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domingo, 11 de novembro de 2012

A BOA INVASÃO PORTUGUESA



"Daqui do morro dá pra ver tão legal
O que acontece aí no seu litoral
Nós gostamos de tudo, nós queremos é mais
Do alto da cidade até a beira do cais
Mais do que um bom bronzeado
Nós queremos estar do seu lado"
Ultraje a Rigor

Enquanto os jovens escritores brasileiros estão invadindo as praias europeias, norte-americanas e quiça asiáticas em razão do lançamento internacional da revista Granta, os jovens escritores portugueses estão invadindo o nosso litoral. De forma muito bem-vinda, diga-se de passagem.

Como parte das comemorações do “Ano de Portugal no Brasil” a editora Leya (aqui do Brasil) acaba de lançar uma série de livros com os novos nomes da literatura portuguesa. A coleção chama-se Novíssimos e terá dez livros de dez autores diferentes. A seleção ficou a cargo dos editores do grupo Leya que vasculharam nomes do seu próprio catálogo e do catálogo dos selos Dom Quixote, Editorial Caminho, Editorial Asa e Editorial Teoremas (que pertencem ao grupo). Os critérios de escolha não foram ineditismo, quantidade de livros publicados ou idade do escritor, mas a originalidade e qualidade literária - apenas três selecionados estão lançando seu primeiro romance, um selecionado já publicou quatro livros e os dois mais velhos nasceram em 1964 e 1967. Com isso, é importante destacar que a coleção não pretende fazer o retrato de uma literatura geracional ou de uma literatura cujos autores compartilham dos mesmos traços estéticos ou ideológicos. É somente boa literatura portuguesa.

Os primeiros cinco livros da série são O teu rosto será o último, de João Ricardo Pedro; No meu peito não cabem pássaros, de Nuno Camarneiro; Para cima e não para norte, de Patrícia Portela; Por este mundo acima, de Patrícia Reis; e Um piano para cavalos altos, de Sandro William Junqueira. Os cinco escritores estão no Brasil participando de eventos para o lançamento da coleção.

Para 2013, a Leya promete completar a coleção com os livros Anatomia dos mártires, de João Tordo; Deixem passar o homem invisível, de Rui Cardoso Martins; Deixem falar as pedras, de David Machado; Rio de homem, de André Gago; e Sandokan & Bakunine, de Bruno Margo. Com certeza alguns desses escritores estarão na próxima FLIP.

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O design colorido das capas foi assinado pelo ateliê de design português "Ideias com peso".

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E que venham mais portugueses!

*Imagem: divulgação
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quinta-feira, 29 de março de 2012

CHUCK PALAHNIUK NA LEYA

Chuck Palahniuk deixou a editora Rocco e está de mudança para a Leya. Sua estreia na casa nova acontece em abril com uma reedição do cultuado livro, Clube da luta. A notícia deixou os fãs do escritor bastante entusiasmados, pois o romance estava esgotado há anos. Até em sebos era difícil encontrar um único exemplar. O site Estante Virtual, que reúne na internet sebos espalhados por todo o Brasil, tem apenas dois exemplares a venda: um custa R$ 150,00 e o outro R$ 250,00. Tanta procura e tão pouca oferta faz os preços subirem.

Você já deve conhecer a história do livro por causa do filme dirigido por David Fincher. Um funcionário de uma segurado de carros leva uma vida muito estressante e um belo dia ele começa a sofrer de insônia. Quando procura tratamento seu médico recomenda algumas visitas a um grupo de apoio a sobreviventes de câncer testicular. Como num passe de mágica a insônia acaba. O negócio a complicar quando num dos grupos de apoio ele encontra Tyler Durden, um sujeito ao mesmo tempo explosivo e carismático. Juntos eles criam um clube secreto em que vários homens se encontram para sair na mão - assim nasce o Clube da Luta. Até os fãs de UFC ficariam de cabelo em pé. Para acabar não parecer o "clube do bolinha", dar uma equilibrada em tanta testosterona (no clube, todos lutam sem camiseta e descalços) e nas doses cavalares de violência, Palahniuk colocou no meio do enredo uma garota esquisita chamada Marla Singer. Ela, o narrador anônimo e Tyler Durden formam um triângulo amoroso bem complicado (para não dizer: perturbado). Não vou contar mais detalhes para não estragar a surpresa de quem não leu o livro ou não viu o filme.

A intenção de Palahniuk me parece nítida: apontar a solidão humana, o isolamento das pessoas e a incapacidade de comunicação da sociedade pós-moderna apesar de toda aproximação promovida pela tecnologia. A violência vira válvula de escape para as pressões sociais (nas lutas todas as pessoas são iguais, fazem parte de um grupo e estão reunidas em torno de um interesse comum). Nesse universo imaginado pelo autor a violência nos torna mais humanos, reais e vivos. E como todo mundo está interessado nesse assuntos Palahniuk também discute o desajuste da masculinidade no mundo contemporânea.

O ativismo anarco-revolucinário também aparece no livro quando Tyler recruta membros do Clube da Luta para promover ações terroristas contra grandes empresas da sociedade moderna e consumista - a coisa toda recebe o nome de "Projeto Mayhem". Parece que algumas regras do grupo Anonymous são baseadas nas regras do Clube da Luta: "Primeira regra: você não fala sobre o clube da luta. Segunda regra: você não fala sobre o clube da luta" ou "Não faça perguntas. Não faça perguntas. Não se desculpe. Não minta".

