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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

JULGANDO LIVROS PELA CAPA (2): PORTUGAL X BRASIL

No ano passado peguei uma bela ideia emprestada e fiz uma brincadeira comparando as capas dos mesmos livros em edições brasileiras e portuguesas. Para não perder a tradição e pensando em quanto isso seria divertido, faço uma nova rodada da brincadeira. Tamanha diferença entre as capas portuguesas e brasileiras não deve causar muito espanto, afinal cada país tem uma cultura visual muito particular e algo atrai os portugueses pode não atrair os brasileiros, evidentemente. O exercício de olhar as capas lado a lado servem para especularmos sobre o trabalho do capista na hora de resolver o problema de como dar um rosto a um livro e vendê-lo para o leitor.

Digo de antemão que não sou especialista no assunto, portanto estou comentando sem muito compromisso. A caixa de comentários está aberta para quem quiser participar - por favor, fiquem a vontade. As capas das edições brasileiras estão do lado direito.
A grande arte, de Rubem Fonseca
Na reedição desse grande clássico contemporâneo os dois capistas pensaram na mesma coisa: uma faca. Não é à toa, já que esse elemento traduz bem o enredo do livro. Os portugueses optaram por uma singela ilustração que transpassa a capa e vai a contracapa, ao passo que a edição brasileira escolheu um raio-x dilacerante - para dizer o mínimo. Ponto para as duas.

a máquina de fazer espanhóis, de valter hugo mãe
A capa da Alfaguara portuguesa é bonita, mantém a identidade da marca e tem humor. No entanto, é difícil não se render aos encantos abstratos (querendo ser figurativos) de Lourenço Mutarelli e ao projeto gráfico caprichado da Cosac Naify. Como explica Paulo Chagas no blog da editora "o procedimento remetia aos papéis marmorizados das partes internas de antigas encadernações. Era como se a capa tivesse sido virada do avesso".

A noiva do tigre (A mulher do tigre, em Portugal), de Téa Obreht
Enquanto os portugueses "preferiram" a mesma capa dos norte-americanos, nós criamos um desenho de cores marcantes. Só que a edição portuguesa tem uma certa vantagem de não entregar tudo logo de cara. O tigre pela metade guarda o mistério entre ameaça e ajuda. O tigre da capa brasileira parece mansinho.

Os imperfeccionistas, de Tom Rachman
Um caso curioso de repetição. Tanto a edição portuguesa quanto a edição brasileira optaram pela mesma capa da edição americana. Se não estou enganado a mesma coisa aconteceu na Inglaterra, no Canadá, na Espanha e na Alemanha. Pobreza de ideias? Não sei dizer. Mas qual é o problema de reproduzir uma capa bem limpa e elegante como essa. Nem preciso dizer que o jornal ali diz tudo.

Liberdade, de Jonathan Franzen
Os portugueses seguiram colados a escolha da capa britânica e colocaram um imenso "L" gráfico com o detalhe pequeno da pena. No entanto, nos saímos melhor traduzindo a ideia de "liberdade" ao contrapor uma cerca (em estilo tipicamente americano, mas ao mesmo tempo universal) com um céu cheio de nuvens. Inclusive, acho nossa capa infinitamente superior a da edição norte-americana. Alguma coisa me incomoda naquele pássaro azul e naquelas letras meio de lado.

Livro, de José Luis Peixoto
O carinho de bebê na capa da edição portuguesa revela o ponto de partida do romance, nada que comprometa as surpresas que você vai encontrar no romance. Só que a capa brasileira com letras formando os desenhos dos azulejos portugueses é bem mais interessante - tem até textura por conta do relevo da impressão. Além disso, traduz bem a forma da segunda parte do livro. É bem metonímico o negócio. Nossa diferença cultural me leva a pensar será que em Portugal essa capa faria sentido?

*Tem uma curiosidade a respeito da edição portuguesa: a mesma imagem de capa foi usada no livro Tu ne jugeras point, de Armel Job (um escritor belga). Foi pura coincidência como está explicado aqui.
Os malaquias, de Andréa del Fuego
As duas capas são bonitas. Trabalham com a ideia de família. De qualquer forma, prefiro a capa brasileira: é mais clara e as sombras na parede mantém o segredo sobre a fisionomia das personagens.

Outra vida, de Rodrigo Lacerda
A nossa capa guarda algo de estático, nostálgico, triste. Sensação que as personagens do livro devem experimentar na pele, pois é sobre uma viagem de volta que trata o enredo. A capa portuguesa tem movimento, trânsito e mudança que ganham ares de tristeza graças aos guarda-chuvas abertos. Por mais colorido que sejam não deixa de ser triste.

Pornopopéia, de Reinaldo Moraes
A capa brasileira não revela nada. Parece que é uma foto de Reinaldo Moraes lendo alguma coisa. Serve para destacar o nome do livro em grandes letras vermelhas em cadência divertida. Em contrapartida a capa portuguesa leva a melhor com a brincadeira visual das formas femininas. Pode parecer clichê usar a "natureza" para retratar coisas mais picantes, mas considerando o enredo a imagem tem tudo a ver. Ponto para eles!

