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sexta-feira, 14 de março de 2014

HOUELLEBECQ POP


No mês que vem chega às lojas o disco Aubert chante Houellebecq - Les parages du vide, do cantor francês Jean-Louis Aubert todo baseado em poemas de Michel Houellebecq. Eu não tinha a menor ideia, mas o escritor já participou de outros três discos: Le sens du combat (de 1996), em que recita poemas; Présence humaine (de 2000) em que recita poemas com acompanhamento musical e arranjos de Bertrand Burgalat; e Etablissement d’un ciel d’alternance (de 2007), outro disco de poemas recitados com acompanhamento musical de Jean-Jacques Birgé. 

A diferença é que nesse novo disco a figura de Houellebecq fica restrita a autoria dos textos e poemas e a tarefa de transformar o material em música e fazer as canções acontecerem foi de Jean-Louis Aubert.

Posso estar enganado, mas acho que Aubert não é uma figura muito conhecida fora da França (ele foi integrante de uma banda punk do final dos anos 70 chamada Téléphone - muito boa por sinal -, a banda acabou, ele seguiu carreira solo, lançou vários discos e também compos a trilha sonora do filme Há tanto tempo que te amo, de Philippe Claudel). 

Para matar a curiosidade de muitos fãs, a gravadora liberou a canção Isolement com direito a videoclipe estrelado pelo próprio Houellebecq - cheio de bom humor e distante daquela imagem de autor carrancudo.



Quando li a notícia, me lembrei que o cantor Iggy Pop também fez um disco inteiramente dedicado ao universo de Houellebecq depois de ler A possibilidade de uma ilha. Será que em breve o escritor vai abandonar a literatura e adentrar definitivamente o universo popular da chanson française?

*Imagem: capa do disco Aubert chante Houellebecq - Les parages du vide/divulgação
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quarta-feira, 3 de julho de 2013

TÃO DIVERTIDO QUANTO A FICÇÃO

A FLIP começa hoje com dois grandes desfalques: o francês Michel Houellebecq (que será substituído por uma mesa cujo tema são as manifestações que tomam as ruas do país) e o norueguês Karl Ove Knausgård (que cancelou a participação ontem, alegando motivos pessoais, e será substituído por Juan Pablo Villalobos). Sobre Houellebecq já comentei num outro texto; quanto ao Knausgård, achei a notícia ruim, mas me conforta saber que a série autobiográfica Minha luta é composta por 6 volumes. De modo que ainda teremos outras cinco oportunidades para vê-lo de perto.

Saindo da realidade e adentrando as raias do exercício imaginativo, Raphael Dyxklay (crítico literário, tradutor de obras de Charles Dickens e agitador cultural) enviou para cá uma "cartinha" propondo a "FLIP dos sonhos". Achei a proposta muito original e fiquei pensando cá com meus botões no que o grande público diria. Será que a seleção seria aprovada ou reprovada? Jogo a avaliação nas mãos dos leitores e convido, assim como o Raphael também convida, todo mundo a enviar propostas e comentar o assunto.

"Caro,

Minha mãe chegou ontém - ou será que foi anteontém? - com uma história de que iria a FLIP comigo, já que estava com ingressos sobrando. Minha mãe não é uma pessoa má, só que de literatura ela não entende. Dentre os escritores convidados ela não conhece nem o Francisco Bosco (sorte dela). Como bom crítico que me julgo, adaptei meus critérios e separei lugares para ela nas mesas de autores pintosos, como a do Laurent Binet com o Aleksandar Hemon. É verdade que ela preferiria vê-los jogando volêi de praia do que falando idiomas desconhecidos, mas paciência...

Agora, sabe que ela me aflorou minha própria decepção com esse ano. Fora a mesa dos inteligentes (e belos) autores já citados poucas outras me agradaram. Então resolvi propor-lhe uma curadoria ficcional a qual você e o público do seu blog poderia acrescentar mais nomes. Obviamente levamos a vantagem sobre o Miguel Conde de, na ficção, nenhum autor ter a coragem de nos recusar o convite. O que também não vai me impedir de ir correndo à edição verdadeira, afinal, como disse o Woody, "a realidade é chata, eu não nego, mas é o único lugar onde você pode comer um bom bife".

