Mostrando postagens com marcador valter hugo mãe. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador valter hugo mãe. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O NOVO VALTER HUGO MÃE

Notícia da coluna de Mônica Bergamo no caderno Ilustrada, da Folha de SP:

A CABECEIRA
Ney Matogrosso recebeu os originais do próximo livro do escritor Valter Hugo Mãe. A pedido do autor, leu "Desumanização", que será lançado pela Cosac Naify, e escreveu: "A leitura provoca um turbilhão, uma vertigem de imagens pelas quais o leitor fica possuído. Inquietante, tenso e ao mesmo tempo ingênuo e puro". A frase será impressa na cinta que embala o livro.

Share/Save/Bookmark

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

JULGANDO LIVROS PELA CAPA (2): PORTUGAL X BRASIL

No ano passado peguei uma bela ideia emprestada e fiz uma brincadeira comparando as capas dos mesmos livros em edições brasileiras e portuguesas. Para não perder a tradição e pensando em quanto isso seria divertido, faço uma nova rodada da brincadeira. Tamanha diferença entre as capas portuguesas e brasileiras não deve causar muito espanto, afinal cada país tem uma cultura visual muito particular e algo atrai os portugueses pode não atrair os brasileiros, evidentemente. O exercício de olhar as capas lado a lado servem para especularmos sobre o trabalho do capista na hora de resolver o problema de como dar um rosto a um livro e vendê-lo para o leitor.

Digo de antemão que não sou especialista no assunto, portanto estou comentando sem muito compromisso. A caixa de comentários está aberta para quem quiser participar - por favor, fiquem a vontade. As capas das edições brasileiras estão do lado direito.
A grande arte, de Rubem Fonseca
Na reedição desse grande clássico contemporâneo os dois capistas pensaram na mesma coisa: uma faca. Não é à toa, já que esse elemento traduz bem o enredo do livro. Os portugueses optaram por uma singela ilustração que transpassa a capa e vai a contracapa, ao passo que a edição brasileira escolheu um raio-x dilacerante - para dizer o mínimo. Ponto para as duas.

a máquina de fazer espanhóis, de valter hugo mãe
A capa da Alfaguara portuguesa é bonita, mantém a identidade da marca e tem humor. No entanto, é difícil não se render aos encantos abstratos (querendo ser figurativos) de Lourenço Mutarelli e ao projeto gráfico caprichado da Cosac Naify. Como explica Paulo Chagas no blog da editora "o procedimento remetia aos papéis marmorizados das partes internas de antigas encadernações. Era como se a capa tivesse sido virada do avesso".

A noiva do tigre (A mulher do tigre, em Portugal), de Téa Obreht
Enquanto os portugueses "preferiram" a mesma capa dos norte-americanos, nós criamos um desenho de cores marcantes. Só que a edição portuguesa tem uma certa vantagem de não entregar tudo logo de cara. O tigre pela metade guarda o mistério entre ameaça e ajuda. O tigre da capa brasileira parece mansinho.

Os imperfeccionistas, de Tom Rachman
Um caso curioso de repetição. Tanto a edição portuguesa quanto a edição brasileira optaram pela mesma capa da edição americana. Se não estou enganado a mesma coisa aconteceu na Inglaterra, no Canadá, na Espanha e na Alemanha. Pobreza de ideias? Não sei dizer. Mas qual é o problema de reproduzir uma capa bem limpa e elegante como essa. Nem preciso dizer que o jornal ali diz tudo.

Liberdade, de Jonathan Franzen
Os portugueses seguiram colados a escolha da capa britânica e colocaram um imenso "L" gráfico com o detalhe pequeno da pena. No entanto, nos saímos melhor traduzindo a ideia de "liberdade" ao contrapor uma cerca (em estilo tipicamente americano, mas ao mesmo tempo universal) com um céu cheio de nuvens. Inclusive, acho nossa capa infinitamente superior a da edição norte-americana. Alguma coisa me incomoda naquele pássaro azul e naquelas letras meio de lado.

