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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

APOSTAS PARA 2016 - NACIONAIS E ESTRANGEIRAS

Com esse advento dos celulares inteligentes e as redes sociais superconectadas a gente nem precisa ter voltado ao trabalho para procurar o termo "lançamentos de ficção 2016" no Google. Na estrada, no avião, no ônibus, em casa, na fazenda ou na praia mesmo você já deve saber de tudo. Na última semana do ano - quando supostamente todo mundo está pensando a que horas servem o champanhe - já circulavam listas completas com previsões de livros para esse ano. Sinal de que os tempos estão mesmo mudando, porque as nossas editoras não costumavam divulgar o cronograma de lançamentos do ano com tanta antecedência.

Seja como for, estou listando abaixo um apanhado de livros que consegui apurar aqui e acolá. Não posso deixar de mencionar que a maior parte dessa lista nacional é resultado do trabalho de Daniel Dago (do Pósfacio) - ela chegou até mim através do Facebook. Fiz pequenos acréscimos e retirei alguns livros de não-ficção. Tem o nome da editora e do autor - em alguns casos consta o título em português ou o título original já que a tradução deve estar em andamento. Não estou mencionando os autores que devem aparecer na FLIP e sempre agitam lançamentos.

Vale lembrar que são previsões e as editoras podem alterar os cronogramas - assim como pode pintar uma nova onda, tipo "romances fantásticos", "livros de blogueiros" etc. Tudo pode acontecer.

Entre os nacionais destaco a tradução para o português de O sumiço (La disparition), de Georges Perec feita por Zéfere (José Roberto Andrade Féres). O caderno Ilustríssima publicou um trecho aqui. Na gringa, fico com Don DeLillo que sempre escreve livros misteriosos e impressionantes sobre a paranoia - o grande tema do nosso século.

Se alguém descobrir ou souber de algum outro lançamento e quiser contribuir, por favor, mande um sinal de fumaça. Prometo ficar de olho e atualizar a lista a medida que receber as informações.


AUTÊNTICA
O sumiço, de Georges Perec

PLANETA
O alado, de Arthur Japin
Tentando fazer algo da vida, de Hendrik Groen
O delírio total, de Noman Ohler
The invention of nature: Alexander von Humboldt’s New World, de Andrea Wulf

ESTAÇÃO LIBERDADE
O museu do silêncio e A fórmula do professor, de Yoko Ogawa
Botchan, de Natsume Soseki
Guerra de gueixas, de Nagai Kafu
Ensaio sobre o maníaco dos cogumelos, de Peter Handke
1913 – o verão do século, de Florian Illies
Cada um morre por si, de Hans Fallada
Medeia vozes, de Christa Wolf
Malina, de Ingeborg Bachman
Meu nome seja Gantenbein, de Max Frisch
No país do cervo branco, de Chen Zhongshi
O garoto do riquixá, de She Lao
Divã ocidental-oriental, de Goethe
Contos escolhidos, de E.T.A. Hoffmann
Natan, o sábio, de G. E. Lessing
Não adianta morrer, de Francisco Maciel

RÁDIO LONDRES
O refugiado e O homem sem doença, de Arnon Grunberg
Está tudo tranquilo lá em cima e Dez gansos brancos, de Gerbrand Bakker
Corvo, de A.J.A Symons
Quando tinha cinco anos eu me matei, de Howard Buten
Segunda mão, de Michael Zadoorian
Butcher’s crossing, de John Williams (trad. Alexandre Barbosa de Souza)
Réparer les vivants, de Maylis de Kerangal

ALFAGUARA
Uma virgem boba, de Ida Simons
Bonita Avenue, de Peter Buwalda

ZAHAR 
Os livros da selva, de Rudyard Kipling
As aventuras de Robin Hood, Alexandre Dumas
O homem invisível, de H.G. Wells

INTRÍNSECA
A brief history of seven killings, de Marlon James

RECORD
A tradutora, de Cristóvão Tezza
The end of story, de Lydia Davis
When the doves disappeared, de Sofi Oksanen

CARAMBAIA
O músico cego e Em má companhia, de Vladimir Korolenko
Corações cicatrizados, de Max Blecher

JOSÉ OLYMPIO
The early stories, de Truman Capote

COMPANHIA DAS LETRAS
City on fire, de Garth Risk Hallberg
How to be both, de Ali Smith
Sorgo vermelho, de Mo Yan
Os Buddenbrooks, de Thomas Mann
A montanha mágica, de Thomas Mann
Minha luta: livro 4 - Dancing in the dark e The morning star, de Karl Ove Knausgård
Como se estivéssemos em um palimpsesto de putas, de Elvira Vigna
A história dos meus dentes, de Valeria ­Luiselli
Purity, de Jonathan Franzen
Um retrato do artista quando jovem, de James Joyce
Cloud atlas, de David Mitchell
Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust (com tradução de Mario Sergio Conti)
O gattopardo, de Tomasi di Lampedusa
Contos, de Tomasi di Lampedusa
Como se o mundo fosse um bom lugar, de Marçal Aquino
Leão com leão, de Antonia Pellegrino
F, de Daniel Kehlmann
Buy me the sky: the truth about China's one-child generation, de Xinran
Soy loco por ti América, de Javier Arancibia Contreras
Central Europa, de William T. Vollmann
A vida invisível de Eurídice Gusmão, de Martha Batalha
La septième fonction du langage, de Laurent Binet
Vozes de Chernobil e War's unwomanly face, de Svetlana Alexievich (ganhadora do Nobel)

ATELIÊ EDITORAL
Doutor Fausto acompanhado de História do Dr. Fausto
Epigramas, de Marcial

