sexta-feira, 17 de maio de 2013

NOTAS #43



A invasão dos hermanos
Nessa semana a editora Rocco lança os primeiros títulos da coleção "Otra Língua" dedicada somente a autores hispano-americanos que embora sejam celebrados pela crítica e tenham uma obra robusta ainda permanecem pouco conhecidos no Brasil - com algumas exceções. A organização ficou nas mãos de Joca Reiners Terron que chamou uma turma bacana para cuidar das traduções e apresentações dos autores. Os dois primeiros livros são Asco, de Horacio Castellanos Moya - com tradução de Antônio Xerxenesky e apresentação de Adriana Lunardi - e Deixa Comigo, de Mario Levrero - com tradução e apresentação do próprio Joca; como bônus, o livro tem uma autoentrevista de Levrero). Logo mais deve sair Como me tornei freira, de César Aira - com tradução de Angélica Freitas e apresentação de Sérgio Sant'Anna - e Os Lemmings e outros, de Fabián Casas - com tradução de Joca Wolff e apresentação de Carlito Azevedo.

A coleção deve ter ainda livros de Roberto Arlt, Guadalupe Nettel - com tradução de Ronaldo Bressane e apresentação de Juan Pablo Villalobos - e outros.

***

Não custa lembrar que César Aira é um dos autores confirmados para a próxima Bienal do Livro do RJ que acontece em agosto.

Enquanto esperamos
Estava nos planos da editora Intrínseca lançar a tradução do romance The Art of Fielding, de Chad Harbach no primeiro semestre de 2012. O cronograma mudou e acabou ficando para esse ano. Sei de gente que está muito ansiosa pelo lançamento - afinal, o livro foi muito comentado por jornais, revistas e blogs graças a um forte esquema de marketing montado pela editora do autor, o que garantiu uma boa temporada de vendas nos Estados Unidos e o tornou um símbolo de recuperação da crise econômica que estava instalada no mercado editorial daquele país (quem conta essa história é Paulo Roberto Pires num artigo fantástico para o caderno Ilustríssima, da Folha de SP).

A boa notícia é que The Art of Fielding ganhou uma tradução portuguesa e espanhola - para quem não quer esperar muito ou já não recorreu ao original, em inglês. Em Portugal, saiu em 2012 pela editora Civilização com o simpático título de A arte de viver à defesa. A edição espanhola está mais fresquinha, acaba de sair pela editora Salamandra e recebeu o título de El arte de la defensa - tal qual a tradução portuguesa.

No Brasil, a tradução foi feita por Alexandre Barbosa de Souza e o título deverá ser A arte do jogo.

Eu tuíto, tu tuítas
Depois de John Wray, Jennifer Egan e John Wray chegou a vez do diretor de cinema Steven Soderbergh experimentar o twitter para escrever uma... novela. Chama-se Glue, parece que é uma história de suspense. Não tem nenhum rigor formal, mistura textos com imagens e até o momento tem dezoito capítulos. Detalhe, a conta tem 11.239 seguidores. O último filme de Soderbergh, Terapia de risco, entra em cartaz no Brasil nessa sexta.

A chegada dos forasteiros
Apesar de ter nascido no Canadá, o escritor Patrick deWitt mudou para os Estados Unidos e depois de algumas andanças foi morar no estado do Oregon. Parece que suas andanças em terras do Velho Oeste lhe renderam uma bela história para o aclamado romance Os irmãos Sister que acaba de ser lançado no Brasil pela editora Planeta com tradução de Marcelo Barbão. O livro foi bastante premiado pela crítica literária canadense, entrou em diversas listas de melhores do ano, chegou a finalista do Man Booker Prize, em 2011, e por muito pouco não ganhou o Tournament of Books do ano passado - na final, perdeu para Cidade aberta, de Teju Cole. A história está ambientada na Califórnia na época da corrida pelo ouro e tem os irmãos Charlie e Eli Sisters como protagonistas. Eles foram contratados para matar um homem chamado Hermann K. Warm, só que no percurso as coisas se complicam um pouco e tudo começa a dar errado. 

Para matar a curiosidade tem um trecho do romance aqui.