Livro, de José Luis Peixoto
O carinho de bebê na capa da edição portuguesa revela o ponto de partida do romance, nada que comprometa as surpresas que você vai encontrar no romance. Só que a capa brasileira com letras formando os desenhos dos azulejos portugueses é bem mais interessante - tem até textura por conta do relevo da impressão. Além disso, traduz bem a forma da segunda parte do livro. É bem metonímico o negócio. Nossa diferença cultural me leva a pensar será que em Portugal essa capa faria sentido?

*Tem uma curiosidade a respeito da edição portuguesa: a mesma imagem de capa foi usada no livro Tu ne jugeras point, de Armel Job (um escritor belga). Foi pura coincidência como está explicado aqui.
Os malaquias, de Andréa del Fuego
As duas capas são bonitas. Trabalham com a ideia de família. De qualquer forma, prefiro a capa brasileira: é mais clara e as sombras na parede mantém o segredo sobre a fisionomia das personagens.

Outra vida, de Rodrigo Lacerda
A nossa capa guarda algo de estático, nostálgico, triste. Sensação que as personagens do livro devem experimentar na pele, pois é sobre uma viagem de volta que trata o enredo. A capa portuguesa tem movimento, trânsito e mudança que ganham ares de tristeza graças aos guarda-chuvas abertos. Por mais colorido que sejam não deixa de ser triste.

Pornopopéia, de Reinaldo Moraes
A capa brasileira não revela nada. Parece que é uma foto de Reinaldo Moraes lendo alguma coisa. Serve para destacar o nome do livro em grandes letras vermelhas em cadência divertida. Em contrapartida a capa portuguesa leva a melhor com a brincadeira visual das formas femininas. Pode parecer clichê usar a "natureza" para retratar coisas mais picantes, mas considerando o enredo a imagem tem tudo a ver. Ponto para eles!

Se eu fechar os olhos agora, de Edney Silvestre
A nossa edição é mais bonita. A "limpeza" de informações valoriza a foto no alto. ficou elegante. Já a capa portuguesa vai bem quando recupera elementos do enredo e vai mal quando coloca o título grande em vermelho. Parece que pesou um pouco, embora lembre o jogo de fechar os olhos alertando para abri-los. Será isso?

*Imagens: divulgação e reprodução.

Share/Save/Bookmark

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O FILHO DE VALTER HUGO MÃE

"Um homem chegou aos quarenta anos e assumiu a tristeza de não ter um filho. Chamava-se Crisóstomo. Estava sozinho, os seus amores haviam falhado e sentia que tudo lhe faltava pela metade, como se tivesse apenas metade dos olhos, metade do peito e metade das pernas, metade da casa e dos talheres, metade dos dias, metade das palavras para se explicar às pessoas".
Assim começa O filho de mil homens, o novo romance de Valter Hugo Mãe - agora com maiúsculas e minúsculas! O livro conta a história de Crisóstomo que ao completar quarenta anos lida com a tristeza de não ter tido um filho. Em busca de felicidade, ele acaba construindo uma família inventada.

O livro tem previsão de lançamento em Portugal no próximo dia 25 de setembro pelo selo Alfaguara. No mesmo dia Valter Hugo Mãe vai completar quarenta anos e como ele disse na FLIP, sente-se frustrado por não ter tido um filho. Qualquer semelhança entre escritor e personagem são mera coincidência. Num texto para o Jornal de Letras (um jornal português) de agosto, Valter confessou que não tem a menor vocação para a paternidade: "Queria muito fazê-lo mas dá-me medo demasiado fazê-lo. Como se fosse um aviso: salvem esta criança, o pai é um incapaz, só serve para a literatura e para desperdícios semelhantes". No mesmo texto, ele lembra da passagem pela FLIP, da comoção geral que causou em muita gente e dos inúmeros bilhetes de mulheres dispostas a realizar o sonho do rapaz de ser pai - o texto completo está aqui.

Seja como for, O filho de mil homens inaugura uma nova fase na vida do escritor. Parece que sem as minúscula da tetralogia o nosso reino, o remorso de baltazar serapião, o apocalipse dos trabalhadores e a máquina de fazer espanhóis.

Segundo a imprensa portuguesa, esse é um dos livros mais aguardados do ano e talvez o lançamento mais importante de um autor português. Também li por aí, que Valter Hugo Mãe quase deletou o livro depois de terminado. Ele tinha detestado o resultado final, mas sua editora o convenceu do contrário.

