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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

NOTAS #44


Fanfiction japonesa
Haruki Murakami não ganhou o prêmio Nobel de Literatura (nos últimos três anos ele aparece em primeiro na lista dos palpiteiros de plantão), mas figura essa semana nas páginas da revista - übber cool - New Yorker com um conto chamado "Samsa in love". O escritor japonês, capaz de levar milhares de leitores a dormirem em longas filas nas portas das livrarias por causa de 1Q84, promete derreter os corações endurecidos pela tristeza ou rabugice. O conto retoma a personagem da novela A metamorfose, de Franz Kafka e promove uma espécie de sequência: certa manhã, ao despertar de sonhos intranquilos, uma criatura encontrou-se em sua cama metamorfoseado em Gregor Samsa. Como o título sugere, Samsa vai reaprender a usar seu corpo humano e cair de amores por uma misteriosa mulher que aparece em sua casa.

"Samsa in love" foi retirado de uma coletânea de contos chamada Ten Selected Love Stories (capa acima), publicada mês passado no Japão pela editora Chuokoron-Shinsha. Curiosamente, Alice Munro também está nesta coletânea que teve seleção e tradução para o japonês feita pelo próprio Murakami.

Moraes, mais uma vez
Falando em páginas de revista, a Piauí publicou na edição desse mês mais um trecho de A travessia de Suez, próximo romance escrito por Reinaldo Moraes. Outro trecho apareceu na edição de julho de 2010. A história do sujeito que morre e descobre que era uma encarnação de Deus deve sair pela Alfaguara no ano que vem.


Revolta literária
O romance L’esprit de l’ivresse, do autor estreante Loïc Merle está causando um pequeno burburinho na recente temporada de lançamentos na França. O livro conta a história de um homem mais velho que ao voltar para casa depois de um dia cansativo de trabalho é preso pela polícia, morre e vira símbolo de uma revolta que terá proporções gigantescas em todo o país - o pano de fundo está concentrado naquela revolta de jovens dos subúrbios franceses que aconteceu em 2005. Para além do enredo vibrando narrado em três diferentes perspectivas, a crítica aponta como qualidades do romance: as frases longas, as belas descrições e o manejo do autor para construir personagens que escapam a mera caricatura sociológica.

Pode entrar facilmente na lista de livros que ecoam a revolta das ruas.

Do barulho
Parece que no futuro o silêncio vai andar a quilômetros de distância dos livros - olha que não estou falando das megalópoles ensurdecedoras ou dos aparelhos de MP3 (reparou como todo mundo prefere ler com um fone acoplado ao ouvido). A empresa Booktrack acaba de lançar um aplicativo para o Google Chrome chamado Booktrack Studio. Nele, você pode adicionar música, som ambiente e até efeitos sonoros mais simples as suas histórias preferidas. Detalhe: os sons ocorrem de acordo com o ritmo de leitura de cada um, pois o som está sincronizado a cada linha ou trecho específico. Promete atender aos anseios dos leitores digitais, sobretudo porque permite... compartilhar.

É interessante! Vale experimentar.

*Imagem: reprodução.

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segunda-feira, 22 de abril de 2013

UMA LISTA: VINTE E UM LIVROS DO SÉCULO 21 QUE TODO HOMEM DEVE LER (I)

Continua ao longo da semana (1 de 3)


As mulheres* que me perdoem, mas vamos abrir espaço para um singelo "Clube do Bolinha" nas Letras. Explico melhor: a GQ gringa - revista voltada ao público masculino - montou uma lista com 21 livros do século 21 que todo homem deve ler. Embora despretensiosa, a seleção se define como "um novo cânone" e está cheia de medalhões da recente literatura norte-americana. Ninguém é ingênuo a ponto de acreditar na provocação da revista porque nessa altura do campeonato todo mundo já está careca de saber que essas listas são totalmente arbitrárias e muito particulares. Mas quem se importa?

Pegando carona na mesma ideia, elaborei uma lista com 21 livros brasileiros publicados no século 21 que todo homem deve ler. A ideia é mostrar para os rapazes que não estão ligados no assunto um painel geral sobre o que vem sendo produzido na literatura brasileira dos anos 2000 até hoje. Pode recomendar para o pai, o irmão, os amigos e camaradas.

Para não ficar muito longo, vou dividir a seleção em três partes que serão publicadas ao longo dessa semana.

*Embora a lista seja destina aos homens, as mulheres também podem espiar e palpitar.
** Os livros e autores aparecem sem ordem de importância.

