segunda-feira, 15 de abril de 2013

ADAM JOHNSON GANHA O PULITZER DE FICÇÃO


Enquanto a lista com os vinte jovens escritores da Granta era anunciada na Inglaterra, do outro lado do oceano Atlântico, nos Estados Unidos, o mundo conhecia o ganhador do Pulitzer de ficção. Quem levou o cobiçado prêmio foi The Orphan Master's Son, de Adam Johnson - para alegria dos leitores houve um ganhador, bem ao contrário do que aconteceu no ano passado quando os três concorrentes foram para casa com os bolsos vazios.

Johnson desbancou os concorrentes Do que a gente fala quando fala de Anne Frank, de Nathan Englander e The Snow Child, de Eowyn Ivey.

A escolha demonstra um certa sintonia com os recentes acontecimentos políticos envolvendo os Estados Unidos e a Coreia do Norte. O enredo de The Orphan Master's Son conta a história de um jovem chamado Pak Jun Do enfretando todas as adversidades do regime totalitário coreano.

O livro teve boa recepção crítica nos Estados Unidos e também venceu a recente edição do Tournament of Books contra A culpa é das estrelas, de John Green (recebendo dos jurados 14 votos a favor e apenas 3 contra).

Adam Johnson é professor de escrita criativa na Universidade de Stanford, mora em São Francisco e já publicou três livros: a coletânea de contos Emporium e os romances Parasites Like Us e The Orphan Master's Son.

***ATUALIZAÇÃO: Ontem, durante a minha "apuração" (cof cof cof!) sobre o ganhador do Pulitzer, me deparei com um livro dele publicado no Brasil pela editora Larousse chamado Jun Do. Nem atentei ao fato de que esse livro é justamente uma tradução de The Orphan Master's Son feita por André Gotlieb - saiu em 2012. Achei que se tratava de um romance anterior, não li nenhum resenha, nenhuma notícia no jornal ou blog (nada!). Mesmo nos meus textos sobre o Tournament of Books não escrevi uma linha... seja como for, podemos nos dar ao luxo de escolher entre ler o ganhador do Pulitzer agora mesmo ou deixar para daqui a pouco. Lição do dia: jamais ignore um livro publicado no Brasil.

*Imagem: Tamara Beckwith/reprodução do Pulitzer.
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OS MELHORES ESCRITORES BRITÂNICOS - 2013


Dando continuidade a série "Os melhores jovens escritores..." pelo mundo, a revista Granta (versão inglesa) acaba de publicar sua aguardada edição dedicada aos britânicos - os editores costumam publicar um número desses a cada década desde 1983. Dessa forma, a revista está apostando suas fichas em vinte escritores que poderam ser grandes nomes no futuro - como foi com Martin Amis, William Boyd, Kazuo Ishiguro, Salman Rushdie, Julian Barnes e Ian McEwan que estiveram em edições anteriores.

Algumas curiosidades: mulheres representam mais da metade da lista (são 12 ao total), nem todos nasceram na Grã-Bretanha ou tem ascendência britânica, a maioria já acumula indicações para prêmios literários importantes, dois nomes estavam na seleção de 2003 (Zadie Smith e Adam Thirlwell), cinco autores estão estreando na literatura (Jenni Fagan, Nadifa Mohamed, Sunjeev Sahota, Taiye Selasi e Evie Wyld).

Gostei de saber que Steven Hall e Naomi Alderman usaram seus talentos para criar histórias em jogos de videogame.

Os vinte selecionados são:

Naomi Alderman
Tahmima Anam
Ned Beauman
Jenni Fagan
Adam Foulds
Xiaolu Guo
Sarah Hall 
Steven Hall
Joanna Kavenna
Benjamin Markovits
Nadifa Mohamed
Helen Oyeyemi 
Ross Raisin
Sunjeev Sahota
Taiye Selasi
Kamila Shamsie
Zadie Smith
David Szalay
Adam Thirlwell
Evie Wyld

Felizmente alguns já tem livros publicados no Brasil. Pela editora Nova Fronteira saiu Michelangelo, o tatuador, de Sarah Hall. Já a Alfaguara publicou Sombras marcadas, de Kamila Shamsie; a Record publicou Uma era de ouro, de Tahmima Anam; e a Intrinseca publicou A menina Ícaro, de Helen Oyeyemi. A Companhia das Letras foi a que mais lançou os ingleses por aqui: Cabeça Tubarão, de Steven Hall; Política, de Adam Thirlwell e todos os livros de Zadie Smith (sendo que NW deve sair até o final do ano).

