quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

APOSTAS PARA 2015 - NACIONAIS E ESTRANGEIROS

Entra ano, saí ano e a melhor maneira de começar os trabalhos com o pé direito é falando da previsão de lançamentos de livros das editoras nacionais e estrangeiras. Afinal, ano bom é ano com muita novidade. Aposto que você ainda está na praia u voltou ao trabalho com preguiça, mas procurou o termo "lançamentos de ficção 2015" no Google.

As nossas editoras não costumam divulgar o cronograma de lançamentos do ano com muita antecedência. Por isso, estou listando abaixo um apanhado de livros que consegui apurar aqui e acolá. Tem o nome da editora e do autor - em alguns casos consta o título em português ou o título original já que a tradução deve estar em andamento. Não estou mencionando os autores que devem pintar na FLIP e sempre agitam lançamentos.

Senti falta (e vocês também vão perceber) de listar lançamentos dos selos digitais que ganham mais espaço a cada ano. Alõ, editores!

Vale lembrar que são previsões e as editoras podem alterar os cronogramas - assim como pode pintar uma nova onda, tipo "romances com vampiros, zumbis e anjos", "pornô S&M soft" etc. e lançamentos jorrem aos montes. Tudo pode acontecer.

Entre os nacionais destaco o livro de contos do escritor Ricardo Lísias que sempre merece bastante atenção. Na gringa, fico com Tom McCarthy que está fazendo um trabalho esplendoroso com a prosa de ficção e ainda permanece inédito por aqui.

Se alguém descobrir ou souber de algum outro lançamento e quiser contribuir, por favor, mande um sinal de fumaça. Prometo ficar de olho e atualizar a lista a medida que receber as informações.




-> ALFAGUARA
Concentração e outros contos, de Ricardo Lísias
Maior que o mundo, de Reinaldo Moraes
As reputações, de Juan Gabriel Vásquez
Um grão de trigo, de Ngugi wa Thiong'o
Soumission, de Michel Houllebecq
Avenida bonita, de Peter Buwalda

-> BIBLIOTECA AZUL (Globo Livros)
L'amica geniale, de Elena Ferrante
Harvest, de Jim Crace (também haverá reedição de Being dead e Quarentine)
Tetralogio Rabbit, de John Updike (reedição)
Obras completas de Adolfo Bioy Casares – volume B e C
To rise again at a decent hour, de Joshua Ferris

-> INTRÍNSECA
Nós, de David Nicholls
Toda luz que não podemos ver, de Anthony Doerr
Summerhouse with swimming pool, de Herman Koch

-> COSAC NAIFY
Não há lugar para a lógica em Kassel, de Enrique Vila-Matas
Em alto mar, de Toine Heijmans
Absalão, Absalão!, de William Faulkner

-> BERTRAND BRASIL
The good lord bird, de James McBride
The snow queen, de Michael Cunnighan
Zoo time, de Howard Jacobson
Hah, de Birgül Oguz

-> ROCCO
Um ano na selva, de Suzanne Collins
Abaixo do paraíso, de André de Leones

-> EDITORA 34
A educação sentimental, de Gustave Flaubert
Contos de Kolimá, de Varlam Chalámov
A escavação, de Andrei Platónov
Os sete enforcados, de Leonid Andrêiev
O adolescente, de Fiódor Dostoiévski
Sátántangó, de László Krasznahorkai
Carmen, de Prosper Mérimée

-> RADIO LONDRES
Atocha, de Ben Lerner
Viva a música!, de Andrés Caicedo
Stoner, de John Williams
A vida em espiral, de Abasse Ndione
Minotauro, de Benjamin Tammuz
Joe Speedboat, de Tommy Wieringa
Está tudo tranquilo lá em cima e Dez gansos brancos, de Gerbrand Bakker
Tirza, de Arnon Grunberg

