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terça-feira, 13 de maio de 2014

WALLACE ESTÁ CHEGANDO



Veja bem, eu não confirmei a veracidade dessa informação, mas li por aí que a tradução de Caetano Galindo para o romance-monumental Infinite Jest, de David Foster Wallace deve chegar às livrarias brasileiras em novembro. Parece que o título em português brasileiro será... GRAÇA INFINITA (o livro saiu em Portugal com o título A piada infinita). Eu achei uma graça - com o perdão do trocadilho. Tomara que o título seja esse mesmo.

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No ano passado, a revista CULT publicou um pequeno trecho da tradução feita por Galindo. Substância - para matar a nossa curiosidade enquanto novembro não chega.

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Em tempo, parece que tanto a família de David Foster Wallace quanto a editora de seus livros no Estados Unidos não estão de acordo com o filme "The End of the Tour", dirigido James Ponsoldt. Eles publicaram um comunicado dizendo que não apoiam o filme e nem o consideram uma homenagem a memória do autor. Resta saber se vão entrar com alguma medida legal para impedir as filmagens que já começaram.

*Imagem: capa da edição norte-americana de Infinite Jest/Reprodução.
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quarta-feira, 23 de abril de 2014

DÊ AS BOAS VINDAS AO NOVO NÚMERO DO FANZINE

Até que enfim! O outono chegou, o frio está batendo na nossa porta e você pode ler a nova edição do fanzine #Casmurros_4 - está com atraso de um ano ou mais. Tamanha demora tem um lado positivo: vai matar a saudade que a gente tinha de ler textos mais longos, com diagramação diferente e boas ilustrações.

Dessa vez o tema central é a manifestação da neurose dentro da literatura - como forma ou tema. Na abertura tem uma ficção inédita de Cecília Gianetti chamada Manual para mortos-vivos


"Tem uma coisa muito boa que acontece quando você toma uma pílula dessas. Você dorme. Consegue dormir - pra ser mais específico".

E tem um ensaio emocionante de Adam Plunkett sobre David Foster Wallace, O rei dos fantasmas


"Ele era, claro, David Foster Wallace que eu conheci como Dave durante a primavera de meu primeiro ano no Pomona College, onde ele trabalhou até a sua morte em setembro daquele ano. A matéria que ele ensinava aquele semestre era 'Ensaio Literário'".

Mais um texto de Erika Mattos da Veiga, trechos de ficção de Adam Ross e André Viana; um texto de Freud sobre os devaneios dos escritores; uma entrevista muito curiosa com Tom McCarthy; e desenhos de Jason Novak (incluindo a capa - de onde retirei o logotipo do blog).

Humildemente vos digo que é uma das edições mais bacanas que já fiz. Veja você mesmo.
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sexta-feira, 21 de março de 2014

NOTAS #45


DAVID FOSTER WALLACE POP
A vida do escritor David Foster Wallace durante a turnê de lançamento do monumental romance Infinite Jest será registrada no filme "The End of the Tour", dirigido James Ponsoldt - se não me engano, um diretor independente ainda pouco conhecido. A história será baseada no livro Although Of Course You End Up Becoming Yourself: A Road Trip with David Foster Wallace, escrito por David Lipsky quando era repórter da revista Rolling Stone e recebeu a missão de acompanhar Foster Wallace numa viagem de cinco dias para escrever um perfil sobre o sujeito que seria o escritor mais importante da literatura norte-americana contemporânea. Acontece que o perfil não foi publicado e anos mais tarde (após o suicídio de Wallace) o material virou um tremendo livro. O ator e comediante Jason Segel foi escalado para o papel de David Foster Wallace e o ator Jesse Eisenberg será David Lipsky.

O filme ainda não tem previsão de lançamento, mas as gravações já começaram e uma foto de bastidores (acima) está rodando a internet.

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Eu não sabia, mas o livro Breves entrevistas com homens hediondos ganhou uma versão para o cinema dirigida por John Krasinski - em 2009.

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No segundo semestre, a Companhia das Letras deve publicar a tradução de Caetano Galindo para Infinite Jest. O romance póstumo The pale king também está nos planos da editora, mas a tradução deve ficar para o ano que vem.

ACELERA!
Uma empresa norte-americana que estava de olho no mercado de aplicativos para celular pegou carona na mesma ideia daqueles antigos curso de "leitura dinâmica e memorização" e criou o Spritz, um aplicativo que aos poucos treina o seu olhar para ler até 600 palavras por minuto - não conheço uma pessoa que seja capaz de tamanha destreza. Não sei dizer em que medida essa leitura apressada pode ser proveitosa quando lidamos com textos de ficção mais elaborados (que tem como foco um trabalho de linguagem mais cuidadoso, poético, evocativo etc., onde o barato é curtir as palavras ao invés de chegar na última linha do livro). Talvez seja uma habilidade interessante para revisores, preparadores ou pessoas que trabalham com grandes quantidades de texto a toque de caixa. Pensar que os cursos de leitura dinâmica - será que ainda existem? - eram vendidos naqueles comerciais de TV estilo "ligue agora e adquira..." ou por meio daqueles vendedores que abordavam a gente na escola, no shopping ou na rua.

CLARO COMO HEMINGWAY
Você gosta de escrever e não consegue encontrar ninguém para revisar seus textos e dar aquele toque estilístico especial? Pois bem, agora existe um aplicativo que faz tudo isso por você e ainda deixa o seu texto com o mesmo estilo do famoso escritor Ernest Hemingway. Basta acessar o aplicativo, inserir o seu texto e pronto. 

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Estranho foi descobrir que alguns usuários inseriram textos do próprio Hemingway e o aplicativo fez algumas sugestões de alteração. Deve ser algum erro no algoritmo. 

UM CONTO, POR FAVOR
Carlos Henrique Schroeder é um sujeito inquieto. Além de leitor, escritor, tuiteiro, agitador cultural, editor-executivo da revista Pessoa e curador do Festival Nacional do Conto, ele ainda encontra tempo para organizar a coleção Formas Breves, da e-galáxia, totalmente dedicada ao gênero conto. Qualquer leitor que tenha um e-reader pode comprar um conto por R$ 1,99. Entre os autores da coleção estão Miguel Sanches Neto, André de Leones e José Luiz Passos, mas a ideia é lançar um conto inédito por semana.


CAMALEÃO
O escritor inglês David Mitchell, também conhecido como o camaleão da literatura inglesa, vai publicar um novo romance em setembro. The Bone Clocks vai contar a história de uma pessoa ao longo de seis décadas tendo como ponto de partida o ano de 1984.