***

Outro livro que fez sucesso no Tournament of Books em 2011 e acaba de sair pela editora Leya é A peculiar tristeza guardada num bolo de limão, de Aimee Bender. Perdeu o torneio no zombie round (espécie segunda rodada da semi-final) para A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan - livro que foi o grande campeão daquele ano. Não pense que ela é uma autora estreante, sua bagagem já conta com cinco livro publicados e mais de dez anos de experiência - sem mencionar os textos para revistas como Granta, GQ, Harper's, Paris Review, McSweeney's etc. O enredo de A peculiar tristeza... é muito bom: fala sobre uma menina que "sente o sabor das emoções das pessoas que preparam sua comida".

Achado
Especialistas encontraram um conto do escritor Yasunari Kawabata que estava perdido nos arquivos do jornal da cidade de Fukuoka, no Japão. O conto se chama Utsukushiki! - Magnífico! em tradução literal - e foi publicado em 1927 quando o jovem Kawabata estava prestes a lançar A dançarina de Izu, livro que o tornou conhecido no mundo todo. Ele foi o primeiro escritor japonês a ganhar o prêmio Nobel de Literatura.

*Imagem: divulgação.

Share/Save/Bookmark

quinta-feira, 9 de maio de 2013

COPA DE LITERATURA BRASILEIRA 2013


Reúna seus amigos e familiares porque nesse ano teremos a quinta edição da Copa de Literatura Brasileira. Eu, você e todos nós estávamos com saudades e aguardávamos ansiosos por qualquer informação que fosse da competição mais divertida das letras nacionais.

A notícia apareceu numa notinha do Jornal Rascunho e o anúncio oficial dos organizadores - os três veteranos Lucas Murtinho, Lu Thomé e Raphael Dyxklay - deve acontecer em breve no site da Copa. Por enquanto, eles estão reunidos num lugar secreto para colocar o campeonato em funcionamento e prometem algumas novidades e surpresas. Uma delas será uma repescagem em que livros eliminados na primeira rodada de avaliações terão outra chance de voltar a competição.

Na disputa para chegar até a final e levar o título de campeão estão 16 livros de autores brasileiros que foram publicados entre 2011 e 2012. A seleção final foi feita pelos organizadores e por 23 jurados através de uma votação.

Consegui apurar com exclusividade que um dos jurados dessa edição é o escritor mexicano Juan Pablo Villalobos - que mora em Campinas desde 2003 e fala um português impecável (tanto que está traduzindo o livro de um brasileiro para o espanhol). Ele é autor do romance Festa no covil, publicado pela Companhia das Letras. A trama do garoto que testemunha a questão do tráfico de drogas no México já foi traduzida para 14 idiomas, recebeu muitos elogios da crítica internacional e vai ganhar uma adaptação para o cinema. Em setembro, Companhia deve lançar outro livro dele Se vivêssemes num lugar normal. Pensa que acabou? No momento, Villalobos está preparando um terceiro livro e, entre uma coisa e outra, participa de debates, escreve para várias revistas, jornais e blogs.

A Copa deve começar no segundo semestre. Prepare-se!

*Imagem: montagem a partir de reproduções do Google e site da Copa.
Share/Save/Bookmark

quarta-feira, 8 de maio de 2013

PYNCHON EM PÚBLICO 2013



Hoje é dia de comemorar mundialmente a figura de Thomas Pynchon - o escritor mais recluso dos Estados Unidos (lugar que ele ocupa solitariamente desde a morte de J.D. Salinger). Quem inventou a ideia foi o blog Pynchon in Public Day. A celebração já dura oito anos.

Vale colocar no seu blog, Facebook, Twitter, Instagram ou qualquer outra rede social alguma foto, texto ou vídeo com qualquer coisa relacionada a Pynchon e seu universo.

Na foto acima, tem a insígnia W.A.S.T.E. sobre o a cidade de SP e capinhas de todas as edições publicadas no Brasil.

Replicando o lema dos organizadores: "É simples, é inevitável e já começou".

*Foto, concepção e montagem: Rafael R. e Tatiana Mello.
Share/Save/Bookmark

segunda-feira, 6 de maio de 2013

LIVRO POPULAR QUE NEM QUEM?