-> FARO
Espero que sirvam cerveja no inferno, de Tucker Max

-> FOZ 
A rainha ginga, de José Eduardo Agualusa

-> COMPANHIA DAS LETRAS
Rãs, de Mo Yan
O lugar mais sombrio, de Milton Hatoum
A hologram for the king, de Dave Eggers
Como se o mundo fosse um bom lugar, de Marçal Aquino
Os mil outonos de Jacob de Zoet, de David Mitchell
Cloud Atlas, de David Mitchell
Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust (com tradução de Mario Sergio Conti)
City on fire, de Garth Risk Hallberg (sai em setembro, nos Estados Unidos)
Compilação de histórias policiais The Latin American Crime Issue, da revista McSweeney's - entre os autores Joca Reiners Terron, Bernardo Carvalho e Carol Bensimon
Não preciso mais de você, de Arthur Miller
How to be both, de Ali Smith
Biografia involuntária dos amantes, de João Tordo
I racconti e O gattopardo, de Tomasi di Lampedusa
As mudanças e os choques, de Martin Wolf
A era da ambição, de Evan Osnos
Nora Webster, de Colm Tóibín
A zona de interesse, de Martin Amis
Funny Girl, de Nick Hornby
Can’t and won’t, de Lydia Davis
A ilha da infância, de Karl Ove Knausgaard
Os judeus e as palavras, de Amós Oz e Fania Oz-Salzberger
O livro da gramática interior, de David Grossman
A casa assombrada, de John Boyne
A imortalidade, de Milan Kundera
Restinga, de Miguel Del Castillo

Eu não preciso mais de você, de Arthur Miller

-> ESTAÇÃO LIBERDADE
Don segundo sombra, de Ricardo Güiraldes
Humanidade perdida, de Osamu Dazai
Adeus, Tsugumi, de Banana Yoshimoto
O vento leste, de Otohiko Kaga
Medeia, de Christa Wolf
No país do cervo branco, de Chen Zhongshi
Da vida de um inútil, de Joseph von Eichendorff
Divã ocidental-oriental, de J. W. Goethe
Os anos de peregrinação de Wilhelm Meister, de J. W. Goethe

Natan, o sábio, de G. E. Lessing

-> HEDRA
Antologia do conto holandês (1839-1937), 16 contos de 16 autores

-> RECORD
Remissão da pena, Flores da ruína e Primavera de cão, de Patrick Modiano
Luxúria, de Fernando Bonassi
The wolf in white van, de John Darnielle

-> CARAMBAIA
Homens em guerra, de Andreas Latzko 
Soldados rasos, de Frederic Manning 
Juncos ao vento, de italiana Grazia Deledda

-> MUNDARÉU
O fogo, de Henri Barbusse
Uma juventude na Alemanha, de Ernst Toller

-> GRUA LIVROS
A última tentação de Cristo, de Nikos Kazantzakis 




GRINGOS (considerando o mercado editorial norte-americano e de língua inglesa)

Amnesia, de Peter Carey
The First Bad Man, de Miranda July
Lucky Alan: And Other Stories, de Jonathan Lethem
Satin Island, de Tom McCarthy
Trigger Warning: Short Fictions and Disturbances, de Neil Gaiman
The Buried Giant, de Kazuo Ishiguro
Ashes in My Mouth, Sand in My Shoes e I Refuse, de Per Petterson
The Last Word, de Hanif Kureishi
God Help the Child, de Toni Morrison
The Making of Zombie Wars, de Aleksandr Hemon
Purity, de Jonathan Franzen

*Imagens: divulgação.

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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

RECADO


Pessoal,

Para variar, o ano está acabando e como sempre eu ainda tinha um monte de coisas para falar e fazer. Infelizmente não deu. Que mal! Entra ano e sai ano e as coisas são assim. Sei que fiquei um bom tempo sem aparecer, mas tenham em mente que o blog não acabou. As novidades ficam para o ano que vem. O blog faz uma pausa de hoje até a primeira semana de 2015. Feliz ano novo!

Imagem: reprodução desse link
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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

PRESENTES DE NATAL 2014


Eu sei que estou longe desse blog faz um tempo, mas não pensem que acabou. Fui ali ler um livro bem longo e aos poucos estou retomando o ritmo.

Já que estamos em dezembro, não posso fugir a tradição de todos os anos. Por isso, mais uma vez, organizei uma seleção de presentes para o natal. No "guia de compras" entraram apenas livros de ficção em prosa lançados ao longo do ano de 2014. A intenção é ajudar na hora das compras de última hora para o amigo secreto e tudo o mais. Com essas dicas você não vai fazer feio - pode ter certeza.

O serviço inclui imagem de capa do livro, título, autor, tradutor, preço e link para o site das editoras. O preço pode variar dependendo da livraria em que você compra em função de ofertas promocionais, programas de fidelidade, descontos, compra pela internet, importação etc.