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A tradução do elogiado romance Os mil outonos de Jacob de Zoet deve sair pela Companhia das Letras ainda esse ano. Bem que a FLIP poderia convidá-lo.

*Fotos: reprodução do Google e Twitter.

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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A PIADA INFINITA EM PORTUGAL



Vira e mexi eu escrevo sobre notícias literárias vindas de Portugal - a nossa "pátria-mãe d'lém mar". Daqui a pouco vocês vão pensar que me mudei para o Porto ou Lisboa. Nada disso, continuo firme e forte aqui no Brasil. Só que não pude resistir ao pequeno burburinho em torno do lançamento de A piada infinita, tradução do livro-monumento Infinite Jest, de David Foster Wallace que saiu por lá no finalzinho do ano passado.

(Comentei em julho nas NOTAS #38)

A tradução saiu pela editora Quetzal e ficou a cargo da dupla Salvato Telles Menezes e Vasco Menezes, respectivamente pai e filho. Os dois juntos levaram aproximadamente seis meses para chegar ao resultado final de 1198 páginas, lombada de 5,2 cm e peso de 1492 gramas - não deixa de ser um tempo impressionante considerando que a versão para o alemão, por exemplo, levou quatro anos e terminou com 1552 páginas.

O lançamento teve uma série de eventos com bottons, reportagens especiais em jornais e revistas, fitinhas com frases do livro e até um debate com editores e tradutores do livro. Tudo para celebrar a maior obra da literatura norte-americana contemporânea, segundo uma eleição feita por grande parcela da crítica literária.

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A tradução para o português do Brasil está nas mãos de Caetano Galindo e deve ser lançada ainda nesse ano pela Companhia das Letras. Ele mantém uma coluna no blog da Companhia para falar sobre o processo de tradução do livro e alimentar a curiosidade de uma legião de leitores fanáticos por Foster Wallace. Parece que ele já está na página 400. 

Um trecho da tradução apareceu na revista Cult, em dezembro - não encontrei o link.

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De volta a versão portuguesa, aqui está o trechinho inicial. Tem mais aqui, se vc quiser dar uma olhada.

ANO DE GLAD
     Estou sentado numa sala, rodeado de cabeças e de corpos. A minha postura é conscientemente congruente com a forma da minha dura cadeira. É uma sala fria do edifício da Administração da Universidade, com paredes apaineladas em que havia quadros à maneira de Remington e janelas duplas que a defendiam do calor de novembro, protegida de sons administrativos pela zona da receção na qual o tio Charles, o senhor DeLint e eu tínhamos sido recebidos.
     Eu estou aqui.
     Três caras ocuparam lugar em cima de casacos desportivos de verão e largas gravatas de seda do outro lado de uma mesa de conferências de pinho polido que brilha com a luz – que parece uma teia de aranha – do meio-dia do Arizona. São os três deões: o das Admissões, o dos Assuntos Académicos e o dos Assuntos Desportivos. Não sei a qual corresponde cada cara.
     Creio que estou a dar uma imagem neutra, talvez mesmo agradável, embora me tivessem instruído a carregar nas cores da neutralidade e não fazer nenhuma tentativa em matéria do que me pareceria ser uma expressão amável ou um sorriso.
     Decidi-me a cruzar as pernas, espero que com todo o cuidado, com o tornozelo em cima do joelho e as mãos juntas no regaço das calças. Os meus dedos estão entrelaçados numa série especular daquilo que, para mim, se manifesta com a letra X. O restante pessoal que ocupa a sala de entrevistas inclui: o diretor de Composição da Universidade, o treinador da equipa principal de ténis e A. DeLint, pró-reitor da minha Academia. Ao meu lado está C.T.; os outros estão, respetivamente, sentados, de pé e de pé na periferia da minha visão. O treinador de ténis faz tilintar algumas moedas. Há qualquer coisa vagamente digestiva no odor da sala. A sola de alta tração dos meus ténis Nike oferecidos está em paralelo com o bamboleante sapato de couro do meio-irmão da minha mãe, presente na condição de meu reitor, sentado na cadeira que espero que esteja à minha direita e também de frente para os deões.

*Imagem: capa da edição portuguesa.

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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

NOTAS #39

Favorito ao Nobel
A editora Alfaguara divulgou a capa definitiva do livro
1Q84, de Haruki Murakami cujo primeiro volume (com 450 páginas) deve chegar ás livrarias brasileiras em novembro. Os outros dois volumes terão lançamento em 2013.

Man Booker Prize 2012
A shortlist do Man Booker Prize foi anunciada. Entre os seis concorrentes estão os estreantes Jeet Thayil com Narcopolis e Alison Moore com The Lighthouse; os veteranos Deborah Levy com Swimming Home, Will Self com Umbrella e Tan Twan Eng com The Garden of Evening Mists; e a ganhadora do prêmio em 2009, Hilary Mantel com Bring up the Bodies.

A crítica inglesa considera que Hilary Mantel é a favorita dentre os finalistas - ela está quase com o caneco na mão porque também lidera o ranking de apostas da casa Ladbrokes. As únicas coisas que podem estragar sua festa são Will Self (outro forte candidato que está praticamente empatados com Mantel no painel da Ladbrokes) e o fato de ter ganhado o prêmio recentemente.


Campeão de vendas
No dia 15 de setembro chega às livrarias Cinquenta tons mais escuros, o segundo livro da trilogia escrita pela autora inglesa E.L. James. Parece que 90% da tiragem inicial de 350 mil exemplares já foi comprada pelos leitores na pré-venda. A ansiedade é tão grande que muitas leitores estão recorrendo a traduções piratas que estão espalhadas na internet - a maioria delas deve ter sido feita pelo Google Tradutor e tem muitos problemas. As mulheres estão desesperadas.

A Intrínseca liberou as 30 primeiras páginas como aperitivo - para acalmar os ânimos.

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A trilogia vai virar filme, mas por enquanto nenhuma data prevista para lançamento foi anunciada.

A literatura vai ao teatro...
No SESC Belenzinho, em São Paulo, a Sutil Companhia de Teatro está em cartaz com a peça O livro de itens do paciente Estevão inspirada no livro O paciente Steve, de Sam Lipsyte. Conta a história de Steve, um homem que foi diagnosticado com uma doença incurável e sem nome. A peça fica em cartaz até 21/10 com apresentações sextas e sábados, às 18h e domingo, às 17 h. Já o livro está fora de catálogo, mas disponível em sebos - foi publicado em 2003 pela Editora Globo.

