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quarta-feira, 23 de abril de 2014

DÊ AS BOAS VINDAS AO NOVO NÚMERO DO FANZINE

Até que enfim! O outono chegou, o frio está batendo na nossa porta e você pode ler a nova edição do fanzine #Casmurros_4 - está com atraso de um ano ou mais. Tamanha demora tem um lado positivo: vai matar a saudade que a gente tinha de ler textos mais longos, com diagramação diferente e boas ilustrações.

Dessa vez o tema central é a manifestação da neurose dentro da literatura - como forma ou tema. Na abertura tem uma ficção inédita de Cecília Gianetti chamada Manual para mortos-vivos


"Tem uma coisa muito boa que acontece quando você toma uma pílula dessas. Você dorme. Consegue dormir - pra ser mais específico".

E tem um ensaio emocionante de Adam Plunkett sobre David Foster Wallace, O rei dos fantasmas


"Ele era, claro, David Foster Wallace que eu conheci como Dave durante a primavera de meu primeiro ano no Pomona College, onde ele trabalhou até a sua morte em setembro daquele ano. A matéria que ele ensinava aquele semestre era 'Ensaio Literário'".

Mais um texto de Erika Mattos da Veiga, trechos de ficção de Adam Ross e André Viana; um texto de Freud sobre os devaneios dos escritores; uma entrevista muito curiosa com Tom McCarthy; e desenhos de Jason Novak (incluindo a capa - de onde retirei o logotipo do blog).

Humildemente vos digo que é uma das edições mais bacanas que já fiz. Veja você mesmo.
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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

NOTAS #28



CORTES
William Burroughs, o grande escritor beatnik, lá pelos idos dos anos 60 usou uma técnica chamada 'cut-up' para escrever uma série de romances experimentais (The nova trilogy - se não me engano nunca teve tradução para o português). A técnica nada mais é do que pegar um texto, cortá-lo e reorganizá-lo de maneira aleatória para criar um novo texto. Quem inventou o conceito do 'cut-up' foi o dadaísta Tristan Tzara. Lembra daquela Receita para fazer um poema dadaísta? O vídeo acima mostra o próprio autor explicando o método.

O MELHOR ANO DA FICÇÃO NORTE-AMERICANA
O blog da Publisher Weekly dos Estados Unidos escolheu o ano de 1958 como o melhor para a literatura norte-americana. Quer saber porquê? Naquele ano o ganhador do Pulitzer foi Morte na família, de James Agee; o Nobel de literatura foi para Boris Pasternak graças a seu romance Doutor Jivago; e o National Book Award ficou com As crônicas de Wapshot, de John Cheever. Segundo o blog nesse mesmo ano entre os concorrentes do National Book Award estavam O ajudante, de Bernard Malamud; Pnin, de Vladimir Nabokov; O amor vence tudo, de James Gould Cozzens; e A revolta de atlas, de Ayn Rand.

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O ano de 1958 também foi o lançamento de O mundo se despedaça, de Chinua Achebe, Bonequinha de luxo, de Truman Capote, Dr. No, de Ian Fleming, Os vagabundos iluminados, de Jack Kerouac e Exodus, de Leon Uris.

COMEÇOS E FINAIS INESQUECÍVEIS
Não tem aquela famosa série sobre 'os melhores começos inesquecíveis' de livros? Pois bem, a revista inglesa Stylist resolveu criar a versão quase definitiva do negócio. Para isso, preparou uma lista com 'os melhores começos inesquecíveis' e também com 'os melhores finais inesquecíveis'. No total são 100 itens para cada uma das categorias. Dos clássicos, aos best sellers contemporâneos tem de tudo um pouco. Mas como toda boa lista é abragente e rende boas discussões.

O SEGUNDO LIVRO
Adam Ross está lançando um novo livro após o enorme sucesso de seu romance de estréia - Mr. Peanut lançado no ano passado. Trata-se de uma coletânea com sete contos chamada Ladies and Gentlemen. Por conta disso tem aparecido várias notinhas envolvendo as leituras preferidas do autor. Numa delas, Ross fala sobre autores que gostou tanto a ponto de ler cronologicamente quase a obra inteira deles: Haruki Murakami, Evan S. Connell, Tobias Wolff, Don DeLillo, Saul Bellow e Italo Calvino são alguns. Noutra nota Ross recomenda alguns livros curtos, para quem não tem tempo, nem paciência de ler livros compridos: Primeiro amor, de Ivan Turgueniev; Um esporte e um passatempo, de James Salter e O castelo de destinos cruzados, de Italo Calvino.