Boas compras!

Incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação, de Haruki Murakami com tradução de Eunice Suenaga (Alfaguara Brasil; R$ 39,90). O autor mais aclamado do momento faz sua incursão no tema mais caro do século XXI - o trauma, a identidade e a reparação do passado.

Graça infinita, de David Foster Wallace com tradução de Caetano Galindo (Companhia das Letras; R$ 111,90). Tem quem ache 'chatinho', tem que ache 'genial'; seja como for é uma obra prima não apenas por sua invenção formal, mas também por captar a atmosfera esquizofrênica da sociedade norte-americana e atingir os contornos que atormentam o homem ocidental pós-moderno com doses extras de ironia.

Cantiga de findar, de Julian Hebert com tradução de Miguel Del Castillo (Rocco; R$ 34,50). Na esteira da metaficção o autor compôs um livro que leva ao limite as fronteiras os gêneros literários e o conceito de verdade.

Obras completas de Adolfo Bioy Casares – volume A, de Adolfo Bioy Casares com tradução de Sergio Molina, Rubia Prates Goldoni, Josely Vianna Baptista, Antônio Xerxenesky, Ari Roitman e Paulina Watch (Globo Livros selo Biblioteca Azul; R$ 69,90). Uma coleção completa e caprichada que vai reunir em três volumes a obra do escritor argentino em novas traduções.

Fogo-Fátuo, de Patrícia Melo (Rocco; R$ 29,50). A investigação da morte de um ator em pleno palco serve como pano de fundo para um romance policial explosivo - tal como sugere o título.

Paradiso, de José Lezama Lima com tradução de Olga Savary (Martins Editora; R$ 74,90). Um clássico da literatura latino-americana que estava fora de catálogo e ganha nova tradução. Conta a história da vida de José Cemí, desde o fim do seu paraíso até a dura aprendizagem das coisas.

O réveillon de Max Richter, de Cecilia Giannetti (E-galáxia; R$ 1,98). O selo voltado ao livro digital mais interessante do momento tem um conto que merece ser lido nesse período de festas.

Um homem burro morreu, de Rafael Sperling (Oito e Meio; R$ 35,00). É o livro de contos mais inclassificável que já tivemos notícia. É um desses momentos em que nos lembramos que a literatura também precisa de rebeldia.

Uma rua de Roma, de Patrick Modiano com tradução de Herbert Daniel e Cláudio Mesquita (Rocco; R$ 24,50). Outro livro que estava fora de catálogo, mas foi resgatado pelo prêmio Nobel de Literatura - trabalho superpremiado do autor.

The fantastic jungles of Henri Rousseau, de Michelle Markel com ilustrações de Amanda Hall(Eerdmans Books for Young Readers; $ 12,61 - importado aproximadamente R$ 58,00). A ilustre vida do destemido pintor francês - é para crianças, mas vale para adultos.

*Imagem das capinhas: divulgação / montagem: Rafael R.
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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

E O PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA VAI PARA...



É muito difícil passar despercebido diante da notícia mais bombástica do momento: o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura. Entra ano, saí ano, outubro chega e a gente corre para a internet tentado encontrar o nome do felizardo que vai levar para casa 8 milhões de coroas suecas - sem mencionar o prestígio de ter ser nome ao lado de pessoas muito importantes na literatura ocidental, o interesse das editoras pelos seus livros, o aumento do seu público leitor etc.

Pois bem, o ganhador desse ano é o francês Patrick Modiano. Como os membros da Academia Sueca disseram, Modiano é bastante conhecido na França (ganhou o Prêmio Goncourt, em 1978), mas pouco conhecido mundo afora. Só pode ser essa a razão pela qual ninguém apontou seu nome na lista de apostas da Casa Ladbrokes - a Raquel Cozer conta como funciona o burburinho na Ladbrokes e o processo de seleção da Academia Sueca numa reportagem da Ilustrada. Nem preciso dizer que as maiores apostas eram naqueles autores de sempre: Haruki Murakami, Ngugi Wa Thiong'o, Adonis, Svetlana Aleksijevitj, Philip Roth e até… Bob Dylan (sim, ele sempre aparece). Quem pensou que ia ficar rico, só perdeu dinheiro.

