quarta-feira, 24 de abril de 2013

UMA LISTA: VINTE E UM LIVROS DO SÉCULO 21 QUE TODO HOMEM DEVERIA LER (II)


Continua ao longo da semana (2 de 3) 
-> para ler a primeira parte:  VINTE E UM LIVROS DO SÉCULO 21 QUE TODO HOMEM DEVERIA LER (I)

-> para ler a terceira parte:  VINTE E UM LIVROS DO SÉCULO 21 QUE TODO HOMEM DEVERIA LER (III)






8| Nada me faltará (2010)

LOURENÇO MUTARELLI
Companhia das Letras

Razão: nenhum livro reproduz tão bem a atmosfera da incomunicabilidade que ronda o ser humano quanto este. Por mais que as páginas estejam preenchidas por diálogos vertiginosos nós temos a sensação de que sempre resta alguma coisa para ser dita. Nosso desconforto aumenta quando vemos que os elementos narrativos (como espaço e tempo) foram reduzidos ao mínimo essencial e o narrador está completamente mudo - ou seja, o sujeito que deveria nos contar a história está "ausente" e se limita a mostrar as vozes das personagens sem nenhum filtro; assim o leitor vai caminhando por um enredo cujo pontapé inicial está no reaparecimento insólito de Paulo. 





9| Terra de casas vazias (2013)
ANDRÉ DE LEONES
Rocco

Razão: muita gente já escreveu sobre a morte, mas o livro de André de Leones compreende essa finitude em toda a sua dimensão: da morte concreta sempre nos espiando (com seu grande olho que nunca fecha) até morte simbólica encarnada na solidão, no medo e isolamento. Mas sempre existe esperança por menor que seja.






10| Gran Cabaret Demenzial (2007)
VERÔNICA STIGGER
Cosac Naify

Razão: quando tudo parece normal demais, corra para a literatura e veja que uma boa dose de nonsense com boas pitadas de humor negro fazem muito bem a saúde. Os contos desse livro são exatamente assim: escatológicos, irônicos, violentos e surrealistas. Por isso mesmo divertido e originalíssimos. Ainda bem!







11| Deus foi almoçar (2013)
FERRÉZ
Planeta

Razão: ao invés de colar a realidade a ficção, Ferréz aponta para a direção contrária e usa as armas da literatura para tentar mudar o mundo que nos cerca. Calixto é um homem que vive uma rotina pesada e aos poucos sente o vazio da existência quando tudo isso começa a perder o sentido. Assim começa sua difícil jornada em busca de redenção. Mas como escolher um caminho quando não queremos seguir por ele?





12| Hotel novo mundo (2009)
IVANA ARRUDA LEITE
Editora 34

Razão: o primeiro romance de Ivana Arruda Leite tem como cenário as histórias sórdidas e bem humoradas que habitam os hotéis baratos do centro de São Paulo. Várias personagens se encontram para contar seus dramas e sonhos para Renata - uma mulher que abandonou vida pequeno-burguesa carioca para viver sua liberdade anonimamente numa das maiores cidades do mundo.






13| A máquina do saudosismo (2009) - da antologia Futuro Presente
ATAÍDE TARTARI
Record

Razões: a história do nosso ilustre desconhecido parece ficção científica, mas não é. Ele estreou na literatura em 1987 com o livro EEUU 2076 DC, assinado com o pseudônimo de A. A. Smith. Depois disso, seus contos ficaram restritos ao público leitor de fanzines de ficção científica. Ele reapareceu - já com o nome de Ataíde Tartari - no começo dos anos 2000 com dois livros em inglês: Amazon e Tropical Shade. Sua "segunda" estréia aconteceu em 2009 na coletânea Futuro presente, organizada por Nelson de Oliveira. É nesse livro que está o conto "A máquina do saudosismo". Depois de morto, César ressuscita em 2217 e encontra a cidade de São Paulo totalmente transformada por prédios altíssimos, robôs e empresários que pensam apenas no lucro. Desapontado, ele constrói uma máquina capaz de simular a realidade e transportá-lo virtualmente para o século 21 com seus amigos e amores. Ataíde acaba de publicar dois ebooks (por enquanto, ainda não existem em versão impressa): A grande virada do Vitinho e A ilha do Dr. Schultz. Para ficarmos de olho!





14| Barba ensopada de sangue (2013)
DANIEL GALERA
Companhia das Letras

Razão: o escritor por quem todo mundo anda bastante excitado no momento com o livro mais comentado da temporada. A longa trajetória de um sujeito que abandona a civilização para seguir rumo ao mundo selvagem, horrível e assustador. Detalhe: ele não tem nome, esquece o rosto das pessoas que conhece e seu melhor amigo é uma cachorra. Aprecie com moderação.

