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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

DAVID FOSTER WALLACE EM PORTUGUÊS

David Foster Wallace e Jonathan Franzen no lançamento de Infinite Jest, em 1996.

A gente fica salivando bastante quando vê um desses fenômenos em que livros gringos chamam atenção da mídia e ocupam as paradas literárias de sucesso. Feito aquele frango de padaria de domingo, muita gente conta os dias para devorar esse tal livro inteiro e reconhecer ou negar tudo o que andam dizendo pelos cantos. Foi o que aconteceu recentemente com Roberto Bolaño e Jonathan Franzen (para ficar com dois exemplos, apenas). Mas a fome sempre aperta quando um novo frango suculento surge na padaria do vizinho. De modo que todo mundo que acompanhou o burburinho em torno de David Foster Wallace e The Pale King, o aguardado livro póstumo e incompleto. Ele voltou a ser notícia essa semana, porque se estivesse vivo estaria completando 50 anos.
O nome de Foster Wallace começou a circular por aqui depois que a revista New Yorker organizou a primeira lista de 20 escritores com menos de 40 anos, em 1999. Nessa época ele já tinha se tornado o autor do homérico romance Infinite Jest e publicado vários textos de não-ficção (ensaios, reportagens etc.) na imprensa norte-americana. Em 2005, a Companhia das Letras publicou o livro de contos Breves entrevistas com homens hediondos com tradução de José Rubens Siqueira - um baita livro, por sinal. Mais ou menos na mesma época, Caetano Galindo, professor de linguística e tradução no curso de Letras da Universidade Federal do Paraná, nos presenteou com duas traduções inéditas do autor. Primeiro apareceu o conto A filosofia e o espelho da natureza (do livro Oblivion: Stories, de 2004), no portal Cronópios, e depois um capítulo de Infinite Jest, na revista Coyote nº 13 (editada pela Iluminuras). Não investiguei a fundo, mas parece que esse número da revista está esgotado. Se alguém tiver informações a respeito, por favor, entre em contato.

Em setembro de 2008, David Foster Wallace cometeu suícidio e deixou incompleto o romance em que estava trabalhando, The Pale King. O livro foi publicado somente em 2011, resgatando a força, o brilho e a genialidade da sua prosa. Ele foi considerado o "novo James Joyce".

De olho na repercussão desse lançamento a Companhia das Letras veio no ano passado como uma notícia salvadora: uma edição brasileira para Infinite Jest e The Pale King. A tradução de ambos vai ficar a cargo de Caetano Galindo (aquele mesmo de 2005). Boa decisão considerando a sua experiência anterior e paixão por Foster Wallace - Infinite Jest é para ele "o romance mais interessante dos anos 90".

Galindo já traduziu para o português obras de Thomas Pynchon, Tom Stoppard, Djuna Barnes, John Gray, Ali Smiht, entre outros. Atualmente está finalizando a tradução de A trama do casamento, de Jeffrey Eugenides (sai esse semestre pela Cia das Letras) e outra obra-prima da literatura moderna: Ulysses, de James Joyce (sai em abril pela Penguin-Companhia das Letras). Curiosamente ele começou a tradução de Ulysses em 2005, junto com as primeiras traduções que fez de David Foster Wallace.

Infinite Jest levou quatro anos sendo traduzido para o alemão e deve ficar pronto somente no ano que vem. Enquanto esperamos, está prometido para agosto desse ano o lançamento de uma coletânia de não-ficção organizada por Daniel Galera e com tradução dele e de Daniel Pellizzari. Vai ter A supposedly fun thing I'll never do again e Consider the lobster.

Sobre o futuro lançamento de The Pale King, ainda não há muitas notícias.

*Imagem: reprodução desse tumblr.
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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

OUTRAS REVISTAS DE LITERATURA

Nada melhor do que uma revista literária para atualizar a gente sobre tudo o que anda rolando e passa um pouco despercebido pela grande imprensa. Temos pelo menos três lançamentos para ficar de olho:

A revista paranaense está na edição #21 e tem 52 páginas recheadas de literatura. Entre os destaques estão poemas inéditos de Wilson Bueno, conto inédito de João Gilberto Noll, entrevista com a crítica norte-americana Marjorie Perloff, poemas do espanhol Leopoldo María Panero, aforismos de Franz Kafka, traduzidos por Silveira de Souza e um ensaio de Jair Ferreira dos Santos. A Coyote é publicada pela Kan Editora e tem edição dos poetas Ademir Assunção, Marcos Losnak e Rodrigo Garcia Lopes. A distribuição pelo Brasil ficou a cargo da editora Iluminuras.

Feita em terras cariocas, a revista lançou na semana passada seu primeiro número com o tema "Espelhos". Tem textos de escritores não muito conhecidos e traduções de Sylvia Plath, feitas por Marina Della Valle. O projeto gráfico é bem caprichado e a tiragem é de 500 exemplares numerados - para colecionar.

A revista foi criada pela área de Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-Americana da USP. Traz contos, ensaios, traduções e resenhas num jeitão bem acadêmico. Os destaques do número são: o conto Margens secas da cidade, de Milton Hatoum; um ensaio sobre as traduções de Haroldo de Campos para escritores hispano-americanos; um ensaio em espanhol de Carlos Espinosa Domínguez sobre Machado de Assis; e a resenha para o livro Cadernos de infância, de Norah Lange.

***

Em tempo também está saindo mais uma edição do Rascunho. Tem Adriana Lisboa, Beatriz Bracher, trecho do romance inédito de Andreï Makine (traduzido por Celso Mauro Paciornik), resenha para Verão, de J. M. Coetzee, texto de José Castello sobre Júlio Cortázar e muitas coisas mais.


*imagens: reprodução.

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