Seja como for, Patrick Modiano já teve livros publicados no Brasil pela Rocco até 2003. Fiz uma pesquisa de campo (pela internet - cof, cof, cof) e parece que todos estão fora de catálogo. Você consegue encontrar num sebo com facilidade. No entanto, a Cosac Naify publicou nesse ano (não faz muito tempo) o livro infanto-juvenil Filomena Firmeza com ilustrações do Sempé. Uma feliz coincidência! Agora com o anúncio do Nobel, me parece provável que essa editora tenha maior interesse em lançar nova edições dos romances adultos do autor. Vamos aguardar.

Se você não aguentar de ansiedade de ler um romance dele, especialistas recomendam que você comece por Uma rua de Roma - tem nos sebos em pequenas quantidades.

Enquanto os livros não chegam, a gente pode continuar no clima de adivinhação/especulação e arriscar nomes que podem sair consagrados nessa temporada de prêmios que tomam o final do ano de assalto. Vem por aí: Man Booker, Prêmio SP de Literatura, Telecom etc. Conta para mim os seus palpites?

*Imagem: divulgação nobelprize.org

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quarta-feira, 3 de setembro de 2014

LITERATURA NA BIENAL DE ARTE E NO MÊS DA CULTURA INDEPENDENTE


A Bienal do Livro abriu espaço em sua programação cultural para abraçar outras artes, atrair novos públicos, ganhar relevância e tudo o mais. Agora é hora da Bienal de Artes abraçar a literatura (em seu sentido mais amplo) para promover reflexões em torno do tema "Como ... coisas que não existem" proposto pelo curador da mostra, Charles Esche. A ideia é que os artistas convidados encarnem a atmosfera das grandes transformações sociais do mundo contemporâneo. Algumas polêmicas (enfrentamentos, choques, contestações, guerrilha, transgressões - chame como quiser) devem pintar por aí.

Evidentemente não é a primeira vez que a literatura aparece no evento, afinal tudo é arte (em seu sentido mais amplo). Porém, parece sintomático que a literatura apareça dentro da Bienal de Arte na forma dos muitos saraus organizados por diversos coletivos na periferia da cidade. É como se o grito da rua adentrasse os portões daquela instituição e mais do que isso: a "literatura divergente" (o termo é do Nelson Maca, poeta e professor da Universidade Católica de Salvador) estivesse ganhando legitimação e visibilidade. Para termos uma ideia, alguns saraus da periferia de São Paulo estiveram na Feira do Livro de Buenos Aires e fizeram bastante sucesso.

Promete ser uma experiência interessante uma vez que o visitante estará literalmente imerso dentro de um ambiente de... contestação. A programação completa foi divulgada pela Ilustrada, se você perdeu pode conferir aqui.

***


Embuido do mesmo espírito de contestação dos tempos interessantíssimos em que vivemos, a cidade recebe também o evento "Mês da Cultura Independente". A programação é extensa e incluí várias manifestações artísticas. Para o campo da literatura o destaque será o 3º Encontro de Literatura Divergente organizado por Berimba de Jesus e Nelson Maca na Biblioteca Pública Alceu Amoroso Lima, em São Paulo. Além dos debates, o encontro vai promover feira de livros, oficinas, exposições, saraus, performances e lançamentos.

E veja que interessante: serve como um complemento as atividades que vão acontecer na Bienal de Artes.

*Imagem: Obra de Éder Oliveira que estará na Bienal/Divulgação; Biblioteca Alceu Amoroso Lima/Divulgação.
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sexta-feira, 29 de agosto de 2014

BIENAL DO... LIVRO?


A Bienal do Livro começou na semana passada, termina no domingo e eu não fui. Nem vou. Lembro que a última Bienal (em 2012) terminou com uma repercussão negativa nos jornais e nos blogs - apesar dos bons números de público e de vendas, é verdade - e o que eu disse naquela ocasião parece que continua valendo: livros sem desconto atrativo, programação cultural nem tão literária assim, falta de lançamentos etc.

A verdade é que eu não sou mais o público-alvo da Bienal. Uma reportagem da Ilustrada pintou o evento como um grande festival de rock: tem debates, peças, filmes, shows... e até livros. Não é à toa que o cartaz diz assim "Diversão, cultura e interatividade. Tudo junto e misturado". Parece que o evento perdeu relevância com uma parcela do público e para se manter vivo encontrou seu filão nos jovens (o público infantil também tem espaço garantido). Será que para ler ou sentir atração pela leitura o jovem precisa de vários artifícios e não apenas de um... livro?