O que vejo de mais grave na curadoria atual são mesas que se atem ao previsível, unindo autores muito próximos (de modo a estereotipá-los: como com Javier Cercas e Juan Gabriel Vasquez) ou muito simpáticos um ao outro (Egan e McEwan). Outra coisa é não valorizá-los por seu conteúdo extra ficcional. Quem ler a entrevista que Houellebecq deu a Paris Review pode perceber quão pouco interessante são suas considerações ainda que para fãs de sua ficção."

Seguem as mesas:




*Arte: Rafael R.
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domingo, 2 de junho de 2013

A PROGRAMAÇÃO DA FLIP 2013


A FLIP anunciou a programação completa da sua décima primeira edição que acontece entre os dias 3 e 7 de julho. Como os curadores gostam de lembrar, a Festa é um evento de artes, humanidades e ideias cujo eixo central é a literatura. O que não engessa os assuntos das mesas e permite mudanças, inovações, experiências e surpresas aos expectadores. Quem não se lembra do ano em que o homenageado foi o sociólogo Gilberto Freire? Não estou menosprezando a importância de sua obra, mas destacando o fato de que com essa manobra a FLIP estava ampliando seu repertório condutor. Portanto, não causa espanto os debates sobre cinema, artes plásticas e arquitetura. 

O chamariz que confere popularidade a Festa está nessas mesas não necessariamente literárias com Gilberto Gil, Maria Bethânia lendo Fernando Pessoa ao lado de Cleonice Berardinelli, Nelson Pereira dos Santos ao lado da cantora Miúcha e uma mesa com Eduardo Coutinho (gênio).

A grande surpresa foi Michel Houellebecq. Acho que ninguém esperava já que ele tinha cancelado a sua participação na Festa, em 2011, alegando problemas pessoais. Resta torcer para que nada aconteça e ele venha. Apesar de ser uma figura aparentemente serena, seus livros sempre despertam debates apaixonados. No romance Partículas elementares, por exemplo, uma das personagens diz "Se havia um país detestável, era justamente, e especificamente, o Brasil”. Em 2008, quando ele esteve no Brasil para o Fronteiras do Pensamento, falou sobre o futebol como uma válvula de escape para o instinto de combate do ser humano. Em 2010, muita gente acusou Houellebecq de plágio quando O mapa e o território ganhou o Prix Goncourt - o livro contém trechos que foram retirados da Wikipédia. Vai ser no mínimo curioso.

A tarefa de fazer Houellebecq falar está nas mãos do jovem escritor e crítico espanhol Javier Montes. Será que vão conversar em francês? Ele já morou em Paris, Lisboa, Rio de Janeiro e Buenos Aires, tem experiência com tradução e domína outras línguas. Quem quiser conhecer um pouco dele pode recorrer aquela edição da Granta com Os melhores jovens escritores em espanhol. Montes também apresentou Emilio Fraia para o mundo na edição inglesa da Granta dedicada aos escritores brasileiros.

No mais, no terreno da prosa de ficção, a FLIP apostou em nomes ainda pouco conhecido pelos leitores brasileiro como o norueguês Karl Ove Knausgård, o francês Laurent Binet, a norte-americana Lydia Davis e o francês Jérôme Ferrari (ganhador do Prix Goncourt do ano passado). Um pouco mais conhecidos são o bósnio Aleksandar Hemon cuja obra tem sido publicada por aqui pela editora Rocco desde 2002, o irlandês John Baville publicado no Brasil desde o final dos anos 80 pelas editoras Globo, Rocco e Nova Fronteira e o norte-americano Tobias Wolff que apesar de ter livros publicados em português anda meio sumido das estantes - acho que só catálogo.

