quinta-feira, 6 de junho de 2013

VOTAÇÃO: MUSA DA LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA

Na semana passada, o blog da Rafaela Gimenes organizou uma votação para eleger os musos da literatura brasileira contemporânea. Os dez concorrentes reúnem ao mesmo tempo beleza e talento suficientes que justificam a presença no páreo.

Foi pensando nisso, que resolvi organizar uma votação parecida. Portanto, cuecas de plantão, vamos eleger a musa da literatura brasileira contemporânea. Fique registrado que não estamos desprezando a beleza das escritoras das gerações antigas - Clarice Lispector, Hilda Hilst e Lygia Fagundes Telles estão na categoria hors concours. Aliás, os olhos de Lygia Fagundes Telles conquistaram até o ganhador do Prêmio Nobel, William Faulkner.

As candidatas aparecem na lista de forma aleatória, sem ordem de predileção. A seleção foi feita no esquema 'toró de ideias' - as dez primeiras escritoras que apareceram na lembrança. Use a caixa de comentários para manifestar algum nome que merecia estar na disputa e ficou de fora.

Vamos às musas:



1. Vanessa Bárbara
Além de O livro amarelo do Terminal, O Verão do Chibo (escrito em parceria com Emílio Fraia) e A máquina de Goldberg (HQ ilustrada por Fido Nesti), ela também dedica parte do seu tempo ao periódico A Hortaliça, traduz, faz preparação de texto e escreve para a revista Piauí e para o jornal Folha de SP. Ufa! O jeito tímido e irreverente são um charme a parte.



2. Marina Colasanti
Nasceu na Itália e veio para o Brasil em 1948. Aqui estudou e trabalhou como jornalista. Tem quarenta livros publicados sendo o primeiro, Eu sozinha, de 1968 e o mais recente, Passageira em trânsito, de 2010 - vencedor do Prêmio Jabuti. É uma senhora muito elegante e dona de lindos olhos claros.



3. Ana Paula Maia
É quase como a tigresa daquela canção do Caetano Veloso. Teve banda de rock, gosta de Quentin Tarantino, Dostoievsky e Sergio Leone, escreveu roteiro para teatro e cinema. Publicou quatro livros e participou de diversas antologias.



4. Adriana Lunardi
Apesar de ter nascido em Santa Catarina, já morou em Santa Maria, Porto Alegre, São Paulo e atualmente está no Rio de Janeiro. Publicou As Meninas da Torre Helsinque (1996), Vésperas (2002), Corpo estranho (2007) e A vendedora de fósforos (2011). Também trabalha como roteirista.



5. Cecilia Giannetti
Depois de participar de muitas antologias, publicou o romance Lugares que Não Conheço, Pessoas que Nunca Vi em 2007. Trabalhou como jornalista e roteirista. No momento está preparando novos romances.


6. Simone Campos
Ela é dona de uma beleza algo nerd porque usa óculos, adora videogame e ficção-científica. Publicou quatro livros e participou de muitas antologias - sem contar a participação em blogs e textos de ficção que foram escritos na internet. Sua experiência mais recente é OWNED - Um novo jogador, narrativa que usa recursos do videogame e outras mídias.



7. Tatiana Salem Levy
Nasceu em Lisboa, mas veio para o Brasil alguns meses depois. Leitora de Blanchot, Foucault, Deleuze e muitas outras coisas mais, publicou dois romances A Chave de Casa (2007) e Dois rios (2011). Antes disso, participou de diversas antologias.


8. Paloma Vidal
Ela nasceu em Buenos Aires - outra autora que veio para cá muito jovem. Tem trabalho como crítica, tradutora, leciona teoria literária e edita uma revista chamada Grumo. Publicou A duas mãos (2003), Mais ao sul (2008), Algum lugar (2009) e Mar azul (2011).



9. Clara Averbuck
Além de bonita é leitora de John Fante, Charles Bukowski, Paulo Leminski, Pedro Juan Gutiérrez, Hunter S. Thompson e João Antônio. gosta de Fiona Apple, Nina Simone, Rolling Stones, Tom Waits e Strokes. Tem cinco romances publicados.


