemento sobre livros vem sendo saudada com entusiasmo. É um fato que nos Estados Unidos a crítica literária deixou de ser assunto dos jornais impressos e migrou para a internet. Sendo assim, a iniciativa do jornal brilha em meio a escuridão e as incertezas sobre o futuro que se aproxima.

Afinal, me diga quem de nós não ficaria contente em ter um suplemento literário desses na mão? Só o tempo poderá dizer se a decisão foi certa ou errada.

Aqui no Brasil, o Sabático e o Prosa & Verso são os único suplementos que temos desse tipo no meio impresso - o primeiro é do Estadão e o segundo do Globo. A Folha de SP por meio da Ilustrada e Ilustríssima também comenta bastante sobre livros, mas não tem um suplemento específico. Das revistas apenas as mensais Bravo! e Cult dedicam páginas ao assunto livros. As semanais Época e Veja falam muito pouco. A Piauí em algumas edições também trata do assunto.

Porém, tanto no Brasil, quanto nos Estados Unidos e no restante do mundo, é na internet que está o terreno fértil para a cobertura de notícias sobre livros e mercado editorial. A quantidade de blogs, revistas e fanzines online é imensa - muito mais nos Estados Unidos do que por aqui. Isso sem mencionar a velocidade com que as informações circulam nesses meios. Qualquer um que quer saber sobre literatura, sem dúvida, recorre a internet.

Como bem apontou Sérgio Rodrigues há uma "floresta de interrogações" quando o assunto é suplemento literário impresso: "Precisaremos mesmo deles no ambiente de descentralização da crítica e da informação que vem sendo construído pela blogosfera? Seria essa descentralização um retrocesso ao nível da conversa de botequim? Ou uma libertação do jugo de autoridades críticas autoproclamadas, mas pouco representativas?".

O editor da Paris Review, Lorin Stein, comentou num artigo que parte do arquivo da revista estará na internet. Outras renomadas revistas literárias também estão disponibilizando seu acervo na rede.

Acho que por enquanto nessa disputa a internet definitivamente está com o placar na frente.

*imagem: reprodução do Google.

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