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terça-feira, 22 de março de 2011

NOTAS #21


Mil e uma ilustrações
As histórias de Sherazade no livro As mil e uma noites já serviram como fonte de inspiração para centenas de ilustradores desde que o livro se tornou popularmente conhecido no ocidente. O blog Arabian Nights Books tenta catalogar o trabalho desses artistas com algumas amostras dos desenhos e informações sobre seus autores. Na imagem acima está Sherazade pelas mãos do ilustrador Edmund Dulac. Mais desenhos estão disponíveis em http://tinyurl.com/64m8rbu

Trilha sonora para romances
Você também está com saudades da coluna "Minha trilha sonora", publicada pelo Caderno 2 do Estadão? Confesso que era uma das minhas colunas preferidas, sobretudo quando tinha escritores selecionando músicas para várias ocasiões. Enquanto a coluna não volta, a gente pode apelar para a internet e encontrar algumas sugestões bem legais. Uma delas é a seção Book Notes, organizada pelo blog Largehearted Boy. Tem diversos escritores recomendando a trilha sonora perfeita para acompanhar seus romances, com direito a explicação e tudo o mais.

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O escritor Jonathan Coe, por exemplo, montou uma trilha sonora para acompanhar o seu novo romance - The terrible privacy of Maxwell Sim. Entre as doze faixas escolhidas tem Stevie Wonder - "Summer soft", Gentle Giant - "I am a camera", Dusty Springfield - "Goin' back", Sufjan Stevens - "Chicago", John Cage - "In A Landscape" e até Brian Eno - Music for airports.

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O escritor Adam Levin, autor do catatau The instructions, sugere que o leitor pense em The Clash - "The guns of Brixton", The Fugees - "Zealots", The Jackson Five - "The love you save" e muitas faixas do Misfits. A trilha mesmo dar energia para o leitor enfrentar as 1030 páginas do romance.

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Já Paul Murray, que escreveu o aclamado Skippy Dies, preferiu sugerir uma trilha sonora bem indie para o seu livro. Tem Sonic Youth - "Jc", Nation of Ulysses - "N-Sub Ulysses", José Gonzalez - "Heartbeats", Smashing Pumpkins - "Tonight, tonight", Nick Cave and the Bad Seeds - "There She Goes My Beautiful World", Broken Social Scene - "Anthems for a Seventeen-Year-Old Girl", MGMT - "Time to Pretend". No mínimo curioso, não?

Huxley para menores
Pode ser que ninguém saiba, mas Aldous Huxley já escreveu um livro para crianças chamado Os corvos de Pearblossom. O autor de Admirável mundo novo e As portas da percepção, escreveu a história em 1944 como presente de Natal para sua sobrinha, Olivia. O enredo fala sobre um casal de corvos que tem seus ovos roubados por cobras que moram na mesma árvore que eles. Os corvos de Pearblossom voltou a ser assunto por causa de uma nova edição que saindo nos Estados Unidos com ilustrações de Sophie Blackall (na foto). No Brasil o livro foi lançado em 2006 pela editora Record e foi ilustrado pela artista plástica italiana Beatrice Alemagna.

Diário ficcional
Diário da queda, novo romance de Michel Laub ganhou um book trailer caprichado na semana de lançamento. O livro conta a história de um homem que remexe as memórias de sua vida depois de recordar um acidente do passado. A reflexão profunda também evoca a história do pai e do avô do narrador. Quem ficou curioso pode conferir o trailer do livro em http://tinyurl.com/6fllygs e o primeiro capítulo em http://tinyurl.com/6yse3nt

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Lembrando que Michel Laub esteve na lista dos "20 escritores com menos de 40" que organizei no ano passado. Uma pequena entrevista dele para essa série está disponível em http://tinyurl.com/2anr6qg

Ficção de Polpa
A Não Editora está lançando essa semana o quarto volume da série Ficção de Polpa. O número é inteiramente dedicado as histórias de crime e mistério. A organização foi do Samir Machado de Machado e os textos são de Carlos Orsi, Yves Robert, Octávio Aragão, Rafael Bán Jacobsen, Carol Bensimon, Carlos André Moreira e Ernest Bramah. Além dos textos, o projeto gráfico também é muito bem realizado e a capa desenhada por Jader Corrêa é de tirar o fôlego.