A seleção certamente vai jogar nova luz sobre esses escritores e outras traduções devem ganhar as livrarias brasileiras em breve.

*Imagem: divulgação.
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MÁRIO DE ANDRADE FOTÓGRAFO


Talvez nem todo mundo saiba, mas está em cartaz no prédio da Caixa Cultural, em São Paulo, uma exposição com 60 fotografias de autoria do poeta, romancista, musicólogo, historiador, crítico de arte e fotógrafo (ufa!) Mário de Andrade. O trabalho é resultado de uma viagem do escritor, feita em 1927, pelo norte do país até o Peru com a intenção de registrar a paisagem, o povo e a cultura que estava escondida pelo interior do Brasil.

(Note que Macunaíma, seu livro mais popularmente conhecido, só seria publicado em 1928)

É um pequeno recorte na grande coleção fotográfica do escritor que começou em 1919, com uma viagem até Minas Gerais, e seguiu ao longo dos anos 1920 e 1930 - momento em que assume a direção do Departamento de Cultura e Recreação da Prefeitura Municipal de São Paulo. Ali, fez questão de registrar e montar um enorme acervo de divulgação da cultura brasileira que teve entre seus ilustres frequentadores o antropólogo Claude Lévi-Strauss.

A exposição tem curadoria da pesquisadora Adrienne Firmo e indiretamente faz parte das comemorações em torno dos 120 anos de nascimento do escritor. Abaixo um pequeno aperitivo com algumas fotos que estão na exposição.

“Mário de Andrade: etnógrafo-fotógrafo-poeta”
Até 05 de maio - de terça-feira a domingo das 9h às 20h
CAIXA Cultural São Paulo – Praça da Sé, 111
Grátis

Mário de Andrade, Abrolhos, abril 1927 (fotografia, acervo IEB USP)

Mário de Andrade, Mercado de Ver-o-Peso, maio 1927 (fotografia, acervo IEB USP) 

Mário de Andrade, A Vitória do Madeira, 1927 (fotografia, acervo IEB USP)

Mário de Andrade, Tarrafeando, junho 1927 (fotografia, acervo IEB USP)

Mário de Andrade, Tuiuiú, 1927 (fotografia, acervo IEB USP) 

Mário de Andrade, Parintins, 1927 (fotografia, acervo IEB USP)

'Mário de Andrade, Baía, 1927 (fotografia, acervo IEB USP)


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quinta-feira, 11 de abril de 2013

PAULISTANAS - BAIXOCENTRO - BRUNO ZENI


Para não esquecer: hoje tem conversa com o escritor Bruno Zeni no Parlapatões - Praça Roosevelt, 158 - 19h. Vamos falar sobre os livros O fluxo silêncioso das máquinas e Corpo a corpo com o concreto. Venha! Vamos ocupar as ruas da cidade com literaura.

#vemprarua #baixocentro #asruassaoparadancar #casmurros
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quarta-feira, 10 de abril de 2013

PAULISTANAS - MARIA JOSÉ SILVEIRA



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terça-feira, 9 de abril de 2013

PAULISTANAS - EXISTE FICÇÃO CONTEMPORÂNEA EM SP




O rosto de São Paulo ganhou fama na literatura brasileira quando o trio de escritores modernistas formado por Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Alcântara Machado colocou elementos da cidade nas páginas de seus livros. Naquela época, a cidade estava se transformando rapidamente de vila tímida a metrópole voraz. Ali também estava o germe da contradição que se tornaria uma marca de São Paulo - como bem definiu Caetano Veloso ao dizer que a cidade é "o avesso do avesso do avesso". 

No entanto, passados 91 anos desde a Semana de 22, será que a cidade de São Paulo tem um rosto dentro da ficção contemporânea? Foi pensando nisso que o blog Casmurros preparou um ciclo de conversas com escritores para responder essas e outras questões mais.

O evento foi batizado de "Paulistanas" e ocupa dois dias dentro da programação do Festival BaixoCentro.

A convidada do primeiro dia é a escritora Maria José Silveira autora do livro Pauliceia de mil dentes - romance que capta por meio de várias histórias que se cruzam a vida estilhaçada pelo caos de São Paulo. No segundo dia, o evento recebe o escritor Bruno Zeni para falar sobre o livro Corpo a corpo com o concreto - novela que retrata dois universos contrastantes que habitam o espaço urbano da maior cidade das Américas.

A atividade acontece nos dias 10 e 11 de abril, a partir das 19h, no Espaço Parlapatões que fica na Praça Roosevelt. Venha!

