terça-feira, 22 de abril de 2014

DEZ ESCRITORAS QUE VOCÊ VAI QUERER LER


Na semana passada, o romance The Goldfinch, da escritora norte-americana Donna Tartt faturou o respeitado Prêmio Pulitzer de Ficção. Parece que o jornal The Washington Post não gostou, mas o livro foi bastante celebrado por críticos e leitores - a boa trajetória inclui semanas consecutivas na lista de mais vendidos, presença em muitas listas de 'melhores do ano' e participação no Tournament of Books (foi eliminado nas quartas de final). A popularidade do romance foi tão grande que muita gente em Nova York enfrentou frio e longas filas para ver de perto uma exposição que exibia o quadro do pintor holandês Carel Fabritius que dá nome ao livro e serve de fio condutor do enredo. Não para por aí: boatos dão conta de que produtores da série de filmes Jogos vorazes querem adaptar The Goldfinch para o cinema. Tenho certeza que depois do prêmio o plano será levado a cabo por algum diretor conhecido.

Num resumo bem simplista, The Goldfinch conta a história de um adolescente chamado Theo Decker que perde a mãe num atentado terrorista no Metropolitan Museum e foge com uma pintura preciosa - o tal goldfinch, ou pintassilgo (em tradução livre), de Fabritius. Quem leu disse que é um romance de formação com ares de Charles Dickens que discute questões éticas, morais e estéticas. Detalhe curioso: Tartt levou 11 anos para concluir o livro porque ele é longo - um pequenino catatau de 784 páginas. Viva os longos!

Dias depois do anúncio, a imprensa anglófona voltou a tocar no assunto 'ficção feminina em 2014' pegando carona na hashtag #readwomen2014 proposta pela escritora e ilustradora Joanna Walsh no intuito de destacar e encorajar as pessoas a lerem livros escritos por mulheres - "marginalizada pelos jornais, revistas literárias e pelas edições com capas muito 'femininas'", segundo ela.

Vale lembrar que no ano passado mulheres foram vencedoras de diversos prêmios literários importantes (o que confirma a qualidade da ficção produzida por elas): Alice Munro levou o Nobel, Eleanor Catton levou o Man Booker, Marie Darrieussecq levou o Prix Médicis, Lydia Davis levou o Man Booker International, Cintia Moscovich levou o Portugal Telecom, Beatriz Bracher levou o APCA, Veronica Stigger levou o Prêmio da Fundação Biblioteca Nacional e Paula Fábrio levou o SP de Literatura.

Foi pensando nisso que resolvi criar uma lista com dez escritoras que merecem atenção e vão dominar as nossas estantes ao longo desse ano. É uma lista simples em que tentei privilegiar apenas lançamentos - certamente, vários livros ficaram de fora. Se você sentiu falta de alguma coisa, por favor, escreva nos comentários.

Donna Tartt
Ter ganhado o Pulitzer é um motivo e tanto para você incluir The Goldfinch na sua fila de leitura. O livro será publicado pela Companhia das Letras em setembro com tradução de Sara Grünhagen. Se você não aguenta esperar... pode ler da mesma autora A história secreta ou O amigo de infância ambos publicados pela Companhia das Letras.




Eleanor Catton
A jovem - e um pouco mais rica - escritora neozelandesa foi premiada pelo romance The Luminaries (curiosamente, o livro tem apenas 64 páginas a menos que The Goldfinch, ou seja, vivemos mesmo um tempo de romances LONGOS e aclamados por leitores e críticos) que chega será lançado pelo selo Biblioteca Azul, da Globo Livros. Se você não aguenta esperar... pode ler da mesma autora O ensaio publicado pela Record.

Louise Erdrich
The Round House, o romance vencedor do National Book Award em 2012 será lançado pela Alfaguara - finalmente! Erdrich é uma veterana e tem uma produção muito prolixa: já publicou ficção, não ficção, literatura infantil e poesia. Se você não aguenta esperar... pode ler Feitiço de amor, A rainha da beterraba, A coroa de Colombo, Histórias de amor ardente ou o mais recente Jogo de sombras, publicado pela Tinta Negra.

Julie Otsuka
A escritora norte-americana de origem japonesa tem apenas dois romances na bagagem e nenhum deles traduzido por aqui. A Grua Livros deve suprir essa falta publicando The Buddha in the Attic, um romance curto e sensível sobre um grupo de jovens mulheres trazidas do Japão para os Estados Unidos como "noivas escolhidas por fotografia" no começo do século XX. Ganhou o Prêmio PEN/Faulkner.

Jhumpa Lahiri
Depois de cinco anos sem publicar ficção, a escritora de belos olhos e fã de Mick Jagger voltou a conquistar a crítica com The Lowland que será publicado pelo selo Biblioteca Azul, da Globo Livros (a editora também promete reeditar outros livros da escritora que estão fora de catálogo). Se você não aguenta esperar... pode ler da mesma autora Terra descansada, O xará ou Intérprete de males que foram publicados pela Companhia das Letras.