10. Verônica Stigger
Essa gaúcha faz um pouco de tudo: trabalha como jornalista, professora e crítica de arte. Sua obra tem características e formatos muito particulares. Publicou O trágico e outras comédias (2004), Gran Cabaret Demenzial (2007), Os anões (2010) e o mais recente é Delírio de Damasco (2013).

Agora é com você ajude a eleger nossa musa. Vote no formulário abaixo e chame os amigos porque a eleição encerra na outra sexta-feira (dia 14/06).


>> VOTAÇÃO ENCERRADA <<

*Fotos: reprodução/Google Images.
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segunda-feira, 3 de junho de 2013

PRÊMIO PORTUGAL TELECOM 2013 - SEMIFINALISTAS


A curadoria do Prêmio Portugal Telecom anunciou os livros que foram classificados para a semifinal e seguem na disputa por uma vaga na final - o prêmio será no valor de R$ 50 mil reais. Depois de avaliar 450 livros, o júri inicial escolheu 63 livros divididos nas categorias poesia, romances e contos ou crônicas para compor a lista dessa primeira etapa. Em setembro será anunciada uma lista menor com os 12 finalistas - sendo 4 livros para cada categoria.

Abaixo, relaciono os indicados na "categoria romance" e apenas os livros de conto da "categoria conto ou crônica":

CATERGORIA ROMANCE
A confissão da leoa, de Mia Couto
A máquina de madeira, de Miguel Sanches Neto 
A noite das mulheres cantoras, de Lidia Jorge,
A sul. O sombreiro, de Pepetela
As visitas que hoje estamos, de Antônio Geraldo Figueiredo Ferreira
Barba ensopado de sangue, de Daniel Galera
Big Jato, de Xico Sá
Caderno de ruminações, de Francisco J.C. Dantas
Desde que o samba é samba, de Paulo Lins
Deus foi almoçar, de Ferrez
Era meu esse rosto, de Márcia Tiburi
Estive lá fora, de Ronaldo Correia de Brito
Mar azul, de Paloma Vidal
Casarão da Rua do Rosário, de Menalton Braff
O céu dos suícidas, de Ricardo Lísias
O filho de mil homens, de Valter Hugo Mãe
O mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Rotterdam, de Evandro Affonso Ferreira
O que deu para fazer em matéria de história de amor, de Elvira Vigna
O sonâmbulo amador, de José Luiz Passos
Paulicéia de mil dentes, de Maria José Silveira
Sóbolos rios que vão, de António Lobo Antunes
Solidão continental, de João Gilberto Noll

CATEGORIA CONTOS OU CRÔNICAS
A caneta e o anzol, de Domingos Pellegrini
A verdadeira história do alfabeto, de Noemi Jaffe
Aquela água toda, de João Anzanello carrascoza
Cheiro de chocolate e outras histórias, de Ronivalter Jatobá
Contos inefáveis, de Carlos Nejar
Copacabana dreams, de Natércia Pontes
Essa coisa brilhante que é a chuva, de Cíntia Moscovich
Jogo de varetas, de Manoel Ricardo de Lima
Manhãs adiadas, de Eltânia André
Mistura fina, de Vera Casa Nova
O tempo em estado sólido, de Tércia Montenegro
Páginas sem glória, de Sérgio Sant'Anna
Shazam!, de Jorge Viveiro de Castro

Para ver as os semifinalistas de poesia e os demais livros de contos ou crônicas clique aqui.

E você, concorda com a lista?

*Foto: OiFuturo Notícias/Reprodução
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domingo, 2 de junho de 2013

A PROGRAMAÇÃO DA FLIP 2013


A FLIP anunciou a programação completa da sua décima primeira edição que acontece entre os dias 3 e 7 de julho. Como os curadores gostam de lembrar, a Festa é um evento de artes, humanidades e ideias cujo eixo central é a literatura. O que não engessa os assuntos das mesas e permite mudanças, inovações, experiências e surpresas aos expectadores. Quem não se lembra do ano em que o homenageado foi o sociólogo Gilberto Freire? Não estou menosprezando a importância de sua obra, mas destacando o fato de que com essa manobra a FLIP estava ampliando seu repertório condutor. Portanto, não causa espanto os debates sobre cinema, artes plásticas e arquitetura. 