Não sei se já existem planos para lançamento do romance no Brasil. Vamos aguardar.

*Imagem: capa do livro/reprodução.
Share/Save/Bookmark

quinta-feira, 28 de julho de 2011

EM DEFESA DE POLA OLOIXARAC

Pola Oloixarac era uma das autoras mais esperadas pela platéia da FLIP - não foi à toa que ela foi considerada a musa da edição. No entanto, ela acabou sendo "ofuscada" pela presença do português gente boa valter hugo mãe. Pola pareceu um tanto confusa, foi bastante prolixa nas respostas e o público não teve muita paciência para escutar o que a moça tinha para dizer. Uma pena, como já comentei.

As teorias selvagens é um livro bastante engenhoso e cheio de humor. O melhor de tudo é que Pola recorreu aos temas da cultura pop para dar forma ao romance e brincar com coisas sisudas da literatura. Caminham lado a lado coisas como hackers, nerds, Google, música dos anos 80, videogame, blogs, redes sociais, conhecimento enciclopédico de filosofia, sociologia e antropologia.
Não é um romance de leitura fluída, rápida. Exige certa atenção por parte do leitor para fazer as ligações entre a galeria de personagens soltos ao longo do tempo. Também precisamos ter algumas referências sobre as questões que ela aborda como a ditadura militar na Argentina, a juventude universitária de Buenos Aires (que existe em qualquer parte do mundo), a coisa hacker/nerd, programas de TV, música brasileira, música pop etc.

Como ela mesma explica numa entrevista ao programa Entrelinhas, da TV Cultura, a ideia do romance era abordar as questões de intercâmbio de informações entre as pessoas. Todo mundo quer comunicar, seduzir e dominar outras pessoas por meio do conhecimento e isso fica bem claro no enredo.

Durante a ditadura militar havia um controle de informações por parte do governo, mas também havia esse mesmo controle por parte da militância anti-ditadura. Os desdobramentos desses dois discursos no mundo de hoje também se afastam cada vez mais daquela realidade em que foram criados. Problema semelhante ocorre hoje no mundo virtual da era Google - tudo o que você faz na rede está alimentando um banco de informações enorme sobre os seus hábitos e gostos particulares. Será que seu "eu" virtual realmente corresponde ao seu "eu" real?

Outra questão interessante é a relação que o romance estabelece entre o universo ficcional (o que existe no livro e somente nele) e o universo real (esse que nós vivemos). Em Pabst, Kamtchowsky, Andy e Mara reconhecemos um monte de gente que está ao nosso redor - para não dizer quando nós mesmos nos reconhecemos em alguns momentos. E o tema tão atual dos hackers invadindo sites do governo e das novas militâncias antigoverno? Certamente você deve conhecer muita gente que fala de Platão, Aristóteles, Kant, sociologia e escritores obscuros. Mas quando disso não é apenas um discurso superficial? Tudo isso aparece como uma ironia a todas essas coisas e certamente a pessoa que fala de Kant assiste Sex & The City, ouve Madonna, gosta de arte e joga videogame. Tudo misturado bem ao gosto do nosso tempo.

Alguém disse que romance bom não precisa de explicações, o leitor entende o que o autor quer dizer. Só que minha defesa não é uma inferência (não estou explicando coisas) sobre o romance. Tudo isso que falei está pulando nas páginas do livro da Pola. Falei até meio desordenadamente porque não tive tempo de elaborar e desenvolver melhor as ideias. De qualquer forma, As teorias selvagens é um grande romance e acho que deveriam dar uma nova chance a beleza intelectual estonteante da Pola Oloixarac.

---
PS: não tenho nada contra o valter hugo mãe, pelo contrário! Os romances dele também são de tirar o fôlego. Com a Pola, acho que ele guarda a experimentação e esse afastamento do discurso oficial da história que é tido por muitos como sagrado. Não é à toa que a mesa dos dois na FLIP chamava "Pontos de fuga". Prometo voltar no valter.