-> para ler a segunda parte:  VINTE E UM LIVROS DO SÉCULO 21 QUE TODO HOMEM DEVERIA LER (II)

-> para ler a terceira parte:  VINTE E UM LIVROS DO SÉCULO 21 QUE TODO HOMEM DEVERIA LER (III)





1 Nove noites (2002)
BERNARDO CARVALHO
Companhia das Letras


Razão: O deslocamento é um elemento fundamental para entender a obra de Bernardo Carvalho. Encontramos o Brasil através de personagens que estão perdidos no interior desconhecido do nosso próprio país ou espalhadas pelo mundo em países como Estados Unidos, Mongólia, Japão e Rússia. Em Nove noites, verdade histórica e ficção se confundem para contar a história de um homem obcecado em desvendar os últimos vestígios de um antropólogo norte-americano que teria cometido suícídio ao retornar de uma aldeia indígena no Brasil no ano de 1939.






2 Pornopopéia (2009)
REINALDO MORAES
Objetiva


Razão: As desventuras em série de Zeca - um cineasta marginal, ligadão aos prazeres do sexo e das drogas pesadas - provam que nós já temos um novo rei da sacanagem e da malandragem. É boa literatura papo-reto e sem firulas, manja?







3 O céu dos suicídas (2012)
RICARDO LÍSIAS
Alfaguara


Razão: Para alguns, a única maneira de dar um passo adiante é mexer no passado e viver um inferno pessoal que poderia ter sido esquecido. É assim que a personagem central dessa história se entrega de corpo e alma as suas emoções geradas pela culpa a fim de encontrar uma resposta para a perda de seu melhor amigo.






4 Mastigando humanos (2006)
SANTIAGO NAZARIAN
Nova Fronteira


Razão: Convenhamos, não é todo dia que você encontra um livro narrado por um jacaré que fugiu do Pantanal para viver no esgoto da cidade grande entre a boêmia insólita, dizendo frases como "Todos os prazeres são orais". Não! Não é um livro de fantasia para adolescentes: tem altas doses de erotismo, reflexões filosóficas e cultura pop com doses cavalares de humor.





5 Ladrão de cadáveres (2010)
PATRÍCIA MELO
Rocco


Razão: Não adianta tentar, por mais que vocês queiram a humanidade sempre estará com a mente voltada para a maldade e a violência. Na pacata cidade de Corumbá, um ex-gerente de telemarketing cheio de boas intenções segue por uma maratona de crimes e tráfico de drogas.




6 O paraíso é bem bacana (2006)
ANDRÉ SANT'ANNA
Companhia das Letras


Razão: Muitas vozes contam a história de Mané - um garoto pobre que vai parar na Alemanha por causa do seu futebol maravilha - e seus delírios com as setenta e duas virgens no paraíso. Acontece que Mané e as mil vozes que o acompanham falam o português torto das ruas, contam muitas besteira, escatologias e maluquices despertando paixão ou aversão dos leitores.




7 Eu perguntei pro velho se ele queria morrer (e outras histórias de amor) (2009)
JOSÉ REZENDE JR.
7Letras


Razão: Deturpando aquele dito popular "as melhores histórias estão nos pequenos livros". Num exercício precioso de concisão, ele consegue contar casos de amor de maneira simples e sofisticada. Se você não gosta de enrolação, mas não dispensa um bom livro, achou o que procurava.

*Imagens: reprodução / capas dos livros são divulgação / ilustrações: montagem a partir de reproduções do Google.
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segunda-feira, 8 de abril de 2013

NOTAS #42

Lendo Coetzee
O escritor sul-africano J.M. Coetzee vem ao Brasil para fazer duas conferências com o tema "censura". O evento, batizado de "Lendo Coetzee", será realizado no dia 15 em Curitiba e no dia 18 de abril em Porto Alegre. Como de costume, não haverá mediadores e nem perguntas da plateia - quem não lembra da participação dele na FLIP, em 2007?

Por ocasião da conferência, a Companhia das Letras vai publicar A infância de Jesus - romance que Coetzee acaba de publicar e conta a história de um homem e um menino que imigram para uma terra nova. O livro teve boa recepção crítica na Inglaterra e na Austrália. Um trecho do romance está disponível aqui

Fã e admiradores também aguardam com expectativa pela biografia do escritor que será lançada no segundo semestre desse ano. Coetzee concedeu a J.C. Kannemeyer (um famoso biógrafo de escritores africanos que faleceu em 2011) acesso ao seus arquivos pessoais e manuscritos.