O chamariz que confere popularidade a Festa está nessas mesas não necessariamente literárias com Gilberto Gil, Maria Bethânia lendo Fernando Pessoa ao lado de Cleonice Berardinelli, Nelson Pereira dos Santos ao lado da cantora Miúcha e uma mesa com Eduardo Coutinho (gênio).

A grande surpresa foi Michel Houellebecq. Acho que ninguém esperava já que ele tinha cancelado a sua participação na Festa, em 2011, alegando problemas pessoais. Resta torcer para que nada aconteça e ele venha. Apesar de ser uma figura aparentemente serena, seus livros sempre despertam debates apaixonados. No romance Partículas elementares, por exemplo, uma das personagens diz "Se havia um país detestável, era justamente, e especificamente, o Brasil”. Em 2008, quando ele esteve no Brasil para o Fronteiras do Pensamento, falou sobre o futebol como uma válvula de escape para o instinto de combate do ser humano. Em 2010, muita gente acusou Houellebecq de plágio quando O mapa e o território ganhou o Prix Goncourt - o livro contém trechos que foram retirados da Wikipédia. Vai ser no mínimo curioso.

A tarefa de fazer Houellebecq falar está nas mãos do jovem escritor e crítico espanhol Javier Montes. Será que vão conversar em francês? Ele já morou em Paris, Lisboa, Rio de Janeiro e Buenos Aires, tem experiência com tradução e domína outras línguas. Quem quiser conhecer um pouco dele pode recorrer aquela edição da Granta com Os melhores jovens escritores em espanhol. Montes também apresentou Emilio Fraia para o mundo na edição inglesa da Granta dedicada aos escritores brasileiros.

No mais, no terreno da prosa de ficção, a FLIP apostou em nomes ainda pouco conhecido pelos leitores brasileiro como o norueguês Karl Ove Knausgård, o francês Laurent Binet, a norte-americana Lydia Davis e o francês Jérôme Ferrari (ganhador do Prix Goncourt do ano passado). Um pouco mais conhecidos são o bósnio Aleksandar Hemon cuja obra tem sido publicada por aqui pela editora Rocco desde 2002, o irlandês John Baville publicado no Brasil desde o final dos anos 80 pelas editoras Globo, Rocco e Nova Fronteira e o norte-americano Tobias Wolff que apesar de ter livros publicados em português anda meio sumido das estantes - acho que só catálogo.

No quesito popularidade, os escritores brasileiros levam vantagem. Três dos prosadores mais comentados da temporada marcam presença: Paulo Scott, José Luiz Passos e Daniel Galera. E para aqueles críticos que acreditam que a não-ficção está mais interessante do que a ficção, vale as mesas entre Lila Azam Zanganeh e Francisco Bosco, Roberto Calasso e Jeanne-Marie Gagnebin (eles vão falar sobre Kafka e Baudelaire) e Geoff Dyer e John Jeremiah Sullivan (promete ser o ponto alto da Festa no domingo em que as pessoas costumam ir embora).

No mais, a gente sempre espera que a FLIP traga um escritor por quem somos apaixonados. Só que o mercado editorial no Brasil mudou, as Bienais do Livro estão tentando se reinventar, feiras estão crescendo, eventos menores estão surgindo e as editoras estão mais sintonizadas com isso. O que significa dizer que a gente não precisa esperar só pela FLIP para ver aquele autor que a gente gosta. Logo mais, ele pode pintar por aí na sua cidade.

***

Tenho certeza que eu, você e muita gente distribuiu palpites da programação nas conversas de mesa de botecos. Como acontece com o futebol, todo mundo tem uma escalação de sua preferência na cabeça. Algo me dizia que Zadie Smith e David Mitchell finalmente viriam (dois nomes em evidência nesse momento e cujos livros mais recentes devem sair em português logo mais). Não rolou. No mais, lamentei a 'não-vinda' de Chuck Palahniuk e olhando a programação geral, teria incluído Elif Batuman (uma das melhores 'ensaistas' do momento). Faltou uma mesa que contemplasse quadrinhos. Enfim, a lista é longa. Quem sabe numa outra oportunidade.