Outro dia, comentando sobre a figura do jogador Neymar como divulgador dos sucessos musicais brasileiros, coloquei no ar a seguinte pergunta: seria ele capaz de repetir a mesma façanha caso o produto fosse um livro? Em tom de brincadeira, recomendei que ele aparecesse com um exemplar de Os sertões, de Euclides da Cunha.

De fato, não temos como comparar dois campos da cultura tão distintos como a música (me refiro a música popular ou a canção popular como alguns preferem) e o livro. Enquanto o primeiro é uma experiência corporal, imediata e coletiva; o segundo demanda concentração, esforço intelectual e uma quase solidão. 

A música conta com a facilidade de penetrar mais facilmente na vida das pessoas através da TV, do rádio e da internet com os downloads e compartilhamentos em redes sociais. Como produto cultural, um disco não consome muito tempo. A gente pode colocar ele para tocar e seguir com as nossas tarefas do cotidiano - o famoso fundo musical. Você pode tomar contato com uma música que nunca ouviu até quando anda na rua.

Até a chegada da internet e dos leitores digitais, o livro não contava com nenhum meio de divulgação que não fosse o jornal e a revista - impressos. A coisa mais difícil do mundo era ouvir uma propagando no rádio ou na TV. Aos poucos a coisa está mudando, mas não vejo como dispensar dessa relação de consumo a vontade do leitor. Por mais que a gente faça propaganda, ele precisa se aproximar do livro, mexer, comprar e embarcar nas redes daquela história. Do contrário não tem livro e nem leitura.

Portanto, por mais que o Neymar ajude na divulgação, não temos como saltar essa outra parte do trabalho que compete ao leitor.

***

Uma boa maneira de medir esse retorno, seria ficar de olho nas dicas de leitura que estão ficando famosas nos programas de TV.

Outro dia, vi a cantora Ivete Sangalo dizendo no Esquenta!, da Regina Casé que seu livro de cabeceira é Cem anos de solidão, de Gabriel Garcia Marques. Será que as vendas desse livro aumentaram?

Aliás, o Esquenta! tem uma biblioteca recebe doações dos seus convidados. Por exemplo, a atriz Dira Paes doou Chove nos campos de Cachoeira, de Dalcídio Jurandir; o guitarrista Dado Villa Lobos doou A montanha mágica, de Thomas Mann; a atriz Lilia Cabral doou Dom Casmurro, de Machado de Assis; e o comediante Fábio Porchat doou A revolução dos bichos, de George Orwell.

Você pode consultar o acervo da biblioteca no site do programa. Lá eu descobri também que o Pe Lu (da banda Restart) doou Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago. Será que as fãs da banda compraram ou procuraram saber mais coisas sobre livro?

***

A apresentadora Ana Maria Braga também abriu um espaço semanal no seu programa batizado de Cantinho da Leitura. Na semana passada, o ator Alexandre Nero recomendou Big Jato, de Xico Sá. 

Pesquisando o assunto na internet, encontrei um blogueira fazendo campanha para que o programa da Ana Maria abraçasse a causa da leitura e fizesse um clube do livro - tal qual o popular book club organizado pela apresentadora Oprah Winfrey (ela já leu William Faulkner e recebeu pessoalmente, autores do calibre de Jonathan Franzen).

***

Termino com a mesma pergunta do começo: será que essas ações em conjunto conseguem tornar o livro mais popular?

*Imagem: montagem a partir de frames do programa Esquenta!/reprodução

Share/Save/Bookmark

quarta-feira, 1 de maio de 2013

UM NOVO JEITO DE LER NA CAMA



Nesse ano o feriado do Dia do Trabalho caiu bem numa quarta-feira. O que impede qualquer pessoa de emendar o feriado, estrangular um dia da semana e viajar. Para quem quer fugir das filas, lotações e agitos a melhor coisa a fazer é passar o dia na cama o tanto que você aguentar - como um Oblomov ou Bartleby. Melhor ainda se você tiver um bom livro nas mãos.

Foi pensando nisso que o design português Tiago da Fonseca criou uma coleção de colchas para cama chamada "Bedtime Stories". Tal como aparece na foto acima, ela funciona como se fosse um enorme livro de pano, em que você lê a história e vira as páginas. Caso você sinta muito calor, um aviso: as "páginas" podem ser retiradas. Não é incrível?!