No vídeo abaixo, o próprio Coetzee lê um trecho de A infância de Jesus em conferência na Universidade da Cidade do Cabo.





Grandes Encontros
A organização da FLIP confirmou a presença do escritor Aleksandar Hemon, autor dos livros Amor e obstáculo e O projeto Lazarus (ambos lançados pela editora Rocco). Ele nasceu na Bósnia e se mudou para os Estados Unidos, em 1992. Teve uma indicação ao National Book Award, recebeu o prêmio de melhor ficção da revista New Yorker e conquistou muitos outros prêmios. Desde 2010, Hemon também edita a revista anual Best European Fiction que divulga jovens escritores europeus nos Estados Unidos.

Entre tantos escritores de toda a Europa, a revista já publicou textos de Dulce Maria Cardoso, A.S. Byatt, Jean-Philippe Toussaint, Valter Hugo Mãe, Hilary Mantel, Gonçalo M. Tavares, Ingo Schulze, Marie Darrieussecq e Clemens Meyer.

Curiosamente, a edição 2013 da revista tem prefácio assinado por John Banville - outro escritor que já confirmou presença na FLIP, em julho. É bem provável que os dois marquem um encontro pelas ruas de Paraty para tomar uma cachaça.



Diga-me com quem andas...
A coleção Má Companhia não seria tão "má" enquanto um livro de William Burroughs não entrasse para a turma - que já tem muita gente da pesada: Reinaldo Moraes, Marçal Aquino, Joca Reiners Terron e Pietro Aretino. Pois bem, a coleção acaba de lançar Junky - Drogado, livro que Burroughs escreveu em 1949 e só conseguiu publicar em 1953 depois de muitas tentativas frustradas. Caso você não saiba, o livro tem altos teores de sexo, violência e drogas como o próprio título sugere. Nem preciso dizer que foi um sucesso de vendas. A nova edição tem introdução de Allen Ginsberg e tradução de Reinaldo Moraes - a mesma tradução que ele fez para uma edição publicada pela Brasiliense, em 1984. Almoço nu, o livro mais famoso de Burroughs, também será lançado pela Má Companhia.

...que te direi quem és
Reinaldo Moraes está preparando um novo romance - ainda sem título. Parece que a história será narrada por um espírito desencarnado. Deve sair no primeiro semestre do ano que vem, se tudo der certo.


Novo romance
O escritor Eduardo Baszczyn está de volta com novo romance, Cuidado com pessoas como eu. O final de um relacionamento impõe é o ponto de partida para uma situação insólita: uma mulher trancada num apartamento e um homem que não para de bater na porta. Baszczyn foi finalista do Prêmio SP de Literatura e um dos 20 escritores brasileiros com menos de 40 anos - segundo uma lista proposta por este blog em 2010.

Para matar a curiosidade tem um trecho desse romance aqui.

***

Quem também está de volta é o escritor Alejandro Zambra. A Cosac Naify está lançando A vida privada das árvores com tradução de Josely Vianna Baptista. Conta a história de um professor de literatura chamado Julián que espera por sua mulher Verônica. O problema é que ela nunca chega. É tão curtinho quanto Bonsai - tem 96 páginas.

Perfis Literários
O site Isto não é um cachimbo - Perfis literários está de volta com novidades. O perfilado do mês é ninguém menos que o escritor André Sant'anna ao som de So you wanna be a rock and roll star, de Patti Smith e com boas quantidades de amendoim japonês e whisky sem gelo. O site também ganhou um blog com textos diários sobre literatura e entretenimento.

***

Foi lá que eu descobri que André Sant'anna vai lançar um novo livro de contos chamado Irrealidades. Como aperitivo, para entrar no clima, o blog liberou um conto “O povo estava todo lá”.

*Imagens: divulgação.


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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

JULGANDO LIVROS PELA CAPA (2): PORTUGAL X BRASIL

No ano passado peguei uma bela ideia emprestada e fiz uma brincadeira comparando as capas dos mesmos livros em edições brasileiras e portuguesas. Para não perder a tradição e pensando em quanto isso seria divertido, faço uma nova rodada da brincadeira. Tamanha diferença entre as capas portuguesas e brasileiras não deve causar muito espanto, afinal cada país tem uma cultura visual muito particular e algo atrai os portugueses pode não atrair os brasileiros, evidentemente. O exercício de olhar as capas lado a lado servem para especularmos sobre o trabalho do capista na hora de resolver o problema de como dar um rosto a um livro e vendê-lo para o leitor.