E você? Qual seria a sua escalação?

p.s.: deixei de fora os comentários sobre poesia porque o blog trata de prosa de ficção. no entanto, sei que vai ter coisa bacana.

(Foto: Walter Craveiro/Flip)
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quarta-feira, 29 de maio de 2013

WILLIAM FAULKNER PARA AS PISTAS DE DANÇA


Ao contrário do que muita gente pode imaginar a literatura nunca foi restrita ao mundo da academia e seus iniciados. Quantos filmes, programas de TV, jogos de tabuleiro, videogames e bandas de rock and roll já não foram influenciados pelas histórias impressas nas páginas de um livro? Não deixo de fora os experimentos linguísticos que também tem seu espaço reservado na cultura pop, vide o caso de Thomas Pynchon, Jack Kerouac, José Agrippino de Paula, J.G. Ballard, Raymond Queneau, Anthony Burgess etc. Portanto, não causa nenhum espanto a notícia dos romances chegando ao universo da dance music. Além de dançar ou fazer dançar, os djs também estudam literatura (e falam nisso o tempo todo).

Estou tomando como exemplo dessa tendência o músico e produtor Nicolas Jaar que esteve em São Paulo na semana passada como convidado da festa de 13 anos do clube D_Edge. Suas composições quase minimalistas passeiam livremente entre a house music, o tecno, o hip hop, o jazz e as canções pop e resultam numa mistura muito original de gêneros musicais. Dizem que Cat Power, cantora indie, e Scout LaRue, filha dos casal Bruce Willis e Demi Morre, ficaram encantadas pela música do rapaz. Ele tem fama de arrastar uma multidão de fãs do sexo feminino por onde passa.

Fora das pistas, Nicolas estuda Literatura Comparada na Universidade de Brown e sua tese de conclusão de curso será um tanto 'pretensiosa': vai tecer relações entre o romance Absalão, Absalão!, de William Faulkner, textos de Sigmund Freud, Jacques Derrida e Hayden White. Numa das tantas entrevistas, ele disse que o romance de Faulkner lembrava as composições musicais de Ricardo Villalobos (produtor e dj de tecno) pela maneira como a forma interfere no conteúdo - existem repetições, recorrência de temas, mudanças bruscas de tempo e sua experiência de expansão ao infinito, alternância de foco narrativo etc. Ou seja, a forma se dobra sobre o conteúdo e importa mais a maneira como se conta do que aquilo que se conta propriamente (estou simplificando as coisas porque o romance de Faulkner é incapaz de ser reduzido a meros detalhes, pois nele cabem muitos observações e interpretações; é importante dizer que para além da forma, o livro também conta uma história que tem recorrência com histórias que estão na bíblia).

Para dar conta de escrever a tese, Nicolas carrega livros na mala e só faz viagens internacionais quando está com tempo livre na Universidade. Ele considera que seu trabalho com música ficará cada vez melhor se continuar estudando. Tomara que ele não largue a literatura nunca mais!

***

Aos interessados em Absalão, Absalão! vale um aviso. O romance está fora de catálogo e disponível apenas em sebos. A última edição saiu pela Nova Fronteira, em 1981 com tradução de Sônia Régis. Virou um artigo raro e pode custar mais de R$ 200,00 dependendo do lugar em que você vai comprar.

Em 2010, a Cosac Naify anunciou que estava trabalhando numa nova edição com tradução de Celso Mauro Paciornik. Ainda não saiu e não pintou nas especulações sobre lançamentos de 2013. Vamos acompanhar.

Um trechinho dessa tradução saiu na revista Cult.

***

Enquanto isso, a editora Benvirá está relançando os romances não tão conhecidos do autor. Algo comparado ao Lado B, de Faulkner - estou dizendo sem o menor juízo de valor. Já saíram O intruso (com tradução de Leonardo Fróes), Lance mortal, Os invictos e a Triologia Snopes - A mansão, O povoado e A cidade (todos com tradução de Wladir Dupont).