Por enquanto, a colcha-livro só vem com o conto de fadas da Bela adormecida, dos irmãos Grimm. Independente disso, a colcha é destinada para cama de adultos e sei de uma porção de gente que está torcendo para sair uma coleção com histórias de Tolstói, por exemplo - imagine quantas "páginas" ou quanto quilos não teria uma colcha com o romance Guerra e paz?

A coleção "Bedtime Stories" está disponível somente por importação e parece que custa aproximadamente £65 + taxas e despesas de frete (confira se o preço vale para compras internacionais).

*Imagem: reprodução.

Share/Save/Bookmark

terça-feira, 30 de abril de 2013

CASMURROS - TRÊS ANOS



No dia 14 de abril o Casmurros completou três anos de vida e apagou três velinhas.

Como no ano passado, eu assumo a culpa por não ter feito um texto para registrar a data (na data mesmo em que o aniversário aconteceu). Eu estava bastante ocupado organizando os eventos no BaixoCentro, emendei uma coisa na outra e não tive tempo para me concentrar e celebrar. No fim, a leitura na Praça Marechal e o bate-papo com os escritores serviram como pequenas comemorações informais.

Vou confessar que sempre fica uma vontade de fazer uma festinha com bebida gelada, música boa e papos à toa sobre as coisas da vida. Afinal, nem só de literatura vive um ser humano. Uma festa pequena que sirva como pretexto para tirar as pessoas do ambiente virtual nem que seja por uns minutos e promover um encontro real (de carne e osso). Vamos ver. Para festas nunca é tarde.

Para quem não sabe, o Casmurros é feito por uma pessoa - eu mesmo Rafael R. Estou sempre procurando assuntos ligados a prosa de ficção para compartilhar com vocês informações, análises, opiniões e observações pessoais. Nem preciso dizer que todo dia tenho um milhão de ideias, mas escrevo menos do que gostaria por causa do tempo e da autocrítica que jamais me abandona.

Do ano passado até agora, fiquei contente de ter publicado a ideia das tatuagens literárias, a série das capas brasileiras X portuguesas e do espaço que a literatura brasileira está ocupando nessas páginas. Também gostei do convite para escrever no blog Mente Aberta - estou sumido, mas vou aparecer em breve. Sei que estou devendo uma nova edição do fanzine, mas aviso que ela está no forno e deve sair em breve, juro!

Tenho outras surpresas que não vou contar para não causar expectativa e estragar o prazer de vocês. 

Para finalizar, eu gosto sempre de dizer que o Casmurros acontece de forma independente e sem nenhum patrocínio, felizmente ou infelizmente - dependendo do ponto de vista. Agradeço a ajuda de todo mundo que responde aos meus pedidos e apelos (incluindo as editoras, os meus amigos e as pessoas que eu encho o saco para tudo acontecer). Como disse no "texto inaugural" continuo esperando que toda sorte de pessoas participe do blog comentando e também compartilhando seu jeito de ler as coisas.

Muito obrigado!



Share/Save/Bookmark

segunda-feira, 29 de abril de 2013

UMA LISTA: VINTE E UM LIVROS DO SÉCULO 21 QUE TODO HOMEM DEVERIA LER (III)


Final (3 de 3)

-> para ler a primeira parte:  VINTE E UM LIVROS DO SÉCULO 21 QUE TODO HOMEM DEVERIA LER (I)

-> para ler a segunda parte:  VINTE E UM LIVROS DO SÉCULO 21 QUE TODO HOMEM DEVERIA LER (II)




15| Quenga de plástico (2011)
JULIANA FRANK
7Letras

Razão: quem não gosta de uma boa sacanagem? A estreia de Juliana Frank é melhor do que qualquer outro livro recente com conteúdo erótico que você tenha lido por aí. A ex-atriz pornô Leysla Kedman conta tudo sobre a sua vida sexual sem nenhuma censura! Tal qual uma Sherazade dos século 21, ela solta a língua e conquista o leitor usando todo o seu charme e poder de sedução. É uma história inteligente, despretensiosa e com muito bom humor.





