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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA: O QUE TEVE EM 2015

Vocês notaram que eu estive muito ausente do Casmurros ao longo desse ano - já expliquei num texto anterior. Pois bem, a guisa de retrospectiva compilei as coisas mais importantes que aconteceram. Vai que você (assim como eu) também esteve fora e quer saber dos fatos que marcaram o ano.

> O RETORNO


Harper Lee publicou um novo romance quase 55 anos depois de praticamente abandonar a literatura. O livro inédito se chama Vá, coloque um vigia e chegou as nossas livrarias pela editora José Olympio com tradução Beatriz Horta. É uma continuação do clássico O sol é para todos e, ao contrário do que você pode imaginar, não decepciona. Valeu a espera.

Fernando Bonassi também é outro retorno notório. Ele andava sumido da prosa de ficção, parece que estava envolvido com outros trabalhos (ele também é roteirista e dramaturgo), mas reapareceu esse ano com o romance Luxúria.

> O APARECIMENTO


Precisamos saudar a chegada de O pai morto, de Donald Barthelme com tradução Daniel Pellizzari - o lançamento é da Rocco e foi pouco comentado. O escritor norte-americano falecido em 1989, aos 58 anos, ainda era inédito no Brasil. Ele foi aclamado pela crítica anglófona como um autor de estilo pós-moderno e tinha Machado de Assis, Gabriel García Márquez e François Rabelais como influências confessas. Tomara que a editora aposte nas traduções dos contos - o file mignon da obra de Barthelme.

> O FIM
Impossível não falar no fechamento da Cosac Naify. A notícia é triste porque era uma editora preocupada em publicar inéditos, novos, antigos, boas traduções e edições bem acabadas. Uma pena! Não sou especialista no assunto, mas tomara que não seja sinal de uma crise do setor de negócios do livro. A boa notícia é que o catálogo será absorvido por outras editoras.


Também chega ao fim a revista Arte & Letra: Estórias, publicada pela editora curitibana Arte & Letra. Ela cumpria uma função muito interessante de publicar autores brasileiros em começo de carreira, traduzir autores estrangeiros inéditos no país e colocar em circulação autores do passado que andavam meio esquecidos. As edições eram caprichadas. O último número - com a letra Z - saiu esse mês e tem Almeida Faria, Marta Brunet, Selva Almada, Rogério Pereira e outros. Vai fazer falta!

> O COMEÇO
Para compensar as perdas, temos os ganhos. A editora Carambaia abriu as portas em 2015 focada em publicar "obras esquecidas ou nunca traduzidas de autores em domínio público" - os clássicos da literatura sejam famosos ou obscuros. As tiragens são pequenas, as edições têm projeto gráfico primoroso e a venda é apenas pela internet. Notem que é uma editora muita específica para um público muito específico. Vida longa!

Já abriu as portas, em esquema reduzido, a Patuscada Livraria, Bar e Café - deve começar com força mesmo no ano que vem. A empreitada é do Eduardo Lacerda, editor Patuá. Como o próprio nome já diz vai ser uma livraria e um espaço para celebrar a literatura através de eventos, palestras, espaço de leitura e ponto de encontro para tomar uma bebida. Vida longa (2)!


Outra novidade é a revista digital Peixe-elétrico, empreitada do Tiago Ferro, do Ricardo Lísias e da Mika Matsuzake. A revista sai a cada dois meses e fica à venda nos sites da amazon, apple, google play, kobo, livraria cultura e saraiva. Já está no terceiro número com textos de fôlego. Vida longa (3)!

> EFEMÉRIDES
Sem nenhuma sombra de dúvida, a efeméride mais importante desse ano foi o centenário de nascimento do semiólogo francês Roland Barthes celebrado em 12 de novembro. Ele nunca escreveu um livro de ficção, mas via no texto literário uma espécie de zona livre do "fascismo" do significado - na semiologia tudo é concebido como um sistema de significação seja uma imagem, um gesto, um som, um objeto etc. Em seus últimos anos de vida começou a esboçar algumas ideias para um romance batizado de Vita nova. Infelizmente o projeto foi interrompido pela sua morte abrupta. Seja como for, ele produziu uma obra fundamental para iluminar a sociedade do século XX e XXI, sobretudo se considerarmos todo o conflito linguistico e discursivo que permeia a política, a cultura e a sociedade atual.

Outro fato importante foram os 70 anos de morte do escritor Mário de Andrade o que tecnicamente coloca toda a sua obra em domínio público. Vieram reedições de livros que estavam sumidos, a escolha para ser o autor homenageado da FLIP e até uma carta inédita endereçada a Manuel Bandeira em que ele falava a respeito da sua homossexualidade.


Vale lembrar os cem anos de publicação de A metamorfose, de Franz Kafka. Aquela famosa novela em que depois de uma noite de sonhos intranquilos um caixeiro viajante chamado Gregor Samsa encontra-se "em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso".

