Começa hoje a vai até domingo a 4ª edição do Festival Nacional do Conto, no Teatro do SESC Prainha, em Florianópolis. Será uma
oportunidade única de ouvir diferentes gerações de escritores brasileiros
falando sobre a arte de uma forma breve. O autor homenageado será Sérgio
Sant'Anna. A programação também terá Altair Martins, Daniel Pellizari, André
Sant’Anna, Fernando Bonassi, Márcia Denser, Noemi Jaffe, Cíntia Moscovitch,
Luísa Geisler e outros mais. Aproveitando a oportunidade, fiz três perguntas
para o idealizador do festival, Carlos Henrique Schroeder.
1) Como surgiu a ideia de criar um festival dedicado
exclusivamente ao gênero conto?
Há festivais de narrativas breves na Europa, na Ásia, na
América do Norte, mas a América Latina, de contistas como Pablo Palacio,
Borges, Cortázar, Dalton Trevisan e muitos outros, não tinha nenhum. Como
estudo há muitos anos essas formas breves e sou um contista da gema, me pareceu
um caminho natural tentar articular algo além da própria escrita: um festival
que pudesse abrigar os contistas, dar voz para eles e às suas obras. Já estamos
na quarta edição e crescendo a cada ano, em breve partimos para a internacionalização,
para trazer os latinoamericanos também.
2) Você acredita que o conto vai se tornar cada vez mais
importante no mundo de hoje, onde as pessoas não têm muito tempo ou paciência
para dedicar muito tempo aos livros longos?
Acho que esse é um mito, a questão do tempo e do tamanho da
leitura. As pessoas querem boas
histórias, independente do tamanho. O conto vai muito bem, obrigado, na América
do Norte, por exemplo, onde os contistas têm espaço na mídia e nas grandes
editoras, mas muito mal no Brasil, onde o trio grandes editoras, jornais e
eventos literários vão pasteurizando tudo, e tentando criar uma tradição
romanesca na marra, tentando achar o “grande-jovem-romancista-brasileiro” e
blá-blá-blá... Gente, eu vou citar quatro nomes: Rubem Fonseca, Sérgio
Sant’Anna, Luiz Vilela e Dalton Trevisan. Todos contistas da gema, todos vivos
e produzindo, então pensem na potência do conto brasileiro.
3) No ano passado, a escritora canadense Alice Munro ganhou
o Prêmio Nobel de Literatura. Ela é uma escritora conhecida por publicar apenas
contos. Você acha que o conto está finalmente sendo reconhecido como um gênero
importante e um escritor não precisa mais escrever um romance ou novela para
provar o seu talento?
O conto já teve diversos períodos prósperos na história da
literatura universal e da brasileira, e um escritor sabe quando tem um conto,
uma novela ou um romance na mão, então acho um erro se pautar pelo mercado. Nós
fazemos concessões o dia inteiro, com os amigos, com os colegas de trabalho, na
vida familiar, mas fazer concessões na arte, ao mercado editorial, é um erro,
um triste erro. Tenho vários amigos que pararam de escrever livros de contos,
com medo da rejeição da editora ou do leitor, é o mercado dando as cartas, uma
tristeza.
*Foto: reprodução do site do autor.

TRÊS PERGUNTAS PARA CARLOS HENRIQUE SCHROEDER