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terça-feira, 25 de outubro de 2011

DIÁRIOS DO VAMPIRO

Uma notícia direto da Feira de Frankfurt que passou meio despercebida: encontraram um caderno de notas de Bram Stoker, o famoso autor de Drácula. O material escrito entre 1871 e 1881 será publicado ano que vem na Inglaterra durante as comemorações do centenário de morte de Stoker. O título do livro será The Lost Journals of Bram Stoker. O lançamento deve coroar a boa fase da literatura sobre vampiros.

Impressiona o tamanho da obra deixada por Bram Stoker apesar da fama atribuída unicamente a Drácula. Ele escreveu outros onze romances de literatura fantástica e horror, além de inúmeros contos (incluindo contos de fada para crianças) e textos de não-ficção.

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Curiosamente, enquanto escrevia esse texto esbarrei no conto "Vampire", de Robert Coover (em inglês). Nesse link é possível ouvir o próprio autor lendo o conto e conversando com um dos editores da revista Granta sobre a história. Traduzi um trecho logo abaixo:
"Era verão, quando ele saiu, mas agora é inverno e na calada da noite e ele está sozinho e vestido apenas com sua camisa de golfe e sua bermuda laranja e verde marcada. Ele é conhecido pela população local, amontoados em peles pesadas, que olham para ele com expressões de medo e horror. Ele é um cara simpático, mesmo entre estranhos, sempre disposto a pagar a primeira rodada, e ele acena e mostra o seu melhor sorriso, mas elas gritam e recuam, cruzando teatralmente". (traduzido do inglês por RR)
Além de escritor Robert Coover é um teórico bastante renomado na área da literatura em hipertexto e da narrativa multimídia. Sua obra é praticamente desconhecida entre nós - existe apenas uma antiga tradução para o português do livro Espancando a empregada (Espaço e Tempo, 1989). Na semana passada, Coover esteve no Rio de Janeiro participando do projeto Oi Cabeça. Encontrei apenas informações em blogs, parece que ele discutiu os novos gêneros literários produzidos em ambiente digital e apresentou um software muito avançado para o nosso tempo chamado CAVE (Cave Automatic Virtual Environment).

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Fechando o tema, recomendo o conto Catorze anos de fome, de Santiago Nazarian publicado no livro Pornofantasma. O conto também está na segunda edição do fanzine Casmurros #2.

*imagem: reprodução.
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quarta-feira, 18 de maio de 2011

LITERATURA CABEÇA


Enquanto estamos aqui sentados discutindo o fim da crítica e o aumento no número de leitores no Brasil a revolução está acontecendo lá fora. Começou hoje no Rio de Janeiro o projeto "Oi Cabeça", com curadoria de Heloisa Buarque de Holanda e Cristiane Costa. A ideia é discutir justamente o futuro da literatura e da crítica com gente que está botando a mão na massa.

Até o fim do ano, o projeto pretende reunir uma vez por mês especialistas do Brasil e do mundo para conversar sobre temas que deixam qualquer crítico do sáculo passado de cabelo em pé.

O primeiro encontro rolou ontem com o tema "O fim da crítica e o auge dos fãs", com Nancy Baym, Mauricio Mota e Pedro Carvalho. Nancy, por exemplo, é uma norte-americana especialista no fenômeno chamado fandom - quando um grupo de pessoas (fãs) se reúne em torno de um determinado assunto. O assunto rende discussão, pois admite que a crítica não importa mais e o fã é o agente que consegue fazer verdadeira mobilizações em torno do seu objeto de desejo. Assim qual necessidade tem um crítico mediador?

Os próximos encontros têm os temas: "Novos espaços para a literatura", "Realidade aumentada", "Rumos da cibercultura", "Literatura expandida", "Os novos gêneros e-literários" e "Personagens, estratégias narrativas e engajamento nos games". Em dezembro acontece um labfest - espaço para troca e criação de novas ideias.

Vale lembrar que a Heloisa Buarque de Holanda não embarcou nessas ideias por esses dias. O envolvimento dela com as novas mídias vêm de longa data. É importante garantir o aparecimento de um evento como esse independente dos frutos que ele pode gerar.

*imagem: foto de Nancy Baym/reprodução.

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