terça-feira, 19 de junho de 2012

IAN MCEWAN SERENÍSSIMO

Um certo burburinho envolvendo o novo romance de Ian McEwan está circulando na imprensa estrangeira. Por enquanto somente os jornalistas gringos puderam ler Serena na íntegra. Para quem ainda não sabe, o romance terá lançamento mundial em primeira mão no Brasil pela Companhia das Letras - com tradução de Caetano Galindo e capa do Máquina Estúdio. Inclusive, McEwan vem ao Brasil no mês que vem para lançar o livro e participar da FLIP.

Não é a primeira vez que romances estrangeiros aparecem primeiro por aqui. Me lembro, por exemplo, de uma outra edição da FLIP com o lançamento de Luka e o fogo da vida, de Salman Rushdie.

O livro é sobre uma jovem estudante de Cambridge chamada Serena Frome, cuja beleza a inteligência fazem dela a recruta ideal do MI5, Serviço Secreto Britânico. A missão dela será adentrar o circulo literário de um jovem e promissor escritor chamado Tom Haley a fim de financiar a criação de um romance. Mas claro, Serena não pode contar que é espiã, nem que o dinheiro vem da Inteligência Britânica. Serena acaba se apaixonando por Tom e toda a trama se complica.


Evidentemente estou simplificando o enredo. Existem outros elementos importantes que estão em jogo - para citar um exemplo: o contexto histórico. O livro se passa no começo dos anos 70, em plena Guerra Fria, quando o MI5 estava interessado em manipular o cenário cultural da Inglaterra manipulando escritores e artistas.

Em maio, a revista New Yorker publicou um trecho do romance com o título de "Hand on the shoulder". McEwan foi entrevistado pela editora da revista e contou mais detalhes sobre a história - o áudio, em inglês, está disponível aqui. No começo do mês, McEwan também foi convidado pelo Hay Festival para falar sobre Serena (serviu como um preview do que vamos ver por aqui durante a FLIP). Trajando um blazer em tons claros, ele leu um trecho do romance enunciando perfeitamente todos os "sss" e "ppp", imprimiu um ritmo tenso, fez pausas dramáticas e suspenses cômicos (segundo o pessoal que testemunhou a leitura). Depois respondeu perguntas do mediador. Entre tantas coisas, ele expressou sua admiração pela literatura de Saul Bellow (que ao contrário do escritores britânicos, consegue passear sem nenhum problema por todas as classes sociais) e cravou a seguinte frase "todos os romances são romances de espionagem e todos os escritores são espiões" (se referindo ao fato de Serena ter classificado pela imprensa estrangeira como um romance de espionagem).

Sobre o significado do nome Serena para a protagonista do romance, McEwan contou a seguinte história: "minha esposa e eu fomos olhar uma casa em West Country e havia uma senhora muito simpática que nos fez chá, ela chamava Serena e pensei 'humm vou me lembrar disso'".

De olho em tudo isso, Serena deve chegar às livrarias na próxima semana - um pouquinho antes da FLIP. Assim você pode comprar sossegado, seguir viagem para Paraty com um exemplar nas mãos e quem sabe conseguir um autógrafo do próprio McEwan. Já os gringos terão de esperar até o final de agosto (Reino Unido e Canadá) e novembro (Estados Unidos) para começarem a ler.

Imagem: via hayfestival.com
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2 comentários:

  1. Gostei do mote de "Serena". Estou apenas esperando o lançamento do livro para me lançar ao descobrimento de McEwan.

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    1. Bacana, Hugo! Depois me conta o que achou.

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