PAULISTANAS
Existe ficção contemporânea em SP

Espaço Parlapatões - Praça Franklin Roosevelt, 158
Maria José Silveira - 10 de abril | Quarta-feira | 19h
Bruno Zeni - 11 de abril | Quinta-feira | 19h

#vemprarua #baixocentro #asruassaoparadancar #casmurros
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segunda-feira, 8 de abril de 2013

NOTAS #42

Lendo Coetzee
O escritor sul-africano J.M. Coetzee vem ao Brasil para fazer duas conferências com o tema "censura". O evento, batizado de "Lendo Coetzee", será realizado no dia 15 em Curitiba e no dia 18 de abril em Porto Alegre. Como de costume, não haverá mediadores e nem perguntas da plateia - quem não lembra da participação dele na FLIP, em 2007?

Por ocasião da conferência, a Companhia das Letras vai publicar A infância de Jesus - romance que Coetzee acaba de publicar e conta a história de um homem e um menino que imigram para uma terra nova. O livro teve boa recepção crítica na Inglaterra e na Austrália. Um trecho do romance está disponível aqui

Fã e admiradores também aguardam com expectativa pela biografia do escritor que será lançada no segundo semestre desse ano. Coetzee concedeu a J.C. Kannemeyer (um famoso biógrafo de escritores africanos que faleceu em 2011) acesso ao seus arquivos pessoais e manuscritos.

No vídeo abaixo, o próprio Coetzee lê um trecho de A infância de Jesus em conferência na Universidade da Cidade do Cabo.





Grandes Encontros
A organização da FLIP confirmou a presença do escritor Aleksandar Hemon, autor dos livros Amor e obstáculo e O projeto Lazarus (ambos lançados pela editora Rocco). Ele nasceu na Bósnia e se mudou para os Estados Unidos, em 1992. Teve uma indicação ao National Book Award, recebeu o prêmio de melhor ficção da revista New Yorker e conquistou muitos outros prêmios. Desde 2010, Hemon também edita a revista anual Best European Fiction que divulga jovens escritores europeus nos Estados Unidos.

Entre tantos escritores de toda a Europa, a revista já publicou textos de Dulce Maria Cardoso, A.S. Byatt, Jean-Philippe Toussaint, Valter Hugo Mãe, Hilary Mantel, Gonçalo M. Tavares, Ingo Schulze, Marie Darrieussecq e Clemens Meyer.

Curiosamente, a edição 2013 da revista tem prefácio assinado por John Banville - outro escritor que já confirmou presença na FLIP, em julho. É bem provável que os dois marquem um encontro pelas ruas de Paraty para tomar uma cachaça.



Diga-me com quem andas...
A coleção Má Companhia não seria tão "má" enquanto um livro de William Burroughs não entrasse para a turma - que já tem muita gente da pesada: Reinaldo Moraes, Marçal Aquino, Joca Reiners Terron e Pietro Aretino. Pois bem, a coleção acaba de lançar Junky - Drogado, livro que Burroughs escreveu em 1949 e só conseguiu publicar em 1953 depois de muitas tentativas frustradas. Caso você não saiba, o livro tem altos teores de sexo, violência e drogas como o próprio título sugere. Nem preciso dizer que foi um sucesso de vendas. A nova edição tem introdução de Allen Ginsberg e tradução de Reinaldo Moraes - a mesma tradução que ele fez para uma edição publicada pela Brasiliense, em 1984. Almoço nu, o livro mais famoso de Burroughs, também será lançado pela Má Companhia.

...que te direi quem és
Reinaldo Moraes está preparando um novo romance - ainda sem título. Parece que a história será narrada por um espírito desencarnado. Deve sair no primeiro semestre do ano que vem, se tudo der certo.


Novo romance
O escritor Eduardo Baszczyn está de volta com novo romance, Cuidado com pessoas como eu. O final de um relacionamento impõe é o ponto de partida para uma situação insólita: uma mulher trancada num apartamento e um homem que não para de bater na porta. Baszczyn foi finalista do Prêmio SP de Literatura e um dos 20 escritores brasileiros com menos de 40 anos - segundo uma lista proposta por este blog em 2010.

Para matar a curiosidade tem um trecho desse romance aqui.

***

Quem também está de volta é o escritor Alejandro Zambra. A Cosac Naify está lançando A vida privada das árvores com tradução de Josely Vianna Baptista. Conta a história de um professor de literatura chamado Julián que espera por sua mulher Verônica. O problema é que ela nunca chega. É tão curtinho quanto Bonsai - tem 96 páginas.