No quesito popularidade, os escritores brasileiros levam vantagem. Três dos prosadores mais comentados da temporada marcam presença: Paulo Scott, José Luiz Passos e Daniel Galera. E para aqueles críticos que acreditam que a não-ficção está mais interessante do que a ficção, vale as mesas entre Lila Azam Zanganeh e Francisco Bosco, Roberto Calasso e Jeanne-Marie Gagnebin (eles vão falar sobre Kafka e Baudelaire) e Geoff Dyer e John Jeremiah Sullivan (promete ser o ponto alto da Festa no domingo em que as pessoas costumam ir embora).

No mais, a gente sempre espera que a FLIP traga um escritor por quem somos apaixonados. Só que o mercado editorial no Brasil mudou, as Bienais do Livro estão tentando se reinventar, feiras estão crescendo, eventos menores estão surgindo e as editoras estão mais sintonizadas com isso. O que significa dizer que a gente não precisa esperar só pela FLIP para ver aquele autor que a gente gosta. Logo mais, ele pode pintar por aí na sua cidade.

***

Tenho certeza que eu, você e muita gente distribuiu palpites da programação nas conversas de mesa de botecos. Como acontece com o futebol, todo mundo tem uma escalação de sua preferência na cabeça. Algo me dizia que Zadie Smith e David Mitchell finalmente viriam (dois nomes em evidência nesse momento e cujos livros mais recentes devem sair em português logo mais). Não rolou. No mais, lamentei a 'não-vinda' de Chuck Palahniuk e olhando a programação geral, teria incluído Elif Batuman (uma das melhores 'ensaistas' do momento). Faltou uma mesa que contemplasse quadrinhos. Enfim, a lista é longa. Quem sabe numa outra oportunidade.

E você? Qual seria a sua escalação?

p.s.: deixei de fora os comentários sobre poesia porque o blog trata de prosa de ficção. no entanto, sei que vai ter coisa bacana.

(Foto: Walter Craveiro/Flip)
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

NOTAS #34

Watt
O Harry Ransom Center na Universidade do Texas disponibilizou na internet um manuscrito desconhecido de Watt, segundo romance de Samuel Beckett. Escrito durante a Segunda Guerra, entre 1940 e 1945, o manuscrito é composto por 945 páginas divididas em seis cadernos e folhas soltas. Tem rabiscos, desenhos e muitas anotações. Watt foi publicado apenas em 1953 pela Olympia Press apesar de ter sido concluído no final da Guerra.

Leitura de areia
As férias estão chegando ao fim, mas ainda dá tempo de aproveitar os últimos dias de praia para tirar o atraso da leitura. Foi pensando nisso que a revista VIP preparou uma seleção bem bacana de livros "fáceis de acompanhar". Tem A ilha do tesouro, de Robert Louis Stevenson em edição caprichada da Record; A gente se acostuma com o fim do mundo, de Martin Page em tradução para o português de Bernardo Ajzenberg; Ficção de polpa: Crime!, reunindo contos de vários autores que saiu pela Não Editora e muitas outras coisas. Tem até e-books para os mais tecnológicos. A lista completa está disponível em http://tinyurl.com/7qbu8ao

Lispector em Portugal
Continuando a boa fase internacional, a obra da escritora Clarice Lispector acaba de ser adquirida em Portugal pela editora Relógio d'Água. Até 2018, a editora promete reeditar os livros de Clarice e lançar outras obras de ficção, os livros infanto-juvenis e demais compilações de textos.

Ficção árabe e asiática
O mundo árabe vive um momento de grandes mudanças desde o ano passado com a explosão de movimentos sociais organizados exigindo o fim da corrupção e da tirania em seus regimes políticos. É nesse importante contexto que vai acontecer a quinta edição do International Prize for Arabic Fiction. Bem distante do exotismo a ficção contemporânea produzida nesses países reflete sobre questões de identidade pessoal, do exílio e das transformações políticas. Nesse ano concorrem ao prêmio The vagrant, de Jabbour Douaihy e The druze of Belgrade, de Rabee Jaber (ambos do Líbano); Embrace on Brooklyn Bridge, de Ezzedine Choukri Fishere e The Unemployed, de Nasser Iraq (ambos do Egito); The Women of al-Basatin, de Habib Selmi (da Tunísia); e Toy of Fire, de Bashir Mufti (da Argélia).