Simone Campos
A escritora que mais experimenta no formato de seus livros promete publicar seu novo romance, A vez de morrer, em junho pela Companhia das Letras. Na semana passada, ela leu um trecho inédito na Livraria da Travessa (alguém estava lá? Conta como foi, por favor). Se você não aguenta esperar... pode ler OWNED - Um novo jogador, A feia noite ou No shopping, todos foram publicados pela 7Letras.

Luisa Geisler
Depois de formada em Relações Internacionais, a jovem e premiada autora deixou a editora Record, foi para a Alfaguara e vai lançar em agosto o romance Luzes de emergência se acenderão automaticamente. Se você não aguenta esperar... pode ler Contos de mentira ou Quiçá que foram publicados pela Record.

Patrícia Melo
Ela não gosta muito de classificar seus romances como literatura policial, pois eles não ficam presos aos elementos que caracterizam o gênero e apenas tomam emprestado o universo violento, criminoso e o ritmo narrativo quase cinematográfico. Seja como for, Fogo fátuo - seu próximo romance que sairá pela Rocco - terá um criminoso, um detetive e um mistério a ser desvendado. Parece até que a protagonista será uma mulher. Se você não aguenta esperar...  pode ler Acqua Toffana, O matador, Valsa negra, Escrevendo no escuro ou outros mais que também saíram pela Rocco.

Carola Saavedra
Única autora da lista cujo novo romance já foi publicado (chegou às livrarias nessa semana pela Companhia das Letras). O inventário das coisas ausentes conta uma história em duas partes: a primeira está centrada na figura de um narrador tomando anotações para um romance que vai escrever; e a segunda é o romance propriamente dito. A estrutura ambiciosa aliada ao enredo fragmentado deixam tanto as personagens quanto os leitores numa zona permanente de atenção.



Adriana Lisboa
Na verdade, Rakushisha não é um livro inédito porque foi publicado pela primeira vez em 2007. Acontece que ele estava fora de catálogo e, segundo consta, não era possível encontrá-lo nem mesmo em sebos. Por isso, a Alfaguara vai relançá-lo no próximo mês - o que quase equivale a um lançamento. Se você não aguenta esperar... pode ler Hánoi ou Sinfonia em branco (saíram pela Alfaguara) ou Azul-corvo, Um beijo de colombina ou Os fios da memória (saíram pela Rocco). 

*Imagens: reprodução da Wikipédia.

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segunda-feira, 14 de abril de 2014

CASMURROS - QUATRO ANOS


O #Casmurros está fazendo aniversário e completando 4 anos!

Segundo a numerologia "4" é o número da estabilidade. Se isso for verdade, vocês podem esperar pelo menos um texto por semana pelos próximos 12 meses. Detalhe: não entendo nada de numerologia e estou reproduzindo o que me contaram n'alguma mesa de bar. Tomara que seja verdade.

Brincadeiras a parte, sei que estou bastante ausente do blog desde a metade do ano passado. Eu tenho escrito com muito menos frequência do que gostaria e juro que queria mudar isso (aliás, sempre quero mudar isso). Ainda mais agora que blogs de literatura estão com tudo (embora eu deva reconhecer que o #Casmurros não é um blog com formato tão tradicional - tem um pouco de tudo quando o assunto é prosa de ficção). Das duas uma: ou falta tempo, ou falta inspiração pra escrever. Ideias, como sempre digo, não faltam. Seja como for, o blog está em plena atividade. Leio, anoto e divulgo no twitter ou guardo para comentar mais tarde.

(PAUSA PARA UM LONGO PARÊNTESE: queria que o #Casmurros fosse um espaço não só de resenhas literárias, mas também de notícias, críticas, ensaios, curiosidades, observações e outras bobagens mais relacionadas à prosa. Algo que fosse bem diferente do que a gente vê nos jornais, revistas e cadernos culturais. Não sei se estou conseguindo cumprir a tarefa, mas tenho me esforçado).

Do ano passado até agora, fiquei contente de ter participado do Festival BaixoCentro (ler Mário de Andrade no meio da praça é algo extraordinário; conversar com a Maria José Silveira e o Bruno Zeni também foram experiências magníficas); de ter contribuído com o evento "Pynchon in Public"; de ter elegido a "musa da literatura brasileira" (apesar do barulho de indignação de muita gente - volto a dizer: era uma brincadeira); de ter publicado uma conversa entre John Jeremiah Sullivan e Geoff Dyer; de comentar como a rua e a mobilização das cidades também estão na literatura (em memória a Marshall Berman); de ter comemorado de forma singela os "100 anos de No caminho de Swann - Marcel Proust" (teve bigode pra tudo quanto foi lado); e principalmente, de ter participado da Copa de Literatura Brasileira avaliando dois grandes livros da nossa prosa mais recente: Habitante irreal, Barba ensopada de sangue, Diário da queda e O sonâmbulo amador.