Também fez aniversário de 40 anos o romance Lavoura arcaica, de Raduan Nassar - publicado originalmente em 1975.

***

> PRÊMIOS
O ano também foi de prêmios literários - muita gente diz que não dá à mínima, mas sempre tenta descobrir quem ganhou o quê. Vamos a eles:

Bad sex in fiction
Se você acompanha o Casmurros já deve saber que o bad sex premia as cenas mais constrangedoras de sexo da literatura. O ganhador do ano foi List of the lost, de Morrissey - a incursão do cantor e compositor inglês na prosa de ficção (ainda inédito em português). O livro é sobre uma equipe de revezamento de corrida que nos anos de 1970, em Boston, acidentalmente mata um demônio que amaldiçoa todos. A maioria das resenhas foi negativa, portanto, o livro era um forte candidato ao prêmio. O trecho sexual apontado pelos jurados é o seguinte:

‘At this, Eliza and Ezra rolled together into the one giggling snowball of full-figured copulation, screaming and shouting as they playfully bit and pulled at each other in a dangerous and clamorous rollercoaster coil of sexually violent rotation with Eliza’s breasts barrel-rolled across Ezra’s howling mouth and the pained frenzy of his bulbous salutation extenuating his excitement as it whacked and smacked its way into every muscle of Eliza’s body except for the otherwise central zone.’

Nobel
A vencedora foi a bielorrussa Svetlana Alexievich. Ela é autora de livros de não-ficção (grandes reportagens com tratamento quase literário). A decisão da Academia Sueca teve motivações não só políticas considerando que a Rússia está no centro do debate político mundial, mas também estéticas já que a não-ficção tem ganhado papel de destaque ante a ficção.

Man Booker Prize
O prêmio inglês foi para A brief history of Seven Killings, de Marlon James. É a primeira vez em que um autor de jamaicano ganha esse prêmio. O livro conta a história de uma tentativa de assassinato de Bob Marley, em 1976, na Jamaica e as consequências desse evento na guerra de combate ao crack, em 1980, em Nova York e na política jamaicana dos anos 90

National Book Award
O prêmio de ficção foi para Fortune Smiles: stories, de Adam Johnson. Para quem não lembra, ele é o autor de Jun Do (The orphan master's son), livro que ganhou o Pulitzer, em 2013

Pulitzer
O ganhador foi Toda luz que não podemos ver, de Anthony Doerr que antes mesmo de ser premiado já estava nas nossas livrarias - saiu pela Intrinseca com tradução de Maria Carmelita Dias.

Prêmios literários franceses: Goncourt, Renaudot, Médicis e Zorba
As instituições francesas resolveram premiar autores pouco conhecidos foram do mundo francófono. Os vencedores dos prêmios Renaudot, Médicis e Zorba respectivamente foram: D'après une histoire vraie, de Delphine de Vigan; Titus n'aimait pas Bérénice, de Nathalie Azoulai e La terre sous les ongles, de Alexandre Civico. Exceção ao Goncourt que premiou La Boussole, de Mathias Énard - ele tem um livro publicado no Brasil pela L&PM

Prêmio José Saramago
O ganhador desse ano foi As primeiras coisas, de Bruno Vieira Amaral. É o romance de estreia desse jovem autor português - ele tem apenas 37 anos. A imprensa portuguesa fez críticas muito boas a respeito. Alguém para ficarmos de olho.

Oceanos (antigo Portugal Telecom)
Pelo que entendi, o prêmio foi remodelado e no total são quatro premiados - independente de serem livros de prosa ou poesia. Nesse ano, os três primeiros foram de prosa Mil rosas roubadas, de Silviano Santiago; Por escrito, de Elvira Vigna e A primeira história do mundo, de Alberto Mussa

Apca
Associação Paulista de Críticos de Artes escolheu o romance O senhor agora vai mudar o corpo, de Raimundo Carrero e o livro de contos Jeito de matar lagartas, de Antonio Carlos Viana

Fundação Biblioteca Nacional
Os premiados foram o romance Turismo para cegos, de Tércia Montenegro e o livro de contos Sem vista para o mar, de Carol Rodrigues

Jabuti
Parece que nesse ano correu tudo bem, não houve nenhum problema, nenhuma polêmica e os vencedores foram Quarenta dias, de Maria Valéria Rezende e o livro de conto Sem vista para o mar, de Carol Rodrigues que já tinha levado o prêmio Fundação Biblioteca Nacional

SP de Literatura
O vencedor na categoria melhor livro do ano foi Tempo de espalhar pedras, de Estevão Azevedo. Já na categoria autor estreante com mais de 40 anos o vencedor foi Nossa terra – vida e morte de uma santa suicida, de Micheliny Verunschk e na categoria autor estreante com menos de 40 anos o vencedor foi Enquanto deus não está olhando, de Débora Ferraz.