Vejam, isso não é um problema. Não quero parecer apocalíptico ou derrotista. Quando mais o público infantil e jovem ler, melhor: com mais leitores o mercado editorial fica saudável e a educação ganha um aliado fundamental. Nem preciso destacar os benefícios da leitura (sim! eles existem, acredite!). Todo mundo sabe de cor essa ladainha. E quem gosta de livros mais "literários" (vamos chamar assim) já tem muitas outras maneiras de encontrar novidades, conseguir descontos, pensar e debater a respeito dos livros que lê.

Quando o balanço dessa Bienal sair na segunda-feira, tenho certeza que os números de visitantes serão bons - de vendas é um problema dependendo de quem vê.

Seja como for, fica sempre esse sentimento de que os eventos de livros tem cada vez menos... livros. É culpa do nosso romantismo purista em torno do mais "literário", do livro físico, do livro que é apenas livro mesmo. A coisa fica pior quando a gente se dá conta de que os... livros mais "literários" tem cada vez menos importância: são menos lidos, vendem menos e vão perdendo a relevância. 

Parece um contrassenso que o público adulto que consome o mais "literário" seja ignorado por um evento do tamanho da Bienal. Podia haver uma Bienal Paralela que contemplasse essa turma. Pior ainda é pensar que a Bienal poderia se reinventar num mundo carente de reinvenção. sonho com o dia em que a Bienal tenha a ousadia de tomar de assalto a cidade de São Paulo, saí dos domínios do Anhembi e ocupe as ruas promovendo eventos sérios e diversos sobre... livros e leitura.

Simples assim.

*Foto: retirei do Google.
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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

AOS TRABALHOS - VOLTANDO DA FLIP...

Um, dois, três... testando. Som! Som!

Eu sei que simplesmente sumi do mapa sem dar maiores explicações. Acontece que depois da FLIP eu emendei férias e não tive tempo de deixar um recado por aqui. Até do twitter eu sumi. Foi mal! Prometo que não vai mais acontecer (cof, cof, cof).

Enquanto estive fora muita coisa aconteceu no mundo da prosa de ficção. Além disso, tem bienal do livro, Donna Tartt e muita literatura brasilera. Volto num momento de bastante agito, mas antes preciso escrever umas linhas mal traçadas sobre a FLIP (promessa é divida).

Aos trabalhos!

***



Já não resta muito a dizer quase três semanas após o término da Festa Literária Internacional de Paraty. Você já deve ter lido toda sorte de coisas na internet. Apelo para os tais textos opinativos e impressionaistas que estão em alta. 

Não acredito que tenha sido uma FLIP extraordinária para a prosa de ficção, mas a gente não pode exigir tamanha especificidade de uma Festa que trata de livros em geral - é um festival de humanidades e ainda que ficasse no ambito da literatura tem a prosa, a poesia, o teatro, os ensaios etc. 

Na minha humilde opinião, os escritores Eleanor Catton, Mohsin Hamid, Etgar Keret, Juan Villoro e Daniel Alarcón colocaram a plateia no bolso. Nada comparado a comoção generalizada de Valter Hugo Mãe em edições anteriores. No conjunto, eles tiveram senso de humor e inteligência de sobra para falarem de literatura, política e assuntos gerais. Souberam transformar com maestria perguntas ingênuas em grandes questões. Como diz aquele ditado, fizeram de um limão uma limonada. Tenho certeza que Catton conseguiu convencer muita gente a enfrentar seu pequenino catatau de quase 900 páginas. Alarcón felizmente não foi ofuscado pelo furacão Fernanda Torres - ela soube dar espaço para o livro dele. Perceba, o livro dela é muito bom, vendeu muito bem, ela estava em casa, fala com aquela desenvoltura que a gente conhece e ainda tinha Fernanda Montenegro sentada logo ali na linha de frente. Quem iria prestar atenção num escritor do Peru?

Cansei de cruzar com eles todos felizes e contentes flanando naquelas ruas de pedra.