Digo de antemão que não sou especialista no assunto, portanto estou comentando sem muito compromisso. A caixa de comentários está aberta para quem quiser participar - por favor, fiquem a vontade. As capas das edições brasileiras estão do lado direito.
A grande arte, de Rubem Fonseca
Na reedição desse grande clássico contemporâneo os dois capistas pensaram na mesma coisa: uma faca. Não é à toa, já que esse elemento traduz bem o enredo do livro. Os portugueses optaram por uma singela ilustração que transpassa a capa e vai a contracapa, ao passo que a edição brasileira escolheu um raio-x dilacerante - para dizer o mínimo. Ponto para as duas.

a máquina de fazer espanhóis, de valter hugo mãe
A capa da Alfaguara portuguesa é bonita, mantém a identidade da marca e tem humor. No entanto, é difícil não se render aos encantos abstratos (querendo ser figurativos) de Lourenço Mutarelli e ao projeto gráfico caprichado da Cosac Naify. Como explica Paulo Chagas no blog da editora "o procedimento remetia aos papéis marmorizados das partes internas de antigas encadernações. Era como se a capa tivesse sido virada do avesso".

A noiva do tigre (A mulher do tigre, em Portugal), de Téa Obreht
Enquanto os portugueses "preferiram" a mesma capa dos norte-americanos, nós criamos um desenho de cores marcantes. Só que a edição portuguesa tem uma certa vantagem de não entregar tudo logo de cara. O tigre pela metade guarda o mistério entre ameaça e ajuda. O tigre da capa brasileira parece mansinho.

Os imperfeccionistas, de Tom Rachman
Um caso curioso de repetição. Tanto a edição portuguesa quanto a edição brasileira optaram pela mesma capa da edição americana. Se não estou enganado a mesma coisa aconteceu na Inglaterra, no Canadá, na Espanha e na Alemanha. Pobreza de ideias? Não sei dizer. Mas qual é o problema de reproduzir uma capa bem limpa e elegante como essa. Nem preciso dizer que o jornal ali diz tudo.

Liberdade, de Jonathan Franzen
Os portugueses seguiram colados a escolha da capa britânica e colocaram um imenso "L" gráfico com o detalhe pequeno da pena. No entanto, nos saímos melhor traduzindo a ideia de "liberdade" ao contrapor uma cerca (em estilo tipicamente americano, mas ao mesmo tempo universal) com um céu cheio de nuvens. Inclusive, acho nossa capa infinitamente superior a da edição norte-americana. Alguma coisa me incomoda naquele pássaro azul e naquelas letras meio de lado.

Livro, de José Luis Peixoto
O carinho de bebê na capa da edição portuguesa revela o ponto de partida do romance, nada que comprometa as surpresas que você vai encontrar no romance. Só que a capa brasileira com letras formando os desenhos dos azulejos portugueses é bem mais interessante - tem até textura por conta do relevo da impressão. Além disso, traduz bem a forma da segunda parte do livro. É bem metonímico o negócio. Nossa diferença cultural me leva a pensar será que em Portugal essa capa faria sentido?

*Tem uma curiosidade a respeito da edição portuguesa: a mesma imagem de capa foi usada no livro Tu ne jugeras point, de Armel Job (um escritor belga). Foi pura coincidência como está explicado aqui.
Os malaquias, de Andréa del Fuego
As duas capas são bonitas. Trabalham com a ideia de família. De qualquer forma, prefiro a capa brasileira: é mais clara e as sombras na parede mantém o segredo sobre a fisionomia das personagens.

Outra vida, de Rodrigo Lacerda
A nossa capa guarda algo de estático, nostálgico, triste. Sensação que as personagens do livro devem experimentar na pele, pois é sobre uma viagem de volta que trata o enredo. A capa portuguesa tem movimento, trânsito e mudança que ganham ares de tristeza graças aos guarda-chuvas abertos. Por mais colorido que sejam não deixa de ser triste.

Pornopopéia, de Reinaldo Moraes
A capa brasileira não revela nada. Parece que é uma foto de Reinaldo Moraes lendo alguma coisa. Serve para destacar o nome do livro em grandes letras vermelhas em cadência divertida. Em contrapartida a capa portuguesa leva a melhor com a brincadeira visual das formas femininas. Pode parecer clichê usar a "natureza" para retratar coisas mais picantes, mas considerando o enredo a imagem tem tudo a ver. Ponto para eles!