*Imagem: Samantha Casolari para Port-Magazine/www.port-magazine.com
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sexta-feira, 24 de maio de 2013

LIVROS PARA EMPRESTAR E VENDER EM SP




A chegada dos livros na era digital deixou todo meio mundo perdido e iniciou um processo de crise quanto ao futuro dos autores, das editoras, das livrarias e das bibliotecas. Que fim a história nos reserva? Parece que no meio desse furacão o mercado editorial brasileiro vai bem e nossas livrarias e bibliotecas - apesar de tímidas em relação a nossa população total - resistem bravamente.

Embuído desse espírito o Guia da Folha trouxe um roteirão com livrarias, bibliotecas, sebos e espaços de leitura da cidade. Pode parecer espantoso para algumas pessoas, mas os paulistanos adoram dar uma passadinha entre as estantes desses lugares. Uma pena que o hábito não reflita um aumento na média de leitura dos brasileiros com 4 livros por ano - sendo 2,1 inteiros e 2,0 em partes. De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, a região Sudeste mantém essa média de 4 livros/ano e ficou atrás das regiões Nordeste com 4,3 livros/ano, Centro-Oeste e Sul ambas com 4,2 livros/ano cada. Só ganhamos da região Norte que ficou em último lugar com 2,7 livros/ano.

A reportagem completa está aqui - disponível somente para assinantes da Folha ou do portal UOL. Vou destacar os lugares escolhidos por Manuel da Costa Pinto, Fabrício Corsaletti e Vanessa Bárbara. Quem sabe todo mundo não se encontre por lá: 

Biblioteca de São Paulo
Parque da Juventude - av. Cruzeiro do Sul, 2.630

Livraria Zaccara
R. Cardoso de Almeida, 1.356

Livraria Cultura 
Conjunto Nacional - av. Paulista, 2.073

Biblioteca Mário de Andrade
R. da Consolação, 94

Sebo Chama de uma Vela
Galeria Ouro Velho - r. Augusta, 1.371, lj. 102

Livraria da Mercearia São Pedro
Rua Rodesia, 34

Livraria Sebo Cultural
R. Dr. Vila Nova, 321

***

Em 2014, nós vamos invadir as praias hermanas.

O crescente interesse dos estrangeiros pela literatura brasileira também levou São Paulo a ser escolhida como a cidade convidada de honra da próxima edição da Feira do Livro de Buenos Aires. Teve até uma reportagem no jornal La Nacion destacando os principais autores da literatura 'paulistana' - alguns não são paulistanos de registro, mas adotaram a cidade: Bernardo Carvalho, Luiz Ruffato, Marcelino Freire, Joca Reiners Terron.

Por enquanto, o que li nos jornais é que alguns prováveis autores tidos como presença garantida na Feira são Ferréz, Arnaldo Antunes, Nuno Ramos e Lourenço Mutarelli. Vamos aguardar.

Seja como for, anote na agenda. Antes da Copa do Mundo de Futebol, passe em Buenos Aires.

*Imagem: Rafael R.
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quarta-feira, 22 de maio de 2013

LYDIA DAVIS VENCE O MAN BOOKER PRIZE INTERNACIONAL



A cada dois anos, a organização do Man Booker Prize realiza uma premiação destinada a autores fora do Reino Unido que publicaram livros que foram traduzidos para o inglês ou publicados originalmente nesta língua. Pois bem, a escritora Lydia Davis acaba de ser anunciada como a ganhadora do prêmio nesse ano. Ela concorria com Marie NDiaye, Vladimir Sorokin, Marilynne Robinson, entre outros.

Davis é conhecida pela concisão e experimentalismo dos seus textos de ficção - os mais curtos tem uma linha e os mais longos apenas três páginas; a forma ora lembra poemas, ora aforismos, ora fábulas, ora contos nem tão tradicionais. Tipo de coisa que demanda muito controle do texto e um trabalho de carpintaria para cortar palavras aqui, acolá. Lembrou daquela frase: "menos é mais". Davis criar universos inteiros com poquíssimas palavras.