Sesc de Literatura
Os vencedores desse ano foram Antes que seque, de Marta Barcellos e Desterro, de Sheyla Smanioto

***

A caixa de comentários permanece aberta para quem quiser relembrar outros acontecimentos desse ano. Prometo que volto a qualquer momento, antes de 2016 chegar.

*Imagem das capinhas: divulgação / montagem: Rafael R. 
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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

NOTAS #44


Fanfiction japonesa
Haruki Murakami não ganhou o prêmio Nobel de Literatura (nos últimos três anos ele aparece em primeiro na lista dos palpiteiros de plantão), mas figura essa semana nas páginas da revista - übber cool - New Yorker com um conto chamado "Samsa in love". O escritor japonês, capaz de levar milhares de leitores a dormirem em longas filas nas portas das livrarias por causa de 1Q84, promete derreter os corações endurecidos pela tristeza ou rabugice. O conto retoma a personagem da novela A metamorfose, de Franz Kafka e promove uma espécie de sequência: certa manhã, ao despertar de sonhos intranquilos, uma criatura encontrou-se em sua cama metamorfoseado em Gregor Samsa. Como o título sugere, Samsa vai reaprender a usar seu corpo humano e cair de amores por uma misteriosa mulher que aparece em sua casa.

"Samsa in love" foi retirado de uma coletânea de contos chamada Ten Selected Love Stories (capa acima), publicada mês passado no Japão pela editora Chuokoron-Shinsha. Curiosamente, Alice Munro também está nesta coletânea que teve seleção e tradução para o japonês feita pelo próprio Murakami.

Moraes, mais uma vez
Falando em páginas de revista, a Piauí publicou na edição desse mês mais um trecho de A travessia de Suez, próximo romance escrito por Reinaldo Moraes. Outro trecho apareceu na edição de julho de 2010. A história do sujeito que morre e descobre que era uma encarnação de Deus deve sair pela Alfaguara no ano que vem.


Revolta literária
O romance L’esprit de l’ivresse, do autor estreante Loïc Merle está causando um pequeno burburinho na recente temporada de lançamentos na França. O livro conta a história de um homem mais velho que ao voltar para casa depois de um dia cansativo de trabalho é preso pela polícia, morre e vira símbolo de uma revolta que terá proporções gigantescas em todo o país - o pano de fundo está concentrado naquela revolta de jovens dos subúrbios franceses que aconteceu em 2005. Para além do enredo vibrando narrado em três diferentes perspectivas, a crítica aponta como qualidades do romance: as frases longas, as belas descrições e o manejo do autor para construir personagens que escapam a mera caricatura sociológica.

Pode entrar facilmente na lista de livros que ecoam a revolta das ruas.

Do barulho
Parece que no futuro o silêncio vai andar a quilômetros de distância dos livros - olha que não estou falando das megalópoles ensurdecedoras ou dos aparelhos de MP3 (reparou como todo mundo prefere ler com um fone acoplado ao ouvido). A empresa Booktrack acaba de lançar um aplicativo para o Google Chrome chamado Booktrack Studio. Nele, você pode adicionar música, som ambiente e até efeitos sonoros mais simples as suas histórias preferidas. Detalhe: os sons ocorrem de acordo com o ritmo de leitura de cada um, pois o som está sincronizado a cada linha ou trecho específico. Promete atender aos anseios dos leitores digitais, sobretudo porque permite... compartilhar.

É interessante! Vale experimentar.

*Imagem: reprodução.

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domingo, 23 de junho de 2013

A FICÇÃO ESTÁ NAS RUAS


Pode ser que meus comentários tenham chegado por aqui um pouco tarde. As ruas foram bastante movimentadas ao longo dessa semana e o assunto foi pauta obrigatória de todos os jornais, revistas, canais de TV, redes sociais e mesas de bar. Não havia uma única pessoa que não tivesse uma opinião a respeito. Que bom! Sendo assim, pode ser que tudo o que eu diga nesse momento já tenha sido dito e redito - em breve descubro. Meu "atraso" aconteceu porque também estive ocupado indo para a rua engrossar o coro dos descontentes e observar tudo o que está acontecendo. 

Tanto a interceptação de informações de usuários da internet feita pelo governo norte-americano (furo do jornal inglês The Guardian) quanto os protestos que tomam as ruas do Brasil inteiro fazem pensar, guardando as devidas proporções, no modo como a realidade está cada vez mais próxima da ficção. 

Se a minha apuração estiver correta, o primeiro romance que pregou um futuro distópico foi Admirável mundo novo, de Aldous Huxley, de 1932. Em resumo, o livro descreve uma sociedade controlada pela ciência e dividida em castas rígidas para garantir a harmonia entre todos os seus habitantes. Qualquer elemento que possa desestabilizar essa estrutura é mantido ao longe, tome como exemplo a droga "soma" que os cidadãos consomem quando sentem tristeza, insegurança etc. A frase mote é "dois gramas de soma curam tudo". Quando o livro foi publicado a história parecia muito implausível. Mais de oitenta anos depois, temos remédios que curam até tristeza, a manipulação genética é uma realidade e o controle social parece uma obsessão constante. 

