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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

J.G. BALLARD GEOGRAFICAMENTE DECODIFICADO


Não consegui descobrir o autor da façanha, mas alguém (ou algumas pessoas) resolveu montar um mapa global com os lugares citados nos livros do escritor J.G. Ballard. Evidentemente nem tudo deve estar por lá, pode ser que falte uma coisa ou outra. Afinal, seria necessário ler as obras completas com muita atenção e grande dedicação acadêmica. Seja como for tanto trabalho resultou num negócio muito bacana. Não fosse por isso nunca iríamos descobrir que o Brasil foi citado por Ballard em três momentos:

"The man who walked on the moon": um conto publicado em 1985 no livro Memories of the space age. No Brasil, um jornalista encontra um homem chamado Scranton que para impressionar as pessoas diz ter sido um astronauta da Apollo. A história de Scranton não passa de uma mentira. Quando Scranton morre, o jornalista também começa a fingir ser um ex-astronauta. Infelizmente o conto não ganhou tradução para o português - pelo menos nas minhas buscas não encontrei, se alguém souber de alguma coisa pode me avisar.

Trecho: "I, too, was once an astronaut. As you see me sitting here, in this modest cafe with its distant glimpse of Copacabana Beach, you probably assume that I am a man of few achievements".
"The Side-Effects of Orthonovin G": um texto obscuro que ele escreveu para a revista Ambit #50 em 1972. De acordo com informações de um site dedicado a Ballard era para ter sido um conjunto de textos satíricos, supostamente escritos por membros do Departamento de Sociologia da Universidade de Yale. No entanto acabou sendo pequenas biografias escritas por mulheres americanas que haviam tomado Orthonovin G., uma pílula anticoncepcional. O texto na íntegra está disponível aqui.

Trecho: "One year later I was accepted as a member of an exchange-student programme to Brazil. I quickly resumed my new interest in their national sport".
Super-Cannes: romance publicado em 2000 também inédito em português. Nas montanhas de Cannes, uma sociedade secreta chamada Eden-Olympia oferece aos seus sócios casas de luxo, médicos particulares, segurança privada, psiquiatras e conveniências exigidas pelo mundo dos empresários modernos. Tipo de história que somente Ballard poderia escrever.

Trecho: "In the nexus of narrow streets beyond the Boulevard d'Alsace congregated another constituency of the night: Maltese whores and their pimps, transvestites from Recife and Niteroi, runners for the dealers waiting in their cars off the Avenue St-Nicolas, smartly dressed matrons who seemed never to find a client but returned evening after evening, teenage boys waiting for the limousines that would ferry them to the villas of Super-Cannes, the mansions of light that rose above the night".
*Imagem: reprodução do site.

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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O ARQUIVO DE JG BALLARD E O MANUSCRITO DE CRASH


O arquivo do escritor inglês J.G. Ballard foi doado para a British Library. Ao todo são 15 caixas grandes contendo manuscritos, anotações, cartas, fotografias e documentos do autor que morreu no ano passado. Por enquanto, o arquivo está sendo catalogado e será aberto para visitação em meados de 2011.

A preciosidade do arquivo é o manuscrito do romance Crash. Esse livro foi o responsável por tornar Ballard um escritor cultuado no mundo todo. Ele construiu, de maneira sinistra e apocalíptica, uma história que mistura o impulso erótico da sociedade ao seu desenvolvimento tecnológico - no romance essa ideia está expressa metaforicamente nos carros. Crash conta a história do roteirista James Ballard e seu envolvimento com um estranho grupo de pacientes comandado pelo doutor Robert Vaughan. Todos eles chegaram as mãos do doutor depois de sofrerem algum tipo de acidente de carro. Após esse incidente todos mantém desejos sexuais relacionados a carros e acidentes. O livro causou espanto e muita curiosidade quando foi publicado em 1973.

Os jornalistas que tiveram acesso ao manuscrito de Crash disseram que ele contém uma série de supressões, rasuras, acréscimos e correções. Todos anotados em caneta vermelha. Um detalhe interessante: o nome da personagem 'James Ballard' (aliás, retirado do próprio nome de J.G. Ballard) poderia ter sido 'Charles N'.

Tanto o manuscrito quanto o arquivo em geral exercem fascínio e curiosidade porque queremos encontrar ali pistas e explicações que teriam levado Ballard a escrever romances com temas tão perturbadores. Será que Ballard tinha alguma mania, coleção estranha ou diários recheados de segredos que ele nunca confessou?

Tudo isso não deve passar de fantasia da nossa cabeça de leitor.

*imagem: reprodução do Guardian.
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