16| Diário da queda (2010)
MICHEL LAUB
Companhias das Letras

Razão: um suposto acidente numa festa de aniversário tem consequências devastadoras na vida do narrador deste livro. O episódio serve como ponto de partida para um exame quase obsessivo de suas memórias a fim de responder a pergunta: como uma pessoa se torna o que ela é? Nesse mergulho em águas profundas nos deparamos com o diário deixado por seu avô, um sobrevivente de Auschwitz, e a história do seu pai com quem tem uma relação complicada. Nenhum livro da literatura brasileira promoveu uma reflexão tão contundente como esse.




17| O azul do filho morto (2002)
MARCELO MIRISOLA
Editora 34

Razão: A voz doentia do narrador desta confissão ficcional - um garoto triste e humilhado da classe média - goza de uma liberdade sem limites ao retirar a língua, os leitores e a própria literatura da sua doce zona de conforto mesclando um registro desbocado, termos chulos, palavrões e escatologias com imagens de grande força poética. O resultado é espontâneo, original, cru e explosivo.






18| Carvão animal (2011)
ANA PAULA MAIA
Record

Razão: um bombeiro, um cremador e um mineiro vivem marginalizados e inseridos num cotidiano bruto cercado pela morte e violência. O que une essas três personagens é o fogo, o carvão e as cinzas que ao mesmo tempo destroem a humanidade de cada um e servem como combustível para alimentar ódio, a brutalidade e a destruição.





19| Habitante irreal (2012)
PAULO SCOTT
Alfaguara


Razão: as desilusões políticas de uma geração que lutou com unhas e dentes por transformações, a figura do índio marginalizado nas cidades, as dificuldades de fugir para o exterior como imigrante ilegal e tantos outros temas que habitam a nossa cultura compõe um amplo retrato do Brasil contemporâneo.






20| Areia nos dentes (2010)
ANTÔNIO XERXENESKY
Record

Razão: nenhuma outra novela deste século foi capaz de uma mistura tão original: faroeste, famílias rivais, amores proibidos, relacionamento desajustado entre pai e filho, um escritor com dilema criativo, computadores, passado, presente e zumbis... tudo recheado com humor e boas doses de cultura pop. Precisa de mais alguma coisa?





21| Big Jato (2013)
XICO SÁ
Companhia das Letras

Razão: o livro descreve numa prosa coloquial e erudita a vida de um garoto, desde a infância até a idade adulta, lidando com a difícil escolha de crescer tendo como exemplo a figura do pai centrado e do tio beatlemaníaco ao mesmo tempo em que acompanha as transformações do mundo que o cerca.

*Imagens: capas dos livros são divulgação / ilustrações: montagem a partir de reproduções do Google.
Share/Save/Bookmark

quarta-feira, 24 de abril de 2013

UMA LISTA: VINTE E UM LIVROS DO SÉCULO 21 QUE TODO HOMEM DEVERIA LER (II)


Continua ao longo da semana (2 de 3) 
-> para ler a primeira parte:  VINTE E UM LIVROS DO SÉCULO 21 QUE TODO HOMEM DEVERIA LER (I)

-> para ler a terceira parte:  VINTE E UM LIVROS DO SÉCULO 21 QUE TODO HOMEM DEVERIA LER (III)






8| Nada me faltará (2010)

LOURENÇO MUTARELLI
Companhia das Letras

Razão: nenhum livro reproduz tão bem a atmosfera da incomunicabilidade que ronda o ser humano quanto este. Por mais que as páginas estejam preenchidas por diálogos vertiginosos nós temos a sensação de que sempre resta alguma coisa para ser dita. Nosso desconforto aumenta quando vemos que os elementos narrativos (como espaço e tempo) foram reduzidos ao mínimo essencial e o narrador está completamente mudo - ou seja, o sujeito que deveria nos contar a história está "ausente" e se limita a mostrar as vozes das personagens sem nenhum filtro; assim o leitor vai caminhando por um enredo cujo pontapé inicial está no reaparecimento insólito de Paulo. 





9| Terra de casas vazias (2013)
ANDRÉ DE LEONES
Rocco

Razão: muita gente já escreveu sobre a morte, mas o livro de André de Leones compreende essa finitude em toda a sua dimensão: da morte concreta sempre nos espiando (com seu grande olho que nunca fecha) até morte simbólica encarnada na solidão, no medo e isolamento. Mas sempre existe esperança por menor que seja.