Alguns anos depois, foi a vez de 1984, de George Orwell - o romance mais lembrando por qualquer pessoa quando o assunto é distopia. Tamanha popularidade foi comprovada com a notícia de que as vendas desse livro cresceram 7,000% no período de 24 horas após o furo de reportagem do Guardian. Todo mundo deve conhecer um pouco do enredo: Winston Smith, um homem insignificante e solitário, luta em vão contra as forças opressoras do regime político totalitário instituído pelo Partido que desenvolveu uma série de aparatos de controle: o Grande Irmão, um mecanismo de vigilância que registra a vida pública e privada de todos os cidadãos; o Ministério da Verdade que trabalha falsificando documentos oficiais para beneficiar o regime; o Ministério do Amor que pratica a tortura; a Novafala instituída para renomear as coisas etc. Muitos críticos enxergaram o livro como uma alegoria dos regimes totalitários da Europa e do regime comunista da antiga União Soviética. Algumas pessoas chegaram a considerar que o futuro descrito por Orwell não parecia tão distante da realidade - vide os ensaios que compõe a edição desse livro publicada recentemente pela Companhia das Letras. O tempo passou, o livro permaneceu e quando todo mundo achava que o enredo não passava de ficção surge esse furo do Guardian e a frase dita por O'Brien, um membro do Partido, a Winston ecoa pelas ruas: "só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade: só o poder pelo poder, poder puro".

Vale dizer que muitos momentos descritos na novela A revolução dos bichos também demonstram em alguma medida o controle social, a busca pelo poder e a manipulação de informações para promover uma classe dominante. Aparentemente, essa alegoria dos regimes totalitários ficou para trás e esteve colada a realidade por num determinado contexto histórico.

Voltando a 1984 e saindo um pouco do ramo da política afim de ilustrar elementos da ficção que estão virando realidade, basta considerar a captação de dados que o Google e as redes sociais praticam conosco. Por mais paranoico que possa parecer, essas ferramentas estão nos observando e nos oferecendo serviços baseado nos cliques que distribuímos pelo ciberespaço. De modo que não vai demorar muito para que todas as pessoas virem um perfil de uma página na internet. Será que existe algum livro de ficção sobre isso?

Não posso deixar de citar outros dois clássicos da distopia futurista: Fahrenheit 451, de Ray Bradbury (publicado em 1953) e Laranja mecânica, de Anthony Burgess (publicado em 1962).  Com menos força, ambos descrevem algumas situações que tem reflexo na nossa sociedade contemporânea - controle do Estado, manipulação das informações etc.

Para finalizar, a revista norte-americana The Atlantic fez um pequeno artigo dizendo que na verdade Franz Kafka, e não George Orwell, pode nos ajudar a entender melhor os últimos acontecimentos do mundo. Segundo o artigo, o livro The digital person, de Daniel J. Solove aponta que O processo, de Kafka como uma metáfora:

"[o livro] retrata uma burocracia com fins inescrutáveis ​​que usa informações das pessoas para tomar decisões importantes sobre elas e nega ao povo a capacidade de participar na maneira como as suas informação é utilizada. Os problemas capturadas pela metáfora de Kafka são de um tipo diferente dos problemas causados ​​pela vigilância. Eles muitas vezes não resultam na inibição ou na paralisia. Em vez disso, eles são problemas de processamento de informação - o armazenamento, uso ou análise de dados - ao invés de coleta de informações. Eles afetam as relações de poder entre as pessoas e as instituições do Estado moderno. Eles não só frustram o indivíduo, criando uma sensação de desamparo e impotência, como também afetam a estrutura social, alterando o tipo de relações que as pessoas têm com as instituições que tomam decisões importantes sobre suas vidas." (tradução minha).

Quero acreditar que felizmente, o mundo real é bem mais complexo do que o sistema desenhado por todos esses escritores. Muitas forças atuam na realidade. Torcemos para que a democracia garanta a mudança requerida pela vontade da sociedade civil e o mundo da ficção distópica restrito aos livros.

PS.: Não preciso explicar de que maneira esses livros servem para ilustrar a insatisfação brasileira nas ruas. Acho que está claro: burocracia, peso do Estado, manipulação das informações, aparelhos ideológicos e segue em frente.

Imagem: Reprodução de um cartaz que encontrei no Google.

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quinta-feira, 21 de julho de 2011

ENCAPANDO KAFKA

A notícia não é tão nova (aliás, deve ser bem velha para os tempos de hoje), mas tem aparecido tanta notícia sobre Franz Kafka que não pude ignorar essa coleção de capas criadas pelo designer Peter Mendelsund. Os oito livros foram lançados pela editora americana Schocken - se não estou enganado é um selo da Knopf Doubleday Publishing Group.