Alguém anima organizar uma festinha com bebida gelada, música boa e papos à toa sobre as coisas da vida (e sobre prosa de ficção também). Por enquanto, a guisa de comemoração: uma nova edição do fanzine deve sair até o final da semana. Só posso adiantar que está incrível, acho que vai agradar muita gente.

Para encerrar, quero reforçar que o #Casmurros acontece de forma independente e sem nenhum patrocínio, felizmente ou infelizmente - dependendo do ponto de vista. Agradeço a ajuda de todo mundo que responde aos meus pedidos e apelos (incluindo as editoras, os meus amigos e as pessoas que eu encho o saco para fazer tudo acontecer). Como disse no "texto inaugural" continuo esperando que toda sorte de pessoas participe do blog comentando e também compartilhando seu jeito de ler as coisas.

Agora, segue o baile.
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segunda-feira, 7 de abril de 2014

REVISTAS LITERÁRIAS PARA TODOS

Faz tempo que eu não recomendo revistas literárias por aqui e acho bem oportuno fazê-lo nesse momento, pois elas vivem uma fase interessante tendo que reinventar-se quando todo mundo só fala na crise vertiginosa que assola o mercado. É sintomático que seja assim. Não dizem que quando uma coisa morre é que ela ganha importância.


SILVA #4
Eu bem que tentei, mas não descobri nada a respeito do quarto número do SILVA (eu tenho os três anteriores). Só sei que tem uma ficção do Ricardo Lísias e uma resenha de Victor da Rosa sobre Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Para quem não conhece, o SILVA é um pequeno fanzine artesanal organizado pelo Lísias com distribuição gratuíta - o lema é "se dobra, mas não se vende". 


Jandique 
A revista organizada pela editora Encrenca, de Curitiba, completa seu primeiro ano de vida e coloca na rua sua quinta edição. Seu foco é a literatura curitibana e dessa vez as páginas são ocupadas com textos de Valêncio Xavier, Marcelo Sandmann, Vanessa C. Rodrigues, Luiz Felipe Leprevost, Daniel Zanella, entre outros. O destaque é a entrevista com  Caetano W. Galindo


Paris Review
A revista literária mais glamourosa do gênero vai publicar uma nova edição especialíssima com trechos de um romance recém-descoberto de Roberto Bolaño, textos de ficção de Lydia Davis e entrevistas com Cormac McCarthy e Thomas Pynchon (como vocês sabem ele é recluso, avesso a fotos, aparições e badalações). O portolio fotográfico é assinado por Salman Rushdie - que aderiu a moda dos 'selfies'.


Arte & Letra 
Voltada para a ficção e tradução de autores inéditos em português chega a edição "X". Tem textos de Julio Cortázar, Caetano W. Galindo, Suzana Montoro, Ivana Arruda Leite, Peter Panter, Luiz Ruffato e muitos outros.


McSweeney's 
Dave Eggers e sua equipe de editores não se cansam de fazer a revista literária trimestral mais inventiva do momento - existe desde 1998. Cada número parece único. Sua nova edição (de número 46) é totalmente dedicada a América Latina e reúne 13 histórias de crime com autores de dez países diferentes. Entre os Tem Alejandro Zambra, Santiago Roncagliolo, Juan Pablo Villalobos (praticamente brasileiro morando em Campinas e falando um português fluente), Joca Reiners Terron, Bernardo Carvalho e Carol Bensimon.


Revista Mapa 
É mais jovem de todas as revistas dessa lista e chega ao seu segundo número. Também vem de Curitiba e publica apenas ensaios, resenhas e artigos voltados ao universo literário em diagramação jovem e cheia de ilustrações bacanas. Os editores firmaram uma parceria estrangeira e publicam com exclusividade textos do New York Times e The New York Review of Books. Para termos uma ideia, esse número tem Margaret Atwood, Joyce Carol Oates, Mohsin Hamid, Zoë Heller, Vanessa C. Rodrigues, Luís Henrique Pellanda e muito mais. Tudo gratuíto.


Serrote 
Embora seja dedicada ao ensaio (esse gênero que acomoda todos os assuntos do mundo - para entender melhor vale ler "O ensaio e sua prosa", de Max Bense que está nessa edição) e as artes, essa charmosa revista também publica textos de ficção. Em seu novo número tem textos de W.H. Auden, Delmore Schwartz e Lou Reed. Destaque também para o ensaio de anotações visuais de Antonio Dias.


Granta (inglesa) 
Fechando a lista, a revista literária mais antiga ainda em atividade de que se tem notícia. Apesar de ter estendido seus domínios pelo mundo abrindo edições em línguas estrangeiras, a revista inglesa original não perde sua força. Se não estou enganado, o número que deve sair nas próximas semanas no Reino Unido será o primeiro sem o antigo editor, John Freeman. Será dedicado inteiramente ao Japão (e vai sair quase concomitantemente a versão japonesa da Granta) tem Adam Johnson, Tao Lin, David Mitchell, Ruth Ozeki e muito mais.