10| Gran Cabaret Demenzial (2007)
VERÔNICA STIGGER
Cosac Naify

Razão: quando tudo parece normal demais, corra para a literatura e veja que uma boa dose de nonsense com boas pitadas de humor negro fazem muito bem a saúde. Os contos desse livro são exatamente assim: escatológicos, irônicos, violentos e surrealistas. Por isso mesmo divertido e originalíssimos. Ainda bem!







11| Deus foi almoçar (2013)
FERRÉZ
Planeta

Razão: ao invés de colar a realidade a ficção, Ferréz aponta para a direção contrária e usa as armas da literatura para tentar mudar o mundo que nos cerca. Calixto é um homem que vive uma rotina pesada e aos poucos sente o vazio da existência quando tudo isso começa a perder o sentido. Assim começa sua difícil jornada em busca de redenção. Mas como escolher um caminho quando não queremos seguir por ele?





12| Hotel novo mundo (2009)
IVANA ARRUDA LEITE
Editora 34

Razão: o primeiro romance de Ivana Arruda Leite tem como cenário as histórias sórdidas e bem humoradas que habitam os hotéis baratos do centro de São Paulo. Várias personagens se encontram para contar seus dramas e sonhos para Renata - uma mulher que abandonou vida pequeno-burguesa carioca para viver sua liberdade anonimamente numa das maiores cidades do mundo.






13| A máquina do saudosismo (2009) - da antologia Futuro Presente
ATAÍDE TARTARI
Record

Razões: a história do nosso ilustre desconhecido parece ficção científica, mas não é. Ele estreou na literatura em 1987 com o livro EEUU 2076 DC, assinado com o pseudônimo de A. A. Smith. Depois disso, seus contos ficaram restritos ao público leitor de fanzines de ficção científica. Ele reapareceu - já com o nome de Ataíde Tartari - no começo dos anos 2000 com dois livros em inglês: Amazon e Tropical Shade. Sua "segunda" estréia aconteceu em 2009 na coletânea Futuro presente, organizada por Nelson de Oliveira. É nesse livro que está o conto "A máquina do saudosismo". Depois de morto, César ressuscita em 2217 e encontra a cidade de São Paulo totalmente transformada por prédios altíssimos, robôs e empresários que pensam apenas no lucro. Desapontado, ele constrói uma máquina capaz de simular a realidade e transportá-lo virtualmente para o século 21 com seus amigos e amores. Ataíde acaba de publicar dois ebooks (por enquanto, ainda não existem em versão impressa): A grande virada do Vitinho e A ilha do Dr. Schultz. Para ficarmos de olho!





14| Barba ensopada de sangue (2013)
DANIEL GALERA
Companhia das Letras

Razão: o escritor por quem todo mundo anda bastante excitado no momento com o livro mais comentado da temporada. A longa trajetória de um sujeito que abandona a civilização para seguir rumo ao mundo selvagem, horrível e assustador. Detalhe: ele não tem nome, esquece o rosto das pessoas que conhece e seu melhor amigo é uma cachorra. Aprecie com moderação.

*Imagens: reprodução / capas dos livros são divulgação / ilustrações: montagem a partir de reproduções do Google.
Share/Save/Bookmark

segunda-feira, 22 de abril de 2013

UMA LISTA: VINTE E UM LIVROS DO SÉCULO 21 QUE TODO HOMEM DEVE LER (I)

Continua ao longo da semana (1 de 3)


As mulheres* que me perdoem, mas vamos abrir espaço para um singelo "Clube do Bolinha" nas Letras. Explico melhor: a GQ gringa - revista voltada ao público masculino - montou uma lista com 21 livros do século 21 que todo homem deve ler. Embora despretensiosa, a seleção se define como "um novo cânone" e está cheia de medalhões da recente literatura norte-americana. Ninguém é ingênuo a ponto de acreditar na provocação da revista porque nessa altura do campeonato todo mundo já está careca de saber que essas listas são totalmente arbitrárias e muito particulares. Mas quem se importa?