Como Peter mesmo afirma no post original de seu blog, Kafka sempre foi um autor que primeiro lhe vinha a cabeça quando perguntavam "para qual escritor você gostaria muito de criar capas?". Por ser um de seus autores preferidos não foi difícil pensar um novo projeto gráfico. Ele gosta tanto que elencou uma série de qualidades bastante kafkianas:
"A economia, o humor negro, a impenetrabilidade provocativa; o brilho do pensamento-experiência; o sabor hierático e esotérico das construções; a desorientadora cadência da prosa; a impecável, a lógica mágica interna que impulsiona as marionetes mecânicas de sua trabalho; o judaísmo muito discutido (como se isso fosse fácil de analisar); as "abstrações concretas" (nas palavras de Zadie Smith )..."

A ideia dele foi colocar olhos nas capas porque eles lembram aquela sensação de paranóia, de estar sendo observado. O que convenhamos, casa muito bem com as histórias do autor. Outra coisa foi abusar cores para fugir do preto, bege ou vermelho que costumam aparecer nos livros de Kafka. A diversidade de cores reforça o humor, a ironia e o seu sentimentalismo.

Abaixo montei uma galeria com as capas:



Peter Mendelsund é um designer muito conhecido pelos trabalhos que cria para as capas de livros nos Estados Unidos. Além de Kafka, ele assinou a capa dos livros de Stieg Larsson, Peter Carey, Adam Ross, Liev Tolstói, Fiódor Dostoiévski e muitos outros. Uma parte do portfólio dele está aqui.

*imagens: reprodução das capas assinada por Peter Mendelsund.
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segunda-feira, 18 de julho de 2011

LITERATURA E DESENHO

Li outro dia no caderno Babelia (do jornal El País) uma notícia a respeito da paixão de Franz Kafka por desenhos. Parece que tudo começou quando Kafka ainda era um estudante universitário. Ele tinha o habito de fazer desenhos nas margens dos cadernos e manuscritos. É um pouco difícil, para não dizer impossível, não observar certas similaridades entre os desenhos e a obra literária dele: o traço duro, certa "estranheza" das formas, desespero, angústia etc. (estou tomando algumas liberdades de interpretação). Essa face não tão conhecida do escritor mais importante do século passado ganhou as páginas de um livro que está saindo na Espanha pela editora Sexto Piso - Dibujos.

Kafka não está sozinho. A reportagem do Babelia relembra que escritores como Goethe, Victor Hugo, William Blake, Lewis Carroll, García Lorca, Dino Buzzati e Bruno Schulz também faziam desenhos.

Na semana passada, descobri que mais uma escritora vai se juntar a essa galeria. A editora americana Fantagraphics Books vai publicar em dezembro alguns cartuns criados pela escritora Flannery O'Connor. A maioria foi feita na época em que ela estava no colegial e os assuntos giram em torno desse universo.

Mais desenhos dela estão aqui.

*imagens: reprodução.
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sábado, 16 de julho de 2011

NOTAS #27

Fantasmas literários

Antônio Xerxenesky lança na próxima semana o livro de contos A página assombrada por fantasmas em Porto Alegre (dia 21 de julho na Palavraria Livraria) e no Rio de Janeiro (dia 26 de julho na Livraria Prefácio - com direito a bate-papo mediado por Leonardo Villa-Forte). Ainda não há data para lançamento em São Paulo. Fiquei mais curioso para ler esse livro depois desse comentário do Emilio Fraia: "A paranóia deflagrada pela leitura é uma das maneiras de ler os contos deste livro. Mas existem outras. Trata-se também de textos que homenageiam e ironizam os gêneros. E de um mundo cujas promessas de aventura se cumprem exclusivamente nos livros ou a partir deles".

Paul Murray



O book club do jornal Telegraph está fazendo um tour pelas livrarias do Reino Unido. Em sua mais recente viagem, o book club esteve na The Linlithgow Bookshop em Edimburgo, na Escócia. O escritor Paulo Murray participou do evento lendo um trecho do romance Skippy Dies - ainda sem tradução para o português.

Produtos do pinguim
A Penguin dos Estados Unidos resolveu co
memorar seu aniversário de um jeito bem diferente. A editora criou uma edição limitada de shapes de skate usando a imagem de capa de alguns de seus livros clássicos - entre eles: Dharma Bums, de Jack Kerouac e As aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain. Para concorrer ao mimo os leitores precisam enviar fotos de seus skates com o seu clássico da Penguin preferido. Os ganahadores serão escolhidos por votação popular. Mais informações estão disponíveis em http://tinyurl.com/6acgxr2

***

Pegando carona na promoção da Penguin, a editora Michelle Witte resolveu criar uma série imaginária de band-aids com a mesma ideia. A brincadeira tem um tom irônico, mas não deixa de ser comercialmente atraente. Quem não se lembra das pessoas colando band-aids no tênis na década de 90? http://tinyurl.com/6h4bbae

Diversão


Um vídeo curtinho com o escritor Jack Kerouac jogando sinuca.