Se eu fechar os olhos agora, de Edney Silvestre
A nossa edição é mais bonita. A "limpeza" de informações valoriza a foto no alto. ficou elegante. Já a capa portuguesa vai bem quando recupera elementos do enredo e vai mal quando coloca o título grande em vermelho. Parece que pesou um pouco, embora lembre o jogo de fechar os olhos alertando para abri-los. Será isso?

*Imagens: divulgação e reprodução.

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sexta-feira, 11 de março de 2011

NOTAS #20


Sci-Fi Hi-Fi
A ficção científica pode ter nascido no século XIX, mas suas raízes remontam a Grécia antiga - acredite se quiser. Mas será possível contar toda essa história usando apenas uma página? O autor desse infográfico conseguiu - infelizmente não consegui encontrar o nome do autor (alguém sabe?). Tem de tudo um pouco: Franz Kafka, William Burroughs, gregos e indianos. E tem os clássicos também, claro! A imagem em tamanho bem grande está disponível em http://tinyurl.com/4m8pbex

Escritores em vídeo
O blog A piece of monologue reuniu, através do Youtube, o documentário Waiting for Beckett: a portrait of Samuel Beckett. É o primeiro documentário americano sobre o escritor com direção de John Reilly e Melissa Shaw-Smith. O material raro foi produzido para a TV em 1994 e inclui depoimento do próprio Samuel Beckett e várias pessoas próximas a ele. Os vídeos estão reunidos em http://tinyurl.com/6d48lbl

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Outro vídeo curioso vindo do Youtube tem o escritor Henry Miller falando sobre seu banheiro. Todo decorado com fotos, ilustrações, quadros e obras de arte, o escritor confessa que seu banheiro deixa todo mundo perdido - mas olhando o vídeo fica difícil imaginar algo tranquilo naquele lugar. É uma verdadeira viagem ao redor do mundo dentro de um único cômodo da casa. O vídeo está disponível em http://tinyurl.com/4be3em8

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Novamente um vídeo postado pelo blog A piece of monologue. Trata-se de um vídeo curtinho em que Philip Roth fala sobre a velhice http://tinyurl.com/488l6n6

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Para terminar, um outro vídeo em que o escritor David Foster Wallace fala sobre literatura comercial e leitura nos Estados Unidos. Divertida a analogia que ele faz entre a literatura mais cabeça e a música clássica. O vídeo está disponível em http://tinyurl.com/6h2n8xk

Utopia Antiutopia
Quando os escritores criam histórias sobre o futuro, dificilmente eles pensam em algo positivo. As previsões são sempre catastróficas. Pensando nisso, o Huffington Post organizou uma lista com 12 romances antiutopicos. Evidentemente Admirável mundo novo, de Aldous huxley; 1984, de George Orwell e Fahrenheit 451, de Ray Bradbury não poderiam ficar de fora. Tem também Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago; A estrada, de Cormac McCarthy e Não me abandone jamais, de Kazuo Ishiguro. A lista completa está disponível em http://tinyurl.com/6af46n4

Furo!
O escritor Joca Reiners Terron consegue cada furo de notícia que deixa a gente de cabelo em pé. Um dos últimos foi mostrar em primeira mão a capa de Tanto faz & Abacaxi, de Reinaldo de Moraes. Os dois livros saem juntos em reedição pelo novo selo Má Companhia, da Companhia das Letras. Joca, diz pra gente quem assina a capa.

*imagem: reprodução

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sábado, 26 de fevereiro de 2011

NOTAS #19



Capas vivas
Calma, leitor! A imagem acima pertence a Thomas Allen, um artista plástico americano. Ele faz montagens usando apenas recortes de capas de livros vintage. Depois de selecionar, recortar com cuidado, montar e fotografar o resultado final causa uma impressão de tridimensionalidade. As capas estão vivas e interagindo. E tem uma montagem melhor que a outra. Descobri o cara no blog do Almir de Freitas - Não me Culpem pelo Aspecto Sinistro.

A estante sentimental
Milton Hatoum está preparando um novo romance que será publicado ainda esse ano. Um trecho desse novo livro foi publicado na seção "_ficção" da revista Piauí com o título de Aura. À coluna Painel das Letras, assinada por Josélia Aguiar, o escritor amazonense confessou dez livros que considera sentimentalmente importantes. Entre eles estão: Coração das trevas, de Joseph Conrad; A educação sentimental, de Gustave Flaubert; Luz em agosto, de William Faulkner; Infância, de Graciliano Ramos; Dublinenses, de James Joyce e O processo, de Franz Kafka. A lista completa está disponível em http://tinyurl.com/4h4qbjj