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Em tempo, Mr. Peanut deve sair por aqui em novembro pela Companhia das Letras com tradução de Daniel Pelizzari.

LISTAS
Para finalizar mais duas listas bem curiosas.

Primeiro uma lista meio antiga, mas que sempre vale dar uma olhada: os livros mais roubados nos Estados Unidos. Entre eles: qualquer coisa de Charles Bukowski, William S. Burroughs ou Martin Amis; On the road - pé na estrada, de Jack Kerouac e A trilogia de Nova York, de Paul Auster. Será que temos uma lista dessas para livros aqui do Brasil? Gostaria muito de saber o resultado. Será que Paulo Coelho encabeça a lista?

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A segunda lista é dos dez livros mais depressivos, segundo o site AbeBooks. Em primeiro lugar ninguém menos que A estrada, de Cormac McCarthy (realmente, a história do pai e do filho tendo de lutar para sobreviver é bem triste!). Depois ainda tem o futuro desesperançoso em 1984, de George Orwell e a saga amarga em As vinhas da ira, de John Steinbeck. A lista completa está disponível aqui.

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sexta-feira, 3 de junho de 2011

DAVID MITCHELL E ADAM ROSS A CAMINHO

Dois romances que singelamente deram o que falar em 2010 estão em tradução para o português. The thousand autumns of Jacob de Zoet, de David Mitchell e Mr. Peanut, de Adam Ross devem chegar as prateleiras das livrarias brasileiras no segundo semestre desse ano.

David Mitchell pode ser considerado um escritor veterano. Publicou cinco romances, todos muito diferentes entre si, que nunca passaram despercebidos por crítica e leitores. Além de contar boas histórias, ele tem um estilo muito particular que o permite escrever histórias de natureza variada indo dos monumentais romances com múltiplos narradores ao longo dos séculos a simplicidade da vida de um menino gago nos anos 80. James Wood, num perfil sobre o escritor para a New Yorker, disse que Mitchell tem mais histórias na cabeça do que maneiras de realizá-las. Em The thousand autumns... Mitchell recria a atmosfera do Japão no começo do século XIX para contar a história de amor de Jacob de Zoet, um mercador holandês, por Orito Aibagawa, uma parteira japonesa.

O livro está sendo traduzido pelo escritor Daniel Galera - tradutor de John Cheever, Zadie Smith, Jonathan Safran Foer e Irvine Welsh. Galera postou no tumblr dele um trecho da tradução. É curto, mas dá para acompanhar a beleza da prosa de Mitchell.

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Adam Ross é um escritor novato, mas autor de um romance bastante "pretensioso" para um estreante - como muita gente falou. Para se ter uma ideia, ninguém menos que Stephen King - o mestre do terror(!) - disse que Mr. Peanut lhe causou pesadelos. Falou mais, é "um fascinante olhar sobre o lado negro do casamento desde Quem tem medo de Virgínia Woolf?". A tal pretensão de Ross está na estrutura do romance. Ele queria construir uma história que lembrasse uma fita de Moebius - aquela fita que tem apenas "um lado" e não tem fim. Além da estrutura repetida, o livro tem alusões ao universo dos videogames, ao filme Janela indiscreta, de Alfred Hitchcock, a obra do artista M.C.Escher e remete a Raymond Carver, Cheever e Updike. Já nasce como grande literatura.

Misteriosamente Alice Pepin, que é alérgica a amendoins, aparece morta com um amendoim na garganta. O primeiro suspeito do crime é o marido dela, David Pepin. A coisa fica complicada quando descobrimos que os dois investigadores envolvidos no caso também tem relações estranhas com suas esposas.

O livro está sendo traduzido pelo escritor Daniel Pellizzari - tradutor de David Foster Wallace, Hunter S. Thompson, Lawrence Durrell, William S. Burroughs, Irvine Welsh e adivinhem: David Mitchell.

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Autores favoritos de David Mitchell: Italo Calvino, Haruki Murakami, John Banville, Vladimir Nabokov, George Eliot, Muriel Spark e Ursula K Le Guin.

Autores favoritos de Adam Ross: Saul Bellow, Vladimir Nabokov, Joseph conrad, Italo Calvino, Haruki Murakami, Alice Munro.


*Imagem: reprodução.
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