Se eu fechar os olhos agora, de Edney Silvestre
A nossa edição é mais bonita. A "limpeza" de informações valoriza a foto no alto. ficou elegante. Já a capa portuguesa vai bem quando recupera elementos do enredo e vai mal quando coloca o título grande em vermelho. Parece que pesou um pouco, embora lembre o jogo de fechar os olhos alertando para abri-los. Será isso?

*Imagens: divulgação e reprodução.

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sábado, 15 de janeiro de 2011

NOTAS #15


Huckleberry Finn politicamente correto
O cartunista americano Ruben Bolling fez uma brincadeira com o livro As aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain que está envolvido numa polêmica sobre racismo. Em três tirinhas o cartunista recria o clássico livro de Twain fazendo adaptações para torná-lo politicamente correto para os dias de hoje. A tirinha completa está disponível em http://tinyurl.com/6hr6n4d

Livros marcantes
O escritor João Ubaldo Ribeiro contou ao blog Tempo de Letras os livros que marcaram a sua vida. Entre os citados estão A ilíada, de Homero; os livros de Monteiro Lobato; e Don Quixote de La Mancha, na tradução de Viscondes de Castilho, "mais por conta das ilustrações de Gustave Doré" - contou ele.

Carta de Jack Kerouac
Uma carta de Jack Keroauc destinada ao ator Marlon Brando datada dos anos 50 foi uma das notícias mais comentadas da semana. Na correspondência, Keroauc pede a Brando que compre os direitos do livro On the road a fim de adaptá-lo ao cinema. O escritor beatnik seria Sal Paradise e o famoso ator seria Dean Moriarty. Quase 50 anos depois, o filme será finalmente lançado sob a direção de Walter Salles. Uma tradução da carta está disponível em http://tinyurl.com/4vr3d7b

Silvestre internacional
Se eu fechar os olhos agora, de Edney Silvestre pode não ter ganhado o Prêmio Jabuti de melhor livro do ano, mas em compensação está ganhando o mundo. O romance de estréia do jornalista será traduzido na França (pela editora Belfond), na Alemanha (pela editora Random House), na Sérvia (pela editora Giunti), na Holanda e em Portugal.

***

Edney Silvestre também está preparando o lançamento de seu próximo livro Felicidade é fácil que deve sair pela editora Record ainda em 2011.

Literatura asiática
O prêmio literário The Man Asian anunciou no final do ano passado a lista de indicados para o melhor livro publicado em 2010. Entre os dez concorrentes está o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, Kenzaburo Oe com o livro Torikae ko (Chenjiringu) - único autor da lista publicado no Brasil. Uma lista menor deve ser anunciada no mês que vem e o nome do ganhador será divulgado em março.

Contos
No final do ano passado o jornal O Globo anunciou a lista dos vencedores do concurso de contos Rio 2010. Foram dez finalistas, mas apenas três levaram o prêmio em dinheiros. O primeiro lugar foi para Erick Massoto de Almeida por "Nublado com chance de anarquia"; o segundo lugar ficou com Flávia Ruiz Perez por "Encontro com um amigo morto" e o terceiro lugar ficou com Natasha Mendonça por "Um dia perfeito para disco voador". Todos os contos foram publicados no jornal semanalmente.

Adeus papel
Pensando no desaparecimento do suporte, no fim do papel e na era digital um pessoal da Europa e dos Estados Unidos criou a revista Forté. Disponível no site http://www.magazineforte.com/ a revista é totalmente construída em formato de áudio. Você pode ouvir diretamente no site ou baixar um arquivo MP3 para ouvir onde quiser. A revista já está no quarto número. Parece coisa do futuro.

*imagem: reprodução da tirinha de Ruben Bolling.

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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

APOSTAS PARA 2011 - NACIONAIS E ESTRANGEIRAS


Mal começou o ano e todo mundo já quer saber quais lançamentos vão agitar o mercado editorial em 2011. Não sei como funciona esse negócio de anunciar com tanta antecedência as apostas para o ano que está começando, mas tradicionalmente nossas editoras não costumam comentar muito o assunto. Fuçando os jornais e alguns blogs foi possível descobrir bastante coisa - pode ser que a coisa esteja mudando.

Além dos títulos que estou listando abaixo, sei que muitos dos escritores da lista "20 escritores brasileiros com menos de 40" estão preparando novos romances. Não sei dizer se serão publicados em 2011.

Se alguém descobrir ou lembrar de algum outro lançamento e quiser contribuir, por favor, me mande um sinal de fumaça. Prometo ficar de olho e atualizar a lista a medida que receber as informações.