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No Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro, Marco Nanini está em cartaz com a peça A arte e a maneira de abordar seu chefe para pedir um aumento baseada num livro homônimo de Georges Perec. Tudo o que precisa ser dito sobre o enredo está no título. Numa entrevista para o jornal Folha de SP, o ator disse que teve vontade levar o texto ao teatro por causa do seu caráter experimental - tal qual um manual de anti-ajuda o leitor espera dicas práticas para conseguir um aumento de salário, mas é surpreendido pelos pensamentos obsessivos da personagem que chega a montar um organograma prevendo todas as situações possíveis e imagináveis entre "sim" e "não". A peça fica em cartaz até 28/10 com apresentações de sexta a domingo, às 19h. O livro está disponível nas livrarias - foi lançado pela Companhia das Letras em 2010 e tem tradução magnífica de Bernardo Carvalho.

Bom momento para celebrar os 30 anos sem Georges Perec.

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No Teatro Novelas Curitibanas, em Curitiba, o grupo Teatro de Breque está em cartaz com o espetáculo Em breve nos cinemas livremente inspirado em estruturas narrativas e temas da obra de David Foster Wallace. A peça fica em cartaz até 14/10 com apresentações de quinta a domingo, às 20h. Por enquanto, o único livro de David Foster Wallace disponível em português é Breves entrevistas com homens hediondos - foi lançado pela Companhia das Letras em 2005 e tem tradução de José Rubens Siqueira.

... e ao cinema
Em outubro estreia nos Estados Unidos Cloud Atlas, um filme dirigido pelos irmãos Wachowski e por Tom Tykwer (o diretor do filme Corra, Lola, corra) baseado no ambicioso romance de David Mitchell. O livro é composto de seis histórias interligadas que numa espiral vertiginosa através do tempo e espaço vão do século XIX ao futuro apocalíptico. Mitchell é tido pelos críticos anglófanos como um dos melhores escritores de sua geração por causa do seu experimentalismo formal e temático - como um camaleão, ele muda bruscamente seu estilo de um livro para outro. O único romance de Mitchell disponível em português é Menino de lugar nenhum publicado em 2008 pela Companhia das Letras com tradução de Daniel Pellizzari. Também estava previsto para esse ano a tradução de Os mil outonos de Jacob de Zoet, assinada por Daniel Galera - pela Cia das Letras.

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Cloud Atlas continua fora dos planos de tradução das editoras daqui. Quem quiser pode recorrer a tradução portuguesa de Helena Ramos e Artur Ramos que saiu pela editora Dom Quixote (um selo do grupo português Leya), em 2007. O livro recebeu o simpático título de Atlas das nuvens.

*Imagens: divulgação.

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DAVID FOSTER WALLACE ENTRE A REALIDADE E A FICÇÃO


Muita gente já conhece as características da literatura feita por David Foster Wallace - pelo prazer ou pela dor, tem quem ama e quem odeia. Portanto, não vou ficar chovendo no molhado dizendo que a obra dele é cheia de ironia, metalinguagem, discurso indireto livre, jargões, palavras inventadas, longas sentenças e notas de rodapé gigantes. Chega de tudo isso, vamos falar de coisa boa: fofocas, claro!

Na semana passada chegou às livrarias norte-americanas a primeira biografia do escritor
Every Love Story Is a Ghost Story, de D.T. Max. Wallace sofria de depressão profunda, teve muitos períodos de internações em clínicas, lutou contra a dependência do álcool e da maconha e cometeu suicídio em 2008. A biografia é oficial. D.T. Max contou com a colaboração da família e dos amigos próximos a Foster Wallace, além de ter tido acesso às cartas, manuscritos etc., que o escritor deixou guardada em seu arquivo.

Evidentemente, ainda não li a biografia, mas a revista Rolling Stone (gringa) leu e adiantou "seis coisas que a gente não sabia sobre David Foster Wallace". Por exemplo, ele não era tão bom jogando tênis, votou em Ronald Regan para presidente (mas odiava George W. Bush), tinha problemas paranóicos com higiene (suava muito e carregava uma escova de dentes na meia, para emergências) e planejou matar o marido da escritora Mary Karr (com quem teve um relacionamento bastante conturbado).

Parece que a maior curiosidade da biografia está nas possíveis ligações que podem ser feitas entre a vida de Wallace e o enredo dos livros Liberdade, de Jonathan Franzen e A trama do casamento, de Jeffrey Eugenides. Em tempos de autoficção exagerada também acho chato quando alguém pergunta "o que a personagem tem em comum com você?" ou "o livro é sobre você?". Só que a gente pode perdoar essa situação no caso desses três escritores sobretudo quando vemos muitas semelhanças entre Leonard Bankhead, Richard Katz (personagens) e Foster Wallace (o real) - a bandana na cabeça, o hábito de mascar fumo e a sagacidade intelectual. Eles eram muito amigos, amadureceram suas obras quase ao mesmo tempo e faziam parte de um grupo de escritores pertencentes a uma geração. Viveram muita coisa juntos, portanto é natural que tenham histórias para contar sobretudo depois da morte trágica de Wallace.

Quando perguntam da semelhança "realidade x ficção", Eugenides sempre nega dizendo que estava pensando na banda Gun's in Roses. Não lembro de alguma resposta de Franzen, mas ele era muito amigo de Wallace e as disputadas entre Walter e Richard tem qualquer coisa da vida real que são impossíveis de negar - como na frase meu objetivo era "colocar meu pênis na vagina quanto possível" (a frase está tanto em Liberdade quanto na biografia).

Verdade ou mentira, esse tipo de coisa não estraga a qualidade dos livros. Pelo contrário, acabam servindo como um elemento de atração. Afinal, todo mundo sempre vai querer comprovar sua fantástica teoria. Vai ver aconteceu de contarem essas coisas sem querer.

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Em tempo, a Companhia das Letras lança em outubro Ficando longe do fato de já estar meio que longe de tudo, a coletânea de não-ficção de David Foster Wallace com organização e tradução da dupla de escritores Daniel Galera e Daniel Pellizzari.

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Já Caetano Galindo (que acabou de ler essa biografia do Foster Wallace) está trabalhando na tradução de Infinite Jest. Segundo ele escreveu no twitter o trabalho já está em 250 laudas - ainda é pouco perto das mais de 1000 páginas do livro, mas animador para os fãs do escritor.

A tradução portuguesa saí em novembro com o título de A piada infinita. Tido como um lançamento importante, a editora Quetzal criou um blog reunindo notícias de jornal e outros mimos.

*Imagem: reprodução.

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sexta-feira, 20 de julho de 2012

NOTAS #38

Jantar fictício
Já imaginou se a gente conseguisse fotografar as refeições das nossas personagens favoritas? Foi pensando nisso que Dinah Fried montou a série Fictitious Dishes retratando refeições dos romances O apanhador no campo de centeio (foto acima), Oliver Twist, Alice no país das maravilhas, Os homens que não amavam as mulheres e Moby Dick. Nem preciso dizer que o prato do Oliver Twist é o mais simples, né?