BIBLIOTECA AZUL
Ana de Amsterdam, de Ana Cássia Rebelo
The meursault investigation, de Kamel Daoud
The fishermen, de Chigozie Obioma
Obras completas - volume B, de Adolfo Bioy Casares
A história de um novo nome, de Elena Ferrante

EDITORA 34
A educação sentimental, de Gustave Flaubert
Contos de Kolimá, de Varlam Chalámov
A escavação, de Andrei Platónov
Os sete enforcados, de Leonid Andrêiev
Sátántangó, de László Krasznahorkai
A câmara escura de Dâmocles, de W.F. Hermans
Uma outra juventude, duas novelas de Mircea Eliade

CASA DA PALAVRA
Desamparo, de Inês Pedrosa
O coro dos defuntos, de António Tavares

ROCCO
In a dark, dark wood, de Ruth Ware
Vozes do oceano, de Aline Valek
Santos fortes, de Leandro Karnal

MARTINS FONTES
A longa way to water, de Linda Sue Park
A casa dos ratos, de Karina Schaapman
Vlo e Stiekel, de Peter Koolwijk
Felicidade, de Mies van Hout
Jane, a raposa e eu, de Fanny Britt e Isabelle Arsenault

GRUA
The price of value, de David A. Smith

HEDRA
Os holandeses (1839-1938) - 16 contos de 16 autores
O coração frio, de Wilhelm Hauff

COSAC NAIFY (com o fim da editora fica em aberto)
Ilíada, de Homero
Chicas muertas, de Selva Almada
Infância, adolescência e juventude, de Liev Tolstói
A fragata Johanna Maria, de Arthur van Schendel
Mal Aria, de Carmen Stephan
Os sertões, de Euclides da Cunha (edição crítica de Walnice Nogueira Galvão)


GRINGOS (considerando o mercado editorial norte-americano e de língua inglesa)

The high mountains of Portugal, de Yann Martel
The lost time accidents, de John Wray
Innocents and others, de Dana Spiotta
My struggle: book five, de Karl Ove Knausgaard
Our young man, de Edmund White
Zero K, de Don DeLillo
LaRose, de Louise Erdrich
Modern lovers, de Emma Straub
The noise of time, de Julian Barnes
Barkskins, de Annie Proulx
Here I am, de Jonathan Safran Foer

*Imagens: divulgação


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terça-feira, 17 de agosto de 2010

JOSÉ LINS DO REGO EM NOVAS EDIÇÕES

Menino de engenho, o primeiro romance escrito por José Lins do Rego chegou a sua 100ª edição. Para comemorar, a editora José Olympio (um selo do Grupo Editoral Record) está lançando uma edição caprichada com novo projeto gráfico e as famosas ilustrações feitas por Santa Rosa - um verdadeiro tesouro esquecido que merecia reaparecer nessa ocasião tão especial. A edição ainda conta com textos críticos de importância histórica, glossário, biografia do autor e outras tantas coisas.

O romance Fogo morto também está acompanhando essa repaginação da obra de Zé Lins. Além das ilustrações de Santa Rosa, essa nova edição tem textos críticos de Carlos Drummond de Andrade, Mário de Andrade e Benjamin Abdala Júnior.

O lançamento simultâneo dos dois livros nos dá a oportunidade de acompanhar a obra de José Lins do Rego em perspectiva histórica. O primeiro livro carrega a marca de um escritor estreante, enquanto o segundo é a obra-prima de um escritor maduro. Independente da denúncia social muito associada aos romances regionalistas do nosso modernismo, esses dois livros tratam de personagens com sentimentos universais. De maneira bastante humana elas sentem medo, alegria, angústia e incerteza diante da vida. Isso sem mencionar a qualidade da escrita criada por Zé Lins e suas artimanhas narrativas.

Tomara que o gesto da José Olympio surta o efeito desejado e traga de volta a evidência necessária a obra de José Lins do Rego.

*imagem: divulgação.

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sábado, 10 de julho de 2010

OS 50 ANOS DE O SOL É PARA TODOS

*imagem: reprodução do site do Guardian.

Infelizmente, quando a gente acordar amanhã o preconceito racial vai continuar existindo no mundo todo. Porém, olhando para trás a gente percebe que muita coisa mudou em relação ao assunto. Basta se lembrar que amanhã o livro O sol nasce para todos, de Haper Lee completa 50 anos desde a sua primeira publicação em 11 de Julho de 1960.

O romance conta a história de Tom Robinson, um homem negro injustamente acusado de ter estuprado uma garota branca numa cidade do Alabama, sul dos Estados Unidos. A história é narrada por Scout Fincher, filha de Atticus Fincher, advogado responsável por defender Tom nos tribunais. O mais importante no romance não é o julgamento do caso, mas o que acontece na cidadezinha em torno desse evento. De maneira bastante precisa, a narradora Scout revela o racismo, o desrespeito e a intolerância.

O sol é para todos ganhou o prêmio Pulitzer, virou filme ganhador de Oscar e tornou-se símbolo da luta pelos direitos civis nos anos 60. Harper Lee, amiga de infância de Truman Capote, nunca mais publicou nenhum romance. Tornou-se uma autora reclusa. Quase não concedeu mais entrevistas para a imprensa e nunca mais falou sobre o livro. Mesmo quando foi recentemente premiada com a "Medalha Presidencial da Liberdade dos Estados Unidos" - uma das maiores honras que um escritor pode receber em vida.

Depois de 50 anos, O sol é para todos ainda é um dos mais lidos e mais vendidos no mundo inteiro. Justamente porque o preconceito e a injustiça social ainda façam parte da nossa sociedade. Muita coisa mudou, temos melhores condições comparada com os anos 60. O aniversário do livro e as comemorações em torno da data talvez sirvam para nos alertar que ainda resta muito a fazer.

O sol é para todos
Harper Lee
Editora José Olympio

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