Perfis Literários
O site Isto não é um cachimbo - Perfis literários está de volta com novidades. O perfilado do mês é ninguém menos que o escritor André Sant'anna ao som de So you wanna be a rock and roll star, de Patti Smith e com boas quantidades de amendoim japonês e whisky sem gelo. O site também ganhou um blog com textos diários sobre literatura e entretenimento.

***

Foi lá que eu descobri que André Sant'anna vai lançar um novo livro de contos chamado Irrealidades. Como aperitivo, para entrar no clima, o blog liberou um conto “O povo estava todo lá”.

*Imagens: divulgação.


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AS RUAS SÃO PARA LER!




Quero agradecer a participação de todo mundo que apareceu na Praça Marechal Deodoro para ler Macunaíma, no sábado. Foi lindo, nunca imaginei que pudesse conseguir a concentração das pessoas no meio da rua para ler um livro como esse. Muito obrigado!

Quero lembrar que essa semana tem mais: dias 10 e 11 de abril às 19h (próxima quarta e quinta-feira) estarei na atividade "Paulistanas", uma conversa com escritores para falar sobre a cidade de São Paulo dentro da ficção contemporânea. Recebo Maria José Silveira, na quarta, e Bruno Zeni, na quinta. Espero vocês novamente no Espaço Parlapatões - ali na Praça Roosevelt.

Depois volto com mais informações.

*Foto: Claudia Prechedes

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sábado, 6 de abril de 2013

BAIXOCENTRO - LIVRO NA RUA - MACUNAÍMA




Para não esquecer: sei que já falei bastante disso, mas não custa lembrar. Hoje tem leitura colaborativa do livro "Macunaíma", de Mário de Andrade na Praça Marechal Deodoro - 16h. Venha! Tire seu exemplar da estante, leia um capítulo, traga comida, bebidas e cuide do seu lixo. Vamos ocupar as ruas da cidade com leitura.

Vai ter cobertura através do Twitter, Flickr e Facebook (na fanpage do Festival BaixoCentro). Acompanhe toda a programação no site festival.baixocentro.org 

#vemprarua #baixocentro #asruassaoparadancar #casmurros

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sexta-feira, 5 de abril de 2013

NÃO É FICÇÃO: É TUDO VERDADE!


Começou nesta semana, em São Paulo e no Rio de Janeiro, a 18ª edição do Festival É Tudo Verdade (voltado ao gênero documentário) com dois pequenos mimos para os amantes da prosa de ficção: um filme sobre o escritor brasileiro Graciliano Ramos e outro sobre o escritor norte-americano Philip Roth. Não pense que são filmes de pouca relevância dentro da programação do Festival, pois os dois escritores estão em grande evidência nesse momento.


O documentário O universo Graciliano, de Sylvio Back vai em busca de depoimentos de amigos, entrevistas do velho Graça (como ele era conhecido pelos amigos íntimos), materiais de arquivo e fotos raras para compor um perfil pessoal do homem que escreveu alguns dos livros mais importantes da literatura brasileira como Vidas secas, São Bernardo, Angústia e Memórias do cárcere - por minha conta e risco digo que são livros importantes até mesmo para a literatura universal. No filme nós descobrimos, por exemplo, que Graciliano também foi prefeito e um bravo militante comunista. Serve como uma bela introdução a vida particular do escritor homenageado pela próxima FLIP, em julho.


Já o documentário Philip Roth, sem complexos, de William Karel entra no apartamento do escritor com fama de chato, recluso e hermitão para mostrar justamento o contrário. Em 52 minutos, Roth fala sobre o seu processo de criação, os temas que habitam seus livros e ainda lança uma polêmica "seus personagens não são seus alter-egos". O documentário foi gravado antes da publicação de Nêmesis e daquela entrevista à revista francesa Les Inrockuptibles afirmando que iria se aposentar.

É bom lembrar que o festival tem entrada gratuita para todas as sessões.

Serviço:

É TUDO VERDADE
O Universo Graciliano, de Sylvio Back

Cinépolis Lagoon (RJ): 
07/04 - 21h
08/04 - 15h

Cine Livraria Cultura (SP): 
11/04 - 21h
12/04 - 13h

Philip Roth, sem complexos, de William Karel

Reserva Cultural (SP): 
06/04 - 22h
09/04 - 14h

Cinépolis Lagoon (RJ): 
11/04 - 17h

Cine Livraria Cultura (SP): 
11/04 - 19h

Espaço Museu da República (RJ):
14/04 - 20h

*Imagens: divulgação

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