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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

POR QUE ESCRITORES NÃO DEVEM BLOGAR?

Vi no GalleyCat uma notícia curiosa e pensei em abrir algumas ideias a respeito. A notícia dizia que há duas semanas atrás a blogueira e escritora americana Livia Blackburne escreveu um longo post dizendo que escritores não deveriam se dedicar aos blogs porque "blogar é uma perda de tempo". Simplificando o post, os três principais para que os escritores abandonassem seus blogs eram:

1. Blogar é melhor para os escritores de não-ficção porque eles compartilham os seus conhecimentos com um público específico, estar ligado com o público pode ajudar as vendas.

2. "Tempo gasto no blog é tempo gasto longe de outra coisa: escrevendo outro livro, contatando um clube do livro, trabalhando meio período e investindo esse dinheiro em publicidade ou com um agente”.

3. Escritores de romances blogam muitas vezes se concentram na arte de escrever ao invés de se concentram em seus próprios leitores, criando "uma conferência escrita interminável". Enquanto isso ajuda a "encontrar novos amigos, desenvolvimento profissional e aprendizagem do seu ofício", não significa necessariamente aumentar as vendas de livros.
Logo depois ela escreveu um outro post dizendo que embora blogar seja perda de tempo, John Locke (aquele que vendeu 1 milhão de livros no Kindle em cinco meses) achou um caminho certo para aumentar suas vendas.

É certo que o post e as ideias giram muito em torno do mercado editorial americano. No entanto, se pensarmos no mercado editorial brasileiro acho que a Livia Blackburne vai ter razão. A internet realmente facilitou a divulgação e circulação de novos escritores, mas isso não significa que ela mudou a maneira como fazemos e pensamos o universo literário.

Um caso brasileiro
No final dos anos 90 e começo dos anos 2000 alguns dos nossos escritores ficaram conhecidos por meio da internet. O blog foi uma ferramenta fundamental para mostrar o trabalho de gente que estava escrevendo, mas que ainda não tinha alcançado reconhecimento mais amplo. Só que essa "geração" de escritores conseguiu publicar livros impressos e deixou da internet um pouco de lado. De modo que é raro ver novos escritores publicando ficção em blogs. Quase não se vê.

Não que o blog (e a internet) tenha perdido importância para a literatura. Pelo contrário, os blogs junto com as redes sociais ocupam o lugar da divulgação, do debate de ideias, das resenhas, das informações sobre um escritor, da reunião de leitores, das agendas de feiras, festas etc. Pode ser que antes da Livia Blackburne a gente já tivesse percebido que como escritores era mais importante se dedicar ao trabalho do que ao blog.

Pegando um caso mais brasileiro, Daniel Galera e Joca Reiners Terron falaram sobre o blog como ferramenta para escritores na reportagem Internet não anula estratégias de marketing, do jornal Gazeta do Povo. O pensamento dos dois sintetiza bastante coisa. Na reportagem Galera resume o caso da seguinte forma:
“A internet se firmou como um grande catalisador das relações entre
autores, leitores e críticos, e não como um novo meio para publicação de
literatura. A discussão literária da internet ainda se dá em torno de livros
impressos”.
E o Joca disse o seguinte:
Terron, que concorda que a rede serve mais para reunir os interessados em literatura, acredita que as grandes editoras ainda detêm o “selinho ISO 9000 de qualidade literária”.
Expandindo um pouco mais a fala dos dois, é possível dizer que de fato o grande número de discussões que rolam na internet gira em torno dos livros impressos e a internet por si só não parece capaz de legitimar alguém como escritor. O livro impresso é a verdadeira confirmação de que aquela pessoa exerce aquele ofício. Pensando dessa forma fica difícil imaginar a existência de um tipo de literatura que seja da internet. Por isso faz mais sentido usar a internet como meio de divulgação do trabalho do que formatação do trabalho em si.

Outro exemplo bacana foi a antologia ENTER, organizada pela Heloísa Buarque de Hollanda e pensada para o mundo virtual. A antologia não pretendia mostrar escritores que eram apenas da internet, mas mostrar a internet como potencia de visibilidade e acessibilidade da literatura. Tanto que a maioria dos 37 escritores que participaram tinham um pé fincado no mundo impresso. E gosto de falar desse caso porque existe um comentário da Heloísa que deixa bem claro a relação entre internet e produção de ficção:
"Não existe uma literatura de internet, mas, sim, práticas literárias na rede, que são diversificadas. E a antologia mostra que o que expandiu foi a palavra. Não foi a literatura do ponto de vista tradicional e canônico. Essa que preza a qualidade e a autoridade continua, e também hospedada na internet”.
Depois dessas longas explicações gostaria de abrir uma discussão em torno dessas ideias. Será mesmo que para um novo escritor blogar é perda de tempo? Será que existem escritores na internet? Será que existem escritores ou grupos de escritores que fazem da internet o seu laboratório de criação?