Ficção para homens
Foi se o tempo em que romances e contos eram mania das "senhouras". Não se engane: ficção também é coisa para homem. Se alguém ainda tinha alguma dúvida, a revista Esquire responde com três novas histórias assinadas por Stephen King e Joe Hill (respectivamente, pai e filho), Lee Child e Column McCann - foram publicadas na edição do mês passado. Tem de ser muito macho!

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Falando nisso, o novo romance de Column McCann está pronto, mas deve chegar às livrarias norte-americanas somente em 2013. O livro chamado Transatlantic usa a história de três pessoas reais para criar uma obra de ficção: um escravo negro que parte dos Estados Unidos rumo a Irlanda em busca de democracia e liberdade, em 1845; dois jovens pilotos de avião deixam a Primeira Guerra Mundial para protagonizar o primeiro vôo transatlântico entre Newfoundland e o oeste da Irlanda, em 1919; e um senador americano que viaja para a Irlanda em busca de paz, em 1998.

De uma certa forma, McCann repete uma experiência que está presente em Deixe o grande mundo girar - transformando em ficção a história real do artista francês Philippe Petit caminhando por um cabo de aço entre as torres do World Trade Center. Enquanto o artista se apresenta várias histórias brotam e convergem para um ponto de vista único. Afinal, como o próprio McCann gosta de afirmar "uma história são todas as história".

Edição limitada
1Q84, de Haruki Murakami fez muito sucesso nos países em que foi publicado. Nada que se compare ao lançamento no Japão, com as filas enormes e leitores dormindo na porta das livrarias - digamos que na Europa e nos Estados Unidos o frisson foi um pouco menor. Pois bem, se você é fã do escritor japonês é bom correr logo. Acaba de sair uma edição limitada e autografada de apenas 111 exemplares de 1Q84. Os três volumes recebem papel e tipografia especial. Ah! O texto está em inglês.

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No Brasil, 1Q84 deve chegar no segundo semestre - em edição normal mesmo.

Serrote 11
Acaba de chegar às livrarias a nova número da Serrote, revista de ensaismo publicada pelo Instituto Moreira Salles. A capa e o ensaio visual fazem parte da série Cabinet, feita pela americana Roni Horn. Tem ainda um um ensaio exclusivo do colombiano Héctor Abad sobre Joseph Roth; um perfil da escritora Marguerite Duras assinado por Enrique Vila-Matas; Brian Boyd falando sobre Machado de Assis e Vladimir Nabokov; Susan Sontag descrevendo seu encontro com o escritor Thomas Mann e Harold Pinter falando da primeira noite em que viu Samuel Beckett e muitas outras coisas mais.

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As duas belas surpresas ficam por conta do perfil de Michael Jackson assinado por John Jeremiah Sullivan, sensacão do ensaísmo americano, e o jovem jornalista Karl Marx na visão de Christopher Hitchens.

Foster Wallace em terras portuguesas
Uma notícia envolvendo David Foster Wallace está agitando a temporada de lançamentos literários em Portugal. Salvato Telles Menezes e Vasco Menezes, respectivamente pai e filho, estão empenhados na árdua tarefa de traduzir Infinite Jest - na versão portuguesa o livro receberá o carinhoso título de A piada infinita. O livro tem previsão de lançamento em novembro pela editora Quetzal e irá inaugura uma série de traduções da obra de Foster Wallace em Portugal (até agora nenhum de seus livros tinha sido publicado no país).

Salvato Telles Menezes (o pai) tem no currículo traduções dos livros V., de Thomas Pynchon e Cidades da noite vermelha, de William Burroughs (foi publicado no Brasil com o título Cidades da noite escarlate). Já Vasco Menezes (o filho) traduziu obras de Chuck Palahniuk e Por um fio, de Thomas McGuane (inédito no Brasil).

As mais de mil páginas foram traduzida apenas na Espanha (La broma infinita) e na Alemanha (Unendlicher Spaß) - por lá, o trabalho levou quatro anos.

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No Brasil, Infinite jest será publicado pela Companhia das Letras com tradução de Caetano Waldrigues Galindo (que traduziu Ulysses e muitas coisas mais). Ainda não tem previsão de lançamento, mas não deve sair antes de 2013.

*Imagens: Dinah Fried/reprodução; The Curved House/reprodução e capas do livros/divulgação.

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

DAVID FOSTER WALLACE EM PORTUGUÊS

David Foster Wallace e Jonathan Franzen no lançamento de Infinite Jest, em 1996.

A gente fica salivando bastante quando vê um desses fenômenos em que livros gringos chamam atenção da mídia e ocupam as paradas literárias de sucesso. Feito aquele frango de padaria de domingo, muita gente conta os dias para devorar esse tal livro inteiro e reconhecer ou negar tudo o que andam dizendo pelos cantos. Foi o que aconteceu recentemente com Roberto Bolaño e Jonathan Franzen (para ficar com dois exemplos, apenas). Mas a fome sempre aperta quando um novo frango suculento surge na padaria do vizinho. De modo que todo mundo que acompanhou o burburinho em torno de David Foster Wallace e The Pale King, o aguardado livro póstumo e incompleto. Ele voltou a ser notícia essa semana, porque se estivesse vivo estaria completando 50 anos.
O nome de Foster Wallace começou a circular por aqui depois que a revista New Yorker organizou a primeira lista de 20 escritores com menos de 40 anos, em 1999. Nessa época ele já tinha se tornado o autor do homérico romance Infinite Jest e publicado vários textos de não-ficção (ensaios, reportagens etc.) na imprensa norte-americana. Em 2005, a Companhia das Letras publicou o livro de contos Breves entrevistas com homens hediondos com tradução de José Rubens Siqueira - um baita livro, por sinal. Mais ou menos na mesma época, Caetano Galindo, professor de linguística e tradução no curso de Letras da Universidade Federal do Paraná, nos presenteou com duas traduções inéditas do autor. Primeiro apareceu o conto A filosofia e o espelho da natureza (do livro Oblivion: Stories, de 2004), no portal Cronópios, e depois um capítulo de Infinite Jest, na revista Coyote nº 13 (editada pela Iluminuras). Não investiguei a fundo, mas parece que esse número da revista está esgotado. Se alguém tiver informações a respeito, por favor, entre em contato.