Bom, por enquanto é só. Se vc tiver algum fanzine ou revista do gênero e quiser divulgar por aqui, por favor, entre em contato.

*Imagem: reprodução de capas das revistas.
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segunda-feira, 31 de março de 2014

PROSA DE FICÇÃO BRASILEIRA EM 1964


Dan Brown e Rick Riordan nasceram em junho de 1964 e por serem recém-nascidos não tinham como saber o que se passava no Brasil, um longínquo país da América do Sul. Eles tão pouco podiam imaginar que anos mais tarde seriam dois dos maiores best-sellers da literatura "de aventura", vamos dizer assim. O fato é que em 1º de abril daquele ano, as Forças Armadas do Brasil tomaram o poder e instalaram no país o regime militar - ou ditadura militar - que durou por vinte e um anos. Foi um período obscuro para as liberdades individuais (houve censura brava aos meios de comunicação, repressão, exílio e tortura para pessoas opostas aos ideais do regime etc.), mas bastante iluminado para a cultura brasileira e para a nossa literatura, especialmente.

Naquele ano de 64, enquanto Jean-Paul Sartre ganhava o Prêmio Nobel de Literatura* e Saul Bellow publicava Herzog**, as editoras Civilização Brasileira, José Olympio, Martins e Editora do Autor eram responsáveis por alimentar as livrarias com uma enxurrada de livros de ficção. Essa produção era absorvida pela crítica em revistas, jornais e suplementos culturais que serviam como parâmetro para os leitores decidirem o que era interessante ou não (foi um período áureo porque tínhamos a revista Senhor, a Revista Civilização Brasileira, o suplemento literário do Jornal do Brasil etc.).

Infelizmente, dados sobre as tiragens e a quantidade de exemplares vendidos que poderiam apontar a circulação da nossa literatura entre os nossos leitores dependeria de uma pesquisa mais aprofundada e não consegui encontrar muita coisa. Considerando alguns dados do IBGE, não éramos um país de muitos leitores (há quem considere que não somos até hoje), pois a taxa de analfabetismo no Brasil na década de 60 era de 40,233% (faixa de pessoas com 15 anos e mais), ou seja, quase metade da população era incapaz de ler. Assim, a literatura brasileira era algo restrito a classe média que tinha dinheiro para consumir e aos círculos estudantis - trocando em miúdos, era coisa de intelectual. Embora a palavra "intelectual" soe pejorativa, vale dizer que durante todo o regime militar (sobretudo até 1968 quando acontece o AI-5) os intelectuais assumiram um papel central no debate político e na mobilização contra a repressão/censura uma vez que a cultura era o único espaço possível para exercício da liberdade.

A prosa de ficção brasileira publicada naquele ano não refletia diretamente o espírito de chumbo dos anos que viriam. Talvez esse papel estivesse reservado à crônica do período que saia diariamente nos jornais, sobretudo no trabalho de Carlos Heitor Cony cujo ponto alto de combate direto ao regime está em O ato e o fato, publicado naquele ano no calor da hora***. Olhando para um conjunto delimitado de lançamentos do ano de 1964 e sob um ponto de vista muito particular (o meu) considero que vivíamos um grande momento de experimentação formal do romance capaz de garantir a nossa literatura uma qualidade de alto nível - vide a prosa de introspecção de Autran Dourado, Clarice Lispector e Lygia Fagundes Telles, o nonsense humorístico de Campos de Carvalho e o jogo linguístico de Guimarães Rosa. Na outra ponta, também tínhamos a força da literatura regional com caráter de denúncia - vide Jorge Amado e José Cândido de Carvalho. No meio de campo tínhamos os contos enxutos e inventivos de Dalton Trevisan - vale registrar que Rubem Fonseca tinha acabado de publicar seu livro de estreia Os prisioneiros (1963).

Embora esse conjunto de obras seja primoroso houve uma divisão de opiniões em relação às mudanças que a literatura sofreu por conta do regime militar. Uma parte da crítica e da turma intelectual engajada classificava os romances psicológicos como alienados porque não tomavam partido da realidade social do país contra a política vigente. Já os romances realistas daquele ano pareciam demasiado alegóricos para o radicalismo político e a indignação com o estado das coisas. Foi com o endurecimento do regime nos anos pós-64, fechando editoras, caçando seus editores e proibindo a publicação de livros que nossa ficção pode absorver melhor a situação.

Um relato fidedigno, embora impregnado pelo espírito e pelo momento em que foi escrito, está no artigo “Prosa brasileira em 1964: balanço literário”, de Nelson Werneck Sodré (saiu na Revista Civilização Brasileira I, em março de 1965). O tom é melancólico. O autor diz que golpe foi responsável por interromper boas traduções de autores estrangeiros que estavam em curso e a publicação de prosa de autores brasileiros foi pobre - o artigo termina com a frase "Fizemos pouco ou fizemos muito, em 1964. Fizemos o que era possível". O destaque daquele ano fica por conta da crônica, sobretudo de cunho político, e do ensaio, um gênero que ganhava muito fôlego naquele momento.