Seu único livro publicado no Brasil é Tipos de perturbação que saiu no mês passado pela Companhia das Letras com tradução de Branca Vianna. Reúne 57 narrativas breves. Tem um trecho do livro disponível para leitura aqui. Vale a pena conferir!

No momento ela está preparando um novo livro que será publicado nos Estados Unidos em 2014 com o título de Can't and Won't.

O prêmio vai dar mais brilho a passagem de Lydia Davis pelo Brasil. Ela é uma das autoras confirmadas para a próxima FLIP que deve anunciar sua programação completa amanhã.


*Imagem: reprodução Google.
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sexta-feira, 17 de maio de 2013

NOTAS #43



A invasão dos hermanos
Nessa semana a editora Rocco lança os primeiros títulos da coleção "Otra Língua" dedicada somente a autores hispano-americanos que embora sejam celebrados pela crítica e tenham uma obra robusta ainda permanecem pouco conhecidos no Brasil - com algumas exceções. A organização ficou nas mãos de Joca Reiners Terron que chamou uma turma bacana para cuidar das traduções e apresentações dos autores. Os dois primeiros livros são Asco, de Horacio Castellanos Moya - com tradução de Antônio Xerxenesky e apresentação de Adriana Lunardi - e Deixa Comigo, de Mario Levrero - com tradução e apresentação do próprio Joca; como bônus, o livro tem uma autoentrevista de Levrero). Logo mais deve sair Como me tornei freira, de César Aira - com tradução de Angélica Freitas e apresentação de Sérgio Sant'Anna - e Os Lemmings e outros, de Fabián Casas - com tradução de Joca Wolff e apresentação de Carlito Azevedo.

A coleção deve ter ainda livros de Roberto Arlt, Guadalupe Nettel - com tradução de Ronaldo Bressane e apresentação de Juan Pablo Villalobos - e outros.

***

Não custa lembrar que César Aira é um dos autores confirmados para a próxima Bienal do Livro do RJ que acontece em agosto.

Enquanto esperamos
Estava nos planos da editora Intrínseca lançar a tradução do romance The Art of Fielding, de Chad Harbach no primeiro semestre de 2012. O cronograma mudou e acabou ficando para esse ano. Sei de gente que está muito ansiosa pelo lançamento - afinal, o livro foi muito comentado por jornais, revistas e blogs graças a um forte esquema de marketing montado pela editora do autor, o que garantiu uma boa temporada de vendas nos Estados Unidos e o tornou um símbolo de recuperação da crise econômica que estava instalada no mercado editorial daquele país (quem conta essa história é Paulo Roberto Pires num artigo fantástico para o caderno Ilustríssima, da Folha de SP).

A boa notícia é que The Art of Fielding ganhou uma tradução portuguesa e espanhola - para quem não quer esperar muito ou já não recorreu ao original, em inglês. Em Portugal, saiu em 2012 pela editora Civilização com o simpático título de A arte de viver à defesa. A edição espanhola está mais fresquinha, acaba de sair pela editora Salamandra e recebeu o título de El arte de la defensa - tal qual a tradução portuguesa.

No Brasil, a tradução foi feita por Alexandre Barbosa de Souza e o título deverá ser A arte do jogo.

Eu tuíto, tu tuítas
Depois de John Wray, Jennifer Egan e John Wray chegou a vez do diretor de cinema Steven Soderbergh experimentar o twitter para escrever uma... novela. Chama-se Glue, parece que é uma história de suspense. Não tem nenhum rigor formal, mistura textos com imagens e até o momento tem dezoito capítulos. Detalhe, a conta tem 11.239 seguidores. O último filme de Soderbergh, Terapia de risco, entra em cartaz no Brasil nessa sexta.