Questão de gênero
Você escreve como homem ou como mulher? Inspirado por um artigo publicado na revista do New York Times, Shlomo Argamon e Moshe Koppel desenvolveram um algoritmo capaz de detectar o gênero de um escritor. Para fazer um teste, peguei o trecho inicial de O som e a fúria, de William Faulkner. O resultado final foi: "o autor desse trecho é homem". Outro teste, dessa vez com um trecho de Pornopopéia, de Reinaldo Moraes. Confirmado: "o autor desse trecho é homem". Para não ter mais dúvida, outro teste com um trecho de Felicidade clandestina, de Clarice Lispector. O resultado foi: "o autor desse trecho é homem". Será que o algoritmo não entende a língua portuguesa? O formulário para os testes está disponível em http://tinyurl.com/yafgus

Podcast
A revista New Yorker convidou a escritora Anne Enright para participar do seu podcast de ficção. Cada mês a "ultracool" editora Deborah Treisman convida escritores para escolherem um conto que já tenha sido publicado pela revista. Anne Enright escolheu The swimmer, de John Cheever. Ela disse que leu o conto, assistiu a adaptação do conto num filme de 1968 estrelado por Burt Lancaster e ficou impressionada com a melancolia e a beleza da história. O conto também está na coletânea 28 contos de John Cheever, com seleção de Mario Sergio Conti publicado pela Companhia das Letras. O conto se chama O nadador e a tradução foi feita por Jorio Dauster. O podcast com leitura de Anne Enright está disponível em http://tinyurl.com/49rcxvh

Velhos safados
Quase toda semana o blog Flavorwire nos manda um post bacana. Dessa vez, eles fizeram uma lista com dez escritores que pode ser que sejam velhos bem safados. A listatem algumas escolhas evidentes como Charles Bukowski, Geoffrey Chaucer, Vladimir Nabokov e Henry Miller. Porém, causa surpresa saber que James Joyce, John Updike, Michel Houellebecq, Philip Roth e até William Shakespeare já tenham sofrido das fraquezas da carne. Alguém se arrisca a fazer uma lista parecida com escritores brasileiros?



Videogame literário
Uma das notícias mais comentadas das últimas semanas tem sido o game baseado no livro O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald. Não é a primeira vez que essa história vira um jogo, a empresa Big Fish Games já desenvolveu um jogo para PC. A diferença é que a nova versão tem mais "jogabilidade" e os desenhos têm aquele apelo vintage do Nintendo antigo. Será que Fitzgerald é o escritor preferido dos gamemaníacos?

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Em tempo, o blog do caderno Prosa e Verso descobriu um outro jogo baseado na peça Esperando Godot, de Samuel Beckett. Com certa nostalgia, o visual do jogo imita o bom e velho Atari. Ah! E você pode escolher se quer jogar com o Didi ou com o Gogo - apelido das personagens Vladimir e Estragon. O jogo existencialista baseado no teatro do absurdo está disponível em http://tinyurl.com/4dl4pxl

*imagens: reprodução do Google.

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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

NOTAS #18


Quem não rabisca?
Caro leitor, não pense que você é a única criatura no mundo que faz algumas anotações e rabiscos nos seus livros. Muito pelo contrário, essa prática tão antiga é adotada por grandes escritores da literatura universal. O site Flavorwire, sempre eles, conseguiram descobrir rabiscos feitos por David Foster Wallace, Vladimir Nabokov, Samuel Beckett, Mark Twain, Kurt Vonnegut, Jorge Luís Borges, etc. Os rabiscos acima pertecem a Franz Kafka e tem uma cara de que ele estava pensando em O processo. Os demais rabiscos estão disponíveis em http://tinyurl.com/4rbk8td

Moraes na moral
Não tem jeito mesmo, esse ano só vai dar Reinaldo Moraes - até falei disso por aqui. O sucesso é tanto que os festivais literários terão de ser obrigados a chamar Moraes para apresentações. Pornopopéia está fazendo tanto sucesso que possivelmente será adaptado para o cinema. Segundo informações dos jornais, o produtor Rodrigo Teixeira comprou os direitos do livro e Arthur Fontes, da Conspiração Filmes, será o provável diretor.

***

A coluna Babel, do Estadão, também divulgou uma notícia de que a editora Quetzal também comprou os direitos de Pornopopéia para uma futura edição em Portugal. Lembro que João Ubaldo Ribeiro causou um pequeno reboliço no lançamento de A casa dos budas ditosos por conta do teor do livro. Será que algo parecido pode acontecer com Moraes?