*Imagens: reprodução / capas dos livros são divulgação / ilustrações: montagem a partir de reproduções do Google.
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segunda-feira, 22 de abril de 2013

UMA LISTA: VINTE E UM LIVROS DO SÉCULO 21 QUE TODO HOMEM DEVE LER (I)

Continua ao longo da semana (1 de 3)


As mulheres* que me perdoem, mas vamos abrir espaço para um singelo "Clube do Bolinha" nas Letras. Explico melhor: a GQ gringa - revista voltada ao público masculino - montou uma lista com 21 livros do século 21 que todo homem deve ler. Embora despretensiosa, a seleção se define como "um novo cânone" e está cheia de medalhões da recente literatura norte-americana. Ninguém é ingênuo a ponto de acreditar na provocação da revista porque nessa altura do campeonato todo mundo já está careca de saber que essas listas são totalmente arbitrárias e muito particulares. Mas quem se importa?

Pegando carona na mesma ideia, elaborei uma lista com 21 livros brasileiros publicados no século 21 que todo homem deve ler. A ideia é mostrar para os rapazes que não estão ligados no assunto um painel geral sobre o que vem sendo produzido na literatura brasileira dos anos 2000 até hoje. Pode recomendar para o pai, o irmão, os amigos e camaradas.

Para não ficar muito longo, vou dividir a seleção em três partes que serão publicadas ao longo dessa semana.

*Embora a lista seja destina aos homens, as mulheres também podem espiar e palpitar.
** Os livros e autores aparecem sem ordem de importância.

-> para ler a segunda parte:  VINTE E UM LIVROS DO SÉCULO 21 QUE TODO HOMEM DEVERIA LER (II)

-> para ler a terceira parte:  VINTE E UM LIVROS DO SÉCULO 21 QUE TODO HOMEM DEVERIA LER (III)





1 Nove noites (2002)
BERNARDO CARVALHO
Companhia das Letras


Razão: O deslocamento é um elemento fundamental para entender a obra de Bernardo Carvalho. Encontramos o Brasil através de personagens que estão perdidos no interior desconhecido do nosso próprio país ou espalhadas pelo mundo em países como Estados Unidos, Mongólia, Japão e Rússia. Em Nove noites, verdade histórica e ficção se confundem para contar a história de um homem obcecado em desvendar os últimos vestígios de um antropólogo norte-americano que teria cometido suícídio ao retornar de uma aldeia indígena no Brasil no ano de 1939.






2 Pornopopéia (2009)
REINALDO MORAES
Objetiva


Razão: As desventuras em série de Zeca - um cineasta marginal, ligadão aos prazeres do sexo e das drogas pesadas - provam que nós já temos um novo rei da sacanagem e da malandragem. É boa literatura papo-reto e sem firulas, manja?







3 O céu dos suicídas (2012)
RICARDO LÍSIAS
Alfaguara


Razão: Para alguns, a única maneira de dar um passo adiante é mexer no passado e viver um inferno pessoal que poderia ter sido esquecido. É assim que a personagem central dessa história se entrega de corpo e alma as suas emoções geradas pela culpa a fim de encontrar uma resposta para a perda de seu melhor amigo.






4 Mastigando humanos (2006)
SANTIAGO NAZARIAN
Nova Fronteira


Razão: Convenhamos, não é todo dia que você encontra um livro narrado por um jacaré que fugiu do Pantanal para viver no esgoto da cidade grande entre a boêmia insólita, dizendo frases como "Todos os prazeres são orais". Não! Não é um livro de fantasia para adolescentes: tem altas doses de erotismo, reflexões filosóficas e cultura pop com doses cavalares de humor.





5 Ladrão de cadáveres (2010)
PATRÍCIA MELO
Rocco


Razão: Não adianta tentar, por mais que vocês queiram a humanidade sempre estará com a mente voltada para a maldade e a violência. Na pacata cidade de Corumbá, um ex-gerente de telemarketing cheio de boas intenções segue por uma maratona de crimes e tráfico de drogas.




6 O paraíso é bem bacana (2006)
ANDRÉ SANT'ANNA
Companhia das Letras


Razão: Muitas vozes contam a história de Mané - um garoto pobre que vai parar na Alemanha por causa do seu futebol maravilha - e seus delírios com as setenta e duas virgens no paraíso. Acontece que Mané e as mil vozes que o acompanham falam o português torto das ruas, contam muitas besteira, escatologias e maluquices despertando paixão ou aversão dos leitores.