A chegada dos forasteiros
Apesar de ter nascido no Canadá, o escritor Patrick deWitt mudou para os Estados Unidos e depois de algumas andanças foi morar no estado do Oregon. Parece que suas andanças em terras do Velho Oeste lhe renderam uma bela história para o aclamado romance Os irmãos Sister que acaba de ser lançado no Brasil pela editora Planeta com tradução de Marcelo Barbão. O livro foi bastante premiado pela crítica literária canadense, entrou em diversas listas de melhores do ano, chegou a finalista do Man Booker Prize, em 2011, e por muito pouco não ganhou o Tournament of Books do ano passado - na final, perdeu para Cidade aberta, de Teju Cole. A história está ambientada na Califórnia na época da corrida pelo ouro e tem os irmãos Charlie e Eli Sisters como protagonistas. Eles foram contratados para matar um homem chamado Hermann K. Warm, só que no percurso as coisas se complicam um pouco e tudo começa a dar errado. 

Para matar a curiosidade tem um trecho do romance aqui.

***

Outro livro que fez sucesso no Tournament of Books em 2011 e acaba de sair pela editora Leya é A peculiar tristeza guardada num bolo de limão, de Aimee Bender. Perdeu o torneio no zombie round (espécie segunda rodada da semi-final) para A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan - livro que foi o grande campeão daquele ano. Não pense que ela é uma autora estreante, sua bagagem já conta com cinco livro publicados e mais de dez anos de experiência - sem mencionar os textos para revistas como Granta, GQ, Harper's, Paris Review, McSweeney's etc. O enredo de A peculiar tristeza... é muito bom: fala sobre uma menina que "sente o sabor das emoções das pessoas que preparam sua comida".

Achado
Especialistas encontraram um conto do escritor Yasunari Kawabata que estava perdido nos arquivos do jornal da cidade de Fukuoka, no Japão. O conto se chama Utsukushiki! - Magnífico! em tradução literal - e foi publicado em 1927 quando o jovem Kawabata estava prestes a lançar A dançarina de Izu, livro que o tornou conhecido no mundo todo. Ele foi o primeiro escritor japonês a ganhar o prêmio Nobel de Literatura.

*Imagem: divulgação.

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quinta-feira, 9 de maio de 2013

COPA DE LITERATURA BRASILEIRA 2013


Reúna seus amigos e familiares porque nesse ano teremos a quinta edição da Copa de Literatura Brasileira. Eu, você e todos nós estávamos com saudades e aguardávamos ansiosos por qualquer informação que fosse da competição mais divertida das letras nacionais.

A notícia apareceu numa notinha do Jornal Rascunho e o anúncio oficial dos organizadores - os três veteranos Lucas Murtinho, Lu Thomé e Raphael Dyxklay - deve acontecer em breve no site da Copa. Por enquanto, eles estão reunidos num lugar secreto para colocar o campeonato em funcionamento e prometem algumas novidades e surpresas. Uma delas será uma repescagem em que livros eliminados na primeira rodada de avaliações terão outra chance de voltar a competição.

Na disputa para chegar até a final e levar o título de campeão estão 16 livros de autores brasileiros que foram publicados entre 2011 e 2012. A seleção final foi feita pelos organizadores e por 23 jurados através de uma votação.

Consegui apurar com exclusividade que um dos jurados dessa edição é o escritor mexicano Juan Pablo Villalobos - que mora em Campinas desde 2003 e fala um português impecável (tanto que está traduzindo o livro de um brasileiro para o espanhol). Ele é autor do romance Festa no covil, publicado pela Companhia das Letras. A trama do garoto que testemunha a questão do tráfico de drogas no México já foi traduzida para 14 idiomas, recebeu muitos elogios da crítica internacional e vai ganhar uma adaptação para o cinema. Em setembro, Companhia deve lançar outro livro dele Se vivêssemes num lugar normal. Pensa que acabou? No momento, Villalobos está preparando um terceiro livro e, entre uma coisa e outra, participa de debates, escreve para várias revistas, jornais e blogs.

A Copa deve começar no segundo semestre. Prepare-se!

*Imagem: montagem a partir de reproduções do Google e site da Copa.
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quarta-feira, 8 de maio de 2013

PYNCHON EM PÚBLICO 2013



Hoje é dia de comemorar mundialmente a figura de Thomas Pynchon - o escritor mais recluso dos Estados Unidos (lugar que ele ocupa solitariamente desde a morte de J.D. Salinger). Quem inventou a ideia foi o blog Pynchon in Public Day. A celebração já dura oito anos.