Preferidos
No blog da coluna Painel das Letras, da Folha de SP, o escritor Cristovão Tezza confessou dez livros que marcaram sua vida. Entre os eleitos estão Angústia, de Graciliano Ramos; O estrangeiro, de Albert Camus; Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez; Luz em agosto, de William Faulkner e Desonra, de J. M. Coetzee. A lista completa está disponível em http://tinyurl.com/48oyswn

Brigas literárias
Você sabia das divergências entre Albert Camus e Jean-Paul Sartre? E que Wallace Stevens
falava mal de Ernest Hemingway? E da briga entre Mario Vargas Llosa e Gabriel García Márquez? Pois o The Huffington Post pediu a ajuda de seus leitores para comentar os combates literários favoritos de cada um. Pois é, escritores também podem ter um dia de fúria. Outra desavenças estão disponíveis em http://tinyurl.com/6hpr8e7

Beatnikmaniacos
No melhor estilo de "tudo o que você queria saber sobre...", o site Flavorwire revelou 97 curiosidades sobre o escritor William S. Burroughs. Por exemplo, Burroughs manuseou uma arma de fogo pela primeira vez quando tinha apenas 8 anos. Já que era um garoto precoce ele descobriu o estilo de vida da contracultura aos 13 anos, depois de ler You can’t win, a autobiografia de Jack Black. Foi nessa idade também que ele começou o seu longo caminho pelas portas da percepção. A lista inteira está disponível em http://tinyurl.com/6zxt7jp

Moby Dick 24 horas
Leitores entusiasmados, amantes da boa literatura e fãs do livro Moby Dick, de Herman Melville, se reuniram na semana passada em Portland, nos Estados Unidos, para uma maratona de leitura de 24 horas ininterruptas do livro. O encontro começou na sala de leitura do Powell's Books. Para o desafio foram recrutados 135 candidatos, sendo um para cada capítulo do livro. A leitura foi gravada e o áudio será vendido para arrecadar dinheiro para o IPRC - Independent Publishing Resource Center. No ano passado uma iniciativa bem semelhante aconteceu, também nos Estados Unidos, para comemorar o centenário de morte de Liev Tolstói. Será que a gente conseguia fazer algo semelhante no Brasil?

Alguém lendo
Um momento raro, mas salvo graças a internet. Trata-se do escritor James Joyce lendo um trecho de Finnegan's Wake - considerada a experiência mais radical do autor de Ulisses. Como todo mundo sabe, Finnegan's Wake é um livro bem difícil de traduzir para outras línguas, ainda que as traduções existam. A leitura de Joyce pode guiar o ritmo daqueles que pretender encarar o desafio de ler o original. O áudio está disponível em James Joyce MP3.

*imagem: reprodução do site Flavorwire.
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O ANO DE REINALDO MORAES


Sem dúvida nenhuma 2011 será o ano de Reinaldo Moraes. O escritor está fazendo um grande sucesso no boca-a-boca entre os leitores quase dois anos depois de publicar seu último livro, Pornopopéia. O romance narra as peripécias de Zeca, um ex-cineasta underground, que se envolve numa longa maratona de sexo, álcool e drogas em altas dosagens. Reinaldo já explicou em diversas entrevistas que o romance não tem nada de autobiográfico e muito menos de beatnik.

Penso aqui com meus botões que a participação do autor na FLIP 2010 foi bem decisiva para esse sucesso. Muito embora a gente saiba que os livros às vezes adquirem uma trajetória particular e sem nenhuma explicação aparente conseguem conquistar diversos leitores.

Seja como for, Pornopopéia que andava sumido das livrarias já está em sua quarta tiragem e deverá ganhar em março uma edição em formato de bolso bem mais barata e com distribuição nas bancas de todo país. Também em março a Companhia das Letras pretende relançar em um único volume outros dois romances de Reinaldo: Tanto faz e Abacaxi. O relançamento inaugura um novo selo da Companhia, o selo Má Companhia.

Pensa que acabou? Reinaldo ainda prepara um livro que se passa no México para a série Amores Expressos, coordenado pela Companhia das Letras, e um outro romance que deve sair até o final do ano pela editora Objetiva, A travessia de Suez.

Para os que ficaram interessados e querem saber mais, aqui tem o primeiro capítulo de Pornopopéia. Também recomendo a leitura de um perfil do autor e da obra escrito por Mario Sergio Conti para a revista Piauí - O malandro voltou fissurado. Tem também a entrevista dele para o programa Entrelinhas da TV Cultura:




E que venha mais Reinaldo Moraes!