*fotos: Pola Oloixarac na coletiva de imprensa - Nelson Toledo/FLIP e lendo Fogo pálido, de Vladimir Nabokov - Walter Craveiro/FLIP.
Share/Save/Bookmark

terça-feira, 19 de julho de 2011

RÁDIO LITERATURA

No programa Amores Expressos de 28/4 o cronista e escritor Antônio Prata disse um negócio interessante: "a banalização da literatura seria maravilhosa se a literatura fosse uma coisa acessível a todos e o escritor fosse igual a um arquiteto ou engenheiro". Evidentemente a frase está fora do contexto original, mas significa exatamente o que precisa significar. Afinal, seria muito bom se a literatura deixasse de ser uma coisa sagrada, intocável e inacessível como parece para muita gente.

Daí a importância de ideias simples que possam levar a literatura para as multidões, sem muita mistificação e mantendo compromisso com a qualidade - evitando desvios desnecessários e abordagens mirabolantes.

A longa introdução foi para dizer que no último domingo a Rádio Batuta do Instituto Moreira Salles estreou uma série de programas chamada "Prefácios". Coordenada por Francisco Bosco e com apresentação de Flávio Moura, a série pretende convidar autores para conversar sobre seus livros preferidos ou livros que gostariam de prefaciar algum dia. Até o momento foram gravados 13 programas que serão disponibilizados um a cada domingo no site da rádio.

O primeiro programa contou com a presença de valter hugo mãe falando sobre A metamorfose, de Franz Kafka. (Detalhe: o programa foi gravado em Paraty durante a FLIP e logo após a sua arrebatadora participação na mesa "Pontos de fuga", com a escritora Pola Oloixarac). valter hugo mãe fala da influência de Kafka na sua obra e destrincha alguns pontos que considera importantes na novela.

A agenda para os próximos programas é essa: 24/7 - João Ubaldo Ribeiro; 31/7 - Milton Hatoum; 7/8 - Paulo Henriques Britto; 14/8 - Andrés Neuman; 21/8 - Bernardo Carvalho; 28/8 - Alexei Bueno e 4/9 - Rodrigo Lacerda.

[via Caderno 2]

*imagem: reprodução Google.
Share/Save/Bookmark

terça-feira, 12 de julho de 2011

IMPRESSÕES DA VIAGEM - FLIP 2011


Eu queria fazer alguns comentários sobre minhas impressões dessa FLIP, mas quem acompanhou a coisa pelos jornais e pela internet já deve estar por dentro de tudo o que aconteceu. Há uma série de impressões sobre as mesas, entrevistas com os autores convidados, fofocas dos bastidores e balanço com o melhor e o pior. Um verdadeiro banquete de informações, mesmo para quem estava lá.

É bacana ver como a cobertura pela internet está crescendo cada vez mais. Não tinha como ser muito diferente. Imagino que a imensa quantidade de tweets deixou todo mundo meio perdido na timeline. Também deve ter uma boa quantidade de fotos circulando no Facebook de muita gente, fora os vídeos de improviso - vocês já viram o escritor valter hugo mãe cantando fado. Isso para não falar nos "hotsites" dos jornais e das editoras. Quem se lembra das primeiras edições da FLIP pode notar a grande diferença.

Infelizmente, não fui a Paraty com equipamento suficiente para transmitir informações do que estava se passando. Tive acesso ao wi-fi em alguns momentos, mas tinha pouco tempo para conseguir fazer um post. Quem sabe no ano que vem - é a terceira vez que vou à FLIP (in loco) e sempre digo isso.

A nova estrutura da festa ficou melhor. Tem mais espaço para todo mundo circular entre a programação oficial e a programação paralela que está crescendo e ganhando mais importância. A tenda do telão na beira da praia e aquele passeio público deram novo charme a Paraty. O time de escritores convidados também foi de alto nível e muitas mesas tiveram mais encontros de temas do que desencontros.

Achei curiosa a reação do público. Rompendo um pouco a ideia de platéia passiva, teve gente que interferiu diretamente por meio de aplauso, gritos e assovios.

Na mesa do David Byrne, me pareceu que parte da platéia ficou assoviando em protesto a longa fala do mediador Alexandre Agabiti Fernandez. Nessa mesma mesa uma pessoa gritou qualquer coisa da platéia enquanto Eduardo Vasconcellos falava. Aproveito para dizer que essa mesa foi mesmo bem esquisita - como disse a Raquel Cozer via twitter - Byrne falou sobre urbanismo, cidades e Jane Jacobs, mas ele não é arquiteto. Foi estranho.