Vale colocar no seu blog, Facebook, Twitter, Instagram ou qualquer outra rede social alguma foto, texto ou vídeo com qualquer coisa relacionada a Pynchon e seu universo.

Na foto acima, tem a insígnia W.A.S.T.E. sobre o a cidade de SP e capinhas de todas as edições publicadas no Brasil.

Replicando o lema dos organizadores: "É simples, é inevitável e já começou".

*Foto, concepção e montagem: Rafael R. e Tatiana Mello.
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segunda-feira, 6 de maio de 2013

LIVRO POPULAR QUE NEM QUEM?



Outro dia, comentando sobre a figura do jogador Neymar como divulgador dos sucessos musicais brasileiros, coloquei no ar a seguinte pergunta: seria ele capaz de repetir a mesma façanha caso o produto fosse um livro? Em tom de brincadeira, recomendei que ele aparecesse com um exemplar de Os sertões, de Euclides da Cunha.

De fato, não temos como comparar dois campos da cultura tão distintos como a música (me refiro a música popular ou a canção popular como alguns preferem) e o livro. Enquanto o primeiro é uma experiência corporal, imediata e coletiva; o segundo demanda concentração, esforço intelectual e uma quase solidão. 

A música conta com a facilidade de penetrar mais facilmente na vida das pessoas através da TV, do rádio e da internet com os downloads e compartilhamentos em redes sociais. Como produto cultural, um disco não consome muito tempo. A gente pode colocar ele para tocar e seguir com as nossas tarefas do cotidiano - o famoso fundo musical. Você pode tomar contato com uma música que nunca ouviu até quando anda na rua.

Até a chegada da internet e dos leitores digitais, o livro não contava com nenhum meio de divulgação que não fosse o jornal e a revista - impressos. A coisa mais difícil do mundo era ouvir uma propagando no rádio ou na TV. Aos poucos a coisa está mudando, mas não vejo como dispensar dessa relação de consumo a vontade do leitor. Por mais que a gente faça propaganda, ele precisa se aproximar do livro, mexer, comprar e embarcar nas redes daquela história. Do contrário não tem livro e nem leitura.

Portanto, por mais que o Neymar ajude na divulgação, não temos como saltar essa outra parte do trabalho que compete ao leitor.

***

Uma boa maneira de medir esse retorno, seria ficar de olho nas dicas de leitura que estão ficando famosas nos programas de TV.

Outro dia, vi a cantora Ivete Sangalo dizendo no Esquenta!, da Regina Casé que seu livro de cabeceira é Cem anos de solidão, de Gabriel Garcia Marques. Será que as vendas desse livro aumentaram?

Aliás, o Esquenta! tem uma biblioteca recebe doações dos seus convidados. Por exemplo, a atriz Dira Paes doou Chove nos campos de Cachoeira, de Dalcídio Jurandir; o guitarrista Dado Villa Lobos doou A montanha mágica, de Thomas Mann; a atriz Lilia Cabral doou Dom Casmurro, de Machado de Assis; e o comediante Fábio Porchat doou A revolução dos bichos, de George Orwell.

Você pode consultar o acervo da biblioteca no site do programa. Lá eu descobri também que o Pe Lu (da banda Restart) doou Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago. Será que as fãs da banda compraram ou procuraram saber mais coisas sobre livro?

***

A apresentadora Ana Maria Braga também abriu um espaço semanal no seu programa batizado de Cantinho da Leitura. Na semana passada, o ator Alexandre Nero recomendou Big Jato, de Xico Sá. 

Pesquisando o assunto na internet, encontrei um blogueira fazendo campanha para que o programa da Ana Maria abraçasse a causa da leitura e fizesse um clube do livro - tal qual o popular book club organizado pela apresentadora Oprah Winfrey (ela já leu William Faulkner e recebeu pessoalmente, autores do calibre de Jonathan Franzen).

***

Termino com a mesma pergunta do começo: será que essas ações em conjunto conseguem tornar o livro mais popular?

*Imagem: montagem a partir de frames do programa Esquenta!/reprodução

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