Em setembro de 2008, David Foster Wallace cometeu suícidio e deixou incompleto o romance em que estava trabalhando, The Pale King. O livro foi publicado somente em 2011, resgatando a força, o brilho e a genialidade da sua prosa. Ele foi considerado o "novo James Joyce".

De olho na repercussão desse lançamento a Companhia das Letras veio no ano passado como uma notícia salvadora: uma edição brasileira para Infinite Jest e The Pale King. A tradução de ambos vai ficar a cargo de Caetano Galindo (aquele mesmo de 2005). Boa decisão considerando a sua experiência anterior e paixão por Foster Wallace - Infinite Jest é para ele "o romance mais interessante dos anos 90".

Galindo já traduziu para o português obras de Thomas Pynchon, Tom Stoppard, Djuna Barnes, John Gray, Ali Smiht, entre outros. Atualmente está finalizando a tradução de A trama do casamento, de Jeffrey Eugenides (sai esse semestre pela Cia das Letras) e outra obra-prima da literatura moderna: Ulysses, de James Joyce (sai em abril pela Penguin-Companhia das Letras). Curiosamente ele começou a tradução de Ulysses em 2005, junto com as primeiras traduções que fez de David Foster Wallace.

Infinite Jest levou quatro anos sendo traduzido para o alemão e deve ficar pronto somente no ano que vem. Enquanto esperamos, está prometido para agosto desse ano o lançamento de uma coletânia de não-ficção organizada por Daniel Galera e com tradução dele e de Daniel Pellizzari. Vai ter A supposedly fun thing I'll never do again e Consider the lobster.

Sobre o futuro lançamento de The Pale King, ainda não há muitas notícias.

*Imagem: reprodução desse tumblr.
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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

NOTAS #32

Capas
Alguns leitores ainda não eram nem nascidos quando esses livros foram lançados (nem mesmo eu, para falar a verdade). Portanto, imagino que todos devem ter muita curiosidade em saber como foi a capa da primeira edição de Alice no país das maravilhas, Anna Karenina, Mrs Dalloway, O som e a fúria, Trópico de câncer, Ulysses, O almoço nu e alguns outros mais. Pois o Flavorwire fez uma lista bem legal com a capa da primeira edição de 20 livros bem conhecidos (os que citei antes estão entre eles). A capa acima é do livro Laranja mecânica, de Anthony Burgess em 1962. A lista completa está disponível em http://tinyurl.com/7nuedct

Os melhores de 2011
Já começou na imprensa anglófona mais uma temporada para eleger os melhores lançamentos de ficção do ano. É a chance daquele leitor que passou o ano inteiro metido em recuperar as leituras atrasadas do ano passado saber o que vale a pena ler no ano que vem - ou até o final desse ano, quem sabe. Certamente quase todas as listas gringas serão unânimes quanto aos livros The Marriage Plot, de Jeffrey Eugenides; A Visit From the Goon Squad, de Jennifer Egan; The Pale King, de David Foster Wallace; 1Q84, de Haruki Murakami e A mulher do tigre, de Téa Obreht, para citar alguns.

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Vale lembrar que todos estes livros já têm previsão de lançamento em terras brasileiras. A Companhia das Letras deve lançar The Marriage Plot no primeiro semestre de 2012 e The Pale King - ainda sem data prevista. A Visit From The Goon Squad sai pela Intrínseca provavelmente no ano que vem. 1Q84 também deve chegar no ano que vem pela Alfaguara. A mulher do tigre foi publicado pela Leya Brasil com tradução de Santiago Nazarian.

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Nas listas que vi até agora fiquei surpreso com a menção a There but for me, de Ali Smith e O mapa e o território, de Michel Houellebecq (que a editora Record prometeu para esse ano, mas deve ficar para o ano que vem).

Bolaño HTML5
A nova edição da revista Granta (me refiro a inglesa mesmo, pois a revista está ganhando edições no mundo inteiro) com o tema "Horror" publicou o conto El Hijo del Coronel, de Roberto Bolaño - em inglês ficou The Colonel’s Son. A história de uma menina mordida por um zumbi ganhou uma versão em HTML5 com desenhos de Owen Freeman e dos web designers do escritório Jocabola. A animação percorreu a internet instantes depois de ter sido postada na página da revista. É realmente alucinante! Está disponível em http://tinyurl.com/cbeo2lc

Entrevista Sebald
O escritor alemão W.G. Sebald faleceu em 14 de dezembro de 2001 vítima de um acidente de carro. Dias antes do incidente, Sebald concedeu uma entrevista para a rádio KCRW (por conta do lançamento em inglês de Austerlitz) em que fala de suas influências literárias e sobre questões pertinentes a sua obra. A entrevista em inglês está disponível em http://tinyurl.com/6gkayu9

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Na edição #2 do fanzine Casmurros há um ensaio de Rick Poynor sobre algo que sempre me intrigou nos livros de Sebald: as fotografias. O ensaio chama "W.G. Sebald: escrevendo com imagens". O fanzine está disponível para download aqui.

Ruim de livro
Há dezenove anos o suplemento británico Literary Review entrega um prêmio literário que desperta o riso dos mais atirados e rubores no rosto dos mais pudicos: o Bad Sex in Fiction Award. Ganha o prêmio o autor que escrever a pior cena de sexo num romance lançado durante o ano. O jornal Guardian adiantou que entre os indicados desse ano estão Stephen King com uma cena de 11.22.63, Haruki Murakami com o badalado 1Q84. Mais nomes devem surgir até a entrega do prêmio em 6 de dezembro.

*Imagem reprodução.
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terça-feira, 15 de novembro de 2011

O REI ESTÁ PÁLIDO


Os espanhóis são mesmo muito rápidos no gatilho. Eles já estão lançando uma tradução para The pale king, romance póstumo de David Foster Wallace, quando nem bem o livro foi digerido pelos falantes de língua inglesa (já existem edições nos Estados Unidos e Reino Unido). Não sou conhecedor do mercado editorial espanhol, mas só ouço falar bem - dizem que é um dos mais prósperos da Europa. Por isso não espanta a notícia de que eles vão ler Foster Wallace junto com os povos do outro lado do Canal da Mancha, do oceano Atlântico e terras que falam inglês.

El rey pálido chega quinta-feira às livrarias espanholas pela Mondadori com tradução de Javier Calvo. A capa tem o mesmo projeto da edição norte-americana. Para comemorar o lançamento, o blog Papeles Perdidos (do jornal El País) publicou com exclusividade o primeiro capítulo da tradução. O trecho está disponível nesse link.