*imagem: reprodução Diary of the book-lover.

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sexta-feira, 15 de julho de 2011

ENCONTRO COM OS ESCRITORES DO PRÊMIO SP DE LITERATURA

A Secretária de Cultura de SP está promovendo encontros com os finalistas do Prêmio SP de Literatura. Os encontros acontecem sempre aos sábados na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Os vencedores serão anunciados em 1 de agosto. Só achei ruim o horário: das 11h30 às 13h30 - ou seja, tem de acordar bem cedo para acompanhar a conversa.

O primeiro encontro foi em 2/7 com o tema "contos e romances" e participação dos escritores Menalton Braff, Hélio Polvora, Rubens Figueiredo, Adriana Lisboa e Evandro Affonso Ferreira - mediação de Cadão Volpato.

Segue agenda dos próximos encontros:

Sábado - 16/7 - Origens e Raízes
Com Joca Reiners Terron, Miguel Sanches Neto, Carola Saavedra e Nelson de Oliveira - mediação de Mona Dorf.

Sábado - 23/7 - O Fantástico dentro da Literatura
Com Sérgio Mudado, Andréa Del Fuego, Reni Adriano e Gabriela Guimarães Gazzinelli - mediação de Marcelino Freire.

Sábado - 30/7 - A História no Enredo
Com Marcelo Ferroni, Ronaldo Wrobel, Marco Lucchesi e Luis Alberto Brandão - mediação de Flávio Moura.

A lista de todos os finalistas de "Melhor Livro do Ano" e "Melhor Livro do Ano - Autor Estreante" com sinopse dos romances está disponível aqui. O jornal Rascunho também está fazendo uma enquete informal perguntando "Qual romance merece vencer o Prêmio São Paulo de Literatura?". Até o momento, Poeira: demônios e maldições, de Nelson de Oliveira está ganhando disparado com 38 votos. Você pode votar aqui.

*imagem: reprodução.
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terça-feira, 3 de agosto de 2010

8ª FESTA LITERÁRIA INTERNACIONAL DE PARATY - FLIP


Muito bem, críticas, elogios e polêmicas à parte, hoje começa mais uma edição da FLIP. A programação completa já está na ponta da língua de todo mundo. As tendas já estão montadas. As livrarias também. Os autores já chegaram ou estão chegando aos poucos. O tempo está nublado e faz aquele friozinho típico da época. Pelo que li, a cidade ainda vive pacata. Os turistas, visitantes, estudantes, jornalistas e flipeiros devem começar a chegar amanhã.

Não conseguiu ingresso, não tem dinheiro ou não está a fim de ir? Não tem problema. Acompanhe todos os jornais, revistas, blogs e twitters que a está altura do campeonato já estão pegando fogo. Se você quiser ter sua própria opinião sobre alguma mesa, o site da FLIP te dá uma ajuda e faz transmissão ao vivo. Não vai faltar cobertura de informações.

Recomendo vivamente que todo mundo acompanhe: mesa 2 -Lionel Shriver e Patrícia Melo (duas escritoras que precisam ser lidas); as mesas 5 e 6 - com Robert Darnton, Peter Burke e John Makinson (sobre o tão falado futuro dos livros, para ouvir e pensar); mesa 9 - A. B. Yehoshua e Azar Nafisi (de como a literatura reflete as nossas questões políticas e sociais); mesa 10 - Salman Rushdie (para quem viu e não viu); mesa 12 - Colum McCann e William Kennedy (as cidades e suas histórias); mesa 14 - Robert Crumb e Gilbert Shelton (os mitos dos quadrinhos); mesa 17 - Wendy Guerra e Carola Saavedra (duas jovens escritoras). Quem puder acompanhar tudo, melhor.

Vou estar na FLIP também, mas depois falo mais sobre isso.

*imagem: reprodução do Flickr da FLIP.

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quinta-feira, 29 de julho de 2010

A FLIP 2010 ESTÁ CHEGANDO


Falta apenas uma semana para o começo da FLIP. Portanto, não se espante se os jornais e revistas só falarem de literatura nesses próximos dias. Será um dos assuntos do momento. Tamanha atenção não é à toa. Em sua 8ª edição, a FLIP já é uma festa literária de sucesso. É a maior do ramo no nosso país, sobretudo porque atrai um público bastante diversificado: desde profissionais do mercado editorial, até os curiosos novos leitores. Todos estão por lá.