EDITORA RECORD
La carte et le territoire (O mapa e o território), de Michel Houellebecq
Parrot and Olivier in America, de Peter Carey
Nosso fiel traidor, de John Le Carré
Felicidade é fácil, de Edney Silvestre
Em silêncio, de Tatiana Salem Levy
Seria uma sombria noite secreta, de Raimundo Carrero
O cemitério de Praga, de Umberto Eco

EDITORA NOVA FRONTEIRA
The long song, de Andrea Levy
Bárnabo das montanhas, de Dino Buzzati
Tinkers, de Paul Harding

AGIR
O novo romance (ainda sem nome) de Rubem Fonseca

EDITORA ROCCO
Everything ravaged, everything burned, de Wells Tower
Minuto de silêncio, de Siegfrid Lenz

COSAC NAIFY
Guerra e paz, de Liev Tolstói
Dublinesca, de Enrique Vila-Matas**

COMPANHIA DAS LETRAS
Nemesis, de Philip Roth
Freedom, de Jonatham Franzen
Blanco nocturno, de Ricardo Piglia
Contra o dia, de Thomas Pynchon
O terceiro Reich, de Roberto Bolaño
A ninfa inconstante, de Cabrera Infante
O novo romance (ainda sem nome) de Sérgio Sant'Anna, pela coleção Amores Expressos
Os últimos soldados da Guerra Fria, de Fernando Morais
Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas, de José Saramago
Tanto faz, de Reinaldo Moraes (reedição)
Asterios Polyp, de David Mazzucchelli (graphic novel)**
The thousand autumns of Jacob de Zoet, de David Mitchell**
Autobiografia de Julian Assange (fundador da Wikileaks)**
Sunset Park, de Paul Auster**
O balanço da respiração, de Herta Müller**
Últimos dias, de Liev Tolstói**
Mecanismos internos, de J. M. Coetzee (um livro de ensaios)**
Guerra aérea e literatura, de W. G. Sebald**

ALFAGUARA
O sonho do Celta, de Mario Vargas Llosa
Sôbolos rios que vão, de António Lobo Antunes**

ESTAÇÃO LIBERDADE
O mestre do go, de Yasunari Kawabata**
O castelo de Yodo, de Yasushi Inoue**
Naná, de Emile Zola**

PETROBRAS CULTURAL
Guia de ruas sem saída, de Joca Reiners Terron - com desenhos de André Ducci

No mundo anglófono existem cronogramas em jornais, sites e blogs anunciando lançamentos previstos até o mês de dezembro. Listo abaixo alguns dos lançamentos mais esperados do ano nos Estados Unidos e Inglaterra - destaque para o livro inacabado de David Foster Wallace que já está sendo considerado por lá o lançamento do ano:

The empty family, de Colm Tóibín
While mortals sleep, de Kurt Vonnegut
You think that’s bad, de Jim Shepard
The tiger’s wife, de Tea Obreht
The pale king, de David Foster Wallace
The great night, de Chris Adrian
Between parentheses: essays, articles and speeches 1998-2003, de Roberto Bolaño
Say her name, de Francisco Goldman
Mondo and other stories, de J.M.G. Le Clezio
The tao of travel, de Paul Theroux
1Q84, de Haruki Murakami (terceiro volume)
The forgotten waltz, de Anne Enright
The new republic, de Lionel Shriver
Hot pink, de Adam Levin
The terrible privacy of Maxwell Sim, de Jonathan Coe

*imagem: capa do livro The pale king, de David Foster Wallace.
** Update - Atualização


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terça-feira, 26 de outubro de 2010

O LEITOR ESCOLHE QUEM LEVA O PRÊMIO


Nem só de prêmios internacionais com votos de um seleto grupo de críticos especializados vive a literatura. No Brasil, temos dois prêmios em vista em que qualquer leitor poderá ajudar na escolha do vencedor.

Até domingo, dia 31 de outubro, está aberta a votação do 'júri popular' para dezesseis categorias do Prêmio Jabuti 2010. O público pode escolher apenas um dos 3 vencedores de cada categoria que foram anunciados em 1 de outubro desse ano. Os mais votados receberão em novembro uma placa de premiação. O chamado 'Voto popular' é uma das novidades que a organização do prêmio preparou. Para votar, é só fazer um pequeno cadastro no site do prêmio e clicar nas suas escolhas.

Na categoria 'Contos e Crônicas' os três concorrentes são: Eu perguntei pro velho se ele queria morrer (e outras histórias de amor), de José Rezende Jr.; A máquina de revelar destinos não cumpridos, de Vário do Andaraí; e Paulicéia dilacerada, de Mário Chamie. Já na categoria 'Romance' os concorrentes são: Se eu fechar os olhos agora, de Edney Silvestre; Leite derramado, de Chico Buarque; e Os espiões, de Luis Fernando Veríssimo.

Também tem início essa semana a votação de 'júri popular' para a categoria Literatura do 4° Prêmio QUEM, organizado pela revista QUEM Acontece. A seleção dos sete finalistas dessa categoria foi feita pelos críticos Rinaldo Gama, Heloísa Buarque de Hollanda e Sérgio Rodrigues - eles podiam indicar obras tanto em prosa como em poesia, publicadas ao longo de 2010.

Dentre os finalistas estão: Andréa del Fuego, que lançou Os malaquias; Dalton Trevisan, que lançou Desgracida; João Paulo Cuenca, que lançou O único final feliz para uma história de amor é um acidente; Ronaldo Correia de Brito, que lançou Retratos imorais; e o escritor português José Saramago - In memorian.

Façam suas apostas!

*Imagem: reprodução.
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