7 Eu perguntei pro velho se ele queria morrer (e outras histórias de amor) (2009)
JOSÉ REZENDE JR.
7Letras


Razão: Deturpando aquele dito popular "as melhores histórias estão nos pequenos livros". Num exercício precioso de concisão, ele consegue contar casos de amor de maneira simples e sofisticada. Se você não gosta de enrolação, mas não dispensa um bom livro, achou o que procurava.

*Imagens: reprodução / capas dos livros são divulgação / ilustrações: montagem a partir de reproduções do Google.
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domingo, 21 de abril de 2013

ADEUS AO SABÁTICO: 2010-2013



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quinta-feira, 18 de abril de 2013

PARA COMPREENDER UM POUCO DE CAIO F. ABREU


Cometi a maior falta quando falei dos mimos literários do Festival É tudo verdade e passei despercebido pelo documentário Sobre sete ondas verdes espumantes, de Bruno Polidoro e Cacá Nazario. É um documentário poético sobre a obra do escritor Caio Fernando Abreu - autor que soube usar seu estilo pessoal para tratar de temas universais como a solidão, o espanto, o amor, a melancolia e outras coisas mais. Para dar conta do recado os diretores optaram por uma saída muito original: mesclaram belas imagens das cidades em que Caiu morou - Santiago, Amsterdã, Berlim, Colônia, Paris, Londres, Porto Alegre e São Paulo - com trechos de seus livros e depoimentos de amigos próximos. Tem Marcos Breda, Maria Adelaide Amaral, Grace Gianoukas, Adriana Calcanhoto, o escritor Reinaldo Moraes e pessoas espalhadas pelo mundo que dão vida a obra de Caio em línguas estrangeiras. 

O filme, cuja estreia mundial aconteceu no É tudo verdade, já foi exibido em São Paulo e Rio de Janeiro. Quem perdeu, tem mais uma chance de ver no CCBB de Brasília nos dias 20/04 às 15h, e 21/04 às 21h.



Vale torcer para que o filme entre em circuito comercial.
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terça-feira, 16 de abril de 2013

ENSAIO VISUAL - PAULISTANAS

Um ensaio visual reunindo fotos e abstrações do encontro "Paulistanas" - são fotos da plateia, trechos do livro e objetos. 







 




 








Fotos de Adriana Carvalho
Trilha sonora sugerida: Trabalhos carnívoros, de Gui Amabis

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segunda-feira, 15 de abril de 2013

ADAM JOHNSON GANHA O PULITZER DE FICÇÃO


Enquanto a lista com os vinte jovens escritores da Granta era anunciada na Inglaterra, do outro lado do oceano Atlântico, nos Estados Unidos, o mundo conhecia o ganhador do Pulitzer de ficção. Quem levou o cobiçado prêmio foi The Orphan Master's Son, de Adam Johnson - para alegria dos leitores houve um ganhador, bem ao contrário do que aconteceu no ano passado quando os três concorrentes foram para casa com os bolsos vazios.

Johnson desbancou os concorrentes Do que a gente fala quando fala de Anne Frank, de Nathan Englander e The Snow Child, de Eowyn Ivey.

A escolha demonstra um certa sintonia com os recentes acontecimentos políticos envolvendo os Estados Unidos e a Coreia do Norte. O enredo de The Orphan Master's Son conta a história de um jovem chamado Pak Jun Do enfretando todas as adversidades do regime totalitário coreano.

O livro teve boa recepção crítica nos Estados Unidos e também venceu a recente edição do Tournament of Books contra A culpa é das estrelas, de John Green (recebendo dos jurados 14 votos a favor e apenas 3 contra).

Adam Johnson é professor de escrita criativa na Universidade de Stanford, mora em São Francisco e já publicou três livros: a coletânea de contos Emporium e os romances Parasites Like Us e The Orphan Master's Son.

***ATUALIZAÇÃO: Ontem, durante a minha "apuração" (cof cof cof!) sobre o ganhador do Pulitzer, me deparei com um livro dele publicado no Brasil pela editora Larousse chamado Jun Do. Nem atentei ao fato de que esse livro é justamente uma tradução de The Orphan Master's Son feita por André Gotlieb - saiu em 2012. Achei que se tratava de um romance anterior, não li nenhum resenha, nenhuma notícia no jornal ou blog (nada!). Mesmo nos meus textos sobre o Tournament of Books não escrevi uma linha... seja como for, podemos nos dar ao luxo de escolher entre ler o ganhador do Pulitzer agora mesmo ou deixar para daqui a pouco. Lição do dia: jamais ignore um livro publicado no Brasil.