Na mesa entre Ignácio de Loyola Brandão e Contardo Calligaris teve gente que se levantou protestando contra apoio dado por ambos a decisão de Antonio Tabucchi de cancelar a participação na FLIP. Na mesa entre Pola Oloixarac e valter hugo mãe a platéia suspirava pelo português - teve muitos aplausos e choro. Quando os dois entraram rolou um coro de gritos (estou comentando sem nenhum juízo crítico).

Muita gente também comentou sobre as mediações: ou falavam muito ou não faziam as intervenções necessárias. Mas tenho a impressão de que o mediador ideal é algo meio subjetivo. Tem gente que gosta daqueles carrascos que arrancam confissões, fazem perguntas inteligentes etc. Tem gente que prefere o mediador invisível.

E o que dizer da tradução simultânea? É uma coisa bem delicada porque não é tarefa simples, mas pode impedir a platéia de se apaixonar por um escritor ou pelo menos de se interessar mais pelo trabalho dele.

valter hugo mãe foi o escritor mais consagrado dessa edição. Ele caiu no encanto de todo mundo. Tinha muitos pontos a seu favor: fala português, tem uma voz bem paciente, é extremamente simpático e diz muitas coisas sobre o Brasil. James Ellroy é uma figura. Andrés Neuman também colocou todo mundo no bolso. Só achei uma pena que o público não tenha dado uma segunda chance para a bela Pola Oloixarac apresentar seu livro.

Também achei ótima a participação do Zé Celso no final da FLIP. O domingo costuma vazio, mas nesse ano foi cheio. Ele reconfigurou a mesa "Livro de cabeceira" e o público (bem assanhadinho) respondeu positivamente. Serve para os curadores pensarem outras maneiras de formatar essa mesa - que é bem legal e permite uma aproximação maior do público com os escritores e obras diversas.

*Imagem: retirada do flickr da FLIP/ Crédito: Nelson Toledo.
Share/Save/Bookmark

sexta-feira, 1 de julho de 2011

COM A PALAVRA O ESCRITOR: POLA OLOIXARAC, JAMES ELLROY E VALTER HUGO MÃE


Pola Oloixarac pareceu bastante desinibida e articulada na entrevista que concedeu a revista Marie Claire. Mostrou para quem quisesse ver porque o posto de musa da FLIP já é dela faz tempo. A entrevista foi publicada na edição desse mês e está disponível aqui.

Ela conta que se mudou de Buenos Aires porque "em Buenos Aires, o mundo literário é feito de panelinhas e fofocas". Conta dos elogios, das críticas e do debate provocado pela publicação de As teorias selvagens - Pola chegou a ser insultada pessoalmente por muita gente. Ela ainda disse que não quer ter filhos, que lê um monte de porcaria e que adora o estilista Marc Jacobs - inclusive pretende colocar um biquíni do estilista em sua mala de viagem a Paraty.

Sobre literatura Pola confessa que suas influências literárias foram Suzan Coolidge, Maxine Swann (cujo livro Filhos de hippies acabou de ser publicado pela editora Planeta do Brasil), Jorge Luís Borges e Clarice Lispector - por quem está apaixonada "de uns dez anos para cá".

Ela gosta do Brasil (As teorias selvagens toca no assunto MPB), ama Gal Costa, lê sobre o país e vai ambientar seu próximo romance no Brasil do século XIX - diz que é "sobre botânicos, extremamente erótico. Será bem menos político que o anterior."

***


James Ellroy, outro convidado da FLIP, concedeu entrevista a revista Rolling Stone (está na edição de junho, mas uma parte da entrevista está disponível aqui). A entrevista foi concedida originalmente ao repórter Sean Woods, da Rolling Stone americana, e foi traduzida por Ana Ban. É praticamente um perfil do escritor que será a grande estrela do festival - que me desculpe a Pola Oloixarac.