Pegando carona na mesma ideia, elaborei uma lista com 21 livros brasileiros publicados no século 21 que todo homem deve ler. A ideia é mostrar para os rapazes que não estão ligados no assunto um painel geral sobre o que vem sendo produzido na literatura brasileira dos anos 2000 até hoje. Pode recomendar para o pai, o irmão, os amigos e camaradas.

Para não ficar muito longo, vou dividir a seleção em três partes que serão publicadas ao longo dessa semana.

*Embora a lista seja destina aos homens, as mulheres também podem espiar e palpitar.
** Os livros e autores aparecem sem ordem de importância.

-> para ler a segunda parte:  VINTE E UM LIVROS DO SÉCULO 21 QUE TODO HOMEM DEVERIA LER (II)

-> para ler a terceira parte:  VINTE E UM LIVROS DO SÉCULO 21 QUE TODO HOMEM DEVERIA LER (III)





1 Nove noites (2002)
BERNARDO CARVALHO
Companhia das Letras


Razão: O deslocamento é um elemento fundamental para entender a obra de Bernardo Carvalho. Encontramos o Brasil através de personagens que estão perdidos no interior desconhecido do nosso próprio país ou espalhadas pelo mundo em países como Estados Unidos, Mongólia, Japão e Rússia. Em Nove noites, verdade histórica e ficção se confundem para contar a história de um homem obcecado em desvendar os últimos vestígios de um antropólogo norte-americano que teria cometido suícídio ao retornar de uma aldeia indígena no Brasil no ano de 1939.






2 Pornopopéia (2009)
REINALDO MORAES
Objetiva


Razão: As desventuras em série de Zeca - um cineasta marginal, ligadão aos prazeres do sexo e das drogas pesadas - provam que nós já temos um novo rei da sacanagem e da malandragem. É boa literatura papo-reto e sem firulas, manja?







3 O céu dos suicídas (2012)
RICARDO LÍSIAS
Alfaguara


Razão: Para alguns, a única maneira de dar um passo adiante é mexer no passado e viver um inferno pessoal que poderia ter sido esquecido. É assim que a personagem central dessa história se entrega de corpo e alma as suas emoções geradas pela culpa a fim de encontrar uma resposta para a perda de seu melhor amigo.






4 Mastigando humanos (2006)
SANTIAGO NAZARIAN
Nova Fronteira


Razão: Convenhamos, não é todo dia que você encontra um livro narrado por um jacaré que fugiu do Pantanal para viver no esgoto da cidade grande entre a boêmia insólita, dizendo frases como "Todos os prazeres são orais". Não! Não é um livro de fantasia para adolescentes: tem altas doses de erotismo, reflexões filosóficas e cultura pop com doses cavalares de humor.





5 Ladrão de cadáveres (2010)
PATRÍCIA MELO
Rocco


Razão: Não adianta tentar, por mais que vocês queiram a humanidade sempre estará com a mente voltada para a maldade e a violência. Na pacata cidade de Corumbá, um ex-gerente de telemarketing cheio de boas intenções segue por uma maratona de crimes e tráfico de drogas.




6 O paraíso é bem bacana (2006)
ANDRÉ SANT'ANNA
Companhia das Letras


Razão: Muitas vozes contam a história de Mané - um garoto pobre que vai parar na Alemanha por causa do seu futebol maravilha - e seus delírios com as setenta e duas virgens no paraíso. Acontece que Mané e as mil vozes que o acompanham falam o português torto das ruas, contam muitas besteira, escatologias e maluquices despertando paixão ou aversão dos leitores.




7 Eu perguntei pro velho se ele queria morrer (e outras histórias de amor) (2009)
JOSÉ REZENDE JR.
7Letras


Razão: Deturpando aquele dito popular "as melhores histórias estão nos pequenos livros". Num exercício precioso de concisão, ele consegue contar casos de amor de maneira simples e sofisticada. Se você não gosta de enrolação, mas não dispensa um bom livro, achou o que procurava.

*Imagens: reprodução / capas dos livros são divulgação / ilustrações: montagem a partir de reproduções do Google.
Share/Save/Bookmark

domingo, 21 de abril de 2013

ADEUS AO SABÁTICO: 2010-2013



Share/Save/Bookmark