*Imagem: Tamara Beckwith/reprodução do Pulitzer.
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OS MELHORES ESCRITORES BRITÂNICOS - 2013


Dando continuidade a série "Os melhores jovens escritores..." pelo mundo, a revista Granta (versão inglesa) acaba de publicar sua aguardada edição dedicada aos britânicos - os editores costumam publicar um número desses a cada década desde 1983. Dessa forma, a revista está apostando suas fichas em vinte escritores que poderam ser grandes nomes no futuro - como foi com Martin Amis, William Boyd, Kazuo Ishiguro, Salman Rushdie, Julian Barnes e Ian McEwan que estiveram em edições anteriores.

Algumas curiosidades: mulheres representam mais da metade da lista (são 12 ao total), nem todos nasceram na Grã-Bretanha ou tem ascendência britânica, a maioria já acumula indicações para prêmios literários importantes, dois nomes estavam na seleção de 2003 (Zadie Smith e Adam Thirlwell), cinco autores estão estreando na literatura (Jenni Fagan, Nadifa Mohamed, Sunjeev Sahota, Taiye Selasi e Evie Wyld).

Gostei de saber que Steven Hall e Naomi Alderman usaram seus talentos para criar histórias em jogos de videogame.

Os vinte selecionados são:

Naomi Alderman
Tahmima Anam
Ned Beauman
Jenni Fagan
Adam Foulds
Xiaolu Guo
Sarah Hall 
Steven Hall
Joanna Kavenna
Benjamin Markovits
Nadifa Mohamed
Helen Oyeyemi 
Ross Raisin
Sunjeev Sahota
Taiye Selasi
Kamila Shamsie
Zadie Smith
David Szalay
Adam Thirlwell
Evie Wyld

Felizmente alguns já tem livros publicados no Brasil. Pela editora Nova Fronteira saiu Michelangelo, o tatuador, de Sarah Hall. Já a Alfaguara publicou Sombras marcadas, de Kamila Shamsie; a Record publicou Uma era de ouro, de Tahmima Anam; e a Intrinseca publicou A menina Ícaro, de Helen Oyeyemi. A Companhia das Letras foi a que mais lançou os ingleses por aqui: Cabeça Tubarão, de Steven Hall; Política, de Adam Thirlwell e todos os livros de Zadie Smith (sendo que NW deve sair até o final do ano).

A seleção certamente vai jogar nova luz sobre esses escritores e outras traduções devem ganhar as livrarias brasileiras em breve.

*Imagem: divulgação.
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MÁRIO DE ANDRADE FOTÓGRAFO


Talvez nem todo mundo saiba, mas está em cartaz no prédio da Caixa Cultural, em São Paulo, uma exposição com 60 fotografias de autoria do poeta, romancista, musicólogo, historiador, crítico de arte e fotógrafo (ufa!) Mário de Andrade. O trabalho é resultado de uma viagem do escritor, feita em 1927, pelo norte do país até o Peru com a intenção de registrar a paisagem, o povo e a cultura que estava escondida pelo interior do Brasil.

(Note que Macunaíma, seu livro mais popularmente conhecido, só seria publicado em 1928)

É um pequeno recorte na grande coleção fotográfica do escritor que começou em 1919, com uma viagem até Minas Gerais, e seguiu ao longo dos anos 1920 e 1930 - momento em que assume a direção do Departamento de Cultura e Recreação da Prefeitura Municipal de São Paulo. Ali, fez questão de registrar e montar um enorme acervo de divulgação da cultura brasileira que teve entre seus ilustres frequentadores o antropólogo Claude Lévi-Strauss.

A exposição tem curadoria da pesquisadora Adrienne Firmo e indiretamente faz parte das comemorações em torno dos 120 anos de nascimento do escritor. Abaixo um pequeno aperitivo com algumas fotos que estão na exposição.

“Mário de Andrade: etnógrafo-fotógrafo-poeta”
Até 05 de maio - de terça-feira a domingo das 9h às 20h
CAIXA Cultural São Paulo – Praça da Sé, 111
Grátis

Mário de Andrade, Abrolhos, abril 1927 (fotografia, acervo IEB USP)

Mário de Andrade, Mercado de Ver-o-Peso, maio 1927 (fotografia, acervo IEB USP) 

Mário de Andrade, A Vitória do Madeira, 1927 (fotografia, acervo IEB USP)

Mário de Andrade, Tarrafeando, junho 1927 (fotografia, acervo IEB USP)

Mário de Andrade, Tuiuiú, 1927 (fotografia, acervo IEB USP) 

Mário de Andrade, Parintins, 1927 (fotografia, acervo IEB USP)

'Mário de Andrade, Baía, 1927 (fotografia, acervo IEB USP)


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