No mais, achei a FLIP comedida (será a crise financeira, a crise de patrocínio, a crise do mercado?). A tenda dos autores pareceu muito mais simples do que os anos anteriores. A organização acertou ao liberar o show de abertura, mas errou ao desfazer a tenda do telão na beira da praia e deixar o público em pé debaixo de um sol escaldante - podia ter providenciado uma sombra e uns bancos. Mesmo na Praça da Matriz a coisa era infernal. Para não mencionar o falatório da multidão que ia e vinha o tempo todo e não deixavam a gente nem ouvir. Aquela ponta da praia onde ficava a tenda do telão no ano passado ficou morta. As mediações também foram um pouco sofridas, assim como as traduções simultaneas (com exceções) e a qualidade técnica do som nos telões.

Os preços das pousadas, das livrarias e restaurantes estavam pela hora da morte - sério. Acho que nem em São Paulo a gente gasta tanto com refeições, para ficar num único item (e olha que São Paulo não é uma cidade muito barata). Se continuar assim, alguém vai ter de montar um manual de sobrevivência a baixo custo em Paraty durante esse evento.

No mais, vale dizer que Paraty agora tem três livrarias!

*Imagem: reprodução.
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terça-feira, 29 de julho de 2014

FLIP - PROGRAMAÇÃO PARALELA


Amanhã começa mais uma edição da FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty. As mesas da programação principal estão caprichadas com autores nacionais e internacionais e todos os ingressos para assistir ao vivo na tenda principal estão esgotados. Não se desespere porque nesse ano a tenda do telão será grátis. Vamos supor que você quer ver aquele seu autor favorito de perto, você tem duas oportunidades: pedir um autógrafo ou acompanhar a extensa programação paralela.

Abaixo listei o que consegui compilar. Além desses eventos, o jornal Folha de SP terá uma casa com a presença de alguns autores e tem a Flipinha (programação voltada ao público infantil).

Se você souber de alguma coisa, escreva nos comentários que faço atualizações.

FLIPMAIS
Casa da Cultura - R Dona Geralda 177
Preço dos ingressos para eventos pagos: R$ 12 (inteira); R$ 6 (meia)
Os ingressos estarão à venda na Casa da Cultura e na bilheteria da Flip, para eventos do mesmo dia ou do dia seguinte.

Programação

>> 31 quinta

14h
Construindo políticas públicas para a leitura*
Com José Castilho, Marques Neto, Fabiano dos Santos Piúba, Antônio Carlos de Morais Sartini, Paulo Daniel Elias Farah e  Cláudia Santa Rosa. A mediação será de Volnei Canônica

16h
Mano a mano
Com Damián Tabarovsky e Leopoldo Brizuela. A mediação será de Leandro Sarmatz

18h
Versos de risco – do hai-kai à poesia marginal
Com Adriana Calcanhotto e  Charles Peixoto. A mediação será de Guilherme Freitas

20h
Tradução in translation
Com José Luiz Passos, Sam Byers, Paulo Henriques Britto e Daniel Hahn

22h
Noites de cinema: Jards

>> 1 sexta

14h
A poesia e seus caminhos de fazer ler*
Com Flávio Araújo, Luís Dill, Ninfa Parreiras e Simone Monteiro de Araújo

16h
Meio de campo: o papel do agente literário
Com Lucia Riff, Mariana Teixeira Soares e Nicole Witt. A mediação será de Henrique Rodrigues

18h
Centenário de um Nobel
Com Alberto Ruy-Sánchez e Horácio Costa

20h
Em nome do pai
Com Ivo Herzog e Marcelo Rubens Paiva. A mediação será de Zuenir Ventura

22h
Noites de cinema: Mr. Sganzerla - os signos da luz*

>> 2 sábado

10h30
O estilo Millôr
Com Reinaldo e Chico Caruso. A mediação será de Guilherme Freitas

14h
Biblioteca na escola: leitura e letramento*
Com Pilar Lacerda, Cristina Maseda, Eliane Tomé e Graça Castro. A mediação será de Patrícia Lacerda

18h
Spoken word - a poesia em performance
Com Charlie Dark e Siba. A mediação será de Alice Sant’anna

20h
Eu, Malvolio
Com Tim Crouch

22h
Noites de cinema: crônicasNÃOditas*

*Evento gratuito. Retirar ingressos uma hora antes na Casa da Cultura com uma hora de antecedência.

CASA DO IMS
Rua do Comércio, 13
De quinta a sábado, das 10h às 22h
Domingo, das 10h às 16h

Haverá exposição e lançamento do livro "Millôr 100 + 100: desenhos e frases". O novo número da revista Serrote 17 também terá lançamento durante a FLIP.