A editora explica um pouco da história do livro:
Os funcionários do Centro Regional de Investigação da Receita Federal em Peoria, Illinois, parecem bastante normais para o trainee recém-chegado David Foster Wallace. Mas a medida que ele mergulha em uma rotina tão enfadonha e repetitiva que os novos funcionários tem de receber treinamento de sobrevivência ao tédio, ele descobre a extraordinária variedade de personalidades atraídas para este chamado estranho. E ele chega num momento em que forças dentro da Receita Federal estão conspirando para eliminar até mesmo o pouco de humanidade e dignidade que o trabalho ainda tem. No seu estilo característico, cheio de citações, notas de rodapé e interrupções do autor na história, David Foster Wallace reflete sobre o tédio e felicidade.
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Por aqui, a gente conta apenas com a tradução feita por José Rubens Siqueira para coletânea de contos Breves entrevistas com homens hediondos. No entanto, no meio do ano a Companhia das Letras anunciou que vai lançar não só The pale king, como também uma coletânea de não ficção e Infinite jest - o monolito de Foster Wallace. Por enquanto, os três ainda não têm data prevista de lançamento. Seja como for todo mundo está comemorando e cruzando os dedos em busca de notícias. Afinal Foster Wallace tem uma verdadeira legião de fãs, assim como Thomas Pynchon, J.G. Ballard e outros tantos mais.

Detalhe: David Foster Wallace não tem nenhuma tradução em Portugal.

*Imagem: reprodução da capa da edição espanhola.

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sábado, 29 de outubro de 2011

NOTAS #31



Face oculta
Sylvia Plath é mais conhecida por sua eletrizante obra poética e por seu romance A redoma de vidro. O que nem todo mundo sabe é que ela também manteve uma intensa produção de pinturas e desenhos paralela a sua obra como escritora. Parte desses desenhos serão exibidos pela primeira vez numa exposição na Mayor Gallery, em Londres. Ao contrário do que a gente imagina, os desenhos demonstram um enorme talento escondido. São cenas bem acabadas de natureza morta, vilas, cafés parisienses e objetos isolados. O desenho reproduzido acima curiosamente chama "The Bell Jar" e supostamente tem ligação com um pequeno trecho do romance.

Biblioteca secreta
Quais eram os livros favoritos de Aldous Huxley? O que teria influenciado George Orwell? Será que Jorge Luis Borges lia romances policiais? A curiosidade sobre a leitura particular de grandes escritores muitas vezes ronda a nossa cabeça ao fechar de seus livros. A biblioteca secreta de cada um é algo tão pessoal que somente eles poderiam revelar. A correspondência de Samuel Beckett (que chegou as livrarias inglesas nessa semana) revela um pouco desse surpreendente segredo. Beckett cita em suas cartas sua admiração por Andrômaca, de Jean Racine, A volta ao mundo em 80 dias, de Júlio Verne, O castelo, de Franz Kafka e outros livros de Victor Hugo, Louis-Ferdinand Céline, Andre Malraux, William Faulkner e Albert Camus.

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A curiosidade dessas leituras fica por conta de O apanhador no campo de centeio, de J.D. Salinger (que Beckett afirma ter gostado muito) e A casa torta, de Agatha Christie (que ele achou bem cansativo).

Protestos na literatura
Em tempos de "Ocupe Wall Street" e protestos pelo mundo, nada melhor de que ler grande literatura em que manifestações de descontentamento ganham destaque no enredo. Assim acontece em À espera dos Bárbaros, de J.M. Coetzee (em muitos livros de Nadine Gordimer também), Barnaby Rudge, de Charles Dickens, A educação sentimental, de Gustave Flaubert, A pastoral americana, de Philip Roth e Shirley, de Charlotte Brontë. Cenas de protesto também estão presentes na literatura nacional, sobretudo na obra de escritores das décadas de 30/40 e 60/70 - quando enfrentamos ditaduras militares.

Ficção áudio eletrônica (2)
Na semana passada o projeto EletroFicção nos presenteou com a escritora Ana Paula Maia lendo um trecho do seu romance Carvão animal. Essa semana foi a vez de Luiz Ruffato ler o Fragmento 13 do romance Eles eram muitos cavalos - o escritor acaba de lançar Domingos sem Deus, quinto e último capítulo da série batizada Inferno provisório.

Tumblr quase literários
Os tumblrs voltados a assuntos ligados ao universo literário estão pipocando na internet. Depois do hilariante "Tô gato?" - que mostra "os gigantes da literatura antes de sair pra balada" (do tipo imperdível!) - tem "Not Foster Wallace" com sósias do cultura escritor norte-americano e "Nabokov, Bitches" com fotos e frases do escritor russo. Se você conhece algum outro, por favor, mande uma mensagem que prometo postar aqui no blog.




James Franco
O ator James Franco adora literatura e disso a gente não tem dúvida. Basta lembrar que ele já escreveu um elogiado livro de contos (Palo Alto: Stories), participou do book trailer de Gary Shteyngart e encarnou Allen Ginsberg no filme Howl. Recentemente Franco gravou de sua cama em áudio e vídeo a leitura do conto “William Wei", de Amie Barrodale para a revista Paris Review - o conto foi publicado na edição nº 197 da revista e está disponível para leitura aqui. o vídeo tem um pouco mais de treze minutos (sem corte ou edição). Quem quiser pode ouvir apenas o áudio clicando aqui.

*Imagem: reprodução

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terça-feira, 19 de abril de 2011

NOTAS #23


Biblioteca particular
A foto no alto mostra um dos livros da biblioteca particular de David Foster Wallace. É o romance Players, de Don Delillo repleto de anotações de toda a sorte e com uma letra miúda. O livro é parte do arquivo do escritor que está no Harry Ransom Center, na Universidade do Texas, Estados Unidos.

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Na semana passada, Foster Wallace voltou a ser o centro das atenções por conta do lançamento de The pale king - romance que ele deixou inacabado. Além das resenhas críticas em importantes jornais e revistas, Wallace ganhou um curioso ensaio assinado por Jonathan Franzen na revista New Yorker (os dois eram amigos e o ensaio fala sobre o amor). A revista disponibilizou temporariamente o ensaio no Facebook para quem desse um "curtir".

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Já Harry Ransom Center organizou um leitura de The pale king na data de seu lançamento. Paralelamente ao evento havia uma exposição com itens do arquivo do escritor, incluindo um livro que Foster Wallace usou para pesquisa enquanto se preparava para escrever The Pale King.

Trecho inédito
A Ilustríssima deu um presente para os leitores do escritor Ricardo Piglia. O caderno trouxe uma entrevista com o autor e publicou em primeira mão um trecho da tradução de Alvo noturno, romance que será lançado em agosto pela Companhia das Letras. Infelizmente, o site do jornal não menciona o nome do tradutor. Para os que desejam um aperitivo o trecho está disponível em http://tinyurl.com/3g2kvse

Atualização: a tradutora do trecho publicado pela Ilustríssima é Heloisa Jahn.