Gainsbourgianas
Não me canso de falar aqui da saudosa coluna Trilha Sonora que era publicada pelo Caderno 2, aos sábados. João Paulo Cuenca e Daniel Galera foram dois escritores que passaram pela coluna contando um pouco dos seus gostos musicais. Para matar a saudade, encontrei um podcast da revista BRAVO! com o editor Paulo Roberto Pires. Aproveitando o lançamento do filme Gainsbourg - O homem que amava as mulheres, ele escolheu cinco canções clássicas do mítico cantor e compositor francês: Je T'aime Moi Non Plus, Black Trombone, La Javanaise, L'Anamour, Je Suis Venu Te Dire Que Je M'En Vais. O podcast está disponível em http://tinyurl.com/5w9ymx4

Kafka no cinema
No final do mês começam as filmagens de um curta metragem inspirado na novela A metamorfose, de Franz Kafka. Os diretores David Yohe e Jason Goldberg fizeram um vídeo contando um pouco mais sobre o projeto. Dá pra ver que vai ser um pequeno filme de terror moderno. O vídeo está disponível em http://vimeo.com/24549645

Festas
As melhores festas são aquelas paras as quais a gente não foi convidado, eis uma verdade. Pensando nisso, o site Flavorwire organizou um lista com as dez melhores festas da literatura que a gente não pode comparecer. Pelo menos não de verdade, apenas imaginariamente. Na lista tem a festa de aniversário de Mrs. Dalloway (de Virginia Woolf), todos aquelas festa que acontecem em O grande Gatsby (de F. Scott Fitzgerald), o chá alucinatório em Alice no país das maravilhas (de Lewis Carroll), o misterioso baile em Madame Bovary (de Gustave Flaubert) e mais festas em Abaixo de zero, de Bret Easton Ellis, O teste de ácido do refresco elétrico, de Tom Wolfe etc. A lista completa está disponível em http://tinyurl.com/6hubxub

*imagem: reprodução.
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

NOTAS #18


Quem não rabisca?
Caro leitor, não pense que você é a única criatura no mundo que faz algumas anotações e rabiscos nos seus livros. Muito pelo contrário, essa prática tão antiga é adotada por grandes escritores da literatura universal. O site Flavorwire, sempre eles, conseguiram descobrir rabiscos feitos por David Foster Wallace, Vladimir Nabokov, Samuel Beckett, Mark Twain, Kurt Vonnegut, Jorge Luís Borges, etc. Os rabiscos acima pertecem a Franz Kafka e tem uma cara de que ele estava pensando em O processo. Os demais rabiscos estão disponíveis em http://tinyurl.com/4rbk8td

Moraes na moral
Não tem jeito mesmo, esse ano só vai dar Reinaldo Moraes - até falei disso por aqui. O sucesso é tanto que os festivais literários terão de ser obrigados a chamar Moraes para apresentações. Pornopopéia está fazendo tanto sucesso que possivelmente será adaptado para o cinema. Segundo informações dos jornais, o produtor Rodrigo Teixeira comprou os direitos do livro e Arthur Fontes, da Conspiração Filmes, será o provável diretor.

***

A coluna Babel, do Estadão, também divulgou uma notícia de que a editora Quetzal também comprou os direitos de Pornopopéia para uma futura edição em Portugal. Lembro que João Ubaldo Ribeiro causou um pequeno reboliço no lançamento de A casa dos budas ditosos por conta do teor do livro. Será que algo parecido pode acontecer com Moraes?

Preferidos
No blog da coluna Painel das Letras, da Folha de SP, o escritor Cristovão Tezza confessou dez livros que marcaram sua vida. Entre os eleitos estão Angústia, de Graciliano Ramos; O estrangeiro, de Albert Camus; Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez; Luz em agosto, de William Faulkner e Desonra, de J. M. Coetzee. A lista completa está disponível em http://tinyurl.com/48oyswn

Brigas literárias
Você sabia das divergências entre Albert Camus e Jean-Paul Sartre? E que Wallace Stevens
falava mal de Ernest Hemingway? E da briga entre Mario Vargas Llosa e Gabriel García Márquez? Pois o The Huffington Post pediu a ajuda de seus leitores para comentar os combates literários favoritos de cada um. Pois é, escritores também podem ter um dia de fúria. Outra desavenças estão disponíveis em http://tinyurl.com/6hpr8e7

Beatnikmaniacos
No melhor estilo de "tudo o que você queria saber sobre...", o site Flavorwire revelou 97 curiosidades sobre o escritor William S. Burroughs. Por exemplo, Burroughs manuseou uma arma de fogo pela primeira vez quando tinha apenas 8 anos. Já que era um garoto precoce ele descobriu o estilo de vida da contracultura aos 13 anos, depois de ler You can’t win, a autobiografia de Jack Black. Foi nessa idade também que ele começou o seu longo caminho pelas portas da percepção. A lista inteira está disponível em http://tinyurl.com/6zxt7jp