Dito isso, fiz um levantamento informal e consegui encontrar uma lista com onze livros de prosa de ficção brasileira daquele ano. Certamente algumas coisas ficaram de fora. Tomei por base os nomes que ainda permanecem nas seleções da crítica e do cânone acadêmico. Se alguém se lembrar de outros livros, por favor, escrevam nos comentários.

O púcaro búlgaro
Campos de Carvalho
Civilização Brasileira







Verão no aquário
Lygia Fagundes Telles
Editora Martins









Manuelzão e Miguilim (Corpo de baile)****
João Guimarães Rosa
José Olympio









O coronel e o lobisomem
José Cândido de Carvalho
José Olympio









A paixão segundo GH
Clarice Lispector
Editora do Autor









A legião estrangeira
Clarice Lispector
Editora do Autor









Os pastores da noite
Jorge Amado
Martins









Uma vida em segredo
Autran Dourado
Civilização Brasileira








Antes, o verão
Carlos Heitor Cony
Civilização Brasileira






Morte na praça
Dalton Trevisan
Editora do Autor









Cemitério de elefantes
Dalton Trevisan
Civilização Brasileira










* Jean-Paul Sartre não só ganhou o Prêmio Nobel de Literatura como o recusou alegando que "nenhum escritor pode ser transformado em instituição".

** Trechos de Herzog, de Saul Bellow apareceram na revista Esquire, em julho de 1961, mas a primeira edição impressa em formato livro foi em 1964 pela editora Viking Press de Nova York.

*** Consta que durante a noite de lançamento, Cony autografou mais de 1600 exemplares do livro.


**** A obra Corpo de baile, de João Guimarães Rosa é composta por três novelas sendo que Campo geral, a primeira, foi publicado em 1956; em 1964, foi publicado Manuelzão e Miguilim com as novelas Campo Geral e Uma história de amor.

Imagens: capa dos livros reprodução.

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sexta-feira, 28 de março de 2014

O VENCEDOR DO TOURNAMENT OF BOOK 2014


Com um placar esmagador 11 votos contra 6, o vencedor do Tournament of Books 2014 foi The Good Lord Bird, de James McBride. O romance conta a história de Henry Shackleford, vulgo Onion, um jovem negro e escravo que precisa fugir do Kansas e acompanha o famoso abolicionista John Brown fingindo ser uma garota. A ação se passa em 1857 em meio as discussões violentas sobre a escravidão nos Estados Unidos. 

Além dos inúmeros elogios de crítica, McBride levou pra casa o National Book Award, um prêmio muito prestigiado da literatura norte-americana, desbancando concorrentes como Jumpha Lahiri, Thomas Pynchon e George Saunders.


O livro será publicado aqui provavelmente no final do segundo semestre pela Bertrand Brasil, com tradução de Roberto Muggiati.

*Imagem: divulgação.
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sexta-feira, 21 de março de 2014

NOTAS #45


DAVID FOSTER WALLACE POP
A vida do escritor David Foster Wallace durante a turnê de lançamento do monumental romance Infinite Jest será registrada no filme "The End of the Tour", dirigido James Ponsoldt - se não me engano, um diretor independente ainda pouco conhecido. A história será baseada no livro Although Of Course You End Up Becoming Yourself: A Road Trip with David Foster Wallace, escrito por David Lipsky quando era repórter da revista Rolling Stone e recebeu a missão de acompanhar Foster Wallace numa viagem de cinco dias para escrever um perfil sobre o sujeito que seria o escritor mais importante da literatura norte-americana contemporânea. Acontece que o perfil não foi publicado e anos mais tarde (após o suicídio de Wallace) o material virou um tremendo livro. O ator e comediante Jason Segel foi escalado para o papel de David Foster Wallace e o ator Jesse Eisenberg será David Lipsky.

O filme ainda não tem previsão de lançamento, mas as gravações já começaram e uma foto de bastidores (acima) está rodando a internet.

***

Eu não sabia, mas o livro Breves entrevistas com homens hediondos ganhou uma versão para o cinema dirigida por John Krasinski - em 2009.

***

No segundo semestre, a Companhia das Letras deve publicar a tradução de Caetano Galindo para Infinite Jest. O romance póstumo The pale king também está nos planos da editora, mas a tradução deve ficar para o ano que vem.