O vencedor será anunciado em 27 de março.

***

A região compreendida pelo sul e leste da Ásia também passa por um bom momento na ficção. O tradicional Man Asian Literary Prize teve dificuldades para escolher cinco concorrentes na edição desse ano. Tanto que a organização do prêmio decidiu incluir sete livros na lista final para revolver o problema. A decepção foi a ausência de 1Q84, de Haruki Murakami - um fênomeno de vendas e sucesso de crítica, merecia ao menos uma indicação. Concorrem ao prêmio The wandering falcon, de Jamil Ahmad (Paquistão); Rebirth, de Jahnavi Barua, The sly company of people who care, de Rahul Bhattacharya e River of smoke, de Amitav Ghosh (os três da Índia); Please look after mom, de Kyung-Sook Shin (Coréia do Sul); Dream of Ding Village, de Yan Lianke (China); e The lake, de Banana Yoshimoto (Japão).

O vencedor será anunciado em 15 de março.

Encontro de gigantes
Quando dois grandes escritores se encontram a conversa pode ser sobre qualquer assunto. De amenidades a questões profundamente filosóficas. E quando Henry Miller encontra Anaïs Nin? Um vídeo mostra a conversa dos dois em torno de sonhos e morte... http://tinyurl.com/8xt6o7a

Bad boys e bad girls da literatura
Ao contrário do que muita gente pensa nem só de bons mocinhos vive a literatura. Há também os garotos malvados (ou bad boys, se você preferir). O blog Flavorwire com suas divertidas listas escolheu dez escritores que provocam um verdadeiro reboliço no mundo literário e sempre dão o que falar. Entre outros, a lista tem o hors concours Michel Houellebecq, a família Kingsley e Martin Amis, Norman Mailer, Salman Rushdie e quem diria até Jonathan Franzen. A lista completa está em... http://tinyurl.com/6pxlrmf

***

As mulheres também não ficam atrás. O mesmo Flavorwire preparou uma lista com as mulheres más da literatura. Tem Alice Walker, Sylvia Plath, Simone de Beauvoir e outras mais... http://tinyurl.com/73s3ob8

*Imagem: reprodução do Harry Ransom Center.
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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

SUMIDO?


Michel Houellebecq sumiu e ninguém sabe onde ele está. Eu também estou um pouco ausente, mas o meu caso tem explicação. Estou ocupando pensando na próxima edição do fanzine - se tudo der certo, deve sair em outubro. Além disso, estou sem tempo para elaborar os posts como eu gostaria que eles aparecessem por aqui. O lado ruim disso é que alguns temas acabando ficando datados demais ou perdem a importância. Tenho lido bastante e trabalhado num negócio que é segredo, por enquanto - depois conto mais.

No mais, não desistam do blog. Prometo aparecer com notícias a qualquer momento.

*Imagem: consegui aqui.
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sábado, 4 de dezembro de 2010

NOTAS #11


Livro fashion
A designer francesa Olympia Le-Tan teve uma ideia curiosa: transformou capas de livros em bolsas. O trabalho inédito caiu no gosto de algumas atrizes de Hollywood. Há modelos para O apanhador no campo de centeio, 1984, Lolita, Cartas a um jovem poeta, Drácula e muitos outros clássicos. As bolsas ainda não estão à venda no Brasil.

Domínio público
Michel Houellebecq foi acusado de plagio ao copiar textos da Wikipédia em seu novo romance, La carte et le territoire. Quando foi questionado sobre isso, Houellebecq disse que a cópia foi intencional e achava a discussão ridícula. Agora um blog francês resolveu dar o troco e disponibilizou o romance inteiro na internet. O gesto gerou insatisfação na editora que publicou o livro e o post desapareceu. Vale lembrar que La carte et le territoire ganhou o prêmio Goncourt desse ano.