***

O escritor valter hugo mãe figurou nas páginas da revista Serafina em entrevista a Rita Siza, diretamente do Porto. É um texto pequeno (disponível somente para assinantes), mas com um trecho bem engraçado sobre a famigerada pergunta das minúsculas:


E por que só minúsculas? Fiz a pergunta que, suspeitava, valter hugo mãe já respondeu um milhão de vezes. "Um milhão e 300 mil vezes", corrige. E a resposta é sempre a mesma? "Ah, essa é excelente, essa nunca me tinham feito", comenta. "Não. Vou variando, vou acrescentando, vou respondendo melhor." A explicação, que tem a ver com "aproximar o texto da sua natureza", não cabe toda aqui, mais uma razão para lhe repetirem a pergunta quando o encontrarem, aí no Brasil.
***

O bom da FLIP é isso: a literatura vira a pauta do momento - desconsiderando aqueles conhecidos jornais e revistas que tratam apenas do assunto, evidentemente.

*imagem: reprodução site da FLIP.
Share/Save/Bookmark

sábado, 26 de fevereiro de 2011

ÚLTIMAS DA FLIP 2011


Se você não leu as últimas notícias sobre a FLIP é bom saber que novos convidados já foram anunciados. Evidentemente, a informação vai depender de quando foi a última vez que você buscou alguma notícia a respeito. Por isso, uma pequena retrospectiva se faz necessária. Até agora já foram confirmadas na Festa Literária as presenças de David Remnick, Andrés Neuman, Valter Hugo Mãe, Pola Oloixarac, Joe Sacco, Franco Moretti e Emmanuel Carrère.

Essa semana a organização anunciou a participação do diretor de cinema Claude Lanmann - com direito a entrevista polêmica dele para a Ilustrada. O diretor falou que não gosta das criações do arquiteto Oscar Niemeyer.

Nesse final de semana, os cadernos de cultura confirmam a presença de João Ubaldo Ribeiro - o primeiro escritor brasileiro a figurar na lista de convidados. O momento é bastante oportuno pois Ubaldo acaba de completar 70 anos e promete ser uma das presenças mais divertidas da festa. Em entrevista a Ilustrada ele diz que já superou o episódio que ocorreu em 2004 - quando ele foi convidado pela organização da FLIP e depois declinou. A entrevista feita por Daniel Benevides na integra está aqui.

Alguns boatos dão conta de que a FLIP está negociando a presença do diretor de cinema Bernardo Bertolucci e do escritor e teórico Umberto Eco. James Ellroy também está nessa lista das negociações, mas por enquanto não foi confirmado.

A programação está começando a esquentar, não é?

*imagem: via Wikipédia.

Share/Save/Bookmark

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

FLIP INSPIRA PORTUGAL


O português Gonçalo Bulhosa, co-fundador da Oficina do Livro e ex-editor da Palavra, esteve na primeira edição da FLIP, em 2004. Saiu de lá com a ideia de fazer algo parecido em Portugal, mas sua primeira tentativa em 2005 não teve resultados.

Quase sete anos depois a ideia finalmente ganha forma. Essa semana, Bulhosa anunciou ao jornal Público que em novembro a vila portuguesa de Sintra vai abrigar a 1ª Festa Literária Internacional de Sintra (FLIS). O diretor dessa edição será Manuel Alberto Valente e o evento vai acontecer no Centro Cultural Olga Cadaval nos dias 11, 12 e 13 de novembro.

No total o evento espera reunir cerca de 30 escritores, entre portugueses e estrangeiros. Os primeiros nomes confirmados são Valter Hugo Mãe, João Tordo, Pedro Paixão e Joana Amaral Dias. (via Ciberescritas)

Curioso perceber como a FLIP, que inspirou diversos festivais literários no Brasil também está gerando frutos em Portugal. Quem sabe com esse anúncio o trânsito entre a nossa literatura e a literatura portuguesa aumente.

*imagem: reprodução.


Share/Save/Bookmark

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

JULGANDO LIVROS PELA CAPA: PORTUGAL X BRASIL

O site The Millions faz uma brincadeira interessante comparando a capa de livros em edições americanas e inglesas. Pegando a ideia emprestada, entrei na brincadeira escolhendo alguns autores brasileiros e portugueses para comparar o designer de capa de cada um. Imagino que as duas questões que sempre atormentam o trabalho de quem faz a capa são: resumir o enredo do livro numa única imagem e conquistar a atenção do leitor para aquele produto. Por isso, a brincadeira tem um resultado curioso quando percebemos que o que nos fisga nas livrarias é bem diferente daquilo que fisga nossos "patrícios d'além mar".