>> Quinta 31
16h – Antônio Prata 
17h – Gregório Duvivier
18h – Jorge Edwards 

>> Sexta 1 
16h – Sérgio Augusto 
17h – Almeida Faria
18h – Paulo Mendes da Rocha
19h – Graciela Mochkofsky

>> Sábado 2
16h – José Luiz Passos 
17h – Daniel Alarcón 
18h – Cacá Diegues
19h – Juan Villoro

* Programação sujeita a alterações

CASA DA ROCCO
Rua da Matriz, esquina com Comendador José Luiz, no Centro Histórico

De quinta-feira a sábado, sempre das 10h às 20h
No domingo, das 10h às 14h

>> Sexta 1
15h Documentos, por favor
Com Frei Betto e Claudia Nina
Mediação: Guiomar de Grammont

17h O silêncio vale mais que mil palavras
Com Flávio Izhaki e Marcelo Moutinho
Mediação: Guiomar de Grammont

>> Sábado 2
15h Sexo, drogas e literatura
Com Julio Ludemir e Wesley Peres
Mediação: Claudia Nina

17h Lançamento de Devagar e Divagando, de Flávio Carneiro

19h Literatura em trânsito
Com Florencia Garramuño e Luciana di Leone
Mediação: Diana Klinger

>> Domingo 3
12h Eu vou te matar
Com Bernardo Kucinski  e Antonio Xerxenesky
Mediação: Miguel Conde

Todos os eventos são gratuitos nessa casa.

*Imagem: reprodução Google.
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quarta-feira, 23 de julho de 2014

NOTAS #48

Teve Copa
Acompanhei durante o mês de junho e julho as partidas disputadíssimas da Copa do Mundo de Literatura e não avisei nada do resultado final - justamente o que mais interessa. Para sanar essa falta gravíssima, digna de um cartão vermelho e uma ducha fria para refletir, venho aqui anunciar que o grande campeão foi Noturno do Chile, de Roberto Bolaño. Foi uma goleada espetacular: 17 pontos para o livro do Bolaño contra 9 pontos para Rostos na multidão, de Valeria Luiselli (México). No caminho, o campeão deixou para trás Hermann Koch (Holanda), Chico Buarque (Brasil), Elena Ferrante (Itália) e W.G. Sebald (Alemanha).

Particularmente, acho Noturno do Chile um primor. Recomendo como porta de entrada para aquelas pessoas que querem se aventurar na obra do chileno e não sabem muito bem por onde começar.

***

Como vocês viram, o Chico Buarque (representando o Brasil) foi derrotado pelo campeão e caiu na segunda rodada. Uma pena! Mais sorte para a gente da próxima vez.

***

A Copa do Mundo de Literatura vai deixar tanta saudade quanto a Copa do Mundo de Futebol. Eu não consigo parar de pensar numa Copa de Literatura Brasileira. Ainda mais com tanto livrão despencando nas nossas prateleiras.



Falando nisso...
Dois lançamentos bastante aguardados estão chegando as nossas livrarias: Luzes de emergência se acenderão automaticamente, de Luisa Geisler e A vez de morrer, de Simone Campos.



Otra Língua
Além dos alemães, os latino-americanos fizeram o maior sucesso nessa Copa do Mundo. A gente podia aproveitar essa 'buena onda' para conhecer um pouco da literatura feita pelos nossos vizinhos em boas traduções para o português. Um bom caminho é a Coleção Otra Língua da Editora Rocco, organizada por Joca Reiners Terron - um cara que entende muito do assunto. Já falei dessa coleção no ano passado, mas oito novos títulos serão lançados até o final do ano. Os dois primeiros são Hotéis, de Maximiliano Barrientos (traduzido por Joca Reiners) e Um homem morto a pontapés, de Pablo Palacio (traduzido por Jorge Wolff). Depois vem A internacional Argentina, de Copi (traduzido por Carlito Azevedo), O boxeador polaco, de Eduardo Halfon (traduzido por Lui Fagundes), Prosas apátridas, de Julio Ramón Ribeyro (traduzido por Angélica Freitas), Canção de Morrer, de Julián Herbert (traduzido por Miguel Del Castillo), Um Ano, de Juan Emar (traduzido por Pablo Cardellino) e A sinagoga dos iconoclastas, de J. Rodolfo Wilcock (traduzido por Davi Pessoa). Tem até vídeo promocional, olha que bacana: http://youtu.be/DBY0E4tWnps