O melhor de 2010
A escritora Lionel Shriver contou ao site The Millions que seu livro favorito em 2010 foi Selected stories, de William Trevor - segundo volume de uma coletânea de contos do premiado autor irlandês. Shriver participou da mesa "De frente para o crime" ao lado da escritora Patrícia Melo na FLIP desse ano. O texto que justifica a escolha de Shriver está disponível em http://tinyurl.com/24twzzc

A vida inspira a arte
Parece que um assassinato real na Suécia inspirou os escritores Stieg Larsson e Henning Mankell a escreverem suas histórias. Um artigo do jornal inglês The Telegraph conta como assassinato de Catrine da Costa ainda hoje causa espanto no país. O artigo ainda menciona o fato de Larsson ter testemunhado um estupro aos 15 anos de idade.

Comida literária
O site Flavorwire fez uma lista com a comida preferida de alguns escritores bastante conhecidos. Ernest Hemingway, por exemplo, gostava de trutas. Truman Capote não dispensava uma batata cozida com creme e caviar. Norman Mailer tinha verdadeira paixão por ostras. Mark Twain tinha verdadeiros gostos exóticos. A lista completa está disponível em http://tinyurl.com/249q5v6

Áudio literatura
H.G. Wells ficou famoso não só por ter inventado a ficção científica como a conhecemos, mas também por ter sido o locutor de um programa de radio transmitido pela BBC entre os anos 30 e 40. Alguns desses programas estão disponíveis no site da rádio. É curioso ouvir a voz do autor de A guerra dos mundos e A máquina do tempo. Os arquivos estão disponíveis em http://tinyurl.com/2akkxhe

*

O escritor e dramaturgo Samuel Beckett também participou da transmissão de algumas de suas peças escritas para rádio BBC. O repertório inclui até uma peça dirigida por Harold Pinter. O áudio de oito peças esta disponível em http://tinyurl.com/2fcxuv9

A notícia Franzen da semana
Minha última nota a respeito de Jonathan Franzen nesse ano. O famoso autor encerrou a turnê de lançamento de Freedom na última quinta-feira com uma leitura na livraria McNally Jackson em Nova York. Ninguém poderia fotografar ou filmar o evento, por isso somente quem esteve por lá pode contar como foi.

*imagem: reprodução do Google.

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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

MICHEL HOUELLEBECQ GANHA O PRÊMIO GONCOURT


O escritor Michel Houellebecq é o ganhador do prêmio Goncourt pelo romance La carte et le territoire - ainda inédito em português. Ele vinha sendo apontado como favorito desde que a indicação foi anunciada. O livro conta a história de um famoso artista plástico que pede a um badalado escritor chamado Michel Houellebecq um texto para compor o catálogo de uma de suas exposições. Meses depois, Michel Houellebecq é encontrado morto. Parece que não faltam ao romance os elementos preferidos de Houellebecq: crítica a sociedade moderna, humor negro, sexo e doses cavalares de pessimismo.

Michel Houellebecq, ele mesmo não a personagem do romance, é uma figura bastante polêmica por tudo o diz e escreve. Quando La carte et le territoire foi lançado, por exemplo, muita gente acusou o livro de plágio a trechos da Wikipédia. A inclusão do autor na lista de indicados ao prêmio Goncourt também rendeu bastante assunto. Porém, Houellebecq tem uma boa reputação fora da França e tem uma verdadeira legião de fãs. Iggy Pop gosta tanto de Houellebecq que até fez um disco inspirado em seus romances - Préliminaires.

Dizem que o prêmio serviu como uma espécie de reparação da crítica francesa em relação ao autor injustiçado. Há quem enxergue nele traços de Lawrence Sterne, Celine, JG Ballard e Dostoiévski.

Eu li Particulas elementares e não gostei muito. Particularmente, fiquei incomodado com o universo apocalíptico ao extremo e com certos clichês que ele menciona sobre o Brasil. Mas reconheço que muitas críticas feitas a sociedade dos anos 60/70 são bastante fundadas.

Pode ser que Houellebecq mereça uma segunda chance.

*imagem: reprodução Wikipédia.
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