Como não sou especialista no assunto, estou comentando de maneira bem prosaica - no melhor estilo inexperiente sem compromisso. Alguns livros ainda estão na minha fila de leitura, portanto não posso comentar sobre a relação do conteúdo com a capa.

As capas das edições brasileiras estão do lado direito. Os comentários estão abertos quem quiser pode participar.



Leite derramado, Chico Buarque.
Sei que a edição brasileira saiu com duas capas diferentes: uma branca com título em preto e outra laranja com o título em branco. As duas versões ficaram limpas e sóbrias, embora a laranja chame mais atenção e seja a mais conhecida. Já a edição portuguesa escolheu uma imagem que diz muito a respeito do enredo do livro.


Estive em Lisboa e lembrei de você, Luiz Ruffato.
Enquanto a edição portuguesa optou por uma foto da cidade, nossa edição optou pelo galo português que é muito mais simbólico. Soa carinhosa a pequena adaptação no título para "...lembrei-me de ti".

A arte de produzir efeito sem causa, Lourenço Mutarelli.
As duas editoras optaram pela mesma imagem na capa. A diferença está apenas no formato: em Portugal é quadrado e mais longo, enquanto no Brasil as bordas são arredondadas e o livro um pouco menor. Comentário a parte: o projeto gráfico do pessoal do Máquina Estúdio (no Brasil) é realmente espetacular.


Caim, José Saramago.
Enquanto a edição brasileira optou por uma imagem abstrata, a portuguesa preferiu uma figura bíblica. E esse furo na testa da figura tem uma força simbólica muito forte.


Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?, António Lobo Antunes.
Aqui tem uma questão de identidade visual. Praticamente todos os livros da Alfaguara no Brasil tem essa espécie de moldura. O cavalo do título aparece na singela figura de um cavalinho de pau na mão de uma menina. Já a edição portuguesa optou pela força desse cavalo furioso, trotando.


O remorso de baltazar serapião, Valter Hugo Mãe.
Ficou bonita a imagem dessa cabeça com um mapa antigo. Lembra mesmo uma posição de remorso. A edição brasileira também ganhou uma identidade bem nacional com esse desenho que lembra uma serigrafia. E diz muito sobre a história, imagino.


Mãos de cavalo, Daniel Galera.
Resolvi mencionar essas duas capas não para falar de beleza. Mas achei bem curioso que a capa portuguesa seja mais literal na imagem.


O único final feliz para uma história de amor é um acidente, João Paulo Cuenca.
A edição brasileira é bastante elaborada e cheia de informações visuais que lembrar elementos da cultura visual japonesa. Pelo menos é o que me parece. Os portugueses optaram pelo minimalismo das cores da bandeira japonesa e pelo desenho da boneca, personagem do romance. Bem curioso também.

*imagens: divulgação, reprodução.

Share/Save/Bookmark

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

JA ELEGERAM A MUSA DA FLIP 2011


Estamos apenas no primeiro dia de fevereiro e as notícias em torno dos autores convidados da FLIP 2011 não para de pipocar. Depois de anunciar a presença do argentino Andrés Neuman, do norteamericano David Remnick e do português Valter Hugo Mãe, a organização da festa literária confirmou a presença da argentina Pola Olaixarac.

Aliás, Pola Olaixarac já foi eleita a musa dessa edição por muita gente - basta dar uma olhadinha na foto acima para perceber o motivo de tanta euforia. Aí daquele ou daquela que discordar! Pelo menos por enquanto. Ela é autora do romance As teorias selvagens, que será lançado pela Benvirá - um selo da editora Saraiva. O livro recebeu elogios de Ricardo Piglia, vejam só. Pola também já publicou contos, faz tradução e também escreve artigos para a mídia argentina.

Quem quiser se antecipar e conhecer o trabalho da musa pode ler em inglês o conto Conditions for the revolution, que foi publicado na edição da revista Granta com autores de língua espanhola. Na mesma edição também tem uma entrevista com ela.

Outros outros nomes tidos como certos para FLIP, mas que ainda não confirmados pela organização são: o escritor norteamericano James Ellroy e o quadrinista Joe Sacco.

Vamos aguardar mais notícias!

*imagem: divulgação.

Share/Save/Bookmark