Dada
A notícia não deve ser tão nova, mas é de extrema importância. O site Ubuweb disponibilizou em seu acervo virtual os três primeiros números da revista Dada - idealizada por Tristan Tzara e ligada ao movimento Dadaísta. Há desenhos, pinturas, poemas e textos assinados pelos artistas do grupo vanguardista, incluindo o famoso Manifesto Dada de 1918. As edições estão disponíveis em http://tinyurl.com/7fpkvm

Parabéns, Beckett
Na semana passada o aniversário de Samuel Beckett foi comemorado com entusiasmo. O The New York Review os Books liberou um artigo escrito por Colm Tóibin chamado Happy Birthday, Sam! - publicado originalmente em 2006. Junto com o artigo havia uma série de ótimas ilustrações assinadas por David Levin. O texto está disponível em http://tinyurl.com/3bktxh2 e as ilustrações em http://tinyurl.com/3sz59pq

Literatura norte-americana
Dois lançamentos da literatura norte-americana devem aparecer em breve nas prateleiras das livrarias brasileiras. Segundo a coluna Painel das Letras publicada na Ilustrada, o romance Room, de Emma Donoghue teve os direitos adquiridos pela Editora Verus; e The tiger's wife, de Tea Obreht foi adquirido pela Leya Brasil. Os dois romances foram recebidos com boas críticas pela imprensa dos Estados Unidos, sendo Room um dos melhores do ano passado e The tiger's wife um dos mais aguardados desse ano.

Entendimento?
Desdobrando um pouco o debate da série Desentendimento, O Instituto Moreira Salles fez quatro perguntas ao escritor Bernardo Carvalho. O escritor foi citado no debate "como um exemplo de autor que não se encaixa no perfil de ‘literatura nacional’". As perguntas e respostas estão disponíveis em http://tinyurl.com/43uv842

*imagem: reprodução.
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sexta-feira, 1 de abril de 2011

NOTAS #22



Jack Kerouac
No mês passado, o blog americano Vol.1 Brooklyn fez um card estampando Jack Kerouac. O card foi feito para comemorar o aniversário do escritor beatnik que nasceu em 12 de março de 1922 e se estivesse vivo iria completar 89 anos. Além do desenho o card tem um trecho de Visões de Cody.

O rei está pálido
Desde janeiro The pale king, de David Foster Wallace está sendo considerado por muitos como o lançamento do ano no mercado editorial americano. O livro está em pré-venda na Amazon e todo mundo está desesperado atrás de uma cópia para ler antes. Três resenhas de peso pintaram na imprensa essa semana para aumentar as expectativas em torno do livro. No New York Times, "Maximized Revenue, Minimized Existence" por Michiko Kakutani; na revista GQ, "Too Much Information" por John Jeremiah Sullivan; e na revista TIME, "Unfinished Business" por Lev Grossman - o mesmo que escreveu o perfil de Jonathan Franzen como o melhor romancista americano. O lançamento acontece em 15 de abril, nos Estados Unidos.

Resenhas
Logo depois de "a resenha está morta, mas juro que não fui eu", topei com uma fala do escritor Martins Amis. Ela está na contracapa do livro Como funciona a ficção, do crítico da revista New Yorker:
"Não presto atenção nem levo a sério as resenhas literárias. Não se aprende nada com elas. Mas o que o crítico James Wood diz me interessa."
Evidentemente, a frase foi inserida para promover o livro. No entanto, espécie de ato falho, serve como mais um ponto de reflexão sobre a 'arte' (vamos chamar assim) de fazer resenhas.



Liberdade, liberdade
Os portugueses já estão contando as horas para o lançamento do romance Liberdade, de Jonathan Franzen. Não custa lembrar que esse foi o romance mais comentado do ano passado. O livro tem previsão de lançamento em 18 de abril e já está em pré-venda em algumas lojas. Saí pela editora Dom Quixote. A capa segue o mesmo designer elegante da edição inglesa - bem melhor que a capa americana. No Brasil, Liberdade será publicado em maio pela Companhia das Letras.

Ouça um bom conselho
O jornalista Michael Gove escreveu um artigo para o Telegraph dizendo que as crianças deveriam ler 50 livros por ano. Bastou uma semana para que Iain Hollingshead, outro jornalista do Telegraph, fizesse uma lista com 50 livros que as crianças não devem ler antes de morrer. Entre os escolhidos somente clássicos da literatura: Ulisses, 1984, O grande Gatsby, Orgulho e preconceito etc. Num estilo bem satírico, o jornalista explica porque cada um desses livros deve ser afastado das crianças. Sobre Crime e castigo, por exemplo, ele diz "um conto de angústia mental e intensos dilemas morais. Felizmente, é mais curto do que Guerra e paz". A lista completa está disponível em http://tinyurl.com/4jbduhu

Conto coletivo
O jornal português Público convidou o escritor Gonçalo M. Tavares para dar início a construção de um conto coletivo. Batizada de Conto Público a experiência contou com a participação de 26 leitores e foi finalizada no mês passado com direito a publicação na revista que acompanha o jornal. A experiência colaborativa está ficando cada vez mais frequente - já vi muitas outras acontecendo. Embora a história pudesse caminhar para um lugar sem volta, Gonçalo M. Tavares ajudou na edição e participou em momentos pontuais. O resultado pode ser conferido em http://tinyurl.com/3rfu2lq

*imagem: reprodução.
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sexta-feira, 11 de março de 2011

NOTAS #20


Sci-Fi Hi-Fi
A ficção científica pode ter nascido no século XIX, mas suas raízes remontam a Grécia antiga - acredite se quiser. Mas será possível contar toda essa história usando apenas uma página? O autor desse infográfico conseguiu - infelizmente não consegui encontrar o nome do autor (alguém sabe?). Tem de tudo um pouco: Franz Kafka, William Burroughs, gregos e indianos. E tem os clássicos também, claro! A imagem em tamanho bem grande está disponível em http://tinyurl.com/4m8pbex

Escritores em vídeo
O blog A piece of monologue reuniu, através do Youtube, o documentário Waiting for Beckett: a portrait of Samuel Beckett. É o primeiro documentário americano sobre o escritor com direção de John Reilly e Melissa Shaw-Smith. O material raro foi produzido para a TV em 1994 e inclui depoimento do próprio Samuel Beckett e várias pessoas próximas a ele. Os vídeos estão reunidos em http://tinyurl.com/6d48lbl