ACELERA!
Uma empresa norte-americana que estava de olho no mercado de aplicativos para celular pegou carona na mesma ideia daqueles antigos curso de "leitura dinâmica e memorização" e criou o Spritz, um aplicativo que aos poucos treina o seu olhar para ler até 600 palavras por minuto - não conheço uma pessoa que seja capaz de tamanha destreza. Não sei dizer em que medida essa leitura apressada pode ser proveitosa quando lidamos com textos de ficção mais elaborados (que tem como foco um trabalho de linguagem mais cuidadoso, poético, evocativo etc., onde o barato é curtir as palavras ao invés de chegar na última linha do livro). Talvez seja uma habilidade interessante para revisores, preparadores ou pessoas que trabalham com grandes quantidades de texto a toque de caixa. Pensar que os cursos de leitura dinâmica - será que ainda existem? - eram vendidos naqueles comerciais de TV estilo "ligue agora e adquira..." ou por meio daqueles vendedores que abordavam a gente na escola, no shopping ou na rua.

CLARO COMO HEMINGWAY
Você gosta de escrever e não consegue encontrar ninguém para revisar seus textos e dar aquele toque estilístico especial? Pois bem, agora existe um aplicativo que faz tudo isso por você e ainda deixa o seu texto com o mesmo estilo do famoso escritor Ernest Hemingway. Basta acessar o aplicativo, inserir o seu texto e pronto. 

***

Estranho foi descobrir que alguns usuários inseriram textos do próprio Hemingway e o aplicativo fez algumas sugestões de alteração. Deve ser algum erro no algoritmo. 

UM CONTO, POR FAVOR
Carlos Henrique Schroeder é um sujeito inquieto. Além de leitor, escritor, tuiteiro, agitador cultural, editor-executivo da revista Pessoa e curador do Festival Nacional do Conto, ele ainda encontra tempo para organizar a coleção Formas Breves, da e-galáxia, totalmente dedicada ao gênero conto. Qualquer leitor que tenha um e-reader pode comprar um conto por R$ 1,99. Entre os autores da coleção estão Miguel Sanches Neto, André de Leones e José Luiz Passos, mas a ideia é lançar um conto inédito por semana.


CAMALEÃO
O escritor inglês David Mitchell, também conhecido como o camaleão da literatura inglesa, vai publicar um novo romance em setembro. The Bone Clocks vai contar a história de uma pessoa ao longo de seis décadas tendo como ponto de partida o ano de 1984.

***

A tradução do elogiado romance Os mil outonos de Jacob de Zoet deve sair pela Companhia das Letras ainda esse ano. Bem que a FLIP poderia convidá-lo.

*Fotos: reprodução do Google e Twitter.

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sexta-feira, 14 de março de 2014

HOUELLEBECQ POP


No mês que vem chega às lojas o disco Aubert chante Houellebecq - Les parages du vide, do cantor francês Jean-Louis Aubert todo baseado em poemas de Michel Houellebecq. Eu não tinha a menor ideia, mas o escritor já participou de outros três discos: Le sens du combat (de 1996), em que recita poemas; Présence humaine (de 2000) em que recita poemas com acompanhamento musical e arranjos de Bertrand Burgalat; e Etablissement d’un ciel d’alternance (de 2007), outro disco de poemas recitados com acompanhamento musical de Jean-Jacques Birgé. 

A diferença é que nesse novo disco a figura de Houellebecq fica restrita a autoria dos textos e poemas e a tarefa de transformar o material em música e fazer as canções acontecerem foi de Jean-Louis Aubert.

Posso estar enganado, mas acho que Aubert não é uma figura muito conhecida fora da França (ele foi integrante de uma banda punk do final dos anos 70 chamada Téléphone - muito boa por sinal -, a banda acabou, ele seguiu carreira solo, lançou vários discos e também compos a trilha sonora do filme Há tanto tempo que te amo, de Philippe Claudel). 

Para matar a curiosidade de muitos fãs, a gravadora liberou a canção Isolement com direito a videoclipe estrelado pelo próprio Houellebecq - cheio de bom humor e distante daquela imagem de autor carrancudo.



Quando li a notícia, me lembrei que o cantor Iggy Pop também fez um disco inteiramente dedicado ao universo de Houellebecq depois de ler A possibilidade de uma ilha. Será que em breve o escritor vai abandonar a literatura e adentrar definitivamente o universo popular da chanson française?

*Imagem: capa do disco Aubert chante Houellebecq - Les parages du vide/divulgação
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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

JULGANDO LIVROS PELA CAPA (4): PORTUGAL X BRASIL

Se você acompanha esse blog desde o começa deve saber que todos os anos faço uma brincadeira comparando as capas dos mesmos livros em edições portuguesas e brasileiras. Virou tradição. Por isso, vamos aos costumes.

Lembrando que não sou especialista no assunto e estou comentando descompromissadamente. Cada país tem a sua próprio cultura visual e cada consumidor tem uma preferência na hora de escolher um livro pela capa. As observações servem como um exercício especulativo sobre o trabalho do capista (ou da editora) na hora de dar uma "cara" para o livro.

A caixa de comentários está aberta para quem quiser participar - por favor, fiquem à vontade. As capas das edições brasileiras estão do lado esquerdo.


