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quarta-feira, 23 de abril de 2014

DÊ AS BOAS VINDAS AO NOVO NÚMERO DO FANZINE

Até que enfim! O outono chegou, o frio está batendo na nossa porta e você pode ler a nova edição do fanzine #Casmurros_4 - está com atraso de um ano ou mais. Tamanha demora tem um lado positivo: vai matar a saudade que a gente tinha de ler textos mais longos, com diagramação diferente e boas ilustrações.

Dessa vez o tema central é a manifestação da neurose dentro da literatura - como forma ou tema. Na abertura tem uma ficção inédita de Cecília Gianetti chamada Manual para mortos-vivos


"Tem uma coisa muito boa que acontece quando você toma uma pílula dessas. Você dorme. Consegue dormir - pra ser mais específico".

E tem um ensaio emocionante de Adam Plunkett sobre David Foster Wallace, O rei dos fantasmas


"Ele era, claro, David Foster Wallace que eu conheci como Dave durante a primavera de meu primeiro ano no Pomona College, onde ele trabalhou até a sua morte em setembro daquele ano. A matéria que ele ensinava aquele semestre era 'Ensaio Literário'".

Mais um texto de Erika Mattos da Veiga, trechos de ficção de Adam Ross e André Viana; um texto de Freud sobre os devaneios dos escritores; uma entrevista muito curiosa com Tom McCarthy; e desenhos de Jason Novak (incluindo a capa - de onde retirei o logotipo do blog).

Humildemente vos digo que é uma das edições mais bacanas que já fiz. Veja você mesmo.
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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

TRANSMISSÃO: TOM MCCARTHY


Tom McCarthy é um escritor ainda inédito por aqui. Nenhum de seus livros ganhou tradução, seus contos não apareceram em nenhuma revista e ele também não concedeu nenhuma entrevista. Seja como for parece que estamos perdendo senão um grande nome da literatura contemporânea, pelo menos uma pessoa bastante interessada em teorizar sobre romances (ou sobre literatura).

O escritor foi convidado para a edição desse ano do Festival Literário Internacional de Edimburgo - um festival bastante curioso que por conta do verão dura 17 dias e tem muitas atrações. Ele participou de uma mesa intitulada "Noise, signal and word: how writing works" (em tradução livre "Ruído, sinal e palavra: como funciona a escrita") para explicar algumas de suas ideias sobre a figura do autor na literatura.

(Infelizmente o Festival não tem transmissão online das mesas e também não guardou nenhum arquivo em vídeo dessa apresentação. O que eu sei li na cobertura do jornal Guardian. Foi de lá que tirei um resumo das coisas que Tom McCarthy falou nessa mesa.)

Pegando carona nos temas que estão no romance C (um romance ambientado em pleno começo do século XX quando os grandes meios de comunicação sem fio estavam sendo inventados), Tom McCarthy propôs ideias para demonstrar que a literatura não tem autor. Para ele, escrever não é um ato de auto-expressão, nem uma maneira de compartilhar nossos sentimentos. A escrita é apenas transmissão da linguagem que fala por nós. Assim, os livros nada mais são do que "câmaras de eco" (lugares em que ecoam a linguagem que nos ronda). Consequentemente, os melhores livros são aqueles que conseguem sintonizar a linguagem e os pensamentos que estão espalhados por ai.

Para ilustrar essa apresentação, McCarthy falou sobre o mito de Orfeu em Ovídio, Rainer Maria Rilke e mostrou um trecho do filme Orfeu, de Jean Cocteau (1949). Nesse filme, Orfeu vive as voltas com um rádio de carro que sintoniza sempre vozes transmitidas por um poeta do além. São mensagens cifradas que lembram códigos. McCarthy também mostrou a música Antenna, da banda Kraftwerk. Ela está no disco Radio-Activity (1975) repleto de temas ligados a rádios, energia nuclear, ondas sonoras, transmissões e antenas. A letra minimalista de Antenna diz o seguinte: "I'm the antenna catching vibration/ You're the transmitter give information/ I'm the transmitter I give information / You're the antenna catching vibration".

Não é a primeira vez que essas ideias circulam no meio literário. Nos anos 50 os estruturalistas franceses já falavam disso - Roland Barthes foi um dos primeiros a teorizar sobre a morte do autor. Toda a turma do Nouveau Roman (Alain Robbe Grillet, Nathalie Sarraute, Michel Butor, Marguerite Duras, Claude Simon) construiu sua obra a partir desse caminho. O pessoal do OuLiPo também. No entanto não deixa de ser interessante o fato de um escritor do nosso tempo voltar a essas ideias para usá-las como tema de seu processo de escrita - não digo como forma, já que ele não está experimentando com a linguagem, nem apagando categorias narrativas. É como se McCarthy esteve se esforçando para chamar nossa atenção ao retorno natural que o romance e a literatura podem tomar - fazer da inovação uma tradição e recuperar isso tudo com um novo olhar. Dessa forma, quem sabe, a gente não pode encontrar uma solução para a angústia de ter de sempre superar o que esteve atrás de nós.