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Outro vídeo curioso vindo do Youtube tem o escritor Henry Miller falando sobre seu banheiro. Todo decorado com fotos, ilustrações, quadros e obras de arte, o escritor confessa que seu banheiro deixa todo mundo perdido - mas olhando o vídeo fica difícil imaginar algo tranquilo naquele lugar. É uma verdadeira viagem ao redor do mundo dentro de um único cômodo da casa. O vídeo está disponível em http://tinyurl.com/4be3em8

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Novamente um vídeo postado pelo blog A piece of monologue. Trata-se de um vídeo curtinho em que Philip Roth fala sobre a velhice http://tinyurl.com/488l6n6

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Para terminar, um outro vídeo em que o escritor David Foster Wallace fala sobre literatura comercial e leitura nos Estados Unidos. Divertida a analogia que ele faz entre a literatura mais cabeça e a música clássica. O vídeo está disponível em http://tinyurl.com/6h2n8xk

Utopia Antiutopia
Quando os escritores criam histórias sobre o futuro, dificilmente eles pensam em algo positivo. As previsões são sempre catastróficas. Pensando nisso, o Huffington Post organizou uma lista com 12 romances antiutopicos. Evidentemente Admirável mundo novo, de Aldous huxley; 1984, de George Orwell e Fahrenheit 451, de Ray Bradbury não poderiam ficar de fora. Tem também Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago; A estrada, de Cormac McCarthy e Não me abandone jamais, de Kazuo Ishiguro. A lista completa está disponível em http://tinyurl.com/6af46n4

Furo!
O escritor Joca Reiners Terron consegue cada furo de notícia que deixa a gente de cabelo em pé. Um dos últimos foi mostrar em primeira mão a capa de Tanto faz & Abacaxi, de Reinaldo de Moraes. Os dois livros saem juntos em reedição pelo novo selo Má Companhia, da Companhia das Letras. Joca, diz pra gente quem assina a capa.

*imagem: reprodução

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quinta-feira, 3 de março de 2011

TRÊS VEZES - DAVID FOSTER WALLACE

Se estivesse vivo, David Foster Wallace estaria completando 49 anos na semana passada. A data fez circular uma série de notícias a respeito do autor morto em 2008. Wallace era tido como um dos melhores escritores de sua geração.

A primeira delas foi o documentário "Endnotes: David Foster Wallace", apresentado pelo Professor Geoff Ward na rádio BBC. O programa foi ao ar no começo de fevereiro e trouxe um punhado de informações importantes a respeito de Foster Wallace. Nada parecido foi feito desde o seu suicídio. O documentário tem a participação de pessoas que foram muito próximas a ele: os escritores Don Delillo, Mark Costello e Rick Moody, sua irmã Amy Wallace, o editor Michael Pietsch e sua agente Bonnie Nadell. Para completar aparecem algumas entrevistas que o próprio Foster Wallace concedeu antes da publicação de Infinite Jest - até o momento esse romance de 1000 páginas é sua obra prima.



Revirando os arquivos o pessoal do The Ransom Center, na Universidade do Texas, encontrou o manuscrito da primeira página de Infinite Jest. Tem as anotações, os rabiscos, as correções e tudo mais - no melhor estilo Foster Wallace. (via mcnallyjackson)



Para completar uma história entitulada Backbone foi publicada na revista New Yorker. Na verdade, esse é um trecho de The pale king, livro inédito e inacabado de David Foster Wallace - deve ser o lançamento mais quente do ano, até o momento. O livro será publicado nos Estados Unidos em 15 de abril. Muito aguardado.

Para sentir um pouco do estilo de Foster Wallace, vou reproduzir aqui os dois parágrafos iniciais:
"Every whole person has ambitions, objectives, initiatives, goals. This one particular boy’s goal was to be able to press his lips to every square inch of his own body.

His arms to the shoulders and most of his legs beneath the knee were child’s play. After these areas of his body, however, the difficulty increased with the abruptness of a coastal shelf. The boy came to understand that unimaginable challenges lay ahead of him. He was six.

There is little to say about the original animus or “motive cause” of the boy’s desire to press his lips to every square inch of his own body. He had been housebound one day with asthma, on a rainy and distended morning, apparently looking through some of his father’s promotional materials. Some of these survived the eventual fire. The boy’s asthma was thought to be congenital".
O trecho completo está disponível aqui.

*imagem: reprodução.
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

NOTAS #16


Tchekhov em tirinhas
O cartunista Ben Greenman resolveu fazer um resenha diferente para um livro de Anton Tchekhov: uma tirinha. Bem humorado, o cara viu nos contos do autor russo um paralelo com a vida de diversas personalidades americanas. Vale uma leitura rápida, não leva nem cinco minutos. A tirinha completa está disponível em http://tinyurl.com/4vlkufn

Literatsi
O blog Literatsi está lançando na internet uma revista digital sobre literatura. O editor do blog e da revista, Luiz Fernando Cardoso, tocou todo o projeto para colocar o primeiro número no ar. Ele conta que esse número ficou um pouco atrasado por conta de alguns problemas, por isso algumas seções estão um pouco desatualizadas. De qualquer ele já está convidando colaboradores para o próximo número. O primeiro número da revista e mais informações estão disponíveis em http://tinyurl.com/4g79fja

Blog
O Instituto Moreira Salles está estreando um blog - http://blogdoims.uol.com.br/. Por enquanto já tem um debate em vídeo, textos da revista Serrote assinados por Boris Schnaidermann e um texto de Davi Arrigucci Jr. sobre um quadro de Ismael Nery. Para quem quer saber sobre ficção o destaque será a seção de correspondência entre o escritor Daniel Galera e o editor André Conti.

Book trailer
A editora Agir colocou no youtube um trailer incrível do livro O seminarista, de Rubem Fonseca lançado em 2009. Fonseca tem fama de ser avesso às entrevistas e aparições em público, mas por incrível que pareça ele é o narrador deste vídeo. O gesto lembra Thomas Pynchon que também é o narrador no trailer do livro Vício inerente. O vídeo de O seminarista produzido pelo pessoal do Retina 78 está disponível em http://tinyurl.com/ygkxdgz

Influências
O escritor americano Adam Levin publicou no ano passado The instructions - seu primeiro romance com mais de 1000 páginas. Ele disse que escreveu o livro influenciado por Infinite Jest, de David Foster Wallace - um romance tão grande quanto o seu. Entre outras influências ele citou Don Dellilo, Philip Roth e George Saunders. The instructions foi bastante comentado por conta do seu tamanho, mas passado o choque inicial o romance tem recebido críticas bastante positivas.

*imagem: reprodução da tirinha de Ben Greenman.

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