Vida querida, de Alice Munro
Começamos com uma ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura (não tem quem não se espante ao perceber, ainda hoje, que a Academia Sueca resolveu premiar uma escritora de... contos) que merece todas as pompas e honrarias. Uma pena que os portugueses não deram o tratamento necessário. Tá certo que essas folhas vermelhas 'simbolizam' a experiência acumulada ao longo dos anos da vida, mas o resultado ficou muito simplistas e acho que passaria despercebido pelas vitrines. Em contrapartida, as moças praticando saltos ornamentais da capa brasileira apontam para o risco, audácia e ousadia. Fora a cor deliciosa para os olhos. Ponto pra gente!


O sermão sobre a queda de Roma, de Jérôme Ferrari
Eu entendo a boa intenção dos portugueses ao colocar essa foto da família em escadinha - tem um pouco a ver com o enredo do livro e com a ideia de declínio. Já a capa brasileira, por mais que tenha optado por dar um corte fechado no dorso da estátua, sintetiza tudo o que precisa dizer de maneira clara e objetiva. Desculpem, mas esse ponto é nosso outra vez.


Diário da queda, de Michel Laub
Muito bem, a capa brasileira é muito bonita e forte (sem mencionar esse tom cinza que é o tom que o narrador imprime em seu relato). No entanto, não há como não se render aos encantos desse boneco segurando com força na barra para não cair. Ponto para os portugueses.


A arte do jogo, de Chad Harbach
Os portugueses optaram por essa mistura de cores que conduzem o nosso olhar para a bola de beisebol. Ficou divertido e deu movimento. Já a capa brasileira preferiu não arriscar e optou por seguir o mesmo visual da edição norte-americana. Pela ousadia, acho que os portugueses merecem levar esse ponto.


É assim que você a perde, de Junot Díaz
Eis uma escolha bem difícil, pois a fotografia da capa portuguesa emoldurada pelo branco tem apelos poéticos que hipnotizam. A edição brasileira também não deixa por menos usando essa letra orgânica, de cor vermelha (tipo sangue) e com ares muito atuais (lembram grafites, lambe-lambes etc). Acho que deu empate técnico.


Mudanças, de Mo Yan
Outro Prêmio Nobel de Literatura. Seria injusto dizer que a capa da edição portuguesa não tem o seu valor. Ela é minimalista na medida certa - não comete exageros e nem peca pelo excesso. Só que a capa da edição brasileira parece mais requintada (tal qual um Prêmio Nobel merece) e a editora cuidou com muito capricho do visual do livro como um todo. Ponto pra gente.


Barba ensopada de sangue, de Daniel Galera
O nadador sem nome e portador de uma doença rara que o faz esquecer da fisionomia das pessoa ganhou um rosto (ainda que escondido em penumbra) na edição portuguesa. Inclusive, ele tem até um biotipo bem jovem e europeu - na minha leitura imaginava alguém com rosto e corpo mais velho, não sei dizer ao certo o motivo. Não deixa de ser uma foto bonita que deve funcionar muito bem para os leitores de lá. Aqui, a capa teve três cores diferentes, a letra orgânica, um "desenho" que lembra uma mancha e riscos que lembram os pêlos de uma barba (ensopada de sangue, claro!). Alguém disse 'empate'?


A infância de jesus, de J.M. Coetzee
A capa da edição portuguesa não diz muita coisa porque preferiu destacar o nome do autor e usar apenas duas pequenas ilustrações (silhuetas) das personagens principais do enredo. Será que uma imagem moderna de Jesus poderia causar polêmica? Nesse aspecto, a edição brasileira foi mais audaciosa e colocou esse menino ostentando um estiloso óculos escuro e uma capa (de super-herói?). Ponto pra gente!

Obs.: as edições australiana e alemã tem a mesma capa


A chave de casa, de Tatiana Salem Levy
Não sei se o costume de deixar a chave de casa embaixo do tapete é universal. Acredito que sim - é um gesto comum de personagens em livros e filmes do mundo ocidental. A capa brasileira aposta nisso. É uma boa sacada e ficou bem visualmente. A capa portuguesa tem um apelo poético com esse azul melancólico e esse vento que balança o coqueiro a contra-luz. Acho que vale um empate.


Os transparentes, de Ondjaki
A capa brasileira só seria mais transparente se fosse feita totalmente em acrílico (sei lá como chama aquele papel). Lembra aquela brincadeira de raspar a tinta da superfície para ver o que está escrito por baixo. Achei tudo muito acertado. No entanto, a capa portuguesa é mais quente (graças ao vermelho que toma o fundo inteiro) e a ilustração que parece um prédio visto sem as paredes é incrível. Ponto para os portugueses.


