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quarta-feira, 11 de junho de 2014

MERCADO EDITORIAL PARTICIPATIVO 2.0


Faz tempo que eu quero comentar sobre a Bookstorming - uma plataforma de financiamento coletivo voltada exclusivamente a publicação de livros que convida o leitor a assumir em alguma medida o papel de produtor editorial. Para dar o pontapé inicial, ele precisa apoiar financeiramente a ideia; se a meta estipulada for atingida o livro entra em produção. Nessa etapa, o leitor vai acompanhar o processo e poderá sugerir mudanças na criação da capa, projeto gráfico etc. Depois de impresso o livro chega à casa do leitor com alguns mimos como embalagem personalizada ou marcadores de página.

Não é a primeira vez que o modelo de "crowdfunding" é usado para para publicar livros, mas a iniciativa é pioneira porque foca apenas no mercado editorial e conta com o benefício de ter um time de editores (Arthur Granado, Raquel Maldonado, Fabrício Fuzimoto e Breno Barreto) que selecionam projetos relevantes e os submetem a aprovação dos leitores - ou seja, os editores facilitam a vida do leitor na medida em que o ajuda com a parte de encontrar um livro. 

Outra vantagem da plataforma é colocar em evidência algum autor iniciante ou independente que tenha conseguido sucesso ao financiar seu livro. Conquistando esse primeiro passo, o autor poderá encontrar um público leitor, um nicho de mercado e, quem sabe, ter contratos com médias ou grandes editoras - caso não queira permanecer no esquema de financiamento coletivo e julgar a proposta interessante. Surge um mercado intermediário que não é dependente das tiragens que encalham e encontram problemas de distribuição.

A Bookstorming também poderá criar um público leitor que terá paixão pelo livro que financiar. Quem sabe esse leitor não crie gosto pelo hábito e passe a ler outros livros, frequente livrarias, eventos e tudo o mais.

São especulações e divagações. Vale experimentar.

***

Para ficar no tema da mobilização, colaboração, coletividade, o primeiro livro da plataforma é Desordem, uma antologia de contos escrita por Natércia Pontes, Cristiano Baldi, Erika Mattos da Veiga, Paulo Bullar, Patrick Brock, Olavo Amaral e Katherine Funke.

Até o momento o projeto já alcançou 57% da meta estabelecida e faltam 9 dias para encerrar o prazo. O preço do livro é R$ 35,00 (com frete já incluso). Para ajudar Desordem a sair do forno basta acessar o site da Bookstorming - lá você pode ler trechos do livro, entender mais sobre a plataforma e tirar dúvidas.

*Imagem: reprodução.
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sexta-feira, 27 de maio de 2011

TOM MCCARTHY EM PORTUGAL

Parece que o mercado editorial em Portugal anda em crise e que as editoras de lá querem vir para cá - Editoras portuguesas miram Brasil. Ocorre que em alguns casos os portugueses chegam na frente em termos de lançamentos de literatura estrangeira que estão chamando atenção. Mas verdade seja dita, me lembro que antigamente esperávamos muito tempo pelo lançamento de um livro muito comentado - frequentemente tínhamos de comprar livros importados diretamente de seus países de origem ou recorrer as traduções portuguesas. Atualmente a situação é bem diferente, quase tudo o que saí lá, saí por cá. E também pode acontecer de um livro sair por cá e não por lá.

Um caso curioso é o do escritor inglês Tom McCarthy. Não sei se alguma editora no Brasil planeja lançar os romances dele por aqui, mas em Portugal tanto Remainder quanto C já foram publicados. Ambos foram recebidos pela crítica anglófona com grande entusiasmo. A escritora Zadie Smith chegou a dizer que Remainder apontava para um caminho que o romance poderia seguir no futuro. Com o romance C não foi muito diferente, quem leu disse que o romance era original, renovador e ambicioso. O livro foi finalista do Man Booker Prize do ano passado e era tido como o ganhador até que Howard Jacobson abocanhou o prêmio.


Em 2009, Remainder foi publicado em Portugal pela Editorial Estampa - com o título de Remanescente. O livro conta a história de uma pessoa sem nome que perdeu a memória depois de ser atingido por alguma coisa que caiu do céu. Depois do incidente, ele recebe uma alta soma de dinheiro para reconstruir as coisas que que vai lembrando ou imagina lembrar.

C acabou de chegar às livrarias portuguesas pela Editorial Presença. Tom McCarthy criou um romance ambientado em pleno começo do século XX, quando os grandes meios de comunicação sem fio estavam sendo inventados. Assim, o protagonista do romance, Serge Carrefax, é jogado num mundo em constante transformação tecnológica. Tamanho espanto tem semelhança com a nossa experiência contemporânea e não deixa de nos fazer pensar na internet, nos tablets, nos celulares, nos blogs e nas redes sociais.

Tom McCarthy também escreveu livros de ensaio e um outro romance chamado Men in space (de 2007). Esses ainda continuam restritos a língua inglesa. Se alguma editora aqui no Brasil já está com planos de lançar os livros do escritor, por favor, mande notícias.

*imagens: reprodução.
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domingo, 18 de julho de 2010

REDES SOCIAIS: UM CANAL DE DIÁLOGO ENTRE EDITOR E LEITOR


Outro dia falei sobre leitores usando redes sociais para "promover" livros. Citei um caso do Facebook e outro do Twitter, porém existem mais redes sociais que estão mobilizando o universo da literatura.

O site infoblogs criou uma geek list com dez sites para os fanáticos por livros. São sites que permitem aos usuários cadastrar livros que já leram, estão lendo ou pretendem ler; escrever resenhas sobre seus livros favoritos; pesquisar um autor sobre o qual desejam mais informações; criar uma comunidade para um determinado escritor; trocar livros com outros usuários; etc.

Há também o Estante Virtual e o Clube dos Autores. O primeiro é um portal que reúne diversos sebos do país inteiro e ajuda o usuário a encontrar um livro fora de catálogo ou edições raras e antigas para compra. Já o segundo funciona como uma editora virtual em que qualquer escritor pode publicar seu livro de forma independente - basta formatar o material, fazer o upload e aguardar que os leitores façam o pedido.

Essa semana também fiquei sabendo de um "hashtag" no Twitter chamado #dearpublisher. Esse "hashtag" surgiu pelas mãos de Jen Northington, uma vendedora de livros em Baltimore, Estados Unidos. Ela escrevia diversos tweets lamentando todas as falhas das editoras, sempre começando com as palavras "dear publisher". Por fim, o "hashtag" tornou-se muito popular entre os usuários do Twitter para reclamar, fazer pedidos, dar opiniões, etc.

Todos esses "movimentos" provam que as redes sociais precisam ser levadas a sério. E ao contrário do que muitos pensam, elas servem como um canal de interação direta entre o editor e o seu consumidor final. Volto a dizer que talvez ainda seja cedo para saber o faturamento das editoras que estão envolvidas nesse processo. Mas já é possível saber o prestígio que uma marca tem, quando ela faz uso dessas ferramentas.

*imagem: reprodução do Google.

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