No corpo
Quem acompanha este blog de longa data deve saber da paixão escondida por literatura e tautagem. Pois bem, o pessoal do Litographs (é gringo - dos Estados Unidos) resolveu fazer um financiamento coletivo com uma ideia bem bacana para quem gosta de tatuagem, mas tem medo de fazer uma definitiva: uma coleção de tatuagens literárias temporárias (daquelas tipo decalque que saem quando você toma banho). Tem tatuagens inspiradas em Jack London, James Joyce, Herman Hesse, Victor Hugo e outros mais. Detalhe: os primeiros 2.500 apoiados do projeto vão receber um trecho único de Alice no país das maravilhas para tatuar (temporariamente), fotografar e juntos formar a maior tatuagem literária de todos os tempos. O livro estará todo escrito no corpo dessas pessoas. Mais informações aqui: http://tinyurl.com/k94ujk4




Bancos Parade
Lembra da Cow Parade? Aquela exposição com estátuas de vacas em tamanho real decoradas por artistas plásticos famosos. Então, durante todo o verão a cidade de Londres vai receber uma exposição semelhante só que dessa vez as estrelas serão bancos, ao invés de vacas. Melhor do que isso: bancos decorados por artistas plásticos tendo como inspiração clássicos da literatura. Parece que são 50 bancos (portanto, 50 livros diferentes) espalhados pela cidade. Tem Charles Dickens, Nick Hornby, P.G. Wodehouse, Virginia Woolf, George Orwell (na foto), Jane Austen e outras mais. Para admirar, sentar e ler. Alguém pode aproveitar essa retomada do espaço público das nossas cidades e fazer uma coisa parecida.

*Imagens: divulgação.


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segunda-feira, 30 de junho de 2014

PARA QUEM VAI À FLIP E DECIDIU NA ÚLTIMA HORA...

E aí comprou ingressos para a FLIP? Acho que nem a Copa do Mundo foi capaz de impedir uma pequena correria por parte da plateia interessada em comprar ingressos para as mesas da Festa Literária de Paraty. Fiz uma consulta informal agora pouco e mais da metade da programação já não tem entradas - restam apenas 5 mesas. A novidade da programação desse ano é a entrada gratuíta tanto para o show de abertura (com a cantora Gal Costa) quanto para a transmissão das mesas pelo telão. Para tristeza geral da nação, o telão saí da beira da praia e vai para a Praça da Santa Casa; saudades de assistir as mesas com o pé na areia e uma cerveja na mão. Era quase um oásis.

Resta saber se haverá banco suficiente para todo o público que decidiu acompanhar pelo telão. Será que vão distribuir aqueles banquinhos de papelão?

Bom, vamos supor que você lembrou que a Copa acaba em duas semanas e decidiu de última hora fazer as malas rumo a Paraty para acompanhar a Festa. No entanto, um agravante te preocupa: você não leu nenhum livro dos autores convidados. Como resolver esse problema e não fazer feio?

Para ter dar uma mão eu criei uma tabela relacionando livros curtos, médios e longos (bem longos) de 216autores de prosa de ficção que estarão na FLIP. Como sempre, não tenho um daqueles infográficos super transados. Improvisei uma tabela no estilo vintage - que lembra os tempos do jornal em preto e branco (ainda bem que essas coisas do passado estão na moda).

Monte a tabela tomando como base a informação de que uma pessoa lê em média 15 páginas por hora. Usando esse dado, a tabela ficou assim:

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É evidente que na vida cotidiana nem tudo é tão estático assim. Pode ser que você seja um sujeito que consegue ler mais de 15 páginas por hora, bem como pode dispor de mais tempo de leitura aos finais de semana ou dias de folga do trabalho (lembrando que estamos no mês das férias escolares). Mesmo que você seja um sujeito "MUITO OCUPADO", vai conseguir ler pelo menos dois ou três livros. Esqueça os três catataus Jhumpa Lahiri, Joël Dicker e Eleanor Catton e fique com as opções de menor número de páginas.

Não desanime e não arrume desculpa.

*PS.: Listei um conto de Vladímir Sorókin que está na Nova antologia do conto russo porque o livro Dostoievski-Trip é uma peça de teatro - nada que impeça você de compreender um pouco do universo desse escritor. 

*Tabela: Rafael R.

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