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segunda-feira, 12 de março de 2012

REVISTA SERROTE #10

A Serrote, revista de ensaios do IMS, chega às livrarias nessa semana com sua décima edição. O número vem caprichado pelo ensaio visual Ficção nas coisas, de Waltercio Caldas e acompanha um caderno do Alfabeto Serrote totalmente dedicado a letra "D". No que diz respeito a prosa de ficção tem uma lista de privilégios escrita por Stendhal, um ensaio do crítico norte-americano Lee Siegel sobre o escritor John Updike (nesse mês ele completaria 80 anos, se estivesse vivo), uma entrevista de Pier Paolo Pasolini com o poeta Ezra Pound, um ensaio do crítico catalão Eloy Fernández Porta sobre as complexas relações entre arte e literatura e a cultura de massa, e um trecho de Isto não é um romance, de David Markson - ficção experimental inédita em português.

Completam a edição: o ensaio vencedor do Prêmio Serrote de ensaismo assinado por Luciano Gatti sobre o escritor alemão W.G. Sebald. Aliás, os três ensaios vencedores do prêmio estão disponíveis para leitura aqui. Sebald também aparece na Serrote #10 com um projeto chamado Não-contado sobre o artista Jan Peter Tripp.

O lançamento da revista será amanhã no IMS-RJ às 20h. Haverá um bate-papo entre o crítico de arte Luiz Camillo Osório e Waltercio Caldas.

*Imagem: reprodução.
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domingo, 19 de setembro de 2010

DAVID FOSTER WALLACE


Tristan Tzara termina sua receita para um poema dadaísta com a seguinte frase: "E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público". Subvertendo alguns dos seus sentidos, a frase se encaixa muito bem com a obra do escritor americano David Foster Wallace. Seus livros são altamente originais e recheados de momentos sensíveis, mas são imcompreendidos graças ao forte caráter experimental*.

Sucesso de crítica, David Foster Wallace era tido como um promessa para a literatura do século XXI. Infelizmente ele cometeu suicídio em 2008 depois de um período longo de depressão profunda. Deixou uma obra composta por romances monumentais, livros de contos e artigos escritos para jornais e revista americanas. Infinite Jest, publicado em 1996, chegou a ser comparado ao Ulisses, de James Joyce. No Brasil, Breves entrevistas com homens hediondos foi seu único livro publicado.

Ao que parece, Foster Wallace tinha certa preocupação em dar continuidade a tradição de ficcionistas americanos que o precediam. Leitor de Thomas Pynchon e Don Delillo, ele tentava arranjar uma maneira de soar original e encontrar uma voz própria. A tarefa era difícil, esses autores transformaram radicalmente a ficção americana e a levaram a lugares nunca antes visitados. A saída encontrada por Foster Wallace foi descontruir a linguagem e atacar a estrutura da narrativa.

Isso explica porque sua ficção é repleta de lacunas, espaços em branco, palavras inventadas, frases bem longas, pontuação irregular, muitas intervenções, fórmulas matemáticas, diálogos imensos, etc. A metalinguagem e as enormes notas de rodapé também são marcas de seu estilo. Os temas giram em torno da classe média americana, mas de uma maneira mais sarcáticas e cheia de humor negro. Suas personagens sempre sofrem de algum tipo de psicose ou vivem as voltas com certas obsessões. Elas são capazes de falar por páginas e mais páginas sobre um mesmo assunto. Sexo, drogas e pervesão aparecem a todo o momento.

Porém, também existe espaço para a beleza, a alegria e o humor. As situações insólitas das histórias causam gargalhadas. Muitos críticos chegam a dizer que Foster Wallace tomou emprestado a classe média de Updike e a levou para o lado obscuro, ironico e sarcástico da vida. Atrás do caos aparente existe a sensibilidade de um escritor que está nos mostrando aos mesmo tempo a força e a fraqueza humana.

O experimentalismo em excesso às vezes pode afastar o leitor menos desavisado. De fato, em certos momentos o enredo parece não sair do lugar ou o assunto fica por demais árido - como é o caso de Datum centurio e Adult World (II), ambos de Breve entrevistas com homens hediondos.

Essa semana duas notícias devem colocar o nome de Foster Wallace em evidência novamente: o arquivo do escritor que está sob os cuidados do Harry Ransom Center, Universidade do Texas foi aberto ao público; e Pale King, um romance inacabado, terá publicação no ano que vem. Alguns trechos desse romance foram publicados na revista New Yorker: Good people, Wiggle room e All that.

Tomara que novas traduções de Foster Wallace apareçam no Brasil. Tive notícia de que dois livros de não ficção devem estar a caminho.

* Me refiro as modificações radicais da linguagem e das estruturas narrativas. Também quero deixar claro que não estou exaltando o "experimentalismo" em detrimento de outros modos de expressão.

**imagem: reprodução da NY Mag.

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domingo, 27 de junho de 2010

O ARQUIVO QUE REVELA O TRABALHO DE JOHN UPDIKE

Mais de um ano depois da morte de John Updike, temos a notícia de que ele deixou um imenso arquivo de todo o seu trabalho. O jornal New York Times publicou um imenso artigo falando sobre o assunto na semana passada - o texto também foi publicado no Caderno2 do Estadão.

Que atire a primeira pedra quem nunca quis saber o que se passa na cabeça de um escritor. Como ainda não inventaram uma máquina capaz de fazer isso, a chance é recorrer aos vestigios que ele deixa sobre o seu método de trabalho. Os críticos que já tiveram acesso ao arquivo dizem que ele contém "as chaves do universo literário de Updike". Há cartas, manuscritos, pesquisas para os romances, etc.

A notícia chega quase ao mesmo tempo em que a Companhia das Letras lançando dois livro do escritor americano: As bruxas de Eastwick (em edição de bolso) e As viúvas de Eastwick - continuação do primeiro romance. Ambos foram livro de muito sucesso, sobretudo depois do filme homônimo com Jack Nicholson, Cher, Susan Sarandon e Michelle Pfiffer nos papéis principais.

John Updike escreveu bastante: mais de 20 romances, poesia, crítica literária e crítica sobre arte. Além de ter escrito para revistas e jornais americanos. Ele publicou em média quase1 livro por ano, ao longo de toda a sua carreira, inclusive vários deles foram premiados. Seu tema preferido era a vida da classe média americana moradora dos subúrbios e pequenas cidades do interior. Por ter escrito por um longo período, Updike construiu um verdadeiro retrato dessa sociedade no século XX - chegou até mesmo a tratar do terrorismo do 11 de Setembro em O terrorista, lançado aqui em 2007.

Quem sabe essa notítica não motive o relançamento da famosa tetralogia do Coelho?

*imagem: reprodução de um vídeo no site do New York Times.

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