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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

COMBRAY EM FAC-SÍMILE


Como bem alertou Mario Sergio Conti num artigo para o caderno Ilustríssima, da Folha de SP, no dia do centenário do livro Du Côté de Chez Swann, de Marcel Proust: "multidões não sairão às ruas para, mascaradas com o bigodinho do romancista, fazer vigília (...) apenas alguns, em Londres, no Cairo, em Tóquio ou numa padaria nas Perdizes, brindarão à memória do grande artista". Para não ser injusto, acho que alguns lugares promoveram debates e encontros para tratar do assunto - se não me engano, nessa segunda-feira, a Casa do Saber RJ está recebendo o escritor Marcelo Backes para uma palestra para comemorar a data.

Nos Estados Unidos, a Morgan Library organizou uma exposição com fotos e manuscritos raros e uma série de concertos musicais. Fiquei sabendo que na França organizaram seminários e festinhas. Nada muito caloroso como no Bloomsday ou no Dia D.

Talvez a cereja do bolo tenha sido a edição fac-símile caprichada de Combray - a primeira parte de Du Côté de Chez Swann - organizada pela editora Gallimard. O livro tem grandes dimensões para ampliar a imagem dos manuscritos e o leitor ainda pode manipular certos trechos como se estivesse diante do original.

(Para entender melhor tem aqui um vídeo)

Detalhe: foram impressos apenas 1200 exemplares e não haverá nova impressão. Coisa para atender colecionadores e fãs do escritor. No site da Amazon francesa já não havia nenhum exemplar disponível e os compradores estavam revendendo por preços que variam de €268,00 a €472 (desconsiderando os custos de frete).

Abaixo algumas imagens do exemplar.





Fotos: ©Fondation Martin Bodmer, Cologny (Genève)
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segunda-feira, 30 de abril de 2012

LE CONDOTTIÈRRE OU O COMANDANTE GEORGES PEREC

Em janeiro comentei algumas efemérides importantes que serão comemoradas nesse ano. Não sei porque razão esqueci completamente de incluir na minha lista os 30 anos sem Georges Perec - ele faleceu em 3 de março de 1982. Só me dei conta quando a Companhia das Letras lançou As coisas (primeiro romance publicado por Perec que estava inédito em português) e quando li uma resenha de Kelvin Falcão Klein falando rapidamente sobre um lançamento póstumo inédito na França - resenha do Prosa&Verso, no jornal O Globo.

Na verdade, depois que li a notícia fiquei ocupado com o ensaio fotográfico baseado em
As coisas. Depois pintou um monte de coisas para fazer que acabei arrumando tempo só agora.

O romance chama Le Condottière. Foi escrito entre 1957 e 1960 - anos antes de As coisas ser publicado - Perec enviou o manuscrito para a Éditions du Seuil, mas o romance foi recusado. Uma outra tentativa de publicação pela Gallimard também resultou frustrada e ele decidiu engavetar o romance. Um manuscrito original (datado de 1966) datilografado em cópia carbono foi encontrado em 1992 por David Bellos - biógrafo, tradutor e grande estudioso de Perec. Pode parecer ironia, mas a editora que recusou o romance no passado decidiu publicá-lo agora.

Le Condottière conta a história de um falsificador de arte chamado Gaspard Winckler que tenta incansavelmente fazer um falso Le Condottière, pintura de Antonello da Messina datada de 1475 (se não estou engando a pintura é conhecida como O comandante - alguém confirma?). Gaspard faz isso a pedido de um certo Anatole Madera que ele assassina logo nas primeiras frases. É o mesmo Gaspard Winckler que aparece em W ou A memória da infância e A vida modo de usar - só que numa versão aparentemente mais sinistra.

A imprensa francesa recebeu o romance com entusiasmo. Se você sabe francês pode se aventurar com um trecho inicial do romance aqui.

***

Não custa repetir que na terceira edição do fanzine tem um ensaio bastante explicativo sobre Georges Perec e sua obra. Vale a pena dar uma olhada.

*Imagem: reprodução.
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