Em tempo, Tom McCarthy já está trabalhando num novo romance que vai ser sobre poluição e meio ambiente. Quem quiser ler os romances já publicados por ele, pode recorrer a tradução portuguesa ou encarar as edições inglesas - diretamente do original.

*imagem: reprodução daqui.


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sexta-feira, 27 de maio de 2011

TOM MCCARTHY EM PORTUGAL

Parece que o mercado editorial em Portugal anda em crise e que as editoras de lá querem vir para cá - Editoras portuguesas miram Brasil. Ocorre que em alguns casos os portugueses chegam na frente em termos de lançamentos de literatura estrangeira que estão chamando atenção. Mas verdade seja dita, me lembro que antigamente esperávamos muito tempo pelo lançamento de um livro muito comentado - frequentemente tínhamos de comprar livros importados diretamente de seus países de origem ou recorrer as traduções portuguesas. Atualmente a situação é bem diferente, quase tudo o que saí lá, saí por cá. E também pode acontecer de um livro sair por cá e não por lá.

Um caso curioso é o do escritor inglês Tom McCarthy. Não sei se alguma editora no Brasil planeja lançar os romances dele por aqui, mas em Portugal tanto Remainder quanto C já foram publicados. Ambos foram recebidos pela crítica anglófona com grande entusiasmo. A escritora Zadie Smith chegou a dizer que Remainder apontava para um caminho que o romance poderia seguir no futuro. Com o romance C não foi muito diferente, quem leu disse que o romance era original, renovador e ambicioso. O livro foi finalista do Man Booker Prize do ano passado e era tido como o ganhador até que Howard Jacobson abocanhou o prêmio.


Em 2009, Remainder foi publicado em Portugal pela Editorial Estampa - com o título de Remanescente. O livro conta a história de uma pessoa sem nome que perdeu a memória depois de ser atingido por alguma coisa que caiu do céu. Depois do incidente, ele recebe uma alta soma de dinheiro para reconstruir as coisas que que vai lembrando ou imagina lembrar.

C acabou de chegar às livrarias portuguesas pela Editorial Presença. Tom McCarthy criou um romance ambientado em pleno começo do século XX, quando os grandes meios de comunicação sem fio estavam sendo inventados. Assim, o protagonista do romance, Serge Carrefax, é jogado num mundo em constante transformação tecnológica. Tamanho espanto tem semelhança com a nossa experiência contemporânea e não deixa de nos fazer pensar na internet, nos tablets, nos celulares, nos blogs e nas redes sociais.

Tom McCarthy também escreveu livros de ensaio e um outro romance chamado Men in space (de 2007). Esses ainda continuam restritos a língua inglesa. Se alguma editora aqui no Brasil já está com planos de lançar os livros do escritor, por favor, mande notícias.

*imagens: reprodução.
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domingo, 26 de dezembro de 2010

NOTAS #13


Onde nascem as ideias
Cezar de Almeida e Roger Bassetto organizaram um livro bem diferente dos que estamos acostumados a ver no mercado editorial brasileiro: Sketchbooks - As páginas desconhecidas do processo criativo. Não é graphic novel, HQ, nem livro de ilustração. A dupla registrou imagens dos cadernos de rascunho de 26 artistas contemporâneos brasileiros para mostrar o método criativo de cada um deles. Entre os convidados estão Angeli, Carla Café, Guto Lacaz, Kiko Farkas Lourenço Mutarelli, Rafael Grampá, entre outros. Legal para ver como nascem as ideias - na foto o sketchbook do escritor Lourenço Mutarelli.

Os melhores do ano
Alguns escritores estrangeiros disseram seus livros preferidos de 2010 ao longo dessas duas últimas semanas. O editor da revista Paris Review, Lorin Stein, gostou do livro O caminho de Swann, de Marcel Proust na nova tradução de Lydia Davis. Tom McCarthy, o autor do romance C, gostou de Malina, de Ingeborg Bachmann. Michael Cunningham gostou de Room, de Emma Donoghue e The hunger games, de Suzanne Collins. Paul Harding, o ganhador do Pulitzer 2010, gostou de The country of the pointed firs, de Sarah Orne Jewett e The enchanted wanderer, de Nikolai Leskov. Chimamanda Ngozi Adichie gostou de Red dust road, de Jackie Kay. A S Byatt gostou de Gold boy, Emerald girl: stories, de Yiyun Li. Geoff Dyer gostou de This is not a novel, de David Markson. Dave Eggers gostou de The book of night women, de Marlon James. Colm Tóibín gostou de A mulher foge, de David Grossman.