No ano passado, cerca de vinte mil pessoas lotaram as ruas da cidadezinha de Paraty para dedicar sua atenção aos livros, a leitura e a literatura. A expectativa é que esse número aumente ainda mais a cada edição. Num país como o Brasil isso é um acontecimento raro. Infelizmente todos nós sabemos das dificuldades que o mercado editorial enfrenta. Sejamos otimistas, pois uma mudança está em curso e a FLIP certamente é uma das maiores responsáveis por isso.

Ao longo desses anos a FLIP ajudou a divulgar escritores renomados, além de criar e lançar novos escritores. Mais ainda, a FLIP ajudou a movimentar o setor, criou uma "cena literária". As editoras, as revitas, os jornais, os sites especializados e os blogs também seguiram a corrente e deram mais força. Afinal, é assim que as coisas funcionam.

Em meio a esse clima, quero fazer uma pequena retrospectiva das grandes personalidades que já estiveram na FLIP nas edições passadas. No meu recorte estou considerando apenas os escritores de literatura estrangeira que dificilmente poderiamos ver por aqui. Não quero diminuir a grandeza dos nossos escritores, muito pelo contrário. Muito menos quero menosprezar a presença de outras personalidades que já se apresentaram na festa. Trata-se de um recorte bem particular, mas que deve servir como justificativa para tudo o que eu disse acima.

Já estiveram na FLIP, só para citar alguns nomes: Ian McEwan, Paul Auster, David Grossman, Orhan Pamuk, Salman Rushdie, Ali Smith, Jonathan Safran Foer, Jeffrey Eugenides, Nicole Krauss, Toni Morrison, JM Coetzee, Jim Dodge, Nadine Gordimer, Will Self, Chimamanda Ngozi Adichie, David Sedaris, Ingo Schulze, Nathan Englander, Neil Gaiman, Richard Price, António Lobo Antunes, Atiq Rahimi, Simon Schama, Enrique Vila-Matas, Edmund White, Ondjaki, Alan Pauls, Amós Oz, Nathan Englander, Richard Dawkins e tantos outros.

*imagem: divulgação

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segunda-feira, 7 de junho de 2010

ALGUNS ESCRITORES SELECIONADOS PELA NEW YORKER EM PORTUGUÊS

Como falei na semana passada, a revista New Yorker lançou hoje a edição especial com os 20 jovens escritores com menos de 40 anos. Segundo o editor da revista, esse conjunto é uma grande promessa para a ficção contemporânea. Descobri que 8 dos 20 escritores já tem romances publicados no Brasil. Bom para os leitores brasileiros que podem acompanhar a produção desse grupo ao mesmo tempo que o resto do mundo. No fim, os 20 escritores nem são tão desconhecidos assim. Segue a lista dos romances já publicados:

Meio Sol Amarelo
Chimamanda Ngozi Adichie
Ed. Companhia das Letras

E Nos Chegamos Ao Fim
Joshua Ferris
Ed. Nova Fronteira

Extremamente Alto & Incrivelmente Perto / Tudo Se Ilumina
Jonathan Safran Foer
Ambos pela Ed. Rocco

A História Do Amor
Nicole Krauss
Ed. Companhia das Letras

Radio Cidade Perdida
Daniel Alarcón
Ed. Rocco

Os Excluidos
Li Yiyun
Ed. Nova Fronteira

As Belas Coisas, Que E Do Ceu Conte-Las
Dinaw Mengestu
Ed. Nova Fronteira

Absurdistão
Gary Shteyngart
Ed. Rocco

O Picaro Russo
Gary Shteyngart
Ed. Geração Editorial
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sexta-feira, 4 de junho de 2010

A THE PARIS REVIEW TEM UM BLOG

Desde 1 de Junho a revista The Paris Review tem um blog. A editora Lorin Stein diz que a "missão" do blog é manter contato com os leitores da revista entre uma edição e outra. Eles também querem escrever e chamar a atenção para tudo aquilo que eles mais gostam: literatura e artes.

O blog me parece bem promissor e antenado com os tempos atuais. Não dá para dizer que eles estão lançando uma tendência porque a internet e os blogs já existem faz tempo. Acho, na verdade, que eles demoraram bastante para entrar no mundo virtual. Só estão confirmando a tendência. E vejam que trata-se de uma das revistas mais importantes do mundo quando o assunto é literatura. Desde 1953, ela entrevista e fotografa de maneira particular escritores que são ou vão se tornar grandes nomes da literatura. É uma revista que criou um modelo, realmente. E agora está aderindo a internet, como muitas outras estão fazendo. Nem preciso dizer que eles também tem uma conta no twitter.
*imagem: capa da Paris Review de 1953 - via google.

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