O testamento de Maria, de Colm Toibin
Parece que a fim de evitar polêmicas (a personagem do livro também faz referência ao catolicismo) a editora optou apenas pelo título em fundo branco. Perdeu a oportunidade de recorrer ao vasto e rico repertório de representações de Maria nas artes plásticas. A edição brasileira seguiu por esse caminho e ganhou muito mais pontos com a imensa cruz branca que ocupa tudo de ponta a ponta. Ponto pra gente!


Festa no covil, de Juan Pablo Villalobos
A capa portuguesa tem qualquer coisa meio "tex-mex", não? Parece inspirada nos cartazes do velho oeste norte-americano. A capa brasileira é muito mais interessante porque parece mais tipicamente mexicana (para não dizer, mais autêntica). Ponto pra gente.

*Imagens: divulgação e reprodução.
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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

UMA 'ESPIADINHA' DESCOMPROMISSADA NO TOURNAMENT OF BOOKS 2014


Yes, nós temos o nosso próprio torneio de livros (também conhecido como Copa de Literatura Brasileira), mas não custa nada dar aquela 'espiadinha' descompromissada no Tournament of Books que nos serviu de inspiração. Se mesmo assim você não estiver convencido aqui vão algumas razões para lançar mão de um gesto tão simples: a seleção de 'competidores' é bem interessante e serve como um filtro para saber o que os norte-americanos estão lendo e gostando; o julgamento é democrático e participativo; as avaliações dos jurados são despretensiosas; e muito do que pinta no tournament vem para as nossas estantes (se o livro for o 'vencedor', tanto melhor para a editora que vai publicá-lo no Brasil). 

Além disso, o Tournament of Books está completando 10 anos num momento bastante fértil para a prosa de ficção - contrariando muita gente que declara o romance como um gênero morto e a falta de interesse dos leitores por literatura de ficção. Para termos uma ideia a primeira lista do tournament contava com 93 livros, entre eles medalhões da prosa norte-americana.

A seleção final dos livros que vão concorrer ao torneio desse ano foi anunciada na segunda semana de janeiro para matar a curiosidade geral. A lista está mais multicultural porque inclui uma série de autores de outras nacionalidades: um alemão, um moçambicano, um peruano, um paquistanês, uma havaiana e uma neozelandesa. Evidentemente, para participar da competição todos os livros foram publicados nos Estados Unidos.

Não deve ter sido uma decisão muito fácil eliminar Margaret Atwood, Colum McCann, Thomas Pynchon, George Saunders, Dave Eggers e Paul Harding. Imagine a responsabilidade!

Quem pretende acompanhar o torneio vai ficar contente em saber que três livros já foram publicados aqui no Brasil - O jantar, de Herman Koch; Antes de nascer o mundo, de Mia Couto; A assinatura de todas as coisas, de Elizabeth Gilbert - e outros seis livros estão nos planos das editoras nacionais para saíram ainda esse ano - é o caso de Daniel Alarcón (pela Alfaguara), Eleanor Catton, Jhumpa Lahiri (ambas pela Biblioteca Azul, da Globo Livros), James McBride (pela Bertrand Brasil), Mohsin Hamid e Donna Tartt (ambos pela Companhia das Letras). Um dos jurados será John Freeman, ex-editor da revista Granta.

Fiquei contente com a participação de Mia Couto - nosso representante da língua portuguesa - e nem preciso dizer para quem vai a minha torcida. Sorte para o livro dele!

Os livros concorrentes são:

At Night We Walk in Circles, de Daniel Alarcón
The Luminaries, de Eleanor Catton
Antes de nascer o mundo, de Mia Couto
A assinatura de todas as coisas, de Elizabeth Gilbert
How to Get Filthy Rich in Rising Asia, de Mohsin Hamid
O jantar, de Herman Koch 
The Lowland, de Jhumpa Lahiri
Long Division, de Kiese Laymon
The Good Lord Bird, de James McBride
Hill William, de Scott McClanahan
The Son, de Philipp Meyer
A Tale for the Time Being, de Ruth Ozeki
Eleanor & Park, de Rainbow Rowell
The Goldfinch, de Donna Tartt
The People in the Trees, de Hanya Yanagihara

O décimo sexto concorrente foi escolhido por votação e será divulgado em breve - a vaga será do livro Life After Life, de Kate Atkinson ou Woke Up Lonely, de Fiona Maazel.

A propósito, o Tournament of Books 2014 começa em março.

*Imagem: Site ToBX/reprodução
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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O NOVO VALTER HUGO MÃE

Notícia da coluna de Mônica Bergamo no caderno Ilustrada, da Folha de SP:

A CABECEIRA
Ney Matogrosso recebeu os originais do próximo livro do escritor Valter Hugo Mãe. A pedido do autor, leu "Desumanização", que será lançado pela Cosac Naify, e escreveu: "A leitura provoca um turbilhão, uma vertigem de imagens pelas quais o leitor fica possuído. Inquietante, tenso e ao mesmo tempo ingênuo e puro". A frase será impressa na cinta que embala o livro.

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