A nova edição do Clube da Luta tem um posfácio inédito escrito pelo próprio Chuck Palahniuk. A Leya também planeja relançar por aqui Sobrevivente e o inédito Damned.

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Sobre a capa dessa reedição existe uma história curiosa: a capa com o desenho que lembra uma tatuagem tinha sido aprovada pela editora, mas Palahniuk não gostou muito e pediu algo mais parecido com a linguagem original do cartaz do filme. O pedido foi atendido e o livro chega às livrarias com a capa do sabonete. Quem conta a história é o pessoal do Gabinete das Artes (que fez a capa).


Para a Folha de SP a história é outra: os fãs do livro não teriam gostado da capa da tatuagem e depois das inúmeras criticas na redes sociais a editora optou pela mudança.

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Para finalizar uma história maluca: na semana passada Palahniuk estava sentado em seu carro estacionado quando viu um semi trailer vindo em sua direção. Ele conseguiu escapar do acidente que poderia ter sido fatal, mas seu carro foi totalmente destruído. Ele está bem e se recuperando do susto.

*Imagem: divulgação.
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domingo, 23 de outubro de 2011

1Q84 - HARUKI MURAKAMI


Haruki Murakami não tem no Brasil tantos fãs quanto tem no Japão. Para se ter uma ideia os dois primeiros volumes do romance 1Q84 venderam juntos mais de 2 milhões de exemplares. Sem mencionar o fato do livro quase ter esgotado antes mesmo de chegar às livrarias. Não encontrei os números de venda do terceiro volume, mas não deve ter sido nem um pouco diferente. Foi algo estrondoso que a gente jamais veria por aqui - em se tratando de Murakami, claro.

Seja como for, conheço bastante gente que gosta de Murakami e recomenda vivamente a leitura dos seus romances. Todos estão contando os dias até a chegada de 1Q84 em terras brasileiras - e babando na chuva de notícias da imprensa anglófona por conta do lançamento em inglês. A editora Alfaguara prevê lançar os dois primeiros volumes só em 2012. Os mais afoitos e não leitores de japonês anteciparam a leitura recorrendo as edições da Espanha, Alemanha, França e agora da Inglaterra e Estados Unidos.

Parece que em todos esses países (exceto nos Estados Unidos que tem lançamento do livro na terça-feira) o romance fez muito sucesso e a tiragem inicial não foi suficiente. Na Inglaterra as livrarias ficaram abertas até tarde aguardando os primeiros minutos da esperada data de lançamento. Teve uma série de eventos programados. Nos Estados Unidos o fenômeno deve se repetir.

Mais sorte tem os nossos amigos portugueses. A editora Casa das Letras (um selo da editora Leya, em Portugal) lança uma versão em português do primeiro volume no dia 8 de novembro. A tarefa de verter o longuíssimo romance de Murakami para o português (de Portugal) ficará a cargo de Maria João Lourenço, tradutora da maioria obras do autor em Portugal. Ela até escreveu um texto comentando as dificuldades num blog português dedicado ao escritor - A angústia da tradutora diante dos caracteres chineses.

(Aqui no Brasil Murakami não tem um tradutor, mas muitos. Numa pesquisinha rápida, cada edição lançada pela Alfaguara tem um tradutor diferente: Lica Hashimoto, Leiko Gotoda, Ana Luiza Dantas Borges e Jefferson José Teixeira. Não sei quem ficou com 1Q84).

Diferente do que acontece com os países falantes do espanhol, a gente não tem o costume de recorrer aos lançamentos em português de Portugal. Pelo menos essa é uma impressão que tenho, posso estar enganado. Deve ser porque somos realidades editoriais bastante diferentes. Enfim, quem quiser ler o Murakami antes e sem muito esforço já tem um caminho.

É difícil falar do livro sem ter lido, mas o blog do Ronaldo Bressane explica direitinho tudo sobre a história e a estrutura do enredo - inspirados em O Cravo Bem-Temperado, de Bach e no romance 1984, de George Orwell. Tem até um trecho que o próprio Bressane traduziu - corre lá pra ver.

*Imagem: capas de Murakami pelo mundo / reprodução.

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terça-feira, 30 de novembro de 2010

PRÊMIO LEYA VAI PARA...

De Portugal vem uma notícia curiosa.

O júri do Prêmio Leya decidiu por unanimidade não atribuir o prêmio referente ao ano de 2010. Segundo um comunicado oficial as obras finalistas “não correspondem à importância e ao prestígio do Prémio Leya no âmbito das literaturas de língua portuguesa”. Concorriam três autores portugueses e um autor brasileiro de um total de 325 obras inscritas. O ganhador iria receber um prêmio no valor de 100 mil euros.

Organizado pela editora Leya, o prêmio está em sua terceira edição. Já ganharam O rastro do jaguar, do brasileiro Murilo Carvalho em 2008 e O olho de Hertzog, do moçambicano João Paulo Borges Coelho em 2009.

*imagem: reprodução.
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