Mostrando postagens com marcador encontro de literatura divergente. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador encontro de literatura divergente. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

LITERATURA NA BIENAL DE ARTE E NO MÊS DA CULTURA INDEPENDENTE


A Bienal do Livro abriu espaço em sua programação cultural para abraçar outras artes, atrair novos públicos, ganhar relevância e tudo o mais. Agora é hora da Bienal de Artes abraçar a literatura (em seu sentido mais amplo) para promover reflexões em torno do tema "Como ... coisas que não existem" proposto pelo curador da mostra, Charles Esche. A ideia é que os artistas convidados encarnem a atmosfera das grandes transformações sociais do mundo contemporâneo. Algumas polêmicas (enfrentamentos, choques, contestações, guerrilha, transgressões - chame como quiser) devem pintar por aí.

Evidentemente não é a primeira vez que a literatura aparece no evento, afinal tudo é arte (em seu sentido mais amplo). Porém, parece sintomático que a literatura apareça dentro da Bienal de Arte na forma dos muitos saraus organizados por diversos coletivos na periferia da cidade. É como se o grito da rua adentrasse os portões daquela instituição e mais do que isso: a "literatura divergente" (o termo é do Nelson Maca, poeta e professor da Universidade Católica de Salvador) estivesse ganhando legitimação e visibilidade. Para termos uma ideia, alguns saraus da periferia de São Paulo estiveram na Feira do Livro de Buenos Aires e fizeram bastante sucesso.

Promete ser uma experiência interessante uma vez que o visitante estará literalmente imerso dentro de um ambiente de... contestação. A programação completa foi divulgada pela Ilustrada, se você perdeu pode conferir aqui.

***


Embuido do mesmo espírito de contestação dos tempos interessantíssimos em que vivemos, a cidade recebe também o evento "Mês da Cultura Independente". A programação é extensa e incluí várias manifestações artísticas. Para o campo da literatura o destaque será o 3º Encontro de Literatura Divergente organizado por Berimba de Jesus e Nelson Maca na Biblioteca Pública Alceu Amoroso Lima, em São Paulo. Além dos debates, o encontro vai promover feira de livros, oficinas, exposições, saraus, performances e lançamentos.

E veja que interessante: serve como um complemento as atividades que vão acontecer na Bienal de Artes.

*Imagem: Obra de Éder Oliveira que estará na Bienal/Divulgação; Biblioteca Alceu Amoroso Lima/Divulgação.
Share/Save/Bookmark

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

MÊS DA LITERATURA INDIE

Muito em breve, na cidade de São Paulo, setembro ficará conhecido como "mês da cultura independente" - do mesmo jeito que agosto é conhecido popularmente como "mês do cachorro louco" (dizem que em Portugal, as mulheres supersticiosas evitam se casar nesse mês; e na Argentina, lavar a cabeça nessa época do ano pode atrair a morte). A explicação é simples: há seis anos a Secretaria Municipal de Cultura promove nesse mês eventos gratuitos ou com preços simbólicos voltados a produção cultural independente. A iniciativa não fica restrita apenas aos artistas brasileiros e também abre espaço para a turma internacional.

Além de artes visuais, cinema e música, o evento conta com uma programação literária e realiza uma série de saraus e oficinas tendo destaque para o I Encontro de Literatura Divergente, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima. Se minha apuração não tiver falhas, o termo "literatura divergente" foi criado pelo Nelson Maca, poeta e professor da Universidade Católica de Salvador, para dar conta da produção literária que acontece a margem dos "ambientes acadêmicos ou oficiais": "
literatura negra, maldita, periférica, marginal, letra de música, rap..." O próprio Nelson vai explicar tudo isso e outras coisas mais na mesa de abertura - ele também vai participar como mediador de outros debates.

O encontro dura quatro dias e vai reunir ativistas, estudiosos da academia, pesquisadores, consumidores e admiradores dessas vertentes literárias para discutir conceitos, definições, dar maior visibilidade aos autores e a maneira como todos esses textos circulam. Vai ter participação de Heloísa Buarque de Holanda (que faz coisas pela literatura brasileira desde muito tempo; Impressões de viagem – CPC, vanguarda e desbunde virou um clássico dos nossos estudos literários), Glauco Matoso, Marcelino Freire e muitos representantes dos grupos que organizaram editoras independentes e vários saraus pelo Brasil a fora.

***

O movimento de olhar para a literatura feita nas periferias estão em alta. Veja, por exemplo, a FLUPP - Festa Literária das UPPs - que levou escritores brasileiros e estrangeiros para as comunidades periféricas do Rio de Janeiro com o objetivo de formar leitores e escritores. Em novembro, os organizadores da Festa vão lançar um livro com textos de 30 participantes desses encontros (sendo 15 policiais e 15 moradores das comunidades).

***

Enquanto estava escrevendo percebi que esse texto está um pouco investido de raiva contra a academia e os órgãos que legitimam e autorizam o cânone cultural. O sentimento não é novo. Faz tempo que o discurso pró-academia (ou crítica cultural) anda fora de moda e para entender um pouco do cenário me ocorreu recomendar um texto do Sérgio Rodrigues, no blog Todoprosa.

*Imagem: Lajes da periferia, de Thaís Ibañez /reprodução

Share/Save/Bookmark