Moby Dick 24 horas
Leitores entusiasmados, amantes da boa literatura e fãs do livro Moby Dick, de Herman Melville, se reuniram na semana passada em Portland, nos Estados Unidos, para uma maratona de leitura de 24 horas ininterruptas do livro. O encontro começou na sala de leitura do Powell's Books. Para o desafio foram recrutados 135 candidatos, sendo um para cada capítulo do livro. A leitura foi gravada e o áudio será vendido para arrecadar dinheiro para o IPRC - Independent Publishing Resource Center. No ano passado uma iniciativa bem semelhante aconteceu, também nos Estados Unidos, para comemorar o centenário de morte de Liev Tolstói. Será que a gente conseguia fazer algo semelhante no Brasil?

Alguém lendo
Um momento raro, mas salvo graças a internet. Trata-se do escritor James Joyce lendo um trecho de Finnegan's Wake - considerada a experiência mais radical do autor de Ulisses. Como todo mundo sabe, Finnegan's Wake é um livro bem difícil de traduzir para outras línguas, ainda que as traduções existam. A leitura de Joyce pode guiar o ritmo daqueles que pretender encarar o desafio de ler o original. O áudio está disponível em James Joyce MP3.

*imagem: reprodução do site Flavorwire.
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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

OUTRAS REVISTAS DE LITERATURA

Nada melhor do que uma revista literária para atualizar a gente sobre tudo o que anda rolando e passa um pouco despercebido pela grande imprensa. Temos pelo menos três lançamentos para ficar de olho:

A revista paranaense está na edição #21 e tem 52 páginas recheadas de literatura. Entre os destaques estão poemas inéditos de Wilson Bueno, conto inédito de João Gilberto Noll, entrevista com a crítica norte-americana Marjorie Perloff, poemas do espanhol Leopoldo María Panero, aforismos de Franz Kafka, traduzidos por Silveira de Souza e um ensaio de Jair Ferreira dos Santos. A Coyote é publicada pela Kan Editora e tem edição dos poetas Ademir Assunção, Marcos Losnak e Rodrigo Garcia Lopes. A distribuição pelo Brasil ficou a cargo da editora Iluminuras.

Feita em terras cariocas, a revista lançou na semana passada seu primeiro número com o tema "Espelhos". Tem textos de escritores não muito conhecidos e traduções de Sylvia Plath, feitas por Marina Della Valle. O projeto gráfico é bem caprichado e a tiragem é de 500 exemplares numerados - para colecionar.

A revista foi criada pela área de Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-Americana da USP. Traz contos, ensaios, traduções e resenhas num jeitão bem acadêmico. Os destaques do número são: o conto Margens secas da cidade, de Milton Hatoum; um ensaio sobre as traduções de Haroldo de Campos para escritores hispano-americanos; um ensaio em espanhol de Carlos Espinosa Domínguez sobre Machado de Assis; e a resenha para o livro Cadernos de infância, de Norah Lange.

***

Em tempo também está saindo mais uma edição do Rascunho. Tem Adriana Lisboa, Beatriz Bracher, trecho do romance inédito de Andreï Makine (traduzido por Celso Mauro Paciornik), resenha para Verão, de J. M. Coetzee, texto de José Castello sobre Júlio Cortázar e muitas coisas mais.


*imagens: reprodução.

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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

6 ROMANCES DE TRANSFORMAÇÃO

Histórias de metamorfose existem desde os tempos mais antigos e estão presentes, de alguma maneira, nos livros sobre vampiros, zumbis, lobisomens e mutantes que fazem tanto sucesso. Indo mais além descobrimos que todo mundo algum dia já sonhou com a possibilidade de transformar-se em outros e ter poderes sobrenaturais. Porém, a metamorfose pode tornar uma pessoa melhor do que ela é; ou pode transformá-la em algo ainda pior, num caminho de degradação sem retorno. Seis romances sobre metamorfose...

Contos de fadas
de Perrault, Grimm, Andersen e outros
Zahar

Os contos de fadas são a matriz de muitas histórias de transformação e fazem parte do nosso imaginário coletivo. Nesse universo rainhas viram bruxas, feras viram príncipes e moças pobres viram princesas. Quando tudo parece perdido a transformação é capaz de salvar a todos e conduzir todas as coisas para um final feliz. O charme dessa edição são os texto integrais, as belas ilustrações das histórias, a biografia dos autores e o texto de apresentação escrito por Ana Maria Machado.

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O médico e o monstro
Robert Louis Stevenson
L&PM

Outro romance clássico que tem a metamorfose como tema principal. Escrito em 1886, o livro conta uma história de mistério e terror mostrando o lado bom e o lado mau de um mesmo homem. O doutor Henry Jekyll adquire uma estranha personalidade depois de servir como cobaia num de seus experimentos. Assim um violento rapaz conhecido como Mr. Hide aparece na cidade de Londres. O segredo do doutor Jekyll fica ameaçado quando assassinatos começam a acontecer.