*imagem: foto de Tomás Rangel reproduzida do Google.
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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

APOSTAS PARA 2011 - NACIONAIS E ESTRANGEIRAS


Mal começou o ano e todo mundo já quer saber quais lançamentos vão agitar o mercado editorial em 2011. Não sei como funciona esse negócio de anunciar com tanta antecedência as apostas para o ano que está começando, mas tradicionalmente nossas editoras não costumam comentar muito o assunto. Fuçando os jornais e alguns blogs foi possível descobrir bastante coisa - pode ser que a coisa esteja mudando.

Além dos títulos que estou listando abaixo, sei que muitos dos escritores da lista "20 escritores brasileiros com menos de 40" estão preparando novos romances. Não sei dizer se serão publicados em 2011.

Se alguém descobrir ou lembrar de algum outro lançamento e quiser contribuir, por favor, me mande um sinal de fumaça. Prometo ficar de olho e atualizar a lista a medida que receber as informações.

EDITORA RECORD
La carte et le territoire (O mapa e o território), de Michel Houellebecq
Parrot and Olivier in America, de Peter Carey
Nosso fiel traidor, de John Le Carré
Felicidade é fácil, de Edney Silvestre
Em silêncio, de Tatiana Salem Levy
Seria uma sombria noite secreta, de Raimundo Carrero
O cemitério de Praga, de Umberto Eco

EDITORA NOVA FRONTEIRA
The long song, de Andrea Levy
Bárnabo das montanhas, de Dino Buzzati
Tinkers, de Paul Harding

AGIR
O novo romance (ainda sem nome) de Rubem Fonseca

EDITORA ROCCO
Everything ravaged, everything burned, de Wells Tower
Minuto de silêncio, de Siegfrid Lenz

COSAC NAIFY
Guerra e paz, de Liev Tolstói
Dublinesca, de Enrique Vila-Matas**

COMPANHIA DAS LETRAS
Nemesis, de Philip Roth
Freedom, de Jonatham Franzen
Blanco nocturno, de Ricardo Piglia
Contra o dia, de Thomas Pynchon
O terceiro Reich, de Roberto Bolaño
A ninfa inconstante, de Cabrera Infante
O novo romance (ainda sem nome) de Sérgio Sant'Anna, pela coleção Amores Expressos
Os últimos soldados da Guerra Fria, de Fernando Morais
Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas, de José Saramago
Tanto faz, de Reinaldo Moraes (reedição)
Asterios Polyp, de David Mazzucchelli (graphic novel)**
The thousand autumns of Jacob de Zoet, de David Mitchell**
Autobiografia de Julian Assange (fundador da Wikileaks)**
Sunset Park, de Paul Auster**
O balanço da respiração, de Herta Müller**
Últimos dias, de Liev Tolstói**
Mecanismos internos, de J. M. Coetzee (um livro de ensaios)**
Guerra aérea e literatura, de W. G. Sebald**

ALFAGUARA
O sonho do Celta, de Mario Vargas Llosa
Sôbolos rios que vão, de António Lobo Antunes**

ESTAÇÃO LIBERDADE
O mestre do go, de Yasunari Kawabata**
O castelo de Yodo, de Yasushi Inoue**
Naná, de Emile Zola**

PETROBRAS CULTURAL
Guia de ruas sem saída, de Joca Reiners Terron - com desenhos de André Ducci

No mundo anglófono existem cronogramas em jornais, sites e blogs anunciando lançamentos previstos até o mês de dezembro. Listo abaixo alguns dos lançamentos mais esperados do ano nos Estados Unidos e Inglaterra - destaque para o livro inacabado de David Foster Wallace que já está sendo considerado por lá o lançamento do ano:

The empty family, de Colm Tóibín
While mortals sleep, de Kurt Vonnegut
You think that’s bad, de Jim Shepard
The tiger’s wife, de Tea Obreht
The pale king, de David Foster Wallace
The great night, de Chris Adrian
Between parentheses: essays, articles and speeches 1998-2003, de Roberto Bolaño
Say her name, de Francisco Goldman
Mondo and other stories, de J.M.G. Le Clezio
The tao of travel, de Paul Theroux
1Q84, de Haruki Murakami (terceiro volume)
The forgotten waltz, de Anne Enright
The new republic, de Lionel Shriver
Hot pink, de Adam Levin
The terrible privacy of Maxwell Sim, de Jonathan Coe

*imagem: capa do livro The pale king, de David Foster Wallace.
** Update - Atualização


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