Leitura indispensável e Flip
Manuel da Costa Pinto, o próximo diretor de programação da Flip, contou para a revista Platero, organizada pela livraria Martins Fontes, as leituras que considera indispensáveis. Entre as indicações estão: A princesa de Clèves, de Madame de Lafayette; O vermelho e o negro, de Stendhal; O idiota, de Dostoiévski; Dom Casmurro, de Machado de Assis; Os sete loucos & Os lança-chamas, de Roberto Arlt; O estrangeiro, de Albert Camus; O Gattopardo, de Giuseppe Tomasi di Lampedusa; e Desonra, de J. M. Coetzee.

***

Quem está curioso para saber o que Manuel da Costa Pinto anda pensando sobre a próxima Flip pode conferir uma entrevista que ele concedeu à jornalista Mona Dorf. Segundo adiantou, ele não pense em mexer no formato já consagrado da Festa. Por outro lado, pensa em convidar mais autores de língua francesa e italiana. Ele até fala sobre alguns autores que gostaria de convidar, mas que considera presenças pouco prováveis. A entrevista está disponível em http://tinyurl.com/23t8uc3

Hay Festival 2011
O Hay Festival 2011 acontecerá entre os dias 26 de maio to 5 de junho. Alguns escritores convidados foram anunciados essa semana. Devem comparecer a cidadezinha do festival que inspirou a nossa Flip, os escritores Howard Jacobson ganhador do Man Booker Prize; Jean-Marie Le Clezio, o ganhador do Nobel de Literatura em 2008 e Philip Pullman, autor do livro O bom Jesus e o infame Cristo. Mais escritores devem ser anunciados em breve.

In memoriam
A edição de retrospectiva 2010 da revista TIME incluiu o escritor português José Saramago na lista de pessoas importantes que faleceram ao longo do ano. Harold Bloom foi o autor do texto em homenagem ao escritor. Diz ele, "José Saramago, que eu me lembro com muito carinho, será uma parte permanente do cânone ocidental. Ele foi o primeiro escritor de língua portuguesa a ganhar o prêmio Nobel...". O texto completo está disponível em http://tinyurl.com/2dbhs3d

Leitura recomendada
O escritor Michael Cunningham, autor do romance As horas, contou a New York Magazine cinco romances que melhor descrevem Nova York. Os eleitos foram: A era da inocência, de Edith Wharton; Franny and Zooey, de J. D. Salinger; Time and again, de Jack Finney; A luz que cai, de Jay McInerney; e Deixe o grande mundo girar, de Colum McCann. Cunningham acabou de lançar seu novo romance By nightfall - ainda sem tradução para o português.

Podcast
O jornal inglês Guardian está organizando um podcast sobre livros. O podcast na verdade não é novo, mas foi reformulado e está com conteúdo de primeira linha. Toda semana o editor Claire Armitstead promove entrevistas, leituras e discussões com escritores. Entre as pérolas estão Colm Tóibín lendo Music at Annahullian, de Eugene McCabe e Anne Enright lendo Gordo, de Raymond Carver. O arquivo é grande e está disponível em http://tinyurl.com/yztdqtz

*imagem: reprodução.

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terça-feira, 12 de outubro de 2010

HOWARD JACOBSON LEVA O MAN BOOKER PRIZE

Howard Jacobson ganhou o Man Booker Prize 2010 por seu romance, "The Finkler Question". O livro fala sobre a reunião de três velhos amigos: Julian Treslove, um ex-produtor de rádio da BBC, se reúne com o ex-colega Sam Finkler, um popular filósofo judeu, e seu ex-professor, Libor Sevick. Os três sofreram grandes perdas recentes em suas vidas. Juntos relembram seus anos de juventude e discutem questões sobre o Estado de Israel. É um romance sobre amor, perda, amizade entre amigos e sobre o significado de ser judeu nos dias de hoje.

Jacobson já esteve entre os finalistas do prêmio outras duas vezes, a primeira em 2002 e a última em 2006. Não levou, mas dessa vez ele tirou a sorte grande. O favorito ao prêmio na casa de apostas Ladbrokes e nos jornais ingleses era Tom McCarthy, com seu romance "C".

Na Inglaterra, "The Finkler Question" foi publicado pela editora Bloomsbury. No Brasil, Jacobson ainda é um autor inédito. Infelizmente, nenhum de seus livros foi publicado aqui. Quem sabe agora com o prêmio a situação possa mudar.

*imagem: divulgação/ Booker Prize Org.


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