Na TV e no cinema
Acho que nunca houve um acontecimento mais interessante no mundo contemporâneo do que livro que são adaptados para as telas do cinema ou da TV. Para dizer a verdade, esse casamento já rola faz bastante tempo. Pensando nisso, Forrest Wickman - do blog Brown Beat do site Slate - consultou o site IMDb para saber quais eram os escritores mais adaptados para o cinema, para as séries e especiais de TV e até para videogames. Os cinco primeiros da lista foram: William Shakespeare - 831 vezes; Anton Tchekhov - 320 vezes; Charles Dickens - 300 vezes; Edgar Allan Poe - 240 vezes; Robert Louis Stevenson - 225 vezes.

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A amostragem foi pequena (a lista toda tinha apenas vinte e cinco nomes) e o site do IMDb tem algumas falhas nos registros, mas o número de adaptações totais foi bastante surpreendente e expressivo. Shakespeare e Tchekhov, por exemplo, ficaram na frente de dois escritores bastante cinematográficos, Stephen King e Agatha Christie. Os dois primeiros lugares são ocupados por dramaturgos por uma simples razão, eu imagino: textos de teatro são mais fáceis de serem adaptados para a TV e para o cinema.

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Usando o mesmo método pouco ortodoxo, fiz um teste com cinco escritores brasileiros: Machado de Assis, Nelson Rodrigues, Jorge Amado, João Guimarães Rosa e Paulo Coelho. O resultado foi: Nelson Rodrigues - 38 vezes; Jorge Amado - 28 vezes; Machado de Assis - 27 vezes; João Guimarães Rosa - 12 vezes; Paulo Coelho - 8 vezes.

Alguém arriscaria fazer uma amostragem maior?

*imagens: reprodução.

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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

NOTAS #16


Tchekhov em tirinhas
O cartunista Ben Greenman resolveu fazer um resenha diferente para um livro de Anton Tchekhov: uma tirinha. Bem humorado, o cara viu nos contos do autor russo um paralelo com a vida de diversas personalidades americanas. Vale uma leitura rápida, não leva nem cinco minutos. A tirinha completa está disponível em http://tinyurl.com/4vlkufn

Literatsi
O blog Literatsi está lançando na internet uma revista digital sobre literatura. O editor do blog e da revista, Luiz Fernando Cardoso, tocou todo o projeto para colocar o primeiro número no ar. Ele conta que esse número ficou um pouco atrasado por conta de alguns problemas, por isso algumas seções estão um pouco desatualizadas. De qualquer ele já está convidando colaboradores para o próximo número. O primeiro número da revista e mais informações estão disponíveis em http://tinyurl.com/4g79fja

Blog
O Instituto Moreira Salles está estreando um blog - http://blogdoims.uol.com.br/. Por enquanto já tem um debate em vídeo, textos da revista Serrote assinados por Boris Schnaidermann e um texto de Davi Arrigucci Jr. sobre um quadro de Ismael Nery. Para quem quer saber sobre ficção o destaque será a seção de correspondência entre o escritor Daniel Galera e o editor André Conti.

Book trailer
A editora Agir colocou no youtube um trailer incrível do livro O seminarista, de Rubem Fonseca lançado em 2009. Fonseca tem fama de ser avesso às entrevistas e aparições em público, mas por incrível que pareça ele é o narrador deste vídeo. O gesto lembra Thomas Pynchon que também é o narrador no trailer do livro Vício inerente. O vídeo de O seminarista produzido pelo pessoal do Retina 78 está disponível em http://tinyurl.com/ygkxdgz

Influências
O escritor americano Adam Levin publicou no ano passado The instructions - seu primeiro romance com mais de 1000 páginas. Ele disse que escreveu o livro influenciado por Infinite Jest, de David Foster Wallace - um romance tão grande quanto o seu. Entre outras influências ele citou Don Dellilo, Philip Roth e George Saunders. The instructions foi bastante comentado por conta do seu tamanho, mas passado o choque inicial o romance tem recebido críticas bastante positivas.

*imagem: reprodução da tirinha de Ben Greenman.

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