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A metamorfose
Franz Kafka
Companhia das Letras

“Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso”. Assim começa uma das novelas de transformação mais famosas da literatura mundial. Kafka promove nos leitores um estranhamento constante: somos capazes de reconhecer todos os elementos que fazem parte do universo de Gregor Samsa, mas as situações parecem sempre absurdas e fora de lugar. A metamorfose do caixeiro-viajante não o salva, mas serve para demonstrar o lado cruel da condição humana.

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O visconde partido ao meio
Italo Calvino
Companhia das Letras

As transformações parecem habitar muitos livros escritos por Italo Calvino. Nessa novela o recurso serve como alegoria para demonstrar os tormentos do homem moderno dividido entre o bem e o mal. O visconde Medardo di Terralba é dividido em duas metades depois de ser atingido por uma bala de canhão. Cada uma das metades conseguem viver independente sendo que uma pratica o bem e a outra o mal. O incidente causa enorme confusão no vilarejo onde mora o visconde.

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O curioso caso de Benjamin Button e outras histórias da Era do Jazz
F. Scott Fitzgerald
José Olympio

A história do menino que nasce velho e morre bebê ganhou notoriedade depois de ser adaptada para o cinema. O conto de Fitzgerald faz uma brincadeira com o tempo que corre ao contrário para Benjamin Button. É no amor que está o maior drama: a garota se apaixona pelo velho rapaz e somente por um instante os dois terão a mesma idade e poderão olhar um ao outro como iguais.

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O reino deste mundo
Alejo Carpentier
Martins Editora

A história da independência haitiana serve como pano de fundo para esse romance escrito pelo cubano Alejo Carpentier. O guerreiro Mackandal é a personagem lendária que usa a metamorfose para tentar conduzir seu povo a independência. A dominação dos senhores brancos sofre todo tipo de ataque graças ao poder de Mackandal de transformar-se em insetos, aves, peixes e outros animais. Alguns atribuem a esse livro o nascimento do realismo mágico.

*imagens: divulgação.

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terça-feira, 20 de julho de 2010

CAIXAS COM MANUSCRITOS INÉDITOS DE FRANZ KAFKA

Disputas judiciais envolvendo familiares ou herdeiros de escritores renomados trazem verdadeiros prejuízos para leitores e editoras do mundo todo. E o que poderia ser um benefício para gerações de futuros leitores pode virar dor de cabeça para as editoras.

Essa semana o Guardian, um jornal inglês, publicou um artigo dizendo que quatro caixas que pertenceram a Max Brod podem conter manuscritos inéditos de Franz Kafka. Como se sabe, Kafka deixou toda a sua obra sob responsabilidade de Max Brod assim que morreu. A pedido do escritor, Brod deveria ter destruído todo o material. Felizmente o amigo ignorou o pedido e publicou alguns livros de Kafka que ficaram inacabados - verdadeiras obras-primas da literatura do século XX. Perseguido por nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, Max Brod fugiu para Israel levando consigo todos os manuscritos de Kafka. Lá, Brod teve um relacionamento com Esther Hoffe para quem deixou em testamento os diretos sobre a obra de Kafka. A atual disputa, segundo o jornal, envolve justamente as filhas de Esther Hoffe e o estado de Israel.

Aqui no Brasil a situação não é muito diferente. A revista Época publicou essa semana uma matéria chamada "Profissão: herdeiro" explicando as questões em que estão envolvidas a obras de Oswald de Andrade, Nelson Rodrigues, Graciliano Ramos, entre outros.

A Folha de SP também publicou uma matéria na Ilustrada sobre o mesmo assunto. Porém, o foco era apenas na obra de Cecília Meireles. A matéria está disponível apenas para assinantes.

* imagem: reprodução do Guardian.


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quarta-feira, 23 de junho de 2010

A LITERATURA NA SALA DE AULA COM AJUDA DA INTERNET



Eu já falei sobre dos problemas que enxergo nessa moda de usar vídeos na internet para divulgar livros. Mas como dizer alguma coisa quando esses vídeos servem para os professores estimularem seus alunos a lerem mais? É exatamente isso que o pessoal do LivroClip está fazendo: usando "a internet para levar os livros à sala de aula, na forma de animações, dicas de uso e fórum de debates". No site é possível encontrar uma animação sobre um determinado livro e ainda ler um pouco da biografia do autor e trechos do livro selecionado. As animações resumem bem o enredo das obras sem revelar muita coisa. E de fato causa em quem assiste uma imensa vontade de ler. Veja por exemplo o vídeo sobre A metamorfose, de Franz Kafka. A linguagem é bem simples, mas a comunicação é imediata. E quem sabe assim não acabam com aquele ideia que os alunos tem de que a literatura é chata?

Acima o vídeo de Dom Casmurro, de Machado de Assis - retirado do site LivroClip.
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